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O princípio da dialética – aproximações iniciais (Grupos de estudo da UEM: Educação Física, Pedagogia e Psicologia. 13 maio 2011). Prof. Achilles Delari Junior. Disponível em: http://www.vigoski.net/uem-dialetica.ppt. Para agora e para adiante. O princípio da dialética – aproximações iniciais.

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O princípio da dialética – aproximações iniciais(Grupos de estudo da UEM: Educação Física, Pedagogia e Psicologia. 13 maio 2011)

Prof. Achilles Delari Junior

Disponível em: http://www.vigoski.net/uem-dialetica.ppt

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Para agora e para adiante

O princípio da dialética – aproximações iniciais

O princípio da dialética – aproximações iniciais(Grupos de estudo da UEM: Educação Física, Pedagogia e Psicologia. 13 maio 2011)

  • Plano geral da exposição.
  • Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.
  • Alguns rudimentos históricos do pensamento dialético
  • Mapa resumido do campo de pensadores dialéticos modernos (século XX)
  • Traços gerais do chamado “marxismo ocidental”
  • Materialismo dialético do ponto de vista de Lenin
  • Materialismo dialético do ponto de vista de Stálin
  • Materialismo dialético do ponto de vista de Mao Tsé-tung.
  • Sessão de questionamentos para a continuidade

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SLIDE 01

1 Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.

Para

agora

  • Num levantamento das ocorrências do termo dialética e seus derivados, em todas as obras que ele aparece apenas no Tomo I, das “Obras Escogidas”, podemos encontrar em pelo menos 45 páginas* em que o termo aparece (em várias delas mais que uma vez, aliás). Seja em uma ou outra das seguintes formas:
    • Dialética geral
    • Materialismo dialético
    • Lógica dialética
    • Princípio dialético
    • Dialética da psicologia (= psicologia geral; = materialismo psicológico)
    • Dialética do homem
    • Psicologia dialética.
    • Dialética (em diversos outros contextos).
    • (...)
  • ______
  • *Para acessar o levantamento com a compilação de citação por citação: http://www.vigotski.net/vigdia-tom1.pdf O levantamento dos tomos restantes está em fase inicial, mas o tomo 1 é de todos aquele em que o termo dialética mais é mencionado. Não que o pensamento do autor não seja dialético mesmo quando a palavra não é mencionada, mas isso nos dá uma chance de procurar visualizar quando e como ele faz uso consciente do termo e disto deduzir definições mais explícitas, de cunho meta-teórico.

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SLIDE 02

1 Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.

Como amostra de algumas das menções mais impactantes, podemos citar as que se seguem:

EM 1925: Prólogo ao livro de A. F. Lazurski “Psicologia geral e experimental”.

“ (...) A isto se acrescentou ainda uma tendência totalmente inevitável e que era de esperar – e que se expande quase pela totalidade da atual frente russa da cultura –, a de revisar os fundamentos e princípios da psicologia à luz do materialismo dialéticoe a ligar a elaboração da investigação científica e teórica, assim como o ensino dessa ciência, a premissas de caráter filosófico mais gerais e fundamentais” (Vygotski, 1925/1991, p. 23).

EM 1925: Prólogo ao livro de A. F. Lazurski “Psicologia geral e experimental”.

Este materialismo fisiológico unilateral [o da reflexologia] está tão longe do materialismo dialético como o está o idealismo da psicologia empírica. Limita o estudo do comportamento humano ao seu aspecto biológico, ignorando o fator social. Estuda ao homem só no que afeta a sua pertença ao mundo geral dos organismos animais, a sua fisiologia, já que se trata de um mamífero. Ao contrário da adaptação passiva dos animais ao meio, a experiência histórica e social, a originalidade da adaptação laboral ativa da natureza a si mesma permanece inexplicada nesta perspectiva. (Vygotski, 1925/1991, p. 35)”.

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SLIDE 03

1 Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.

EM 1926: Sobre o artigo de K. Koffka “A introspecção e o método da psicologia”. A modo de introdução.

“1. Materialismo monista da nova teoria. [a psicologia da Gestalt] A psique e o comportamento “interno e externo” (segundo a terminologia de W. Köhler), as reações fenomênicas e corporais (Koffka), não constituem duas esferas distintas e de natureza diferente. ‘O interno é externo’ (Köhler). A nova teoria parte da identidade fundamental das leis que constroem os ‘conjuntos’ (Gestalten) na física, na fisiologia, na psique. A nova teoria admite o princípio dialético da transição da quantidade e qualidade, quando o utiliza para explicar a diversidade qualitativa das vivências (fenômenos). Os processos conscientes não se declaram já como único objeto de investigação, senão que são interpretados como partes de processos psicofisiológicos de maior envergadura.” (Vygotski, 1926/1991, p. 63)

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SLIDE 04

1 Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.

