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PERSPECTIVA TEOLÓGICO-MORAL

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PERSPECTIVA TEOLÓGICO-MORAL. Francisco Martins. PERSPECTIVA TEOLÓGICO-MORAL.

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Presentation Transcript
perspectiva teol gico moral2
PERSPECTIVA TEOLÓGICO-MORAL

A reflexão teológico-moral, querendo ser expressão da posição oficial da Igreja Católica, procura uma maior positividade no discurso ético acerca do aborto, libertando-se de alguma rigidez dos princípios deontológicos.

perspectiva teol gico moral3
PERSPECTIVA TEOLÓGICO-MORAL

Perspectiva moral do aborto

a partir da moral católica

Referência fundamental:

o valor da vida.

para uma formula o correcta da perspectiva moral necess rio ter em conta o seguinte aspecto
Para uma formulação correcta da perspectiva moral é necessário ter em conta o seguinte aspecto:

1) a vida humana é valorizada a partir do plano humano:

o discurso moral fundamenta-se nos dados científico-filosóficos

sobre quando e como aparece a vida humana

Marciano Vidal, em Moral de Atitudes, (1991)

para uma formula o correcta da perspectiva moral necess rio ter em conta o seguinte aspecto5
Para uma formulação correcta da perspectiva moral é necessário ter em conta o seguinte aspecto:

2) a formulação do valor da vida humana deve evitar as conceptualizações e expressões que se movam dentro de um universo ‘sacralizado’ fechado

Marciano Vidal, em Moral de Atitudes, (1991)

para uma formula o correcta da perspectiva moral necess rio ter em conta o seguinte aspecto6
Para uma formulação correcta da perspectiva moral é necessário ter em conta o seguinte aspecto:

3) a teologia moral do aborto deve expressar o valor da vida humana de forma mais positiva que negativa

Marciano Vidal, em Moral de Atitudes, (1991)

para uma formula o correcta da perspectiva moral necess rio ter em conta o seguinte aspecto7
Para uma formulação correcta da perspectiva moral é necessário ter em conta o seguinte aspecto:

4) por último, a metodologia de abordagem ao aborto tem que assumir,

em diálogo com cultura hodierna, um discurso aberto

que inclua as noções de ‘conflito’ e de ‘situações limite’.

Marciano Vidal, em Moral de Atitudes, (1991)

a perspectiva teol gico moral cat lica
A perspectiva teológico-moral católica

Deve promover um discernimento ético de atitudes que supere alguns reducionismos

reducionismos a evitar
Reducionismos a evitar

A indiferença

toda a pessoa humana está implicada na realidade social do aborto.

Não diz só respeito à mulher

reducionismos a evitar10
Reducionismos a evitar

A postura condenatória

uma condenação supõe e conduz à negatividade.

Em vez de dizer ‘não’ ao aborto,

antes dizer e praticar

o ‘sim’ à vida

reducionismos a evitar11
Reducionismos a evitar

Argumentação não fundamentada

não se pode afirmar mais do que aquilo que está comprovado, nem exagerar os termos, ou os conceitos, ou as imagens

Argumentar a partir de uma postura totalmente segura

a actual doutrina da igreja cat lica
A actual doutrina da Igreja Católica

Fontes

  • Sagrada Escritura
  • Tradição Cristã
  • Magistério

Aprofundados com a reflexão da teologia moral e os contributos das ciências da vida.

b blia
Bíblia

A Bíblia não apresenta referências directas e explícitas ao tema do aborto.

Os textos que se referem não contém um ensinamento directo e claro sobre o aborto

  • Antigo Testamento: Ex 21, 22-23
  • Novo Testamento: Gal 5, 20;

Ap 9, 21; 21, 8; 22, 15.

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Bíblia

É clara uma visão do cosmos favorável à vida humana; visão coerentemente aplicável à realidade concreta do aborto.

Não apresenta uma condenação explícita

mas o silêncio não significa uma aprovação implícita.

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Bíblia

Para o povo judeu

  • a vida é considerada o valor paradigmático para todos os outros valores e admirada como um dom de um Deus
  • os filhos são olhados como uma bênção e a esterilidade como uma maldição
  • a pessoa humana era formada pelo poder criador de Deus ainda no ventre materno
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Bíblia

Por estas razões

a prática do aborto provocado encontraria pouco sentido.

O silêncio sobre o aborto provocado indica que uma legislação deste tipo era inútil.

