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FORMA O ECON MICA DO BRASIL

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    1. FORMAO ECONMICA DO BRASIL Prof. Bernardo Mueller

    2. Aula 1 Introduo Disciplina

    3. Aula 2 O Economista Como Historiador Flvio Versiani

    4. Por que h tanta disparidades de riqueza entre os pases ? Poucos pases ricos, muitos pobres e o hiato no est sendo reduzido em muitos casos. No h formula secreta, a receita bvia. Diviso do trabalho e trocas so a fonte do crescimento econmico e da riqueza. (Adam Smith 1776 A Riqueza das Naes) Como explicar ento o paradoxo? Por que alguns pases puderam seguir este caminho e outros no?

    5. Instituies - regras que restringem nosso comportamento. Dificuldades de reformas. Quem consegue bloquear? H como fazer pagamentos compensatrios? Risco poltico.

    6. Formao Econmica do Brasil Celso Furtado 1959

    7. Antecedentes: Histria Econmica do Brasil - Roberto Simonsen 1933 Histria Econmica do Brasil - Caio Prado Jr. - 5a edio 1959.

    8. Formao Econmica do Brasil Celso Furtado Analtico em vez de descritivo. Lanou diversas hipteses que geraram grandes debates na literatura e linhas de pesquisa. Hipteses foram: confirmadas, ajustadas, revistas ou radicalmente negadas. O livro no foi mudado.

    9. Celso Furtado consegue, lastreado no instrumental analtico slido da teoria econmica, encontrar um sentido coerente e harmonioso em um campo em que o convencional era descrio pura dos fatos, entremeada de datas e cifras.

    10. Celso Furtado CEPAL. Criou a SUDENE. Ministro Extraordinrio do Planejamento no governo Goulart. Ministro da Cultura - governo Collor (?)

    11. Qual o objetivo central de Formao Econmica do Brasil ?

    12. Analisar as causas do subdesenvolvimento brasileiro sob uma tica econmica, com especial ateno para o desequilbrio externo.

    13. Como isto feito? Qual o arcabouo terico no qual sua anlise est baseada? Qual a viso do Celso Furtado?

    14. A questo central entender quando e como o Brasil atingiu um crescimento auto-sustentado Crescimento auto-sustentado a capacidade do pas de um pas sustentar seu processo de crescimento, derivado de um impulso externo, mesmo quando cessa este impulso.

    15. Crescimento Auto-sustentado Crescimento econmico depende do volume anual de gastos autnomos. Gastos autnomos so exportaes, investimento, consumo ou gastos do governo. PIB = Consumo Pessoal + Gastos do Governo + Gastos com Investimentos + Exportaes - Importaes. PIB = Salrios + Renda dos Proprietrios + Renda da Terra - Depreciao.

    16. Crescimento Auto-sustentado Estes gastos aumentam o produto e a renda: diretamente e indiretamente. Efeito direto - produto maior que insumo. Efeito indireto - efeito multiplicador.

    17. Efeito Multiplicador O efeito direto gera renda, parte da qual se volta demanda de bens produzidos dentro do pas, fazendo com que estes setores e o mercado interno em geral cresa. O efeito multiplicador pode levar a um crescimento auto-sustentado se o dinamismo do mercado interno persistir aps o fim do impulso externo.

    18. Efeito Multiplicador O efeito direto gerado pela renda recebida pelos exportadores de banana (no exemplo do Versiani). O efeito multiplicador (ou indireto) gerado pelo fato que os produtores de banana vo usar a renda recebida para comprar po, enxadas e arroz produzidas no mercado interno.

    19. Efeito Multiplicador O efeito multiplicador continua pelo fato que o padeiro usa a renda recebida vendendo po para o produtor de bananas para comprar enxadas e arroz, e o produtor de arroz usa a renda recebida do produtor de bananas e do padeiro para comprar enxadas e po e bananas e assim por diante. Celso Furtado usa uma estimativa de 3 para o efeito multiplicador.

    20. Efeito Multiplicador O efeito multiplicador pode tambm levar a uma maior e mais eficiente utilizao dos fatores produtivos, levando a um crescimento do produto per capita.

    21. Crescimento Auto-sustentado Implcita nesta proposio est a idia de que a diversificao da estrutura produtiva benfica e desejvel. Versiani pg.52. Est idia central para Furtado e a CEPAL. Produtos primrios tem termos de intercmbio perversos, alta inelasticidade renda, pouco potencial para melhorias tecnolgicas. Note que contraria a Teoria das Vantagens Comparativas.

    22. Existem vrias condies que podem impedir que se atinja o crescimento auto-sustentado mesmo havendo um forte estmulo externo.

    23. Condio I - Distribuio de Renda M distribuio limita o efeito multiplicador. A renda gerada vai parar na mo de poucas pessoas logo gera-se pouca demanda no mercado interno. No h estmulos para diversificao. Exemplo - ciclo do acar.

    24. Condio II - Conhecimento e Tecnologia No basta um impulso externo e boa distribuio de renda. Para se criar produo interna preciso tecnologia e know-how. Oportunidades de consolidar o mercado interno podem no serem realizadas. Exemplo, ciclo da minerao.

    25. Condio III - Capacidade Empresarial Para o mercado interno crescer preciso de indivduos com capacidade empresarial. O mercado cresce a medida que entrepreneurs investirem, tomando riscos. Exemplo, gestao do caf 1a metade do sculo XIX.

    26. Condio IV - Problemas de Balano de Pagamentos Para produzir internamente preciso importar mquinas, equipamentos e matrias primas. Problemas com a exportao do produto dinmico do pas pode dificultar essa importao. Exemplo - industrializao 1900-1940.

    27. Brasil atingiu o crescimento auto-sustentado a partir da Grande Depresso 1929-33.

    28. Prxima Aula: Portugueses na ndia No h texto.

    29. Aula 3 Portugueses na ndia (No h texto)

    30. Os Desenvolvimento Econmico de Portugal no Sculo XVI ou Como se Perdeu o Leste.

    31. Pontos chave desta aula: A rota martima para a ndia. O que significou a descoberta do Brasil para Portugal? Qual o panorama econmico de Portugal antes da descoberta do Brasil? O comercio com o oriente via caravanas. Como os Portugueses optaram por usar a rota martima para a ndia? Por que os Portugueses perderam a hegemonia no Oriente aps 100 anos ? .Proteo versus comrcio. A escolha foi racional?

    32. Pontos chave desta aula: As companhias holandesas: inovao institucional. Path dependence, o papel da historia no presente.

    33. Ciclos Econmicos de Portugal

    34. Ciclos Econmicos de Portugal

    35. A Rota Martima para a ndia. Percorrida pela primeira vez por Vasco da Gama em 1498. Uma inovao tecnolgica. Vamos comparar depois com as companhias holandesas que so inovaes institucionais.

    36. Uma teoria sobre a revoluo comercial na sia Referncia: Steensgaard, N. (19??). The Asian Trade Revolution of the Seventeenth Century: The East India Companies and the Decline of the Caravan Trade.

    37. Trs atores: As caravanas As empresas redistributivas. As companhias.

    38. As Caravanas. Indivduos. Pequenas quantidades. Alto valor. Mercado organizado e complexo. Contabilidade, instrumentos financeiros. Custo de transporte vs. custo de proteo. Tarifas, taxas, direito de passagem, suborno, ladroes, principies, sutes, etc.

    39. As Caravanas. Incerteza e falta de informao era uma caracterstica crucial deste mercado. Mercado competitivo. Os preo eram altos devidos incerteza e instabilidade.

    40. Empresas Redistributivas Vendem proteo. Estados, principados, etc. Quanto expropriar? No era monoplio. Taxa de desconto e reputao.

    41. Empresas Redistributivas Portugueses como empresas redistributivas. Escolha: deslocar todo fluxo de comrcio para a rota martima ou manter caravanas? Comercializar ou vender proteo? Preo das especiarias continuou alto e a oferta incerta (mercado no-transparente). Estrutura do mercado de especiarias continuou o mesmo, mudou somente quem recolhia a proteo.

    42. Empresas Redistributivas: Explicaes Culturais Mentalidade de expansionismo. Cavaleiros vs. mercadores.

    43. Lembrar metodologia: agentes maximizadores e racionais. Mercado de proteo j existia e Portugal tinha superioridade militar. Primeira viagem de Cabral: comeou diplomtica com feitoria em Goa, depois saques. Rendeu um lucro enorme. Empresas Redistributivas: Explicao Econmica.

    44. Dois grupos no Conselho dos Reis em Portugal: fazer comrcio vs. vender proteo. Deciso racional. Segunda viagem de Vasco da Gama: rendeu 15 vezes mais do que a de Cabral. Deciso clara e racional - leva em conta curto prazo. Empresas Redistributivas: Explicao Econmica.

    45. Nisto o Brasil foi descoberto. O que isto significou? No havia ouro. Terra nada valia. Nada economicamente vivel para extrair. Sem oportunidades de comrcio. Nativos primitivos. Custo de oportunidade inviabiliza quase que qualquer atividade. Custo de manuteno. Miragem do ouro.

    46. Digresso: custo de oportunidade

    47. No sculo XVII as companhias Holandesas e Inglesas tomariam a hegemonia Portuguesa na ndia usando para isto comrcio. Isto mostra que comrcio eventualmente se torna superior. Por que Portugal no mudou para aproveitar esta oportunidade?

    48. Haviam retornos decrescentes para o uso de fora nesta situao.

    49. Relao Principal-Agente entre a Coroa Portuguesa e o Estado da ndia. A distncia e a dificuldade de transporte tornam difcil o controle dos agentes. No incio violncia compensava - bons incentivos e conquistar hegemonia. Eventualmente problemas surgem: vtimas adaptam e maiores oportunidades de desvio por parte dos agentes.

    50. Relao Principal-Agente entre a Coroa Portuguesa e o Estado da ndia. Falta de informao permitia desvios. Coroa tentou mitigar este problema reduzindo o numero de viagens, estabelecendo datas certas, colocando inspetores, etc. Problemas persistiram.

    51. Relao Principal-Agente entre a Coroa Portuguesa e o Estado da ndia. Coroa tinha cincia do problema. Por que no mudar? Coroa tentava apropriar as rendas por outros mtodos. Exemplo: leiles de postos. Por que to difcil mudar? Interesses privados foram institucionalizados. Exemplo - regras sobre uso do espao nos navios de volta.