Para

agora

EM 1927: O sentido histórico da crise da psicologia. Uma investigação metodológica

“Proponho, pois, esta tese: a análise da crise e da estrutura da psicologia testemunham indiscutivelmente que nenhum sistema filosófico pode dominar diretamente a psicologia como ciência sem a ajuda da metodologia, isto é, sem criar uma ciência geral; que a única aplicação legítima do marxismo em psicologia seria a criação de uma psicologia geral, cujos conceitos se formulem em dependência direta da dialética geral, porque esta psicologia [geral] não seria outra coisa que a dialética da psicologia; toda a aplicação do marxismo à psicologia por outras vias, o desde outros pressupostos, fora dessa proposição, conduzirá inevitavelmente a construções escolásticas ou verbalistas e a dissolver a dialética em enquetes e testes; a raciocinar sobre as coisas baseando-se em seus traços externos, casuais e {389:} secundários; a perda total de todo critério objetivo e a tentar negar todas as tendências históricas no desenvolvimento da psicologia; a uma revolução simplesmente terminológica. Em resumo, a uma burda deformação do marxismo e da psicologia. Esse é o caminho de Tchelpánov.” (Vygotski, 1927/1991, p. 388-389)

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SLIDE 05

1 Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.

EM 1927: O sentido histórico da crise da psicologia. Uma investigação metodológica

““{389:} A fórmula de Engels de não impor à natureza os princípios dialéticos, mas derivá-los dela (K. Marx, F. Engels. Obras, t. 20 pág. 387) é aqui [na psicologia de Tchelpánov, possivelmente - ADJr] substituída pela fórmula contrária: os princípios da dialéticase introduzem na psicologia desde fora [desde a metafísica, talvez - ADJr]. Mas o caminho a seguir pelos marxistas deve ser distinto. A aplicação direta da teoria do materialismo dialético às questões das ciências naturais, e em particular ao grupo de ciências biológicas ou à psicologia é impossível, como o é aplicá-la diretamente à história e à sociologia. Há entre nós quem pense que o problema da “psicologia e o marxismo” se limita a criar uma psicologia que responda ao marxismo, mas o problema é, de fato, muito mais complexo. Da mesma maneira que a história, a sociologia necessita a teoria especial intermediária do materialismo histórico, que esclareça o valor concreto das leis abstratas do materialismo dialéticopara o grupo de fenômenos de que se ocupa. E exatamente tão necessária é a ainda não criada, mas inevitável, teoria do marxismo biológico e do materialismo psicológico, como ciência intermediária, que explique a aplicação concreta dos princípios abstratos do materialismo dialético ao grupo de fenômenos que trabalha” (Vygotski, 1927/1991, p. 389).

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SLIDE 06

1 Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.

EM 1930: A psique, a consciência, o inconsciente (1930)

“A psicologia dialéticaparte antes de tudo da unidade dos processos psíquicos e fisiológicos. Para a psicologia dialética a psique, como expressara Espinosa, não é algo que jaz para além da natureza, um Estado dentro de outro, senão uma parte da própria natureza, ligada diretamente às {100:} funções da matéria altamente organizada de nosso cérebro. Assim como o resto da natureza, não foi criada, senão que surgiu em um processo de desenvolvimento. Suas formas embrionárias estão presentes desde o princípio: na própria célula viva se mantêm as propriedades de modificar-se sob a influência de ações externas e reagir a elas” (Vygotski, 1930/1991, p. 99-100)

EM 1930: A psique, a consciência, o inconsciente (1930)

“A psicologia dialéticarenuncia a uma e outra identificação [filosofia idealista e materialismo mecanicista], não confunde os processos psíquicos com os fisiológicos, reconhece o caráter irredutível da singularidade qualitativa da psique e afirma tão somente que os processos psicológicos são únicos. Chegamos, por conseguinte, ao reconhecimento de processos psicofisiológicos singulares e únicos, que constituem as formas superiores de comportamento do homem, aos quais propomos denominar processos psicológicos, diferentemente dos psíquicos e por analogia com os chamados processos fisiológicos” (Vygotski, 1930/1991, p.101).

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1 Algumas palavras sobre a importância da dialética para Vigotski.

EM 1930: Sobre os sistemas psicológicos

A lógica formal considerava o conceito como um conjunto de traços do objeto separado do grupo, como um conjunto de traços gerais. Daí que o conceito surgisse como resultado da paralização de nossos conhecimentos sobre o objeto. A lógica dialética mostrou que o conceito não {83:} é um esquema tão formal, um conjunto de traços do objeto, que oferece um conhecimento muito mais rico e completo do mesmo.

Toda uma série de investigações psicológicas, e entre elas concretamente as nossas, nos levam a uma proposição totalmente nova do problema relativo à formação do conceito em psicologia. (...) este ao fazer-se cada vez mais amplo, é dizer, ao referir-se a um número cada vez maior de objetos, não empobrece seu conteúdo, como opina a lógica formal, senão que o enriquece (...)”.

