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METODOLOGIA PASTORAL - CONTEXTO E AÇÃO

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METODOLOGIA PASTORAL - CONTEXTO E AÇÃO. “De fato, do mesmo modo que o corpo sem o espírito é cadáver, assim também a fé: sem as obras ela é cadáver” (Tg 2, 26).

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metodologia pastoral contexto e a o

METODOLOGIA PASTORAL - CONTEXTO E AÇÃO

“De fato, do mesmo modo que o corpo sem o espírito é cadáver, assim também a fé: sem as obras ela é cadáver” (Tg 2, 26)

slide2
A ação pastoral, ainda que levada a cabo na fé sustentada pela graça e sob o dinamismo do Espírito Santo, não deixa de ser uma ação humana, sujeita às contingências de qualquer ação. Toda ação humana, enquanto é sempre uma ação pensada, tem, também, uma racionalidade própria. Por isso é importante refletir sobre a projeção da ação pastoral ou do estatuto da ação eclesial e de sua implementação, destacando algumas balizas e requisitos para uma ação pastoral pensada.
algumas balizas para uma a o pastoral pensada superar o amadorismo e o ativismo do dia a dia
ALGUMAS BALIZAS PARA UMA AÇÃO PASTORAL PENSADASuperar o amadorismo e o ativismo do dia-a-dia
  • Vivemos numa atmosfera de império do presente que nos leva ao espontaneísmo e ao pragmatismo do cotidiano que afeta negativamente a noção de pere­nidade, de perseverança, de persistência. Há uma redução da esperança e um encolhimento da utopia ao momentâneo.
  • Isso se reflete na na pastoral pela tentação de uma ação sem profissionalis­mo, pautada pelo voluntarismo, à mercê da demanda do dia.
  • Perde-se, com isso, a capacidade de fazer história. Nesse contexto, a história não se faz, se padece. Mergulha-se num eterno recomeçar, numa história cíclica, tecida pela rotina da sobrevivência no cotidiano, condenando a pastoral a "vegetar", uma pastoral de manutenção, a uma ação a-histórica e, a longo prazo, anti-histórica.
  • Sem conhecimento reflexivo/dinâmico do objeto e do método da ação eclesial e do contexto em que ela se dá, corre-se o risco de multiplicação de atos isolados.
somente uma a o pensada nos torna capazes de ver o essencial
Somente uma ação pensada nos torna capazes de ver o essencial.
  • A importância de “COMO” pensar a ação pastoral
  • Uma ação pode ser pensada, por exemplo, de forma autoritária. Os opressores, o grande capital, o sistema financeiro ou a indústria bélica também o fazem. Mais importante é "como" planejar. No campo eclesial, se não for de forma participativa, colegiada, comunitária, no espirito de koinonía que funda a Igreja, o planejamento presta um desserviço ao Reino de Deus, o que é incompatível com a ação pastoral.
o esp rito santo protagonista da a o pastoral da igreja
O Espírito Santo é protagonista da ação pastoralDa Igreja
  • A ação pastoral, além da exigência de uma ação pensada, é uma ação rezada. Não há pastoral sem Espírito Santo (EA/, n. 75), da mesma forma que não há planejamento eclesial sem espiritualidade e sem mística. No planejamento, a técnica é mero meio, que só ajuda quando for canal da comunicação de Deus no Espírito. E não há outra forma de fazê-lo, a não ser pela oração e pela "retidão de consciência", que consiste em escutar a voz de Deus na oração e na contemplação e, em tudo o que se faz, colocar-se na presença dele, para fazer a sua vontade. O "piloto" da pastoral é o Espírito Santo; a comunidade e seus membros são o "co-piloto".
o processo mais importante que os resultados
O processo é mais importante que os resultados
  • Na pastoral, enquanto ação da Igreja, um bom resultado é sempre fruto de um processo. Para interagir na história da salvação, os fins são os meios a ca­minho. O fim não é um plano, mas a comunidade sujeito de uma ação pasto­ral pensada. O fim está no caminho, no processo, que nunca termina.
  • O cristão não necessita de uma conversão, mas de várias, continuamente. A Igreja não tem necessidade de uma reforma, mas de uma contínua reforma — ecclesíam semper reformanda, diziam os santos Padres. O amanhã ou terá relação com o hoje ou não passará de uma mera repetição do passado.