    52. Relao Principal-Agente entre a Coroa Portuguesa e o Estado da ndia. A Coroa tentou mudar mas no conseguiu. Paralelo com estatais. Exemplo da porcelana de Malaca. Tentativas de mudanas: 1570 - abre mercado para todos Portugueses mas tem que passar por Lisboa. 1578 - Meio a meio com mercador alemo. 1586 - Acordo com sindicato italiano, taxa fixa. outras.

    53. Note que o estilo de administrao centralizada iria continuar na colnia Brasil.

    54. As Companhias Exemplos: Companhia Unidas das ndias Orientais - Holandesa Companhia das ndias Orientais - Inglesa

    55. As Companhias. Primeiro navio Holands para as ndias - 1594. Separadas do Estado. Apropriava resduo. Comrcio acima de violncia. Capital Permanente. Juntar investidores dispersos. Mercado de aes. Reduz miopia dos agentes, um dos problemas dos portugueses. Analogia com empresa pblica-privada.

    56. As Companhias. Com as companhias no mercado as caravanas no puderam competir. S seda continuou. Portugal tentou copiar modelo mas no conseguiu. Portugal se volta ao Brasil que estava entrando no perodo auge do acar.

    57. A importncia da histria (path dependence) Portugal no pde mudar mesmo quando percebeu que isto seria desejvel para o pas. A cada momento do tempo as escolhas que so viveis so limitadas. Veremos este conceito de novo...

    58. Prxima Aula Celso Furtado Captulos I, II, III e IV

    59. Aula 4 Celso Furtado Captulos I, II, III e IV

    60. Lembrar estrutura da anlise de Furtado Por que surgiu o ciclo em questo? Quais condies precisaram existir para que a colnia pudesse se engajar economicamente nesta atividade? Que efeito teve o ciclo sobre a economia da colnia. Qual o fluxo de renda gerada e que tipo de efeito multiplicador isto teve? Como o ciclo acabou e o que aconteceu com a dinmica interna da economia?

    61. Captulo I Da Expanso Comercial Empresa Agrcola

    62. A ocupao do Brasil foi causada por expanso comercial e no presso demogrfica. Fatores de atrao e no de empurre.

    63. A descoberta do Brasil de incio pareceu ser episdio secundrio. Ocupar o Brasil significava um alto custo de oportunidade.

    64. No entanto o ouro nas colnias espanholas (Mxico e Peru) mantm o interesse portugus. Outros pases tambm passam a querer ocupar terras no Mundo Novo.

    65. Descoberta de ouro levou a Espanha a empreender uma ocupao concentrada Contrafatuais: E se Portugal tivesse encontrado ouro desde o incio? E se no se tivesse descoberto ouro no Mundo Novo?

    66. Ocupao das terras. Tratados eram letra morta. S ocupao gerava posse. O valor das terras era nulo. Pau Brasil - Miragem do ouro mantm interesse portugus e fora Portugal a defender sua posse.

    67. Produo de Acar. Se no tivesse sido possvel produzir acar dificilmente Portugal teria tido como resistir presso dos outros pases. Produo de acar no Brasil foi a primeira produo agrcola na Amrica. Antes havia extrao, espoliao ou comrcio.

    68. Note paralelo da ocupao da colnia brasileira e a atual ocupao da Amaznia. Ocupao e posse. Terra sem valor. Esperana de futuros tesouros. Custo de oportunidade. Medo de ocupao estrangeira.

    69. Condies necessrias (porm no suficientes) para que fosse possvel produzir acar economicamente no Brasil.

    70. Captulo II Fatores do xito da Empresa Agrcola

    71. I - Tecnologia. Experincia obtida na produo nas ilhas do Atlntico.

    72. II - Experincia e organizao comercial. Holandeses dominavam a comercializao do acar brasileiro. Importante evitar super-produo.

    73. III - Demanda. Criao de um mercado para acar tambm foi realizada com grnade participao Holandesa.

    74. IV - Financiamento. Novamente os Holandeses foram instrumentais na proviso de financiamento. No s para refino e comercializao, mas mesmo para produo e transporte.

    75. V - Mo de Obra. Salrios eram inviveis e terra nada valia. Havia pouca oferta em Portugal. Portugal j tinha experincia com escravos atravs de seus negcios na frica.

    76. V - Mo de Obra. Escravos indgenas foram usados. Alta rentabilidade do acar tornou possvel usar escravos importados.

    77. Outras condies: Clima apropriado. Terras apropriadas. Ausncia de concorrncia.

    78. houve um conjunto de circunstncias favorveis sem o qual a empresa no teria conhecido o enorme xito que alcanou.

    79. Caso a defesa das novas terras houvesse permanecido por muito tempo como uma carga financeira para o pequeno reino, seria de esperar que tendesse a relaxar-se. O xito da grande empresa agrcola do sculo XVI constituiu portanto a razo de ser da continuidade da presena dos portugueses em uma grande extenso das terras americanas

    80. Captulo III Razes do Monoplio

    81. Conceito econmico: Monoplio O que um monoplio? Qual preo o monopolista vai escolher?

    82. Conceito econmico: Monoplio O que um monoplio? Qual preo o monopolista vai escolher? Um monoplio produz menos do que um mercado em competio perfeita e cobra um preo mais alto. Um monoplio s poder persistir ao longo do tempo se houver alguma barreira de entrada.

    83. Por que a Espanha no produziu acar tambm no sculo XVI? A Espanha tinha at melhores condies para isso do que Portugal, pois tinha mo de obra mais evoluda e maior proximidade da Europa.

    84. A Espanha: Concentrou suas atividades no ouro. Tiveram que limitar-se s regies com ouro. No fomentou intercmbio entre as suas colnias. No fomentou outras atividades nas colnias.

    85. Transformaes estruturais geradas pelo ouro na Espanha. O Estado cresceu desmesuradamente. Grande nmero de pessoas inativas vivendo de subsdios. Inflao crnica em toda a Europa. No permitiu surgimento de atividades produtivas na Espanha. Reduziu a importncia na sociedade e poltica da classe ligada a atividades produtivas.

    86. Argumento do Furtado: Se o ouro no tivesse reduzido o poder da classe produtiva, esta teria fomentado atividades produtivas nas colnias para aumentar o mercado do seu produto. Uma opo seria a produo de acar. Se isto tivesse ocorrido Portugal no teria desfrutado uma situao de monoplio por tanto tempo.

    87. Cabe portanto admitir que um dos fatores do xito da empresa colonizadora agrcola portuguesa foi a decadncia mesma da economia espanhola...

    88. Captulo IV Desarticulao do Sistema

    89. Ocupao holandesa do Brasil Ocupao 1630 a 1650. Pernambuco, Itamarac, Paraba, Sergipe, Rio Grande do Norte. Absoro Portuguesa pela Espanha - 1580 a 1655. Guerra da Holanda com a Espanha - 1580 a 1609. Impedida de participar do empreendimento do acar no Brasil os Holandeses buscam ocupar parte do Brasil para faz-lo diretamente.

    90. Furtado afirma que a ocupao permitiu aos Holandeses obterem conhecimento dos aspectos tcnicos e organizacionais da produo de acar, permitindo que montassem sua prpria produo no Caribe. Note que a quebra do monoplio teria de acontecer mais cedo ou mais tarde. Um monoplio sempre atrai foras neste sentido.

    91. Decadncia do Acar. A auge do acar foi em 1650. Depois o volume das exportaes mdias anuais cai para a metade do preo nos melhores anos. Os preos caem pela metade. A renda real se reduziu a um quarto da renda real anterior.

    92. A Decadncia do Acar. A moeda portuguesa se desvaloriza. Isto ocorre por que cai a demanda por moeda portuguesa para compra de acar. Isto mostra que o acar representava um importante elemento da economia portuguesa. A desvalorizao afeta a colnia por que os bens importados no eram produzidos em Portugal. Logo o acar brasileiro passa a comprar menos bens em troca.

    93. Prxima Aula Uma anlise comparativa do sistema de propriedade e uso da terra no Brasil e na Amrica do Norte. Seo I Bernardo Mueller

    94. Uma Anlise Comparativa da Evoluo Histrica do Sistema de Propriedade e Uso de Terra no Brasil e nos EUA Bernardo Mueller Aula 5

    95. Seo I - O Sistema Americano de Propriedade e Uso da Terra. Prxima aula: Seo II - O Sistema Brasileiro de Propriedade e Uso da Terra.

    96. Estrutura desta aula: Introduo . Premissas Comportamentais. A Dinmica da Colonizao da Amrica. A Evoluo de um Mercado de Terra. O Aumento do Valor da Terra. Escravido Temporria. Concesso de Vilarejos. Competio. Plantaes: Escravido, monocultura e latifndios. Concluses: Dependncia no Caminho (A histria importa).

    97. Introduo.

    98. Introduo A consolidao no era inevitvel, nem foi tranquila e sem controvrsias. Haviam outras alternativas.

    99. Introduo A consolidao no era inevitvel, nem foi tranquila e sem controvrsias. Haviam outras alternativas. Houve um processo no qual vrios arranjos institucionais se enfrentaram e atravs do qual o padro final emergiu, moldado pelas condies da fronteira.

    100. Introduo Treze colnias. Algumas assentadas pela Coroa Britnica. Algumas cedidas a companhias do colonizao. Algumas cedidas a proprietrios.

    101. Arranjos institucionais diferentes. Virgnia primeira colonizao cedida a uma companhia propriedade comunitria

    102. Arranjos institucionais diferentes. Georgia caridade; pobres e desafortunados sem fins lucrativos regras rgidas de posse de terra limites no tamanho da posse escravido proibida herana s filho homem, revertendo para a corporao servio militar obrigatrio

    103. Arranjos institucionais diferentes. Massachusetts cedida ao Conselho da Nova Inglaterra distribuio a grupos em forma de vilarejos houve tentativas de implantao de um sistema feudal

    104. Arranjos institucionais diferentes. Maryland e Pennsylvania cedidas a proprietrios Maryland - Lord Baltimore Pennsylvania - William Penn Quakers Total liberdade de uso Ambos tentaram estabelecer seu prprio sistema de terra.