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2 Alguns rudimentos históricos do pensamento dialético

Ao longo da história, em pelo menos três grandes campos semânticos se situa a dialética:

1) Uma arte do diálogo mesmo quando pautada na lógica formal

2) Um modo de dialogar que se pauta no princípio do caráter contraditório do real

3) A própria natureza contraditória do real como tal, mesmo que não pensada assim

Do item 1, são exemplos notórios as disputas dos sábios gregos arcaicos com seus enigmas que não decifrados poderiam chegar “a matar” o sábio sem a resposta; e também os célebres diálogos socráticos/platônicos, nos quais a dialética de Sócrates é composta de maiêutica (ajudo o outro a concluir por si próprio) e ironia (coloco o erro lógico do outro na minha própria fala para que ele tome consciência dele).

Do item 2, um exemplo notório é a dialética do sábio grego arcaico Heráclito, que via no próprio mundo uma Lógica ou “Logos” feito de contradições, cabendo ao sábio ter um discurso lógico condizente com a lógica mais profunda do mundo. Disse Heráclito: “Todo dia é dia de vida e dia de morte”; “Um mesmo homem não se banha duas vezes num mesmo rio” [paráfrase], entre outros fragmentos.

Do item 3, não excluindo o segundo, nem necessariamente o primeiro, temos, como exemplo, a concepção de Marx e Engels, vendo a contradição como próprio fundamento do movimento perpétuo da matéria, do real, nele da realidade histórica, e nela do nosso pensamento.

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2 Alguns rudimentos históricos do pensamento dialético

formulação básica da lógica dialética em contraposição com a lógica formal

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3 Mapa resumido do campo de pensadores dialéticos modernos

(século XX)

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Para

agora

Desenvolvimentos posteriores

(a) “Materialismo dialético”

○ Lenin

○Trotski

○ Stálin

○ Mao Tse-tung

(b) “Marxismo ocidental”

[em alguma medida próximos a Hegel]

○ Gramsci

○Marcuse

○Colletti

○ Benjamin

○ Bloch

○ Sartre

○Lefebre

○ Lukács

[mais anti-hegelianos]

○Colletti (???)

○ Della Volpe

(c) Adorno (“entre os dois campos”)

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Fontes modernas principais

● Hegel

(dialética idealista)

● Marx & Engels

(dialética materialista)

Esquematização minha, com base no

Dicionário do pensamento marxista, ADJr.

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Para

agora

Fontes modernas principais

● Hegel

(dialética idealista)

● Marx & Engels

(dialética materialista)

Desenvolvimentos posteriores

(a) “Materialismo dialético”

○ Lenin

○Trotski

○ Stálin

○ Mao Tse-tung

(b) “Marxismo ocidental”

[em alguma medida próximos a Hegel]

○ Gramsci

○Marcuse

○Colletti

○ Benjamin

○ Bloch

○ Sartre

○Lefebre

○ Lukács

[mais anti-hegelianos]

○Colletti (???)

○ Della Volpe

(c) Adorno (“entre os dois campos”)

Posições diferentes quanto às

leis da dialética de Engels*

(1ª) Transformação da quantidade em qualidade.

(2ª) Unidade e interpenetração dos contrários

(3ª) negação da negação

3ª lei, abandonada por Stálin

1ª lei, relegada por Mao Tse-tung a

um caso especial da segunda lei.

2ª lei, desde Lênin arcou com o peso

da dialética cada vez mais.

* Engels prevaleceu na II Internacional, e foi

criticado desde de Lukács até Sartre.

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Esquematização minha, com base no

Dicionário do pensamento marxista, ADJr.

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  • 4 Traços gerais do chamado “marxismo ocidental”
  • Nosso objetivo hoje é tratar mais do marxismo soviético (dito ortodoxo) do que do marxismo ocidental (dito não ortodoxo). Contudo, mesmo com grande grau de simplificação e número reduzido de fontes consultadas deixarei algumas notas sobre este que se convencionou chamar “marxismo ocidental” em oposição ao “marxismo soviético”. Duas considerações prévias devem ser feitas:
  • (A) Tanto o bloco do marxismo soviético quanto o do marxismo ocidental não são homogêneos, comportando, cada qual, várias divergências internas.
  • (B) Todo estudo do marxismo é feito por estudiosos sujeitos a dar determinadas direções e não outras para suas análises, sendo necessário, assim que possível, resgatarmos, coletivamente, os próprios clássicos, sobretudo Engels que escreveu mais explicitamente sobre a dialética, e Marx que fez a crítica da economia política com base nos princípios metodológicos dela. Muito desses princípios estão implícitos e não explícitos em Marx, levando-nos à opção de fazer aqui ainda uma apresentação introdutória com base em estudiosos qualificados - sobretudo, no campo do marxismo soviético, deixando o “marxismo ocidental” bem abreviado e aberto a novas incursões futuras.

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4 Traços gerais do chamado “marxismo ocidental”

Algumas considerações de Russel Jacob para o verbete “Marxismo ocidental” do “Dicionário do pensamento marxista” editado por Tom Bottomore.