planejamento participativo que por sua vez promove e aprofunda
Planejamento participativo que, por sua vez, promove e aprofunda:
  • O consenso das diferenças
  • A autonomia e, ao mesmo tempo, a colegialidade dos diversos níveis de ação e de decisão
  • O discernimento comunitário
alguns requisitos b sicos para uma a o pastoral pensada ter um m todo adequado
ALGUNS REQUISITOS BÁSICOS PARA UMA AÇÃO PASTORAL PENSADA- Ter um método adequado
  • Método é caminho para chegar a algum lugar. É meio para alcançar um determinado fim. Nem todo caminho leva a determinado lugar, como não é qualquer meio que permite alcançar, atingir determinado fim. Nem todo método de planejamento serve para projetar uma ação pastoral, dado que ela já é portadora de um fim, de uma intencionalidade. Um método antievangélico não serve para alcançar um fim evangélico.
  • A Igreja no Brasil tem adotado o planeja­mento participativo, cujo ponto de partida é a ação para retornar à ação sob a luz das Escrituras, em vista de uma ação pastoral conseqüente com a realidade que se vive, transformadora e forjadora de um mundo crescentemente melhor.
  • O êxito de uma ação pastoral pensada de forma participativa implica três exigências básicas:
1 exig ncia ter os p s no ch o
1ª exigência: ter os pés no chão
  • Antes de pensar a ação futura, para que ela seja res­posta a perguntas reais, o imperativo é situar-se em relação às pessoas, à sociedade, à instituição eclesial. Um bom processo de planejamento, que ajuda a Igreja a encarnar-se e inculturar o Evangelho em seu meio, exige inserção na própria realidade. Planejar é, antes de tudo, não ignorar os "novos sinais dos tempos", como diz Santo Domingo.
  • Os processos ou estão alicer­çados sobre a realidade, ou, então, são fogo de palha, que logo se apaga. Sem processos, estamos condenados ao eterno recomeço.
2 exig ncia manter os olhos no horizonte
2ª exigência: manter os olhos no horizonte
  • Os problemas e os desafios que se apresentam não têm a última palavra. A realidade, por mais contraditória e dura que seja, não nos condena ao derrotismo e ao conformismo. Os que caminham na fé contam com a esperança. Em pastoral, isso significa saber-se acompanhado e interpelado por Deus, que vai à frente mostrando o cami­nho, em meio à ambigüidade dos acontecimentos e à opacidade dos fatos.
  • Ter os olhos voltados para o horizonte é condição para sintonizar a utopia do Evangelho e, desde aí, projetar um futuro desejável, na perspectiva do Reino de Deus. Toda visão catastrófica ou retrospectiva da realidade inviabi­liza qualquer possibilidade de um processo de planejamento participativo.
3 exig ncia passar do n vel te rico ao pr tico
3ª exigência: passar do nível teórico ao prático
  • Num processo de planejamento, os pés no chão e o olhar no horizon­te precisam encontrar-se com as mãos. De nada valem a consciência da realidade e a esperança de que um dia ela pode ser diferente se não são realizadas ações concretas. A passagem do teórico ao prático começa na mente (nível dos conceitos, da mentalidade), passa pelo coração (nível das convicções) e concretiza-se com as mãos (nível das habilidades).
alguns passos metodol gicos importantes para a o pastoral pensada
ALGUNS PASSOS METODOLÓGICOS IMPORTANTES PARA AÇÃO PASTORAL PENSADA
  • Aação pastoral, como toda e qualquer ação, deve ser levada a cabo tendo-se presente dois referenciais: a realidade histórica em que se está inserido e a utopia para a qual se quer redirecionar esta mesma realidade, e um diagnóstico que avalie as possibilidades.
1 momento o marco referencial
1º Momento: o marco referencial

a) Marco da realidade

  • Por realidade entende-se, primeiro, a situação social, depois a eclesial, dado que a Igreja está dentro do mundo, sempre procurando ir às causas dos problemas, mais precisamente às causas principais e às causas secundárias. Como se trata de uma apreensão da realidade, em vista de sua transformação, procura-se colocar em evidência, sobretudo, suas contradições com a mensagem cristã.
1 momento o marco referencial1
1º Momento: o marco referencial