    105. Arranjos institucionais diferentes. Nova Iorque originalmente assentada pelos holandeses patroons, sistema holands distribuio de terra

    106. Premissas Comportamentais Toda anlise cientfica tem que especificar quais premissa est usando para as motivaes dos agentes. Coroa - Maximizao de renda ouro religio vender terra taxar comrcio

    107. Premissas Comportamentais Companhias - maximizao de riqueza por definio

    108. Premissas Comportamentais Proprietrios religio idiossincrasias utilidade renda o preo de uma ideologia

    109. Premissas Comportamentais Colonos e migrantes perseguio religiosa presses demogrficas - revoluo agrcola vagabundos aventureiros escravos

    110. A Dinmica da Colonizao Por que a Coroa distribuiu terra gratuitamente? Por que no centralizar a explorao da Amrica? Paralelo com empreitada Portuguesa na ndia. Problema principal-agente. Era preciso oferecer incentivos para que indivduos e grupos optassem por se estabelecer na Amrica.

    111. A Dinmica da Colonizao A Coroa transferiu amplos poderes e liberdades no intuito de incentivar a colonizao e gerar um fluxo de comrcio que pudesse ser taxado. A medida que a colonizao avanava a terra passava a subir de valor e Coroa tentou retomar controle de vrias colnias. No era mais preciso dar incentivos to grandes para atrair migrantes.

    112. A Dinmica da Colonizao Embora nenhuma colnia havia sido assentado pela Coroa, at 1776 ela havia retomado controle sobre sete delas. Com o aumento do fluxo de comrcio a Coroa tentou se apropriar de uma fatia cada vez maior da renda gerada.

    113. A Dinmica da Colonizao Estes acontecimentos levaram independncia Americana em 1776. uma tpica estria de independncia: quando os interesses econmicos locais comeam a se chocar com os interesses da metrpole natural que surjam foras no sentido da independncia.

    114. A Evoluo de um Mercado de Terras O surgimento de um mercado significa que terra passa a se tornar escassa. Um mercado a melhor forma de alocar um bem. Pelo fim do sculo XVIII a terra era o bem que melhores oportunidades de ganhos oferecia na colnia. Como a terra passa a ter valor?

    115. Aumento do Valor da Terra

    116. A evoluo de mercados na colnia exigia grandes fluxos de migrantes. Haviam diversos obstculos que dificultavam esta imigrao: ausncia de incentivos custo da passagem dificuldade de adaptao Diversas instituies surgiram para contornar estas dificuldades. A Evoluo de um Mercado de Terras

    117. Escravido Temporria Nome enganoso em portugus. (headrights) Terra era concedida a qualquer pessoa que pagasse a sua ida ou a ida de outro para a Amrica. A terra valia pouco e no era grande incentivo, porm o contrato previa tambm que o migrante se obrigava a trabalhar por um tempo especificado para aquele que financiava sua ida.

    118. Escravido Temporria O tempo de trabalho era em geral de sete anos. Grandes nmeros de migrantes foram levados Amrica por este tipo de contrato. Houve abusos, mas estes no significam que estes contratos fossem perversos. Exemplo, consrcios.

    119. Escravido Temporria Resolvia-se o problema de custo de incerteza. Ao trazer grandes levas de migrantes estes contratos contriburam para gerar um estrutura de posse da terra mais igualitria.

    120. Concesses de Vilarejos Originalmente usadas na Nova Inglaterra. Grupos obtinham a terra atravs de uma petio junto companhia a quem havia sido concedida a colnia. O grupo ento distribua lotes entre seus membros. No incio era sem custo. Grupos religiosos homogneos.

    121. Concesses de Vilarejos Gerou povoamento denso o que propiciava especializao e trocas, alm de proteo contra ndios. Reduzia custos de transao de casar colonos com terra. A organizao dos grupos aumentava as chances de sucesso do grupo. No haviam restries quanto auto-gesto dos grupos.

    122. Concesses de Vilarejos Levou ao aumento do valor da terra e eventualmente as companhias passaram a vender em vez de conceder os vilarejos. Vrias outras colnias adaptaram a idia de concesso de vilarejos.

    123. Competio A competio entre as treze colnias por migrantes levou a um processo evolutivo que vez com que as instituies ineficientes fossem eliminadas. Migrantes votavam com os ps. Trata-se de um Darwinismo institucional, ou seja, um processo de seleo natural das regras de uso e posse da terra e organizao social.

    124. Competio A competio foi na direo de regras no restritivas quanto ao sistema de terra e tambm quanto concentrao da propriedade. A idia de um sistema federalista esta parcialmente baseado nos efeitos benficos deste tipo de competio.

    125. Plantaes e o Sistema Americano de Propriedade de Terra. At aqui foi argumentado que o sistema Americano de terra que evoluiu era baseado em pequenas propriedades familiares.

    126. Ento como se explica as conias do sul onde haviam grandes plantaes escravistas monocultoras? Plantaes e o Sistema Americano de Propriedade de Terra.

    127. No seria o sistema de terra nestas colnias mais parecido com aquele do Brasil, baseado na exportao de produtos tropicais, do que o sistema das colnias do Norte? Plantaes e o Sistema Americano de Propriedade de Terra.

    128. Defendendo o argumento. As grandes plantaes no incio no usavam predominantemente o trabalho escravo. Surgiram concomitante a inmeras pequenas propriedades. No incio do sculo XVIII o trabalho escravo se tornou predominante nas plantaes, por razes do crescimento da oferta de escravos.

    129. Defendendo o argumento. Havia ganhos de escala na produo e as grandes plantaes proliferaram. As pequenas propriedades persistiram e se encaixaram em um sistema de diviso de trabalho. Em muitas reas no propcias s plantaes as pequenas propriedades dominavam.

    130. Defendendo o argumento. Em 1850 18% dos estabelecimentos do sul eram plantaes (101.335 de 569.201). Em 1790 30% dos escravos estavam em fazendas com menos de 10 escravos, 26% em fazendas com 10 a 20 escravos 28% em fazendas com 20 a 50 escravos, e 16% em fazendas com mais de 50 escravos.

    131. Defendendo o argumento. A organizao da agricultura sob a forma de pequenas propriedades no sul era a regra. tanto em nmero quanto em extenso geogrfica. As plantaes esgotavam o solo e migravam fronteira agrcola. Muitas terras foram subseqentemente aproveitadas para produo de outros produtos, geralmente em pequenas propriedades.

    132. Concluses Dependncia na histria (path dependence)

    133. Concluses As opes abertas em um dado momento do tempo dependem do caminho pelo qual se chegou a este ponto. O caminho seguido at qualquer ponto importante na determinao do caminho futuro.

    134. Concluses Espera-se portanto que os caminhos seguidos, sejam eles produtivos ou improdutivos, tendam a se reforar e persistir. Pequenas propriedades e igualdade do voz aos cidados no governo, o que leva a manuteno e propagao deste sistema.

    135. Path Dependence

    136. Path Dependence

    137. Concluses Path dependence tecnolgico e institucional. Um sistema igualitrio de terra atraa mais migrantes e os grandes nmeros de migrantes levavam a um sistema igualitrio de terra. Reforma agrria at hoje no Brasil um exemplo da dificuldade de mudar de caminho.

    138. Prxima aula Seo II - O Sistema Brasileiro de Propriedade e Uso da Terra.

    140. Aula 6 Seo II - O Sistema Brasileiro de Propriedade e Uso da Terra.

    141. Evoluo do Sistema Brasileiro

    142. Evoluo do Sistema Brasileiro

    143. Evoluo do Sistema Brasileiro

    144. Evoluo do Sistema Brasileiro

    145. Evoluo do Sistema Brasileiro

    146. Evoluo do Sistema Brasileiro

    147. Evoluo do Sistema Brasileiro

    148. Evoluo do Sistema Brasileiro

    149. Evoluo do Sistema Brasileiro

    150. Premissas Comportamentais Coroa - maximizar renda. Indivduos Mais atraente ir ndia. Portugal tinha problemas demogrficos. Inteno de voltar a Portugal. Contraste com imigrantes na Amrica. Pioneiros e Bandeirantes V. Moog, 19??. Interveno #3

    151. Instituies de Propriedade e Uso de Terra. Carta para Martim Afonso. Capitanias Hereditrias. Sesmarias. Posses. Vcuo Institucional. Lei de Terras de 1850.

    152. Instituies de Propriedade e Uso de Terra. Cartas para Martim Afonso. Primeira - Martim Afonso capito e governador, podendo conceder terra e organizar governo. Reflete ausncia de informaes. Tentativa e erro. Segunda - dois anos depois - Capitanias hereditrias.

    153. Capitanias Hereditrias Resposta necessidade de ocupao diante da ausncia de informao. Confuso com feudalismo. Similar estratgia usado na Amrica. Donatrios eram obrigados a conceder terra a qualquer pessoa de qualquer qualidade ou condio.

    154. Capitanias Hereditrias Duraram 16 anos. Alguns donatrios nem foram ao Brasil. No pode ser considerado a gnese da concentrao de terra no Brasil.

    155. http://www.governo.rj.gov.br/historia/f_hist.htm

    157. http://www.oglobo.com.br/Vestib/ves70.htm

    158. Sesmarias J existiam antes do descobrimento do Brasil. Origem 1375 para incentivar o uso da terra diante da escassez demogrfica no campo. Concesso de terra - condies: uso e dzimo. Poucas restries pois o interesse da Coroa era atrair imigrantes ao Brasil.

    159. Sesmarias Preo da terra s aumentou em locais especficos, devido a razes locacionais ou quedas dgua. Em geral no h escassez de terra e portanto seu preo no sobe nem so necessrias regras para seu racionamento e uso. Compare com gua ou ar. Letra morta.

    160. Sesmarias Na prtica posses eram regra. Dom Pedro I fim das sesmarias 1822.

    161. Ciclo do Acar e Escassez de Terra. 1550-1650. Em 1600 120 engenhos. No gera oportunidades que atrassem imigrantes. Efeito direto alto mas efeito multiplicador quase nulo. Pecuria.

    162. Ciclo da Minerao e Escassez de Terra. 1700 - 1775. Grande aumento da populao. Tinha quase todas condies para gerar um mercado interno. Produo itinerante. Integrou a economia da colnia mas gerou pouca escassez de terra.