4.1 Negação da aplicação do marxismo às ciências naturais (contra Engels)

“Tanto Lukács (1925) como Gramsci (1929-1935) criticaram o tratado de materialismo histórico escrito por Bukharin (1921), e o fizeram por motivos semelhantes, ou seja, por ele reduzir o marxismo a uma sociologia científica. Todos os marxistas ocidentais admitem que o marxismo exige uma teoria da cultura e da consciência, e, para acentuar tais dimensões, limitaram-no à realidade social e histórica [i.e. excluindo a realidade natural - ADJr]. O marxismo não é uma ciência geral [i.e. que abrange natureza, história e pensamento – ADJr.], mas uma teoria da sociedade.” (Jacob, 1983/1988, p. 250)

4.2 Tentativa de resgate do valor da filosofia.

Lembremos que Marx dissera que a filosofia havia se limitado a interpretar o mundo, mas o mais importante é transformá-lo, sugerindo um desdém à filosofia metafísica, e à escolástica. Até 1844, Marx e Engels assumiam que ao realizar a filosofia o proletariado a suprimiria (cf. Goldmann, 1959/1979, p. 29).

“Os marxistas vulgares acreditavam, erroneamente, que o marxismo significava a morte da filosofia; mas de acordo com os marxistas ocidentais, o marxismo preserva as verdades da filosofia até a sua transformação revolucionária da realidade” (Jacob, p.250)

(continua)

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4 Traços gerais do chamado “marxismo ocidental”

(Continuando 4.2 Tentativa de resgate do valor da filosofia.)

“Os textos do jovem Marx permitiram uma correção da compreensão, então generalizada, do marxismo como um materialismo anti-filosófico” (Jacob, p. 250) “Nesse sentido, o marxismo ocidental é quase sinônimo de um retorno ao jovem Marx” (idem).

4.3 O retorno ao jovem Marx esteve ligado também à necessidade de retorno a Hegel

“O retorno às fontes hegelianas do pensamento marxista marcou toda a tradição do marxismo ocidental, produzindo obras como Der junge Hegel (O jovem Hegel) de Lukács, Introduction à lalecture de Hegel, de Kojève, e ReasonandRevolutionde Herbert Marcuse. De fato, o marxismo ocidental só surgiu onde uma tradição hegeliana permanecia viva ou se havia estabelecido. (...) Sua distinta coloração hegeliana distingue o marxismo ocidental (...) de outras formas de marxismo” (Jacob, p. 251) como o “austromarxismo” e o “marxismo estruturalista” de Althusser.

4.3.a Outros nomes ligados a Hegel:

- Wilhelm Dilthey (Europa central);

- BetrandoSpaventa, Giovanni Gentile e Benedetto Croce [que influenciou Gramsci] (na Itália); - Kojève, Jean Hyppolite e Jean Wahl (na França).

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4 Traços gerais do chamado “marxismo ocidental”

4.4 Oposição explícita à proposta de Engels

“Se o retorno às raízes hegelianas do marxismo parecia benigno, o marxismo ocidental ingressou porém em áreas mais controversas quando se defrontou com a avaliação da contribuição de Engels e a dialética da natureza.” (p. 251) O confronto seria contra o marxismo dito “ortodoxo” para o qual a dialética era “a ciência das leis gerais do movimento” e a dialética era uma “lei universal e científica. [Os marxistas ocidentais] “discordavam, e Lukács, em GeschichteundKlassenbewwsstsein, criticou Engels por distorcer o pensamento de Marx” (p. 251)

“O marxismo soviético adotou a dialética da natureza, os marxistas ocidentais rejeitaram-na” (p. 251)

4.5. Em suma:

Pode-se dizer que o marxismo ocidental reivindicava uma discussão mais profunda em questões que envolvessem as artes, a cultura e o papel da subjetividade humana na história, e para tanto necessitava contrapor-se ao caráter potencialmente positivista de se ver a dialética como um princípio imanente à própria natureza. Contraposição que não se vê em Vigotski, por exemplo. Embora ele também reivindique o estudo da consciência e sua relação com a cultura, avalia Engels positivamente e entende que, sim, há dialética na natureza [ADJr].

* * *

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5 Materialismo dialético do ponto de vista de Lenin

Esquema do artigo “Sobre a questão da dialética” – de Vladimir Ilitch Lênin (1914-15/1984)

a) Lei fundamental da dialética = “unidade e luta dos contrários”

. A unidade dos contrários => tendências contraditórias, excluindo-se mutuamente, opostas. {vide princípio da contradição}

. A unidade dos contrários => movimento e auto-movimento, processo com saltos, interrupção da progressão sucessiva.

b) Há 2 concepções de desenvolvimento: a metafísica e a dialética

. Metafísica: o desenvolvimento como diminuição ou aumento (mudança apenas quantitativa), como repetição

. Dialética: o desenvolvimento como unidade de contrários (desdobramento de alguma coisa em seus contrários –

estes se excluem mutuamente e têm relações recíprocas um com o outro)

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5 Materialismo dialético do ponto de vista de Lenin

c) Sobre as categorias do relativo e do absoluto

. A unidade (coincidência, identidade, equivalência) dos contrários é condicional, temporária, transitória, relativa.

. A luta entre os contrários, excluindo-se mutuamente é absoluta, como absolutos são o desenvolvimento e o movimento.

