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ARCADISMO- 1768 (NEOCLASSICISMO-SETECENTISMO-ESCOLA MINEIRA)

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ARCADISMO- 1768 (NEOCLASSICISMO-SETECENTISMO-ESCOLA MINEIRA)

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  1. ARCADISMO- 1768 (NEOCLASSICISMO-SETECENTISMO-ESCOLA MINEIRA) • Contexto e estilo: • “ ARCADISMO origina-se da Arcádia grega, região do Olimpo, habitada por pastores e governada pelo Deus Pan. No final do século XVII a palavra Arcádia passou a ser utilizada para designar associações de poetas adeptos das regras clássicas e da poesia pastoril, a contar da fundação da primeira dessas agremiações: A ARACÁDIA ROMANA, centro dispersor do movimento para os outros países”;

  2. O Arcadismo • Arcadismo ou Neoclassicismo são as denominações que recebem o movimento artístico do século XVIII; • Caracteríza-se pelo estabelecimento do equilíbrio clássico, rompimento durante o período Barroco. Define-se como uma reação aos exageros verbais da arte Barroca, opondo-se aos rebuscamentos, à ornamentação exagerada, às sutilezas do barroquismo, uma volta à simplicidade e à clareza, orientadas no sentido da razão, da verdade e da natureza; • O século XVIII é marcado pela superação dos conflitos espirituais da época anterior. A fé, a religião são substituídas pela razão e pela ciência. È o século das luzes( vindo de Portugal que seria afetado pelas idéias francesas); • O século da luzes, ou seja, o Iluminismo, caracterizou-se pela confiança no poder da razão e na possibilidade de se reorganizar radicalmente a sociedade; • A dúvida, o pessimismo, a negação do homem, a mortificação da carne, atitudes típicas do Barroco, são substituídas pelo Otimismo, pela crença no valor da Ciência como fator de transformação e progresso do homem, na certeza de que o exercício da Razão levaria ao conhecimento de todas as verdades;

  3. PANORAMA HISTÓRICO BRASILEIRO (apego aos valores nacionais) • LIMITES CRONOLÓGICOS: • INÍCIO: 1768- Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa; • TÉRMINO: Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, obra inaugural do Romantismo; • A sociedade brasileira passa por grandes mudanças; • Com a crise da lavoura açucareira e com a descoberta de minas de ouro e pedras preciosas, a economia do Brasil centraliza-se na região de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, capital da colônia; • Vila Rica- acontecimentos significativos: a mineração e a Inconfidência Mineira;

  4. PANORAMA HISTÓRICO BRASILEIRO • Forma-se neste período um grupo de escritores da região: Os poetas Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga. Estes participaram da Conjuração Mineira- circulação de manuscritos anônimos das Cartas Chilenas (sátira violenta contra os desmandos e prepotências da administração portuguesa no Brasil); • A simplicidade natural da poesia árcade européia encontra, no Brasil, ambiente propício à exteriorização do sentimento do poeta: apego aos valores nacionais- o nativismo; • O poeta encontra no tipo de vida em contato coma natureza o ideal: a vida pastoril, devido a isto utiliza pseudônimos; • O fingimento poético- Uma vez que todos os poetas moravam nos centros urbanos, eram burgueses e neste centro estavam todos os seus interesses econômicos, há uma grande contradição- a realidade do progresso urbano e o mundo bucólico por eles idealizado (estado de espírito)- daí o fingimento poético;

  5. CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO • O Arcadismo é um movimento de reação ao exagero Barroco, que havia avançado um ponto de saturação. Racionalmente, influenciados pelas idéias iluministas francesas, os poetas buscam a retomada da simplicidade e resgatam alguns princípios da Antiguidade, por considerarem ser este o período de maior equilíbrio e pureza; • Carpe Diem (aproveita o dia): Significa viver o presente, aproveitando-o ao extremo, visto que o tempo passa rapidamente; • InutiliaTruncat (cortar o inútil): desejo de retirar dos textos tudo o que for excessivo, exagerado ou redundante; • FugereUrbem (fugir da cidade): princípio de valorização da natureza, visto como lugar de perfeição e pureza, em oposição à cidade, onde tudo é conflito; • Lócus Amoenus (lugar aprazível):: consiste na idealização de lugares amenos, onde o poeta aclimatava os suaves idílios campestres, ou convidava sua musa ou pastora; • Áurea Mediocritas (mediania ou equilíbrio de ouro): marcava-se pelo ideal de vida serena, sem grandes efeitos ou grandes conflitos;

  6. GÊNEROS E AUTORES • O Arcadismo foi, no Brasil, um movimento eminentemente poético, desdobrando-se me três vertentes: • POESIA LÍRICA: oscilando dos resíduos Barrocos às antecipações do Romantismo. Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto e Caldas Barbosa, em proporções variáveis dentro de suas obras, reproduzem aqui as formas e temas do Neoclassicismo europeu; • POESIA ÉPICA: representada por Basílio da Gama e Santa Rita Durão, por meio de, respectivamente, URAGUAI e CARAMURU. Marca a introdução do Indianismo como tema literário, ganhando o índio papel de guerreiro em ação, tomado como personagem; • POESIA SATÍRICA: refletindo a insatisfação com os desmandos dos prepostos da Coroa Portuguesa no Brasil, AS CARTAS CHILENAS, de Tomás Antônio Gonzaga, atestam o inconformismo dos habitantes da colônia em relação à administração portuguesa e aos seus agentes;