    163. Ciclo da Minerao e Escassez de Terra. Com fim do ouro volta economia da subsistncia. Sesmarias ainda existiam mas a regra ainda no representava uma restrio.

    164. Evoluo da Populao no Brasil e nos EUA.

    166. Contrafatuais Se o ouro durasse algumas dcadas a mais. Se ouro descoberto desde o comeo da colonizao. Se o ouro nunca tivesse sido descoberto.

    167. Aumento do Preo da Terra Vcuo institucional. Famlia real no Brasil. Abertura dos portos. Jos Bonifcio e extino das sesmarias. Extino das sesmarias 2 meses antes da independncia. Constituio de 1824.

    168. Proliferao de posses Surgimento do caf e presso por terra. Demanda por direitos de propriedade. Quando h oportunidades de ganhos que no podem ser capturados sob as regras correntes, h demanda por novas regras que possibilitem realizar estes ganhos. Aumento do Preo da Terra

    169. A oferta de direitos de propriedades depende de questes polticas. No Brasil caf gerou presso sobre a terra levando a disputas e conflitos. Isto por sua vez levou Lei de Terras de 1850. Aumento do Preo da Terra

    170. Evoluo da produo de caf: 1821 - 30 3.178.000 sacas 1831 - 40 10.430.000 sacas 1841 -50 18.367.000 sacas 1851 - 60 27.339.000 sacas Aumento do Preo da Terra

    171. Descrever processo de aumento do preo da terra e surgimento de disputas gerando custos aos proprietrios pretendentes. Aumento do Preo da Terra

    172. Lei de Terras No 601 de 1850 Sesmarias e posses legitimadas integralmente. Terra s pode ser adquirida por compra. Imposto sobre a terra seria moderado. Criou facilidades para incentivar imigrao.

    173. Lei de Terras No 601 de 1850 Outra motivao da lei era resolver o problema da mo de obra. Fim do trfico transatlntico em 1850. (Em 1831 j havia sido tentado por presso inglesa). A idia era forar imigrantes a venderem sua fora de trabalho nos cafezais. No fim a urgncia de mo de obra no caf fez com que se desistisse deste esquema.

    174. Interveno # 1 Hiptese de Domar.

    175. Surgimento do mercado de terras. A imigrao aumentou com o crescimento do caf. Construo de ferrovias permite terra mais distante ser colocada em produo. Em 1860 terra passa a ser usada como garantia no lugar de escravos.

    176. Surgimento do mercado de terras. Em 1889 proclamao da Repblica. Cada estado seguiu seu prprio caminho com relao a terra, mas todos dentro do mesmo padro. O sistema de terra era sem restries, porm altamente concentrado.

    177. Surgimento do mercado de terras. Desde aquela poca se percebia os problemas que isto gerava e eram sugeridas reformas. At hoje estamos tentando mudar para esta forma mais eficiente. As escolhas hoje so restritas pelo caminho que foi trilhado no passado (path dependence).

    178. Prxima Aula Furtado VIII, IX, X, XI, XII (Pulamos V e VI, veremos VIII depois)

    179. Aula 7 Formao Econmica do Brasil Celso Furtado Captulos VIII, IX, X, XI e XII

    180. Estrutura da Aula Captulo VIII - Capitalizao e Nvel de Renda na Economia Aucareira. Captulo IX - Fluxo de Renda e Crescimento. Captulo X - Economia Pecuria. Captulo XI - Formao do Complexo Econmico Nordestino. Captulo XII - Contrao Econmica e Expanso Territorial.

    181. Estatsticas do Acar. Em 1600 - 120 engenhos. 15.000 por engenho 1.800.000 capitais aplicados na indstria do acar. 20.000 escravos africanos. 25 por escravo. 375.000 investimento em escravos. 20,8% parcela dos capitais relativos a escravos.

    182. Qual a renda lquida gerada pelo acar? Precisamos saber isto para determinar qual o efeito do acar sobre a economia e sua capacidade de atingir o crescimento auto-sustentado.

    183. Contabilidade do Acar. O valor das exportaes em um determinado ano corresponde ao Valor Bruto da Produo do setor aucareiro neste ano. Presumimos que todo o acar produzido exportado. VBP = quantidade x preo

    184. Contabilidade do Acar. Produto Bruto (ou Renda Bruta): PB = VBP - CI onde CI = Consumo Intermedirio CI = os bens e servios usados na produo do acar e produzidos for a dos engenhos. Estes eram basicamente transporte (dentro e for a da colnia), armazenamento, seguros, lenhas, e cana produzida por lavradores independentes.

    185. Contabilidade do Acar. Produto Lquido (ou Renda Lquida): PL = PB - RD onde RD = Reservas de Depreciao RD = depreciao dos escravos, das construes, dos equipamentos e dos animais.

    186. Contabilidade do Acar. Qual a repartio da renda lquida entre a Coroa e os fatores de produo (capital, trabalho e terra)? RL = tributos indiretos + renda dos proprietrios + renda dos trabalhadores

    187. Contabilidade do Acar. Renda Lquida a custos de fatores (subtraindo a tributao): RLcf = renda dos proprietrios + renda dos trabalhadores

    188. Contabilidade do Acar. Quais so os nmeros para o caso da economia aucareira? 1.500.000 = 2.500.000 - ( CI - 110.000) portanto CI = 890.000 Este nmero alto pois inclui transporte do acar para Portugal.

    189. Contabilidade do Acar.

    190. Destinao dada pelos proprietrios a sua renda segundo Furtado: gastos de consumo poupana Contabilidade do Acar.

    191. Apenas um tero do valor da poupana correspondia a importaes de bens de capital. Assim as exportaes de acar poderiam ter financiado uma expanso da capacidade da indstria aucareira bem superior efetivamente observada. A explicao mais plausvel talvez seja que parte substancial dos capitais aplicados na produo aucareira pertencesse aos comerciantes. Explicar-se-ia assim a ntima coordenao existente entre as etapas de produo e comercializao, coordenao essa que preveniu a tendncia natural superproduo Contabilidade do Acar.

    192. Fluxo de Renda e Crescimento Captulo IX

    193. Que possibilidades de expanso e crescimento estrutural apresentava o sistema econmico escravista? Qual a diferena entre expanso e crescimento estrutural?

    194. Exemplo de mudanas estruturais: inovao tecnolgica. cercamentos na Inglaterra. maior diviso de trabalho e especializao. depresso que leve a mudana no balano de poder. revoluo. Qual a diferena entre expanso e crescimento estrutural?

    195. Fluxo de Renda e Crescimento Um investimento inicial em um engenho gerava um crescimento direto, mas este crescimento no gerava, por sua vez, nenhum efeito indireto. O crescimento da produo era limitado somente pelo lado da demanda. Oferta de terra e mo de obra era elstica.

    196. Fluxo de Renda e Crescimento Todo crescimento se dava em extenso, sem alterar a estrutura. o crescimento se realizava sem que houvesse modificaes sensveis na estrutura do sistema econmico. Os retrocessos ocasionais tampouco acarretavam qualquer modificao estrutural.

    197. Fluxo de Renda e Crescimento No havia, portanto, nenhuma possibilidade de que o crescimento com base no impulso externo originasse um processo de desenvolvimento de autopropulso.

    198. Projeo da Economia Aucareira: A Pecuria Captulo X

    199. Economia Pecuria Pecuria como efeito indireto do acar. Pecuria para transporte, fora, carne e couro, era praticamente o nico artigo que poderia ser suprido internamente. Ocupao extensiva, itineirante e de baixo nvel de investimento. Proprietrio muitas vezes absentesta.

    200. Economia Pecuria Pecuria foi uma forma de especializao. Por que no houve outras formas? 1) interesse dos exportadores portugueses e holandeses. 2) fretes baixos para a volta ao Brasil. 3) Abundncia de terras na proximidade dos engenhos. So Vicente no podia competir. 4) Preocupao poltica de evitar a produo na colnia que competisse com a metrpole.

    201. Economia Pecuria O setor pecurio crescia independente da procura. Permitiu a ocupao do interior. Renda total gerada pela pecuria era 5% do valor do acar exportado. Populao ocupada 13.000. 650.000 cabeas de gado. 50 por pessoa.

    202. Economia Pecuria Qual a possibilidade de oferta desse sistema? No haviam empecilhos do lado da oferta. Seu crescimento dependia da demanda gerada pelo setor exportador. Sua produtividade diminua com o crescimento devido distncia, logo a renda tendia a cair.

    203. Sistema da Quarta Ser visto em maior detalhe na aula sobre o modelo principal-agente. Um vaqueiro que trabalhasse cinco anos em uma fazenda tinha direito a uma participao no rebanho (uma cria em quatro). Haviam fazendas s com escravos, com proprietrio absentesta. Ver Gorender. Escravismo na pecuria

    204. Interveno # 2 Escravismo na Pecuria Jacob Gorender

    205. Formao do Complexo Econmico Nordestino Captulo XI

    206. Efeitos da contrao no acar e na pecuria. A pecuria no tinha gastos monetrios no processo de reposio do capital e de expanso da capacidade produtiva. O capital se repunha automaticamente. O crescimento demogrfico se mantinha pois sempre havia disponibilidade de alimentao .

    207. Efeitos da contrao no acar e na pecuria. Com a queda do preo o acar se torna menos rentvel e as unidades marginais vo a falncia. Em ambas h uma involuo econmica com a retrao da diviso de trabalho e especializao, passando-se a um sistema de subsistncia.

    208. Contrao Econmica e Expanso Territorial Captulo XII

    209. Sculo XVII O sculo XVII foi um perodo de dificuldades. A primeira metade foi tomado pela ocupao holandesa e na segunda o preo do acar caiu. A ocupao holandesa deu mais prejuzo a Portugal do que ao Brasil. Parte da renda dos holandeses era retida no Brasil o que ajudou a desenvolver a vida urbana.