b) Marco doutrinal

  • Aqui se processa um confronto entre revelação e situação, projeta-se o futuro desejável a ser perseguido pela ação pastoral, em forma de um referencial teórico ou de uma utopia inspirada no Evangelho para a realidade em questão. A confrontação entre situação e revelação provoca uma dupla modificação de sentido: uma novidade de sentido da realidade, pelo impacto, sobre ela, do dado revelado, e, por sua vez, uma novidade de sentido da revelação, pelo impacto, sobre ela, da situação.
1 momento o marco referencial2
1º Momento: o marco referencial
  • O diagnóstico é o resultado da confrontação entre o marco de realidade e o marco doutrinal, em vista de uma tomada de posição, como cristãos, diante da própria realidade. Concretamente, trata-se de identificar, no próprio contexto, as forças de apoio e de resistência da realidade em relação ao horizonte da Revelação, as tendências positivas e negativas, os maiores problemas e, dentre estes, as maiores urgências pastorais ou necessidades de evangelização. Com o diagnóstico, vai-se identificar o que constitui impedimento para que "o que somos" (marco de realidade) seja "o que queremos ser" (marco doutrinai).
2 momento marco operacional
2º Momento: marco operacional
  • O marco referencial consistiu num processo de reflexão partindo da ação. O marco operacional consiste em voltar à ação fazendo:
  • a) Um prognóstico pastoral
  • Estabelecendo, primeiro, o objetivo geral do plano global e os objetivos específicos, desenhando-se o curso de ação. Depois, são elaborados os critérios de ação, que buscam operacionalizar os objetivos específicos. Eles são de duas ordens: as políticas ou linhas de ação (o modo, as diretrizes, as atitudes ou os princípios orientadores de trabalho, que brotam do marco doutrinai) e as estratégias ou formas de ação (meios de concretização das linhas, que brotam do marco de realidade).
2 momento marco operacional1
2º Momento: marco operacional

b)Programação pastoral

  • No caminho de volta à ação, o prognóstico aterrissa na programação pastoral, que se compõe de programas (conjuntos de atividades afins, que conformam campos de ação) e projetos (metas, que concretizam estratégias preestabelecidas). Conclui-se a programação com a distribuição das atividades no tempo, elaborando-se o cronograma pastoral.
3 momento explicita o do marco organizacional
3º Momento: explicitação do marco organizacional

a) Organização institucional

  • Trata-se de repensar as estruturas existentes, ou seja, determinar os organismos de globalização (assembléias, conselhos), os mecanismos de coordenação (de serviços e de setores de pastoral, assim como de níveis eclesiais) e a função dos primeiros responsáveis (de serviços, setores e níveis eclesiais), que darão suporte ao novo plano. É o momento de distribuir as responsabilidades e de investir em organismos e pessoas de responsabilidade correspondente, no seio de uma comunidade toda ela responsável.
3 momento explicita o do marco organizacional1
3º Momento: explicitação do marco organizacional

b) Seguimento ou controle

  • A execução do plano, além do suporte institucional, num primeiro momento, precisa de um seguimento na preparação e durante a realização das atividades programadas. Avaliar os erros depois que eles aconteceram não é tudo. É preciso procurar evitá-los. Para isso há o seguimento ou controle a ser feito, sobretudo pelos responsáveis das atividades programadas. Nesse particular, sua função é zelar para que tudo saia conforme o programado ou de acordo com os ajustes que foram sendo efetuados durante a execução do plano.
3 momento explicita o do marco organizacional2
3º Momento: explicitação do marco organizacional

c) Avaliação

  • Num segundo momento, está a avaliação de uma atividade realizada, de uma parte da programação ou da totalidade de um plano elaborado. Sua finalidade não é fazer ajuste de contas ou uma mera cobrança. Ela tem uma função retroalimentadora, no sentido de aprender com os erros cometidos, registrá-los, tê-los presentes na elaboração do próximo plano, para evitar os mesmos equívocos no futuro.
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A pastoral como processo implica uma conversão contínua ao modo de ser e de agir de Jesus. Não há pastoral sem Espírito Santo, portanto sem espiritualidade, sem ter o Espírito dentro de si e sem agir sob o seu dinamismo. A espiritualidade cristã é a alma da pedagogia da ação pastoral.