* * *

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6 Materialismo dialético do ponto de vista de Stálin

Esquema do livro “Materialismo dialético e materialismo histórico” (54 p.) – de Iosif Vissariónovitch Stálin (1938)

O autor diferencia claramente o materialismo histórico e o materialismo dialético, como se verá em seguida, o que é confirmado também por autores contemporâneos, embora o termo materialismo dialético não seja próprio de Marx e Engels, mas introduzido posteriormente, provavelmente por Plekhanov (cf. Bottomore). Para todos os efeitos, o nosso esquema tratará do materialismo dialético e não do materialismo histórico, nesse momento.

5.1 Diferenciação básica entre materialismo dialético e materialismo histórico.

a) “O materialismo dialético é a teoria geral do Partido marxista-leninista” (Stálin, 1938/1978, p. 13)

“seu método de investigação e conhecimento é dialético” (p.13)

“sua concepção dos fenômenos da natureza, sua teoria, é

materialista” (p. 13)

b) “O materialismo histórico estende os princípios do materialismo dialético ao estudo da vida social (...) ao estudo da história da sociedade” (p. 13)

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6 Materialismo dialético do ponto de vista de Stálin

5.2 O Materialismo Dialético.

1o) “O método dialético se caracteriza por 4 traços (ou princípios)”:

a) A natureza é “um todo unido e coerente, em que objetos, fenômenos, estão ligados organicamente (...), dependem uns dos outros e condicionam-se reciprocamente” (p. 15) [lei dos relacionamentos universais, ou “tudo se relaciona”]

b) A natureza é “um estado de movimento e transformação perpétuos, de renovação e desenvolvimento incessantes” (p. 15)

[cf. caráter absoluto do desenvolvimento em Lenin]

c) “O desenvolvimento passa das mudanças quantitativas e latentes a mudanças evidentes e radicais, a mudanças qualitativas” (p. 16-17) [cf. a “lei dos saltos de qualidade” do próprio Engels]

(item “d” no próximo slide)

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6 Materialismo dialético do ponto de vista de Stálin

5.2 O Materialismo Dialético.

1o) “O método dialético se caracteriza por 4 traços (ou princípios)”:

d) “os objetos e fenômenos da natureza encerram contradições internas” (p. 19)

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“a luta entre o velho e o novo, entre o que morre e o que nasce, entre o que se desagrega e o que se desenvolve é o conteúdo interno do processo de desenvolvimento da conversão das mudanças quantitativas em mudanças qualitativas” (p. 19)

2º) “O materialismo filosófico marxista é caracterizado por 3 traços (ou princípios...)

a) “o mundo, pela sua natureza, é material (...) os múltiplos fenômenos do universo são os diferentes aspectos da matéria em movimento” (p.23)

(“b” e “c” logo em seguida)

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6 Materialismo dialético do ponto de vista de Stálin

5.2 O Materialismo Dialético.

2º) “O materialismo filosófico marxista é caracterizado por 3 traços (ou princípios...)

b) “a matéria, a natureza, o ser, é uma realidade objetiva existindo fora e independente da consciência; (...) a matéria é um fato primordial, pois é origem das sensações, das representações, da consciência, enquanto a consciência é um dado secundário, derivado, pois é o reflexo da matéria, o reflexo do ser; que o pensamento é o produto da matéria, no seu desenvolvimento, um alto grau de perfeição” (p.24)

c) “o mundo e suas leis são perfeitamente conhecíveis” (25-26) [contra a noção de impossibilidade de se conhecer o ser em si (seja como sujeito em si ou o objeto em si), postulada desde a teoria de Kant, que é base para o conceito moderno de subjetividade. Para o M.D. tanto sujeito quanto objeto são objetivamente conhecíveis, vide Vigotski - ADJr]

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Esquema da obra “Sobre a contradição” (58 p.) – de Mao Tsé-tung (Agosto de 1937)

O interesse dessa obra para nós é o de ela se aproximar sobremaneira das lições de Lênin e do marxismo soviético, inclusive o próprio Stálin, os quais por sua vez, por motivos diretos são de interesse para os estudiosos da psicologia soviética que se desenvolveu sob as categorias teóricas assumidas por seus principais líderes, com sua leitura peculiar das obras de Marx e Engels, entendida por alguns como “ortodoxa”, isto é, “sem desvio” quanto às fontes originais (o que não podemos ainda avaliar de modo categórico). O texto de Mao centra esforços na categoria da contradição, na orientação deixada por Lênin:

“A lei da contradição inerente aos fenômenos, ou lei da unidade dos contrários, é a lei fundamental da dialética materialista. Lenin dizia “No sentido próprio, a dialética é o estudo da contradição na própria essência dos fenômenos” (Mao Tsé-Tung, 1937/1999, p. 37) [vê-se que a dialética é o “estudo”, a “ciência” mas o estudado, o objeto de estudo, a realidade em qualquer caso, é por si também algo dialético, posto que contraditório – ADJr]

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Esquema da obra “Sobre a contradição” (58 p.) – de Mao Tsé-tung (Agosto de 1937)