    210. Sculo XVII Na poca da prosperidade do acar houve a preocupao em estender os domnios portugueses o que levou expanso territorial. Durante todo este perodo se ocupou e defendeu o Brasil de norte a sul. Maranho, So Vicente e regio sulina: pouco desenvolvimento

    211. Sculo XVII S a partir de 1700, com a descoberta de ouro a economia voltaria a atividade novamente.

    212. Prxima Aula O Ciclo da Minerao Furtado Captulos XIII, XIV e XV

    213. Aula 8 O Ciclo da Minerao Furtado XIII, XIV e XV

    214. Interveno # 3 Formas de Escravido Indgena

    215. Povoamento e Articulao das Regies Meridionais Descoberta de ouro circa 1700. Segundo Furtado Coroa enviou ajuda tcnica para achar ouro. Bandeiras j haviam aberto os caminhos. Reao ao ouro foi rpida. Houve migrao interna do Nordeste e do Sul. Houve tambm deslocamento de fatores de produo, principalmente escravos. Houve imigrao Portuguesa espontnea.

    216. Povoamento e Articulao das Regies Meridionais Furtado coloca que a economia da minerao apresentava uma estrutura fundamentalmente diferente da economia do acar. Veremos em aula subsequente que Jacob Gorender discorda.

    217. A Economia Mineira Se bem que a base da economia mineira tambm seja o trabalho escravo, por sua organizao geral ela se diferencia amplamente da economia aucareira. Os escravos em nenhum momento chegam a constituir maioria da populao. Por outro lado, a forma como se organiza o trabalho permite que o escravo tenha maior iniciativa e que circule em um meio social mais complexo. Muitos escravos chegam a trabalhar por conta prpria, comprometendo-se a pagar periodicamente uma quantia fixa a seu dono, o que lhes abre a possibilidade de comprar a prpria liberdade.

    218. A Economia Mineira

    219. A Economia Mineira O ouro Brasileiro era de aluvio. Isto gerava maiores oportunidades para indivduos de pequenas posses do que ouro em minas. Tinha implicaes tambm para a ocupao da terra. Ocorreu especializao da regies, ou seja, o efeito multiplicador da minerao foi maior do que o do acar.

    220. A Economia Mineira Gado e mulas. maior demanda do que no ciclo do acar; integrou as regies do pas; modelo principal-agente e demanda por mulas e cavalos.

    221. Captulo XIV - Fluxo de Renda Auge da produo de ouro 1760; 2,5 milhoes de por ano. Circa 1780 caiu para menos de 1 milho de por ano. Renda da total da economia mineira 3.6 milhes de por ano. Renda per capita 12 por pessoa livre. No acar foi 66 por pessoa livre. Porm era menos concentrada e tinha maior efeito multiplicador.

    222. Por que no se atingiu o crescimento auto-sustentado. Condies que propiciavam a produo interna de manufaturados: havia demanda derivada da atividade gerada pela minerao. havia um nvel populacional alto; disperso mas reunido em torno de centros urbanos. a distncia at os portos encarecia os produtos importados.

    223. Por que no se atingiu o crescimento auto-sustentado. Dado que as condies eram propcias, por que no surgiu a produo no Brasil de bens manufaturados nesta poca?

    224. Por que no se atingiu o crescimento auto-sustentado. Explicao potencial: Portugal proibia a implantao de atividades manufatureiras no Brasil.

    225. Explicao do Furtado. A causa principal possivelmente foi a prpria incapacidade tcnica dos imigrantes para iniciar atividades manufatureiras numa escala pondervel.

    229. Cuidado para no interpretar a lio do Tratado de Methuen sobre o papel do protecionismo d maneira errada.

    230. Importncia do ouro Brasileiro para o desenvolvimento industrial e financeiro da Inglaterra.

    231. Captulo XV - Regresso Econmica e Reverso Subsistncia. Com o fim do ouro o nvel da atividade econmica caiu drasticamente. Houvesse a economia mineira se desdobrado num sistema mais complexo, e as reaes seguramente teriam sido diversas. Na Austrlia, trs quartos de sculo depois, o desemprego causado pelo colapso da produo de ouro constituiu o ponto de partida da poltica protecionista que tornou possvel a precoce industrializao deste pas.

    232. Captulo XV - Regresso Econmica e Reverso Subsistncia. A medida que os sistema se descapitaliza h uma reverso subsistncia, ou seja uma diviso do trabalho ao contrrio. Veremos adiante que Furtado creditar aos 70 anos aps o fim do ciclo da minerao as razes do subdesenvolvimento brasileiro.

    233. Aula 9 Escravismo na Minerao Gorender, Jacob, 1988, O Escravismo Colonial, So Paulo, Editora tica, cap. XXI, pg. 443-471.

    234. Efeitos da Economia Mineradora Aumento rpido da populao colonial. Ampliao da ocupao territorial em direo ao interior. Propenso urbanizao. Formao de mercado interno. Acentuao da diviso social do trabalho. Estreitamento dos vnculos econmicos inter-regionais

    235. Efeitos da Economia Mineradora Influncia na histria de Portugal. Repercusso na economia europia, em particular na Inglaterra. Aguamento da tenso entre Colnia e Metrpole.

    236. Objetivo do captulo: Refutar a tese de que a minerao haja suscitado um novo tipo de sociedade na histria colonial do Brasil.

    237. Qual a tese aceita na literatura? Se bem que a base da economia mineira tambm seja o trabalho escravo, por sua organizao geral ela se diferencia amplamente da economia acareira. Os escravos em nenhum momento chegam a constituir maioria da populao. Por outro lado, a forma como se organiza o trabalho permite que o escravo tenha maior iniciativa e que circule em um meio social mais complexo. Muitos escravos chegam a trabalhar por conta prpria, comprometendo-se a pagar periodicamente uma quantia fixa a seu dono, o que lhes abre a possibilidade de comprar a prpria liberdade. Furtado cap.XIII.

    238. Qual a tese aceita na literatura? Edson Carneiro, 1964, Ladinos e Crioulos: No teve paralelo em parte alguma do pas, em perodo comparvel, o nmero de escravos que encontraram modos e maneiras de comprar sua alforria. Nelson W. Sodr, 1962, Formao Histrica do Brasil: A minerao seria uma nova sociedade.

    239. Composio populacional. Gorender concorda que houve um forte surto de imigrao mas contesta os nmeros. Atribui as sobre-estimativas s reaes da Coroa para coibir a imigrao. Note que a populao de Portugal no comeo do sculo XVIII era em torno de 2.100.000.

    240. Populao de Minas Gerais

    241. Interesse da Coroa

    242. Regras da Economia Mineradora Era concedido duas braas de terra aurfera por cada escravo que se possusse. No entanto, segundo Gorender, a estratificao social continuou a existir. Aqueles com mais recursos teriam mais escravos e receberiam portanto mais terra conseguindo assim extrair mais ouro. Poucos conseguiram subir a escala social.

    243. Regras da Economia Mineradora Para mover montanhas e secar rios era necessrio ter muitos escravos. Os que tinham este capital que conseguiam extrair a maioria do ouro. Os faiscadores na realidade ficavam com as migalhas.

    244. Dados de proprietrios em Minas Gerais 1717

    245. Dados de proprietrios em Minas Gerais 1717

    246. Dados de proprietrios em Minas Gerais 1717

    247. Dados de proprietrios em Minas Gerais 1780

    248. Dados de proprietrios em Minas Gerais 1814

    249. Dados de proprietrios em Minas Gerais 1814 - Proprietrios com mais de 50 escravos

    250. ndices de Concentrao de Propriedade Vila de Pitangui, ndice de Gini entre 1718 a 1723 passou de 0,403 a 5,32. (1 igual concentrao total, 0 igualdade perfeita).

    251. Faiscadores Para Furtado esta possibilidade significava a existncia de oportunidades econmicas mesmo para os mais pobres. Para Gorender a existncia de faiscadores era o resultado de um sistema desigual. Faiscadores apareceriam nos perodos de decadncia da minerao. Comparao com camels.

    252. O Escravismo na Minerao Com a descoberta de ouro os escravos foram transferidos de outras atividades regio do ouro. as minas absorviam escravos, cavalos e bois e at trabalhadores qualificados necessrios aos engenhos. No comeo a Coroa tentou coibir mas em 1706 desistiu.

    253. O Escravismo na Minerao O preo do escravo subiu inicialmente mas como a oferta era elstica este efeito foi de pouca durao.

    254. Regras de alocao das lavras. Regimento de abril de 1702: S teriam direito a uma data inteira de 30 braas de terreno aurfero os proprietrios de um mnimo de 12 escravos, cabendo aos demais duas braas e meia por por escravo. Isto evidncia para Gorender da correlao essencial entre escravismo e minerao.

    255. Regras de alocao das lavras. As datas deveriam comear a ser lavradas dentro do prazo de 40 dias, sob pena de perda delas para a Fazenda Real, exceto em casos de dificuldade for a do comum.

    256. Interveno # 4

    257. Tributao na Minerao. 1700 foram enviados os primeiros provedores para receber os quintos. Era necessrio uma guia para exportar. Haviam registros nas estradas. Em 1713 o governador quis construir uma casa de fundio e mineradores ofereceram 30 arrobas de finta. Em 1718 a finta abaixou para 25 arrobas.

    258. Tributao na Minerao. Casas de fundio comearam em 1725. Em 1730 o quinto foi abaixado para 12% para reduzir a fraude. Em 1735 foi usado imposto de capacitao de 17 gramas de ouro por escravo. Como haviam 100.000 escravos isto deveria render 113 arrobas no auge.

    259. Tributao na Minerao. Em 1750 voltou o quinto e as casas de fundio. Arrecadao: 1759 116 arrobas 1766 comeou a cair 1777 70 arrobas 1808 30 arrobas 1819 7 arrobas 1820 2 arrobas

    260. Escravismo na Minerao

    261. Alforrias (Manumisso) Alguns escravos trabalhavam como faiscadores com o consentimento dos senhores em troca de pagamento de uma renda fixa. Como explicar a existncia de manumisso? Modelo principal-agente.

    262. Alforrias (Manumisso) Para Gorender as alforrias atingiam principalmente mulheres e velhos e no representavam uma possibilidade realista maioria dos escravos. Dois processo de alforria institucionalizados: achar diamante de 20 quilates ou mais. Delatar dono que traficasse diamantes.

    263. Alforrias (Manumisso) A concluso a tirar consiste em que a minerao, por si mesma induzia escravido. O que multiplicou o nmero de alforrias - sem afetar as bases do regime escravista - no foi propriamente a minerao, porm sua decadncia. Em 1786 34% da populao total era forros. Em 1808 este nmero sobe para 41%.

