CORRUPÇÃO NA POLÍTICA: ELEITOR VÍTIMA OU CÚMPLICE?
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CORRUPÇÃO NA POLÍTICA: ELEITOR VÍTIMA OU CÚMPLICE?. Silvia Cervellini - Diretora de Atendimento do IBOPE Opinião. 2o CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA - ABEP 2006.

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Silvia Cervellini - Diretora de Atendimento do IBOPE Opinião.

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Presentation Transcript


Silvia cervellini diretora de atendimento do ibope opini o

CORRUPÇÃO NA POLÍTICA: ELEITOR VÍTIMA OU CÚMPLICE?

Silvia Cervellini - Diretora de Atendimento do IBOPE Opinião.

2o CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA - ABEP 2006


Silvia cervellini diretora de atendimento do ibope opini o

O objetivo desse trabalho é retratar a sociedade brasileira no que diz respeito à ética, no contexto da crise política enfrentada pelo país a partir das denúncias do “mensalão” e de corrupção na administração federal, em 2005.

Esse é um resumo dos resultados de pesquisa quantitativa inédita, comparando e analisando as relações entre atitudes do eleitorado frente à corrupção na política e suas percepções e hábitos em termos de respeito à sociedade, através da obediência às leis e aos contratos.


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HIPÓTESES

Era necessário abordar de forma mais conclusiva a questão sobre até que ponto os problemas éticos enfrentados pela sociedade brasileira estão mais concentrados nas suas elites e lideranças ou se trata de uma prática social disseminada em todas as camadas e grupos de nossa sociedade.

HIPÓTESE 1: A maioria dos eleitores brasileiros já transgrediu alguma lei ou descumpriu alguma regra contratual, para obter benefícios materiais, de forma consciente e intencional.

HIPÓTESE 2: A maioria dos eleitores brasileiros tolera algum tipo de corrupção por parte de seus representantes ou governantes eleitos.

HIPÓTESE 3: Assim como é atribuído às classes políticas brasileiras, há no eleitorado uma gradação tanto na prática de transgressões no dia-a-dia quanto na tolerância à corrupção política e essas duas variáveis estão correlacionadas fortemente, ou seja, quanto mais ético no dia-a-dia, menos tolerante com a corrupção tende a ser o eleitor.


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METODOLOGIA

METODOLOGIA

  • O fundamental era levantar as seguintes informações:

    • Incidência de ilegalidades cometidas no dia-a-dia pelos eleitores brasileiros

    • Nível de Tolerância dos eleitores à prática de corrupção pelos políticos brasileiros

    • Percepção sobre incidência de prática de corrupção entre os políticos brasileiros


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METODOLOGIA

  • Um questionário foi elaborado composto basicamente de duas baterias de questões. A primeira listava uma série de práticas ilegais passíveis de serem cometidas por pessoas comuns.

  • Partindo dos pressupostos da teoria do “Third-Person Effect” , optou-se por perguntar para cada um desses itens qual a incidência de cada comportamento:

  • Entre os brasileiros,

  • Entre as pessoas que o entrevistado conhece e,

  • Qual freqüência com que o próprio praticou cada um.


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METODOLOGIA

METODOLOGIA

A segunda bateria trazia uma lista de atos de corrupção política, nas esferas Executiva e Legislativa, comumente citados em denúncias, tanto em meio à crise do “Mensalão”, como em outros momentos da história recente do país.

Para cada item perguntava-se com que incidência os políticos brasileiros praticam tal ato, depois a incidência com que os brasileiros em geral praticariam esse ato caso tivessem oportunidade e a freqüência com que o próprio eleitor o faria caso tivesse a oportunidade.

Por último, perguntávamos se o entrevistado considerava aquele ato “leve”, “médio” ou “grave” e se seria “aceitável” ou

“inaceitável”.


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METODOLOGIA

METODOLOGIA

Numa primeira revisão do questionário, foi considerado necessário aplicar as duas últimas perguntas finais da bateria sobre corrupção política também para os itens da bateria de ilegalidades do cotidiano,pois poderíamos encontrar algumas transgressões do dia-a-dia tão comuns e já “legitimadas” na nossa cultura que talvez nem pudessem ser comparadas aos atos de corrupção entre governantes e representantes.