Sendo a contradição a principal categoria teórica e ontológica da dialética para Mao, seu texto se organizará em 6 partes principais, das quais trarei alguns fragmentos para o coletivo. São elas:

I – AS DUAS CONCEPÇÕES DE MUNDO

II – A UNIVERSALIDADE DA CONTRADIÇÃO

III – A PARTICULARIDADE DA CONTRADIÇÃO

IV – CONTRADIÇÃO PRINCIPAL E POLO PRINCIPAL DA CONTRADIÇÃO

V – A IDENTIDADE E A LUTA DOS POLOS DA CONTRADIÇÃO

VI – O LUGAR DO ANTAGONISMO NA CONTRADIÇÃO

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I – AS DUAS CONCEPÇÕES DE MUNDO

Na mesma linha de Lênin, para Mao, no fundo e sem falsas subdivisões, duas são as concepções de mundo em luta no curso de nossa história:

A METAFÍSICA E A DIALÉTICA

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I – AS DUAS CONCEPÇÕES DE MUNDO

A METAFÍSICA E A DIALÉTICA

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II – A UNIVERSALIDADE DA CONTRADIÇÃO

Pode-se resumir a lei da universalidade da contradição pela afirmação de que “não há como existir nada que não se contradiga em sua própria constituição” – sendo assim a contradição universal pelo fato de que tudo se contradiz. Mas a definição do autor vai além:

“A universalidade ou caráter absoluto da contradição tem um duplo significado: primeiro, que as contradições existem no processo de desenvolvimento de todos os fenômenos [o que destaquei acima]; segundo, que no processo de desenvolvimento de cada fenômeno, o movimento contraditório existe do início ao fim” (Mao p. 46) [ou seja: tudo é contraditório em si mesmo, e não só porque uma vez ou outra algo acabará inevitavelmente entrando em contradição, mas ainda porque do início ao fim, enquanto existir, se contradirá – ver problema do desenvolvimento e das crises etárias para Vigotski, por exemplo]

(seguem outros fragmentos desta lei)

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II – A UNIVERSALIDADE DA CONTRADIÇÃO

Passagem relevante sobre “diferença e contradição”

“(...) Deborin considera que a contradição não aparece logo desde o início do processo , mas apenas numa certa etapa do seu desenvolvimento. (...) Aplicando essa maneira de ver à análise de problemas concretos, a escola de Deborin chega à conclusão de que, nas condições da União Soviética, existem apenas diferenças e não contradições entre os camponeses ricos e os camponeses em geral (...) Essa escola não compreende que em toda a diferença já há uma contradição e que a própria diferença é uma contradição” (p. 49-50) [grifos meus – ADJr]

(mais um último fragmento no próximo slide)

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II – A UNIVERSALIDADE DA CONTRADIÇÃO

Aqui teremos a oportunidade de lidar com uma contradição propriamente dita, no campo da metodologia, a “do geral para o particular” X “do particular para o geral”. Como sabemos Vigotski, no livro sobre a crise da psicologia enfatiza o primeiro movimento, mas não sempre é assim, pois ele mesmo também fala de “análise por unidades”. Vejamos o que diz Lenin, citado por Mao Tsé-tung:

“Marx, em O Capital, analisa primeiramente a relação mais simples, mais habitual, mais fundamental, mais frequente e mais ordinária, o que se encontra milhares de vezes na sociedade burguesa (de mercado): a troca de mercadorias. A sua análise faz ressaltar nesse fenômeno elementar [aqui Vigotski diferenciaria “elementos” de “unidades” – ADJr] (nessa ‘célula’ de toda da sociedade burguesa) todas as contradições (ou embriões de todas as contradições) da sociedade moderna. O seguimento da exposição mostra-nos o desenvolvimento (crescimento e movimento) dessas contradições e dessa sociedade na  [soma] das suas diversas partes, desde o começo ao fim.” (apud Mao Tsé-Tung, p. 51, itálicos na fonte)

E Lenin acrescenta: “Tal deve ser também o método de exposição (de estudo) da dialética em geral” (idem) [ver: método de exposição x método de investigação]

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III – A PARTICULARIDADE DA CONTRADIÇÃO

De modo bem prosaico, pode-se dizer que esta lei se manifesta pelo fato de que não só tudo é contraditório, como também cada realidade é contraditória à sua maneira. Não vejo nisso exatamente relativismo, mas relatividade situada. Cada realidade é contraditória à sua maneira, na medida em que para cada realidade há condições concretas distintas que cabe compreender e explicar para que se possa intervir ativamente na produção da realidade e não apenas sermos conduzidos pelo poder das circunstâncias. O que seria uma forma inversa de metafísica: de tanto tudo ser tão diferente ao seu modo, não há como ser diferente de maneira determinado, orientada a um projeto de sociedade justa e igualitária, por exemplo. Seguem-se alguns fragmentos.