    264. Condies de trabalho dos escravos. A maioria dos escravos no trabalhava como autnomo e sim coletivamente. trabalho coletivo sob vigilncia de feitores. gua fria. dentro de minas. transporte de cascalho. mortalidade alta. acidentes.

    265. Condies de trabalho dos escravos. Rebeldia e fugas como evidncia da ms condies de vida. Como estas condies comparam com a condio de vida no acar?

    266. A economia posterior minerao. Para Furtado o fim da minerao trouxe um processo de involuo atrofiante e desarticulao. Para Gorender este processo foi setorial e transitrio. A agropecuria que cresceu em Minas Gerais como efeito indireto da minerao teria continuado aps o fim da minerao, especialmente com a transferncia da Corte ao Rio de Janeiro em 1808, e com o surgimento do caf.

    267. Prxima Aula PROVA 1

    268. Aula 10

    269. Aula 11 Celso Furtado Captulos VII, XVI e XVII

    270. Captulo VII Encerramento da Etapa Colonial Ocupao Holandesa 1630 - 1650. Associao de Portugal Espanha 1580-1640. Em 1661 a Espanha ainda no havia reconhecido a separao e Portugal ainda estava negociando a paz com a Holanda. Portugal pagou indenizaes Holanda e at ofereceu de dividir o Brasil.

    271. Situao de Portugal na segunda metade do Sculo XVII. Perdeu posio na sia. Recuperando da ocupao Holandesa. Preo do acar em queda. Enfrentamentos com Espanha e Holanda. Concluso - Portugal no podia ficar em posio neutra. Precisava se aliar.

    272. Acordos de Portugal com a Inglaterra Tratados em 1642, 1654 e 1661. Esprito dos tratados: Portugal fazia concesses econmicas em troca de promessas e garantias polticas. Concesses econmicas: jurisdio extra-territorial, liberdade de comrcio, vantagens tarifrias. Em clausula do tratado de 1661 os ingleses prometiam defender as colnias portuguesas contra qualquer inimigo.

    273. Moeda portuguesa desvaloriza. Fomenta a produo interna de tecidos, e surge um setor manufatureiro incipiente. 1703 - Tratado de Methuen. Situao de Portugal na segunda metade do Sculo XVII.

    274. Esse acordo significou para Portugal renunciar todo desenvolvimento manufatureiro e implicou transferir para a Inglaterra o impulso dinmico criado pela produo aurfera no Brasil. Graas a este acordo, entretanto, Portugal conservou uma slida posio poltica numa etapa que resultou ser fundamental para a consolidao definitiva do territrio de sua colnia americana. Furtado pg.34.

    275. O prprio Methuen negociou a entrada de Portugal na guerra que garantiu a sua participao na conferncia de Utrecht. Nesta conferncia Portugal consolidou sua posse exclusiva do Amazonas e da colnia de Sacramento.

    276. Efeitos do ouro Portugal: entreposto ? tributao e comrcio. Brasil: Expanso geogrfica e demogrfica. Inglaterra estmulo ao desenvolvimento manufatureiro. capacidade de importar. concentrao de reservas, principal centro financeiro da Europa.

    277. A Portugal entretanto, a economia do ouro proporcionou apenas uma aparncia de riqueza, repetindo o pequeno reino a experincia da Espanha no sculo anterior. Como agudamente observou Pombalo ouro era uma riqueza puramente fictcia para Portugal: os prprios negros que trabalhavam nas minas tinham que ser vestidos pelos ingleses. Contudo nem mesmo Pombal que tinha uma viso lcida da situao da dependncia poltica em que vivia seu pas e uma vontade de ferro, conseguiu modificar fundamentalmente as relaes com a Inglaterra. Na verdade, essas relaes constituam uma ordem superior das coisas sem a qual no seria fcil explicar a sobrevivncia do pequeno reino como Metrpole de um dos mais ricos imprios coloniais da poca. Furtado Pg. 35.

    278. Fim do Sculo XVIII Fim do ciclo do ouro no Brasil. Revoluo Industrial na Inglaterra. Adam Smith. Agora Inglaterra precisa de mercados. Ideologia liberal - contra protecionismo. Fatos geram idias ou idias geram fatos. Em 1786 a Inglaterra reduz a tarifa de vinho para a Frana e para Portugal sem ferir o Tratado de Methuen.

    279. Independncia do Brasil Coroa Portuguesa no Brasil 1808. Abertura dos portos. Coroa Portuguesa temia reconhecimento de governo francs em Portugal. Acordos com Ingleses visam o no reconhecimentos. Novamente privilgios econmicos em troca de garantias polticas.

    280. Independncia do Brasil Independncia sem descontinuidade transferiu privilgios Ingleses de Portugal para o Brasil. Passivo Colonial. Independncia no podia ser vista como agresso a Portugal. Ocorreu sem traumas. Ligao com a Inglaterra continua at meados do sculo XIX. Ento comea a associao com os EUA. Segunda metade do sculo XIX pode ser vista como transio econmica do Brasil e a primeira metade como transio poltica.

    281. Captulo XVI Fim da poca Colonial

    282. Economia no final do sculo XVIII Renda per capita 50 dlares, nvel mais baixo da histria do Brasil. Constelao de sistemas frouxamente articulados acar, ouro, pecuria. Par e Maranho sistemas isolados. Maranho teve breve prosperidade devido ao arroz e guerra da independncia Americana.

    283. Economia no final do sculo XVIII Revoluo Francesa e desarticulao do acar no Haiti favoreceu brevemente o acar a partir de 1789. Porm foi temporrio.

    284. Captulo XVII Passivo Colonial, Crise financeira e Instabilidade Poltica.

    285. Interveno # 9 Teoria das Vantagens Comparativas

    286. Passivo Colonial Abertura dos Portos como uma imposio dos fatos. Tratados: 1810 - extra territorialidade, tarifas preferenciais. 1822 - separao definitiva de Portugal. 1827 - (ps-independncia) renova vantagens econmicas.

    287. Passivo Colonial Eliminao do poder de D. Pedro I em 1831 e ascenso definitiva da classe colonial dominante da grande agricultura de exportao. Passivo colonial foi uma consequncia natural da forma como se processou a independncia. No houve fragmentao territorial. Interesses regionais eram mais fortes do que interesse nacional.

    288. Passivo Colonial Eliminao do poder de D. Pedro I em 1831 e ascenso definitiva da classe colonial dominante da grande agricultura de exportao. Passivo colonial foi uma consequncia natural da forma como se processou a independncia. No houve fragmentao territorial. Interesses regionais eram mais fortes do que interesse nacional. A vinda da Corte ajuda a manter a integridade.

    289. Pergunta: O atraso do Brasil se deve aos privilgios concedidos Inglaterra?

    290. Pergunta: Em outras palavras: Se no tivesse sido pelos acordos o Brasil teria podido fomentar sua industrializao atravs de protecionismo e com isto ter adiantado seu processo de desenvolvimento em quase um sculo?

    291. Protecionismo no sculo XIX? A classe dominante era agrcola e no tinha interesses no comrcio. Esta classe queria a independncia mas no tinha interesse em industrializao. Esta classe conflitava com os interesses de Portugal (um entreposto) mas no com os interesses ingleses (comprador de produtos tropicais e vendedor de manufaturados).

    292. Protecionismo no sculo XIX? Inglaterra forou a abolio (fim do trfico) para favorecer suas colnias Antilhanas.

    293. Portanto, no se pode afirmar que, se o governo brasileiro houvesse gozado de plena liberdade de ao, o desenvolvimento econmico do pas teria sido muito intenso. Furtado pg.96.

    294. Efeitos dos Tratados. Tarifas baixas implicavam arrecadao baixa do imposto de importao. Uma classe agrcola exportadora no taxaria exportaes. As despesas de uma nova nao eram altas. Rebelies, guerra civil so reflexos da escassez de recursos, e ao mesmo tempo geravam maiores despesas.

    295. Efeitos dos Tratados. O caf, ainda incipiente, gera um ncleo de estabilidade na regio central. Com dficits oramentrios a soluo emisso de papel moeda o que gerou inflao e desvalorizao da moeda. Os custos da inflao incidiam sobre a populao em geral que consumia um alta frao de importados.

    296. Efeitos dos Tratados. Em 1844 o tratado que restringia as tarifas expira e no renovado. Isto permite a elevao das tarifas e aumento da arrecadao.

    297. Prxima Aula Furtado XVIII, XIX e XX

    298. Aula 12 Celso Furtado Captulos XVIII, XIX e XX

    299. Interveno # 6 FHC Errou?

    300. Lembrando da aula anterior. As observaes anteriores pem em evidncia as dificuldades criadas indiretamente pelas limitaes impostas ao governo brasileiro nos acordos comerciais com a Inglaterra, firmados entre 1810 e 1827. Sem embargo, no parece ter fundamento a crtica corrente que se faz a estes acordos, segundo a qual eles impossibilitaram a industrializao do Brasil nesta etapa, retirando das mos do governo o instrumento do protecionismo.

    301. Lembrando da aula anterior. Preo de exportaes em baixa. Maiores gastos com independncia. Emisso de moeda e inflao. Excluso do entreposto portuguesa. Aumento das importaes. Presso sobre balana de pagamentos. Desvalorizao da moeda.

    302. Se se houvesse adotado, desde o comeo, uma tarifa geral de 50%, possivelmente o efeito protecionista no tivesse sido to grande como resultou ser com a desvalorizao da moeda.

    303. Efeitos de uma desvalorizao Preo de um carro importado US$10.000 Taxa de cmbio 1,20 R$/US$ Preo em Reais = R$12.000 Suponha uma desvalorizao para 1,60 R$/US$ Agora preo em Reais = R$16.000 Resultado: desvalorizao encarece as importaes, logo favorece a produo local.

    304. Efeitos de uma desvalorizao Preo de uma saca de caf nos EUA US$ 50 Taxa de cmbio 1,20 R$/US$ Preo em Reais = R$ 60 Suponha uma desvalorizao para 1,60 R$/US$ Agora preo em Reais = R$ 80 Resultado: desvalorizao aumenta a receita do exportador.