O pré-teste (20 entrevistas em São Paulo) foi realizado e ajudou na exclusão de alguns itens de difícil compreensão, reformulação de outros e ordenação e formatação das perguntas que facilitaram o fluxo da entrevista.

Foi necessário reformular os pontos extremos da escala de incidência de práticas ilegais, pois constatamos que os entrevistados recusavam dizer que “todos” ou “nenhum” dos brasileiros ou de seus conhecidos fazem cada uma das práticas. A escala ficou com “quase todos” e “quase nenhum” nos extremos.

O questionário final foi aplicado face a face e domiciliar, em torno de 30 a 40 minutos. Os trabalhos de campo ocorreram em Janeiro de 2006, junto a uma amostra nacional representativa do eleitorado brasileiro, com 2001 entrevistas.


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RESULTADOS


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RESULTADOS


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METODOLOGIA

RESULTADOS


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METODOLOGIA

TESTANDO AS HIPÓTESES

HIPÓTESE 1: A maioria dos eleitores brasileiros já transgrediu alguma lei oudescumpriu alguma regra contratual, para obter benefícios materiais, de forma consciente e intencional.

O índice criado para medir essa informação mostra que, segundo a percepção dos brasileiros sobre seus próprios conhecidos, 98% do eleitorado comete algum ato ilegal no seu dia-a-dia.

Mesmo se utilizássemos a pergunta direta sobre comportamento do entrevistado, teríamos 69% do eleitorado assumindo ter cometido pelo menos uma dessas ilegalidades até aquele momento.

Essa hipótese, portanto, está comprovada.


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METODOLOGIA

TESTANDO AS HIPÓTESES

HIPÓTESE 2: A maioria dos eleitores brasileiros tolera algum tipo de corrupção por parte de seus representantes ou governantes eleitos.

O índice criado mostra que 75% dos eleitores brasileiros acreditam que cometeriam pelo menos um dos atos de corrupção avaliados, caso tivessem a oportunidade, ou seja, se estivessem no lugar e nas mesmas condições dos políticos brasileiros denunciados por esses crimes.

Consideramos esse dado suficiente para comprovar nossa segunda hipótese, uma vez que ao imaginar que poderia cometer um desses atos, o eleitor provavelmente será tolerante com o político que o fizer.

Mesmo se considerarmos o percentual mais conservador, correspondente à declaração do próprio entrevistado sobre seu comportamento real e potencial, verifica-se, conforme esperávamos, que os níveis de corrupção atribuídos aos políticos, os níveis de ilegalidade assumidos pelos eleitores e também os níveis de corrupção provável assumidos pelos eleitores apresentam patamares semelhantes.

Essa hipótese, portanto, está comprovada.


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METODOLOGIA

TESTANDO AS HIPÓTESES

HIPÓTESE 3: Assim como é atribuído às classes políticas brasileiras, há no eleitorado uma gradação tanto na prática antiética no dia-a-dia quanto na tolerância à corrupção política e essas duas variáveis estão correlacionadas fortemente, ou seja, quanto mais ético no dia-a-dia, menos tolerante com a corrupção tende a ser o eleitor.

Como a tabela permite visualizar associação entre os dois indicadores, buscamos outra medida de correlação, mais apropriada para esse tipo de variável categorizada, tentando traduzir tais variações percentuais em um coeficiente, bastante conservador e mais apropriado para variáveis ordinais.

Podemos dizer, portanto, que a nossa terceira hipótese está comprovada, pois há uma associação entre prática de ilegalidades no cotidiano e tolerância à corrupção política, mas não com a força esperada. Nesse sentido, essa terceira linha de investigação merece um aprofundamento de análise desses e de novos dados a serem coletados ao longo desse ano eleitoral.


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MUITO OBRIGADO !!!

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Para acesso ao conteúdo integral da pesquisa Retrato 2006 e essa apresentação

www.flaviovicente.com.br


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