  7. AUTORES • Cláudio Manuel da Costa (1729- 1789): • Obra- OBRAS POÉTICAS (1768)- Reúne a produção lírica do poeta; • VILA RICA: poema épico clássico, derivação imitativa de Os Lusíadas de Camões. A substância heróica e histórica é a descoberta das minas e a fundação de Vila Rica. Há uma antecipação do nativismo e indianismo; • Usava como pseudônimo- GLAUCESTE SATÚRNIO; • Influência de Camões( sonetos), e resíduos cultistas ( transição Barroco- Arcadismo); • Dilaceramento interior provocado pelo contraste entre o rústico mineiro e a experiência intelectual e social na Europa; • Platonismo amoroso. Nise é a musa mais freqüente. Temas: O amante infeliz e a tristeza da mudança das coisas em relação à permanência dos sentimentos; • O contraste rústico e civilizado:

  8. Poema- Cláudio Manuel da Costa “ Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o resto da violência Que bom é ver nos campo transladado No gênio do pastor, o da inocência.”

  9. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA ( 1744-1810) • Obras- Lírica- Liras de Marília de Dirceu. • Satírica- As Cartas Chilenas.( poema no qual um morador de Vila Rica ataca a corrupção do governador Luis da Cunha Menezes) • Jurídica- Tratado de Direito Natural; • Usava o pseudônimo DIRCEU; • A imitação direta na natureza de Minas, e não a natureza reproduzida do bucolismo Greco- Romano ou Renascentista; • O lirismo como expressão pessoal, construído em torno da produção artística de seu modo de ser e pensar, inspirado na estilização de sua alegria ou seu drama, decalcado no alicerce biográfico;

  10. Marília de Dirceu... “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado; De tosco trato, d’ expressões grosseiro, Dos frios gelos, e dos sóis queimado. Tenho próprio casal, e nele assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; Das brancas ovelhinhas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto. Graças, Marília bela, Graças à minha Estrela! Eu vi o meu semblante numa fonte, Dos anos inda não está cortado: Os pastores, que habitam este monte, Com tal destreza toco a sanfoninha, Que inveja até me tem o próprio Alceste: Ao som dela concerto a voz celeste; Nem canto letra, que não seja minha, Graças, Marília bela, Graças à minha Estrela!”

  11. POETAS LÍRICOS MENORES: • Manuel Inácio Silva Alvarenga ( 1749- 1814)- Com seus rondós madrigais, envolvidos por intensa musicalidade, apresenta uma natureza decorativa; pode ser considerado precursor do Romantismo;- Usava como pseudônimo ALCINDO PALMIRENDO; • Inácio José de Alvarenga Peixoto ( 1744- 1793): sua obra atrelava-se a clichês árcades; Fazia poesias encomiásticas e laudatórias, enaltecendo o despotismo do Marquês de Pombal; Atribui o lema da bandeira da Inconfidência: LIBERTAS, QUAE SERA TAMEM ( liberdade ainda que tardia); • Domingos Caldas Barbosa ( 1740- 1800): Localizado como poeta popular por compor modinhas que deveriam ser acompanhadas por violas; Em sua obra encontra-se –lirismo, sensibilidade, tristeza nativa, sensualismo amoroso, cunho popular singelo e espontâneo

  12. A POESIA ÉPICA • Basílio da Gama ( 1741- 1795): • Obra: Epitalâmio às núpcias da Senhora Dona Maria • Amália • O Uraguai. • Usou como pseudônimo TERMINDO SIPÍLIO; • Dentro do Arcadismo soube fugir ao artificialismo da linguagem mitológica e aos lugares- comuns do bucolismo dominante; • Com Uraguai faz menção a uma Literatura nacionalista ( índio- Lindóia- heroína);

  13. O Uraguai • “Para morrer a mísera Lindóia.Lá reclinada, como que dormia,Na branda relva e nas mimosas flores,Tinha a face na mão, e a mão no troncoDe um fúnebre cipreste, que espalhavaMelancólica sombra. Mais de pertoDescobrem que se enrola no seu corpoVerde serpente, e lhe passeia, e cingePescoço e braços, e lhe lambe o seio.Fogem de a ver assim, sobressaltados,E param cheios de temor ao longe;E nem se atrevem a chamá-la, e tememQue desperte assustada, e irrite o monstro,E fuja, e apresse no fugir a morte.”

  14. Santa Rita Durão (1722- 1784) • Obra- Caramuru • Durão faz menção ao estilo neocamoniano; • Penetra na vida do índio com um intento analítico; • Em Caramuru encontramos uma narrativa histórica do descobrimento e conquista da Bahia. O poema caracteriza-se pela exaltação das terras brasileiras, incorrendo o autor em descrições de paisagens lembrando a literatura informativa. Também observa-se uma visão analítica indígena.

  15. Caramuru “Choram na Bahia as ninfas belas Que nadando a Moema acompanhavam; E vendo sem dor navegam elas, À branca parai com furor tornavam: Nem pode o claro herói sem pena vê-las, Com tantas provas, que de amor lhe davam; Nem mais lhe lembre o nome de Moema Sem que ou amante a chore, ou grato gema.”