Grisez, em Abortion (1970)

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Bíblia

No dizer do teólogo Ciccone, uma das mensagens mais fortes e constantes da Bíblia é a de um Deus protector dos pequenos e dos fracos, incapazes de fazerem valer os seus direitos.

Não aparece uma referência aos nascituros porque estavam já protegidos pela cultura e pelas concepções religiosas do povo hebraico.

Mas a partir do momento em que o ‘pequeno’ (zigoto) vive no ventre da mulher pertence a esta categoria bíblica dos indefesos e, olhado como ser humano entre todos o mais débil, aplica-se-lhe a mensagem bíblica de severa condenação contra qualquer violência e atentado à vida.

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Tradição

A Tradição da Igreja sempre considerou a vida humana como algo que deve ser protegido e favorecido, desde o seu início, do mesmo modo que durante as diversas fases do seu desenvolvimento.

Opondo-se aos costumes greco-romanos, a Igreja dos primeiros séculos insistiu na distância que, quanto a este ponto, separa deles os costumes cristãos.

[Declaração sobre o Aborto Provocado, nº6, (1974)]

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Tradição

O livro chamado Didaché é claro:

«Tu não matarás, mediante o aborto, o fruto do seio; e não farás perecer a criança já nascida».

[Declaração sobre o Aborto Provocado, nº6, (1974)]

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Tradição

Atenágoras frisa bem que os cristãos têm na conta de homicidas as mulheres que utilizam medicamentos para abortar;

ele condena igualmente os assassinos de crianças, incluindo no número destas as que vivem ainda no seio materno, «onde elas já são objecto da solicitude da Providência divina».

[Declaração sobre o Aborto Provocado, nº6, (1974)]

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Tradição

Tertuliano, não deixa de afirmar, com clareza, o princípio essencial:

«É um homicídio antecipado impedir alguém de nascer; pouco importa que se arranque a alma já nascida, ou que se faça desaparecer aquela que está ainda para nascer. É já um homem aquele que o virá a ser»’’

[Declaração sobre o Aborto Provocado, nº6, (1974)]

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Magistério

As primeiras intervenções do Magistério surgem no contexto de Concílios Regionais com intervenções de carácter disciplinar.

O mais antigo é o de Elvira (305), seguido do de Ancira (314). Este último tem a preocupação de mitigar a disciplina precedente, que excluía da comunhão eclesial para toda a vida quem praticasse o aborto

(Delmaile, Abortement, 1935)

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Magistério

Até ao tempo de uma carta de Estevão V, datada entre 887 e 888, que qualifica o aborto como um homicídio e depois até ao século XX não há a assinalar nenhuma novidade significativa.

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Magistério

O século XX trouxe novidades a partir de Pio XI. Encíclica Casti connubii (1930).

Dadas as correntes de pensamento e iniciativas para a legalização do aborto, inicia-se um tipo de magistério que não se limita a condenar o aborto.

Dá as razões positivas em defesa da vida,

desmascarando a mentalidade abortista.

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Magistério

Concílio Vaticano II

Constituição Pastoral Gaudium et spes

nn. 27 e 51

defesa da dignidade

da vida humana

desde a sua concepção

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Magistério

Este tipo de intervenção é confirmada e ampliada pela já citada declaração da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o Aborto Provocado, de 1974.

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Magistério

Papa João Paulo II, grande doutrinador

Encíclica Evangelium vitae 1995

Apresenta a doutrina mais ampla e orgânica sobre o tema do aborto, no contexto de uma exposição que põe o fundamento na concepção cristã da vida e da sua consequente inviolabilidade.

O aborto é indicado como problema moral a requerer particular atenção, pois constitui uma das maiores ameaças à vida humana inocente no nosso tempo.

magist rio28
Magistério

Conclusão:

a condenação do aborto provocado, como gravemente ilícito, faz parte do ensinamento do magistério ordinário e universal da Igreja Católica.

o fundamento
O Fundamento

O valor da vida humana está na base de toda a reflexão moral acerca do aborto

valores fundamentais em quest o
Valores fundamentais em questão
  • o reconhecimento do direito de todo o ser humano às mais básicas condições de vida;
  • a protecção do direito a viver;
  • a defesa de uma ideia recta da maternidade;
  • o princípio ético do médico como protector e servidor da vida humana e nunca como seu destruidor.

B. Häring