“O princípio de usar métodos distintos para resolver contradições distintas é um princípio que os marxistas-leninistas devem observar rigorosamente.” (p.56)

“Lenin (...) dizia que a substância, a alma viva do marxismo, era a análise concreta de uma situação concreta” (p. 57)

“Ser subjetivo é não saber encarar uma questão objetivamente, quer dizer, do ponto de vista materialista” (p. 58)

(continua)

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III – A PARTICULARIDADE DA CONTRADIÇÃO

Dou destaque para essa passagem em termos de método, modo de olhar e analisar. Trata-se da crítica ao exame unilateral:

“O exame unilateral consiste em não saber encarar as questões sob todos os seus pólos. É o que acontece, por exemplo, quando se considera apenas a China e não o Japão, apenas o Partido Comunista e não o Kuomintang, apenas o proletariado e não a burguesia, apenas os camponeses e não os senhores de terras, apenas as situações favoráveis e não as situações difíceis, apenas o passado e não o futuro, apenas a parte e não o conjunto, apenas as falhas e não os êxitos, apenas o que acusa e não o que se defende, apenas o trabalho revolucionário na clandestinidade e não o trabalho revolucionário legal etc., numa palavra, sempre que não se veem os traços característicos dos dois polos de uma contradição” (p. 58)

“Para conhecer realmente um objeto, é necessário abarcar e estudar todos os seus polos, todas as suas ligações e ‘mediações’. Nós nunca o conseguiremos de maneira integral, mas a necessidade de considerar todos os polos evita-nos erros e rigidez” (Lenin apud Mao, p. 60, grifo meu)

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IV – CONTRADIÇÃO PRINCIPAL E POLO PRINCIPAL DA CONTRADIÇÃO

As categorias de “contradição principal” e “polo principal” da contradição” são consideradas por Mao Tsé-Tung como respeitantes à particularidade da contradição. Digamos que se trate de ferramentas conceituais que potencializam a análise das situações particulares em busca de alcançar sua dialética com o que há de mais geral.

“No estudo de um processo complexo, em que há duas ou mais contradições, devemos fazer o máximo por determinar a contradição principal. Uma vez dominada a contradição principal, todos os problemas se

resolvem facilmente.” (p. 72-73 – grifo meu) [Um exemplo poderia ser a contradição do conflito da China contra o imperialismo japonês, num dado momento se torna principal frente as lutas internas na própria China como entre o Partido Comunista e as forças liberal-burguesas como o Kuomintang, que se fazem uma contradição secundária – ADJr]

(continua)

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IV – CONTRADIÇÃO PRINCIPAL E POLO PRINCIPAL DA CONTRADIÇÃO

Já o polo principal da contradição é interior à própria contradição e determina a natureza particular do fenômeno.

“Assim que o novo conquista uma posição dominante sobre o velho, o fenômeno velho transforma-se qualitativamente num novo fenômeno. Daí resulta que a qualidade de um fenômeno é sobretudo determinada pelo polo principal da contradição, o qual ocupa a posição dominante. Logo que muda o polo principal da contradição, o polo cuja posição é dominante, a qualidade do fenômeno sofre uma mudança correspondente” (p. 74 – grifo meu) [Os exemplos de Mao são praticamente todos militares pois o escrito se volta a questões práticas fundamentais para o Partido Comunista Chinês, mas é possível lembrar o exemplo da relação entre funções psíquicas elementares e funções psíquicas superiores, relação não de exclusão, mas de contradição, na qual o polo principal num dado momento do desenvolvimento com a mediação da cultura as funções superiores passam a ser polo principal, mas não deixam de estar sujeitas a deixar de ser, por uma lesão, ou uma outra situação limite que desagregue o sistema de funções mentais. É um exemplo por ser discutido. – ADJr]

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V – A IDENTIDADE E A LUTA DOS POLOS DA CONTRADIÇÃO

Este item deveria ser o mais importante para a compreensão dialética da realidade. Caso entendamos como Lenin e Mao, que a contradição é a categoria central da dialética. De fato, a contradição só pode existir por esses dois ou três motivos: (1) “Há luta entre polos opostos”; ou (1b) “Um oposto só pode existir em relação ao outro”, relação que é de luta e mútua aniquilação; (2) Um oposto tanto aniquila o outro, quando pode se transformar nele – o que confere mais potência ao caráter contraditório da relação. Mas nunca é demais alertar contra interpretações relativistas. Uma coisa é uma compreensão dialética organizada com base em princípios que aprendemos com milênios de história humana, outra é fazer apologia da “metamorfose ambulante” que em nenhum princípio precisa pautar-se, pois com nenhuma causa se compromete. Com tal cuidado, deixemos falar os clássicos novamente:

Lenin dizia “A dialética é a teoria que mostra como os contrários podem ser e são habitualmente (e tornam-se) idênticos – em que condições eles são idênticos ao converterem-se um no outro –, por que razão o entendimento humano não deve tomar esses contrários por mortos, petrificados, mas sim por vivos, móveis, convertendo-se um no outro” (apud Mao Tsé-tung, p. 80- 81, itálico na fonte) [lembrar apenas que pedra não é ovo, como disse o camarada Mao – ADJr.]

