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A dimensão política do Currículo. Jesus Maria Sousa Universidade da Madeira. A dimensão política do Currículo. Objectivo geral : Perspectivar o Currículo de uma forma crítica, na sua relação com a Ideologia, a Cultura e o Poder Objectivo específico :

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A dimensão política do Currículo

Jesus Maria Sousa

Universidade da Madeira

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A dimensão política do Currículo

Objectivo geral:

Perspectivar o Currículo de uma forma crítica, na sua relação com a Ideologia, a Cultura e o Poder

Objectivo específico:

Reconhecer a dimensão política do Currículo

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Porquê teorias e não teoria do Currículo?

“Je conçois les théories scientifiques comme autant d’inventions humaines, comme des filets créés par nous et destinés à capturer le monde.” K. Popper

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A ilusão da neutralidade do Currículo

Johann Friedrich Herbart – pai da pedagogia científica

John Dewey

The absolute curriculum (1900)

The curriculum in elementary education (1901)

The child and the curriculum (1902)

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A ilusão da neutralidade do Currículo

Franklin Bobbitt

The Curriculum (1918)

How to make a curriculum (1924)

Emergência desta área como objecto específico de estudo e pesquisa

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A ilusão da neutralidade do Currículo

Racionalização

Escolarização de massas

“Administração científica” de Taylor

Carácter instrumental

Máximo de eficácia e mínimo de custos

Lógica empresarial

Ralph Tyler

Basic principles of curriculum and teaching(1949)

Obsessão pelos objectivos

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A ilusão da neutralidade do Currículo

Hilda Taba

Curriculum Development – Theory and Practice(1962)

Rationale Tyler

Teoria linear e prescritiva de instrução

Especificação de comportamentos

Robert Mager

Benjamin Bloom

Pedagogia por Objectivos

Joseph Schwab

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A perspectiva crítica do Currículo

Currículo, como resultado de determinada selecção feita por quem detém o poder.

“As teorias tradicionais eram teorias de aceitação, ajuste e adaptação. As teorias críticas são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical.” T. T. Silva

Teorias: portadoras de uma determinada visão do mundo

“A ideia geral de reunir multidões de estudantes (matéria-prima) destinados a ser processados por professores (operários) numa escola central (fábrica) foi uma demonstração de génio industrial.”A. Toffler

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Louis Althusser

Idéologie et appareils idéologiques d’État (1970)

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Louis Althusser

Ideologias e ideologia

“Ideologia” actua de forma inconsciente (Freud e Lacan).

Mecanismo de defesa que nos impede de encarar de frente a exploração, a opressão e a dominação, alienando-nos dessa realidade.

Aparelhos repressivos e ideológicos do Estado

Continuum de práticas em que todos participam, mesmo os dos grupos e das classes sociais mais desfavorecidas, sendo assim mais complicada a tarefa de reacção contra a opressão e a dominação.

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Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron

Les Héritiers, les étudiants et la culture (1964)

La réproduction. Éléments pour une théorie du système d’enseignement (1970)

La distinction. Critique sociale du jugement (1979)

Sistema económico/Sistema cultural ou simbólico

Habitus

Violência simbólica

“All pedagogic action is, objectively, symbolic violence insofar as it is the imposition of a cultural arbitrary by an arbitrary power.”

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Christian Baudelot e Roger Establet

L’école capitaliste en France (1971)

Conformidade a papéis de submissão e subordinação, no caso dos filhos das classes trabalhadoras.

Promoção de atitudes de controlo e liderança, nos filhos das classes detentoras dos meios de produção.

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Samuel Bowles e Herbert Gintis

Schooling in capitalist America (1976)

“The correspondence between the social relation of schooling and work accounts for the ability of the educational system to produce an amenable and fragmented labour force. The experience of schooling, and not merely the content of formal learning, is central to this process.”

Currículo oculto

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Paulo Freire

Teoria sociológica de Karl Mannheim.

Correntes do pensamento filosófico contemporâneo: existencialismo, fenomenologia, dialéctica hegeliana e materialismo histórico.

Filosofia e antropologia cristãs.

Educação como prática da liberdade (1967)

Pedagogy of the Oppressed (1971), traduzido para Pedagogia do Oprimido (1975)

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Paulo Freire

Sujeito que age sobre o mundo, podendo transformá-lo; por mais ignorante que seja, ou por mais mergulhado que se encontre na “cultura do silêncio”, ele, Sujeito, tem a capacidade de olhar para o mundo de uma forma crítica, em encontro “dialógico” com o outro.

As questões principais de educação não são pedagógicas, mas sim políticas.

Educação problematizadora e não bancária (transmissão como depósito): instrumento de organização política dos oprimidos.

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NSE – Michael Young

Knowledge and Control: New Directions in the Sociology of Education (1971)

Conhecimento e controlo: contra as grandes narrativas.

Relações de poder entre as diversas disciplinas e áreas de saber:

Porquê umas com mais prestígio do que outras?

Porquê umas com maior carga horária do que outras?

Porquê umas com avaliação formal e não outras?

Que interesses de classe, profissionais e institucionais, nesse jogo de poder?

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NSE – Esland e Keddie

Fenomenologia sociológica e interaccionismo simbólico.

Escola como microcosmo social onde os significados se constróem.

Através do processo de significação, cada qual constrói a sua posição de sujeito e posição social, a identidade cultural e social do seu grupo, procurando construir as posições e as identidades de outros indivíduos e de outros grupos.

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Reconceptualização curricular – 1ª fase

William Pinar

James MacDonald, Dwayne Huebner, Maxine Greene

Michael Apple, Henry Giroux

Criatividade, artes e humanidades, valores espirituais e estéticos, ligados a uma perspectiva mais de índole pessoal e intersubjectiva do que política.

Concepções fenomenológicas, hermenêuticas, psicanalíticas e autobiográficas.

I Conferência sobre Currículo em Nova Iorque (1973)

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Michael Apple

Ideology and Curriculum (1979)

Education and Power (1985)

Teachers and Texts (1988)

Official Knowledge (1993)

Democratic Schools (1995)

Cultural Politics and Education (1996)

“The ideals of education, whether men are taught to teach or to plow, to weave or to write, must not be allowed to sink into sordid utilitarianism. Education must keep broad ideals before it and never forget that it is dealing with souls and not with dollars.”

Resistência

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Henry Giroux

Debate pós-moderno

Modelo europeu de cultura e de civilização

Os “estudos culturais”: questões do multiculturalismo, da raça, da identidade, do poder, do conhecimento, da ética e do trabalho

S. Aronowitz, A. Penna, W. Pinar, R. Simon, P. McLaren…

Nova cultura pós-moderna

Cultura popular

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Leitmotiv: a dimensão política do Currículo

Numa escola que se pretende democrática e aberta à diversidade social e cultural como a nossa, considero que é urgente “lermos” o currículo já não como aquela área simplesmente técnica, ateórica e apolítica, com a única função de organizar o conhecimento escolar, nem como aquele instrumento ingenuamente puro e neutro, despojado de intenções sociais, que procura estudar os melhores procedimentos, métodos e técnicas de bem ensinar.

Não

O currículo é um artefacto político que interage com a ideologia, a estrutura social, a cultura e o poder.