    305. Por que se industrializaram os EUA no sculo XIX, emparelhando se com as naes europias enquanto o Brasil evolua no sentido de transformar-se no sculo XX em uma vasta regio subdesenvolvida?

    306. Respostas: Inferioridade de raa. Inferioridade de clima? Explicao econmica.

    307. Resposta do Furtado: Na poca da independncia (1776) a classe dominante nos EUA eram pequenos agricultores e grandes comerciantes urbanos. No Brasil eram os grandes agricultores escravistas.

    308. Resposta do Furtado: Mesmo antes da independncia o norte dos EUA produziam bens manufaturados que no competiam com a Metrpole. Permitia-se a produo de ferro mas no de ao. Eventualmente passaram a concorrer com a Metrpole. Isto contribuiu para o movimento de independncia.

    309. Resposta do Furtado: Guerra da independncia e transtornos na Europa permitiram crescimento da indstria nacional americana. No entanto o principal ingrediente da industrializao americana foi o algodo. Revoluo industrial gerou demanda mundial por algodo. EUA tinha vantagens comparativas (terra, clima e escravido).

    310. Resposta do Furtado: Consumo de algodo em 1780: 2.000 ton. Consumo de algodo em 1850: 250.000 ton. Efeitos do algodo: metade das exportaes americanas incorporao de terras. incentivo imigrao e migrao ao oeste. baixa dos preos dos tecidos.

    311. Resposta do Furtado: Tarifa sobre tecidos importados nos EUA em 1789: 5% Tarifa mdia sobre outras mercadorias em 1789: 8,5% Tarifa sobre tecidos importados nos EUA em 1808 (indstria txtil j consolidada): 17.5%

    312. Papel do Estado nos EUA no sculo XIX Primeira metade do sculo o Estado teve um papel importante na criao de infra-estrutura e fomento direto a atividades bsicas. Na segunda metade prevalece a ideologia da no intromisso do Estado na esfera econmica.

    313. Efeitos de protecionismo em diferentes etapas do desenvolvimento.

    314. Captulo XIX Declnio a longo prazo do nvel de renda: Primeira metade do sculo XIX.

    315. Condio bsica para o desenvolvimento da economia brasileira, na primeira metade do sculo XIX, teria sido a expanso das suas exportaes. Fomentar a industrializao nessa poca, sem o apoio de uma capacidade de importar em expanso, seria tentar o impossvel num pas totalmente carente de base tcnica.

    316. Cabe reconhecer que dificultar a entrada no pas de um produto cujo preo apresentava to grande declnio seria reduzir substancialmente a renda real da populao numa etapa em que esta atravessava grandes dificuldades.

    317. A causa principal do grande atraso relativo da economia brasileira na primeira metade do sculo XIX, foi portanto, o estancamento das suas exportaes.

    318. Exportaes brasileiras primeira metade do sculo XIX Crescimento anual mdio das exportaes brasileiras: 0,8 % Crescimento anual da populao: 1,3% Acar (1821-30 a 1841-50): valor exportado 24%? exportando 2 vezes mais. Algodo valor exportado ? metade Fumo valor exportado estvel. Couro dobro da quantidade exportada para receber 12% menos.

    319. Exportaes brasileiras primeira metade do sculo XIX Termos de intercmbio caram. preos das exportaes ? 40% preo das importaes estvel. Logo termos de intercmbio ? 40%. A renda real gerada pelas exportaes cresceu 40% menos que o volume fsico delas. Renda per capita do Brasil 43 dlares.

    320. Captulo XX Gestao da Economia Cafeeira.

    321. para superar a etapa de estagnao o Brasil necessitava reintegrar-se nas linhas em expanso do comrcio internacional.

    322. Outra alternativa para o pas crescer seria atravs da entrada de capitais externos (investimento ou emprstimos). Porm isto seria difcil em uma economia estagnada. Mesmo projetos mais atraentes (ferrovias) requeriam garantia de juros.

    323. Quais as possibilidades de se reintegrar nas correntes em expanso do comrcio exterior? Acar: competio de Louisiana (EUA), Cuba, beterraba na Europa. Algodo: EUA Fumo: EUA, perdeu mercado africano com fim do trfico. Couros: Rio da Prata. Arroz: EUA Cacau: demanda incipiente.

    324. Caf Introduzido no Brasil no incio do sculo XVII. Na poca da independncia o caf compunha 18% das exportaes e em 1840 j era o principal produto exportado com 40% das exportaes.

    325. Fatores que propiciaram o crescimento da produo do caf no Brasil Clima e terra. Regio do Rio de Janeiro. Recursos pr-existentes e capacidade ociosa em mulas e escravo. Evoluo da demanda. O preo caiu entre 1820 e 1845 mas mesmo assim a quantidade exportada quintuplicou. Aps 1850 os preos e a demanda sobem dramaticamente. O caf requer um nvel menor de capital do que o acar.

    326. Nova classe de empresrios No acar os produtores eram separados da comercializao. No caf atuavam no processo inteiro: compra de terra, recrutamento de mo de obra, organizao e direo da produo, transporte interno, comercializao nos portos, contatos oficiais, interferncia na poltica financeira e econmica. Furtado: uma nova classe dirigente que utilizou o controle sobre o governo para alcanar objetivos perfeitamente definidos de uma poltica.

    327. Prxima Aula Furtado Captulos XXI, XXII, XXIII e XXIV O Problema da Mo de Obra

    328. Aula 13 Celso Furtado Formao Econmica do Brasil Captulos XXI, XXII, XXIII e XXIV

    329. O Problema da Mo de Obra Captulo XXI Oferta Interna Potencial

    331. Por que a diferena? Por que havia crescimento vegetativo nos EUA e no no Brasil? No havia criao de escravos nem no Brasil nem nos EUA. Por que no? O Problema da Mo de Obra

    332. Fim do trfico transatlntico de escravos em 1850. Wakefield, Lei de Terras No.601. Hiptese de Domar. 1845-49 importou-se 48 mil escravos por ano, depois a importao (contrabando) foi quase nulo. Ver prximo slide. Dependncia da economia brasileira em mo de obra. O Problema da Mo de Obra

    333. 1781-90 16.090 1791-1800 23.370 1801-1810 24.140 1811-1820 32.770 1821-1830 43.140 1831-1840 33.430 1841-1850 37.840 1851-1855 900 Estimativa de desembarque de escravos no Brasil

    334. Quais as solues possveis para o problema? I - Mo de obra do setor de subsistncia. Caboclo, roa, queima e racionalidade econmica. Vnculos sociais, dono da terra e oposio ao recrutamento dessa mo de obra. Salrios como forma de recrutamento. O Problema da Mo de Obra

    335. Quais as solues possveis para o problema? II- Mo de Obra das reas urbanas. Problemas com a adaptao ao trabalho agrcola. III - Coolies (Baro de Mau). Como no Oeste Americano. O Problema da Mo de Obra

    336. Imigrao Europia Captulo XXII

    337. Imigrao Europia Como estabelecer esta imigrao? Imigrao Europia nos EUA: grandes fluxos no sculo XIX. no era para a grande lavoura. espao nos navios de retorno. complementaridade com as plantaes. oportunidades para imigrantes.

    338. Imigrao Europia Colonizao inicial no Brasil: baseadas na idia da superioridade racial dos outros pases europeus sobre Portugal. altos gastos. as colnias no se tornavam auto-sustentveis. Por que? Leis, clima, mercado? Fracassos levaram a um movimento contra a imigrao europia para o Brasil.

    339. Servido temporria no Brasil Senador Vergueiro, colnia de camponeses alemes e suos em 1857. Abuso na implementao do sistema. No tinha limite de tempo. Reao europia. Sistema de parceria. Problema de risco. Depois sistema misto.

    340. Dilema do prisioneiro

    341. Problema de bem pblico no financiamento da imigrao.

    342. Imigrao Europia A partir de 1870 o governo passou a financiar o transporte de imigrantes para a lavoura cafeeira. O fazendeiro cobria os gastos de adaptao do imigrante e providenciava um pedao de terra. A exploso da demanda do caf foi decisiva para o sucesso do esquema.

    343. Imigrao Europia Crise no sul da Itlia aumentou a oferta de imigrantes. Nmero de imigrantes para o Brasil 1870-1879 13 mil 1880-1889 184 mil 1890-1899 609 mil

    344. Transumncia Amaznica Captulo XXIII

    345. Interveno # 7

    346. Ciclo da borracha Sistema de extrao de produtos amaznicos dos jesutas entra em decadncia no final do sculo XVIII. Produto principal cacau. Problema principal mo de obra e demanda.

    347. Ciclo da borracha Exportao de borracha (incio 1820): 1840-49 460 toneladas anuais 45 1850-1859 1.900 toneladas anuais 118 1860-1869 3.700 toneladas anuais 182 1870-1879 6.000 toneladas anuais 1880-1889 11.000 toneladas anuais 1890-1889 21.000 toneladas anuais 1900-1909 35.000 toneladas anuais 1910-11 512 Aps 1917 menos de 100

    348. Ciclo da borracha A demanda por pneus cresceu muito de 1890 a 1940 quando a indstria de automveis foi um dos centros dinmicos das economias industrializadas. Trs fases da borracha: 1a fase - soluo a curto prazo, produo na Amaznia de forma extrativa. 2a fase - soluo economicamente racional, produo onde houvesse maior infra-estrutura e oferta de mo de obra. 3a fase - ??

    349. Ciclo da borracha Trs fases da borracha: 1a fase - soluo a curto prazo, produo na Amaznia de forma extrativa. 2a fase - soluo economicamente racional, produo onde houvesse maior infra-estrutura e oferta de mo de obra. 3a fase - borracha sinttica.

    350. Ciclo da Borracha Imigrao para a Amaznia 260.000 pessoas de 1872 a 1900. A maior parte deste fluxo foi proveniente do Nordeste. Evidncia de que estoque de mo de obra interno poderia ter sido uma soluo para o caf. Furtado compara a imigrao europia para a regio do caf com a migrao nordestina para a regio da borracha. Os ltimos sofreram um isolamento que talvez nenhum outro sistema econmico haja imposto ao homem.