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V – A IDENTIDADE E A LUTA DOS POLOS DA CONTRADIÇÃO

Mao Tsé-Tung consegue dar um exemplo concreto muito importante dessa conversão do que é em seu contrário. Exemplo digno de nota e pouquíssimo lembrado, no senso comum sobre a revolução socialista. Tanto que jamais realizado:

“Consolidar a ditadura do proletariado, ou a ditadura do povo, é preparar exatamente as condições para por fim a essa ditadura e passar a um estado superior em que o próprio Estado, como tal, desaparecerá” (p. 84)

(...)

Outro fragmento de Lênin:

Lenin dizia “A unidade (coincidência, identidade, equivalência) dos contrários é condicionada, temporária, passageira, relativa [já citamos aqui – ADJr.] A luta dos contrários que se excluem mutuamente é absoluta, tal como a evolução, tal como o movimento” (apud Mao, p. 88) E complementa Mao: “Todos os processos têm um começo e um fim, todos os processos se transformam nos seus contrários. A permanência de todos os processos é relativa [contingente – ADJr], enquanto que a sua variabilidade, expressa na transformação de um processo em um outro, é absoluta [necesssária – ADJr].

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V – A IDENTIDADE E A LUTA DOS POLOS DA CONTRADIÇÃO

Com atenção para concluir essa parte:

“Nós chineses, dizermos frequentemente: “As coisas opõem-se umas às outras e complementam-se umas às outras” [frase do século 1 – ADJr]. Isso significa que há identidade entre as coisas que se opõem. Essas afirmações são dialéticas e opõe-se à metafísica. “As coisas opõem-se umas às outras” significa que os dois polos contrários se excluem um ao outro ou que lutam um contra o outro; “as coisas complementam-se umas às outras” significa que, em condições determinadas, os dois polos contrários unem-se e ganham identidade. E na identidade há luta; sem luta não há identidade.” (Mao, p. 90, grifo meu)

“Na identidade há luta, no específico há universal, no particular há geral. Para retomar as palavras de Lenin, “o absoluto existe no relativo” (p. 91)

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VI – O LUGAR DO ANTAGONISMO NA CONTRADIÇÃO

Nos anos 80, na UFPR, aprendíamos com textos de Wanderlei Codo, que Lenin diferenciava “contradição” de “antagonismo”, sendo este um dos tipos daquele e sendo aquele algo necessário (que sempre acontece) e este algo contingente (que pode acontecer ou não). Lendo Mao essa exposição de Codo pode ser checada e ampliada.

“Lenin dizia “Antagonismo e contradição não são de maneira alguma uma e a mesma coisa. No socialismo, o primeiro desaparecerá e a segunda subsistirá”. Isso significa que o antagonismo não é mais do que uma das formas, e não a única forma, da luta de contrários, não se devendo empregar o termo por todo lado sem discernimento” (Mao, p. 94, itálico meu)

Todo antagonismo é contradição, mas nem toda contradição é antagonismo. Mas que é um antagonismo? Basicamente é uma contradição em que inevitavelmente um oposto opera a destruição do outro oposto. Pode haver contradição entre aprendiz e instrutor, sem que entrem em antagonismo. Mas entre o proletariado e a burguesia há antagonismo, que não precisa existir para sempre. Em tese, cabe ao proletariado destruir a burguesia como classe e instaurar uma sociedade sem antagonismos de classe.

(segue mais um último slide dessa parte)

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VI – O LUGAR DO ANTAGONISMO NA CONTRADIÇÃO

“Na história da humanidade o antagonismo entre as classes existe como expressão particular da luta dos contrários. Consideremos a constradição entre a classe dos exploradores e a dos explorados: essas duas classes em contradição coexistem durante um longo período na mesma sociedade, quer se trate de sociedade escravista, quer se trate de sociedade feudal ou capitalista, e lutam entre si; mas só quando a contradição entre as duas atinge um certo estado de desenvolvimento é que ela toma a forma de um antagonismo aberto e desemboca na revolução. O mesmo acontece com a t ransformação da paz em guerra na sociedade de classes” (Mao Tsé-tung, p. 91).

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  • 8 Sessão de questionamentos para a continuidade
  • (espaço aberto para o diálogo)
  • Para dar exemplo trago algumas perguntas que eu me faço e faço também a vocês:
      • Já existe a psicologia dialética, ou “uma” psicologia dialética, que seja?
      • Se ela já existe, como ela é exatamente, em que consiste?
      • Se ela ainda não existe, que ideias temos sobre como ela deverá ser?
      • Se ela ainda não existe que fazer para que venha a existir?
  • E todas as demais questões, observações, perguntas, esclarecimentos, críticas, polêmicas que pudermos levantar
  • Muito obrigado,
  • Achilles Delari Junior
  • Maringá, 13 de maio de 2011

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Referências

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Bottomore, T. (ed.) (1983/1988) Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 454 p.

Fehér, F. (1983/1988a) Marxismo ocidental. In: Bottomore, T. (ed.) Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. 106-107.

Fehér, F. (1983/1988b) Marxismo soviético. In: Bottomore, T. (ed.) Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. 252-254

Goldmann, L. (1959/1991) O materialismo dialético é uma filosofia? In: ______. Dialética e cultura. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

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