    351. Eliminao do Trabalho Escravo Captulo XXIV

    352. Efeitos da abolio Maiores detalhes no texto do Gorender. Efeitos econmicos e efeitos sociais. Hecatombe social. Comparao com reforma agrria ou abertura comercial. Quais os efeitos da abolio sobre: distribuio da renda organizao da produo

    353. Dois cenrios extremos Cenrio I Suponha uma regio sem terra livre (por exemplo uma ilha). Com abolio escravos viram assalariados porm salrio baixo por que no h outras alternativas de emprego. A distribuio de renda pouco se altera. A organizao da produo pouco se altera pois os preos relativos de trabalho, capital e terra no mudam.

    354. Dois cenrios extremos Cenrio II Suponha uma regio com terra abundante. Com abolio escravos podem buscar terra livre. Fazendeiros teriam de oferecer salrios mais altos para manter-los nas fazendas. H uma redistribuio de renda a favor dos ex-escravos. A organizao da produo pode alterar pois o preo de trabalho est mais caro relativo ao preo de capital e terra.

    355. O Brasil se aproxima mais de qual cenrio?

    356. Regio do acar se aproxima mais do cenrio I. Pouca terra livre e pouca demanda por mo de obra. A regio do caf se aproxima mais do cenrio II. Havia possibilidade de migrao e obteno de terra para subsistncia e salrios foram maiores. O Brasil se aproxima mais de qual cenrio?

    357. Na prtica a imigrao europia mitigou a redistribuio a favor dos ex-escravos. Furtado nota a desvantagem dos ex-escravos em competir com os imigrantes europeus. O Brasil se aproxima mais de qual cenrio?

    358. Abolido o trabalho escravo, praticamente em nenhuma parte houve modificaes de real significncia na forma de organizao da produo e mesmo na distribuio da renda.

    359. Prxima Aula Flvio Versiani Escravido Brasileira: Uma Anlise Econmica

    360. Aula 14 Escravido no Brasil: Uma Anlise Econmica Flvio Versiani

    361. Estudo da Escravido Assunto amplamente estudado. Pode ser analisado em seus diversos aspectos: sociolgico, demogrfico, antropolgico, econmico, e outros. Mesmo sua anlise econmica pode ser, macroeconmica, microeconmica, contabilidade nacional e outros. Nosso enfoque ser principalmente micro.

    362. Estudo da Escravido Cliometria - Robert Fogel e Stanley Engerman, Time on the Cross 197?. Estudo da histria usando teoria econmica e mtodos de anlise estatstica rigorosos. Papel da ferrovias no desenvolvimento dos EUA, antropometria. Modelo principal-agente.

    363. Estudo da Escravido Literatura brasileira de escravido: incompatibilidade entre o trabalho escravo e a racionalidade capitalista trabalho escravo menos eficiente que o trabalho assalariado. Por que? portanto a escravido eventualmente deixaria de ser usada. FHC, Octvio Ianni, Caio Prado Jr.

    364. Tipos de Tarefas Atividades intensivas em esforo: trabalho em equipe, fora fsica, carregar pedras, cavar valas, plantio de cana, etc. podem ser avaliadas em termos quantitativos (baixo custo de monitorao). Incentivos negativos so mais eficientes do ponto de vista econmico. Punies, castigos, suspenso de direitos.

    365. Tipos de Tarefas Atividade intensivas em ateno (ou habilidade): elemento qualitativo mais importante. trabalho domstico, minerao de ouro e diamantes em lavras, possibilidades de sabotagem, etc. alto custo de monitorao. Incentivos positivos so mais eficientes do ponto de vista econmico. Remunerao ou recompensa.

    366. Manumisso Incentivos positivos abrem a possibilidade a um escravo poupar para comprar sua liberdade. Se escravos forem movidos pelo desejos de comprar sua liberdade eles trabalharo com mais afinco e portanto pode-se argumentar que sua produtividade pode ser maior do que aquela dos trabalhadores livres. Portanto em ambos tipos de atividades trabalho escravo pode ser mais eficiente do que trabalho livre.

    367. Retornos decrescentes para punies ou recompensas

    368. Anlise grfica da deciso de quanto trabalho ofertar.

    369. Um trabalhador livre escolhe um nvel de trabalho menor que ON. O escravo obrigado a trabalhar ON. Se o salrio do trabalho livre for baixo o suficiente ele trabalhar ON. Portanto, contanto que o salrio no seja to baixo, o escravo trabalhar mais do que o trabalhador livre. Anlise grfica da deciso de quanto trabalho ofertar.

    370. Anlise grfica da escolha pelo fazendeiro entre escravos e trabalhadores livres

    371. Deciso entre comprar escravos e contratar trabalhadores assalariados Escravos sero preferidos (tudo mias constante): quanto maior o diferencial de produtividade dos escravos. quanto mais alto o salrio. quanto menores o preo dos escravos. quanto menores os custos de coao. quanto menores as taxas de juros.

    372. Anlise Emprica. I - Implicao testvel da teoria:

    373. Anlise Emprica. II - Implicao testvel da teoria: A produtividade dos escravos em atividades intensivas em ateno maior do que a produtividade do trabalhador assalariado. A produtividade dos escravos em atividades intensivas em esforo tambm maior do que a produtividade do trabalhador assalariado.

    374. Anlise Emprica. Como testar as implicaes refutveis? Vis da escolha da evidncia.

    375. Escravos na economia do acar A maioria dos escravos no acar eram escravos de enxada e foice. Trabalho em equipe reduz custo de monitorao. Gilberto Freyre natureza benevolente do escravismo no acar no Brasil. Trabalho em perodo integral (mximo biolgico) e durante todo o ano.

    376. Escravos na economia do acar Uso de trabalho assalariado no acar ocorreu quando o preo dos escravos cresceu (em regies da Bahia e Pernambuco). Escravos eram substitudos primeiro onde eram menos produtivos vis a vis trabalho assalariado. Por exemplo onde a terra era mais frtil e onde as tarefas eram mais intensivas em esforo se usava mais escravos. Algodo por exemplo usou trabalho assalariado primeiro.

    377. Escravos na economia do caf O caf envolve trabalho intensivo em esforo, capinas, limpezas, colheita. No se observa incentivos positivos. Por que no se usou trabalho assalariado antes no caf. Escravos eram mais produtivos do que trabalhadores livres por se tratar de tarefa intensiva em esforo. Com o aumento do preo dos escravos eles passaram a ser usados mais onde eram mais produtivos, cultivo do cafezal em vez de operaes auxiliares como edificaes. Houve deslocamento de escravos das reas urbanas para as rurais.

    378. Escravos em outras atividades: pecuria, minerao, atividades urbanas Pecuria: intensiva em ateno (alto custo de monitorao). Haviam fazendas com escravos. Quarta. Minerao: intensiva em ateno. Incentivos positivos, prmios, alforrias. Contraria Gorender com respeito correlao entre declnio da minerao e alforrias.

    379. Escravos em outras atividades: pecuria, minerao, atividades urbanas Escravido domstica e urbana: recompensas monetrias, alforrias. Haviam fazendas com escravos. Quarta. Escravido na Indstria. No era observado (exceto ferro). Podia ser usado dependendo do custo.

    380. Interveno #11 Preos dos Escravos em Pernambuco - Flavio Versiani

    381. Tempo na Cruz Escravido nos EUA. Sul - algodo e fumo. Economias de escala s eram atingidas com uso de escravos. Homens livres no se combinavam para atingi-las pois implicava em custos muito alto. Em determinadas situaes escravos recebiam uma renda superior a produtores livres na produo do mesmo bem.

    382. Tempo na Cruz Renda pecuniria. Renda no-pecuniria. Escravos no tinham escolha sobre incorrer perda no pecuniria. Pode-se compensar a perda no pecuniria com pagamento ou usar fora. Qual a combinao tima? (Exemplo criana).

    383. Tempo na Cruz Comea-se geralmente com fora, mas devido a retornos decrescentes, eventualmente usa-se incentivos positivos. Um escravo recebia 15% a mais de renda que um trabalhador livre. 20% do ganho devido s economias de escala iam para os escravos. Analistas erraram ao interpretar isto como sendo evidncia de escravos representarem um custo maior do que trabalho livre.

    384. Ganhos e Perdas de Renda em Grandes Fazendas em 1850

    385. Ganhos e Perdas de Renda em Grandes Fazendas em 1850 Em 1850 os escravos perderam 84 milhes para que o resto do mundo (consumidores e produtores) ganhassem 24 milhes. Para cada $1 ganho por um consumidor havia um escravo que perdia $400.

    386. Prxima Aula Jacob Gorender Os Fazendeiros do Oeste Paulista Captulo XXVII de O Escravismo Colonial

    387. Aula 15 Os Fazendeiros do Oeste Paulista O Escravismo Colonial Jacob Gorender

    388. Interveno # 9 Movimento Abolicionista no Brasil

    389. Objetivo do captulo: manifestar opinio acerca de uma tese aparentemente firmada na Historiografia a ponto de haver conquistado a confiabilidade de moeda corrente

    390. Posio da Literatura Celso Furtado (Captulo XX) - Nova classe de senhores. Sem destinguir entre regies ou fases. Sergio Buarque de Holanda - (Raizes do Brasil) - cafeicultores eram uma nova raa de senhores rurais desapegada da terra e da rotina rural. Comearam em uma poca em que o fim da escravido dificultava a obteno de escravos.

    391. Posio da Literatura Fernando Henrique Cardoso - O empresrio paulista perdia sua condio de senhor para se tornar empresrio capitalista. Octvio Ianni - a fazenda do Oeste Paulista se transformou em uma empresa. Acredita na incompatibilidade entre o escravo e o lucro.

    392. Posio da Literatura Paula Bieguelman - Movimento abolicionista teria sido uma consequncia da necessidade de gerar um mercado interno atravs da imigrao e uso de mo de obra assalariada. Boris Fausto - O uso de escravos pela burguesia do caf era uma opo de emergncia enquanto ensaiava a implantao do trabalho livre.

    393. Posio da Literatura Warren Dean - A singularidade do fazendeiro do Oeste Paulista seria derivada de fatores situacionais; itinerantismo e necessidade de conformar-se s exigncias de uma economia de mercado e mo de obra livre. No teria sido uma perspectiva nova que levou utilizao de mo de obra livre mas o contrrio.

    394. Exportao do Caf

    395. Exportao por Regio

    396. Correlao entre escravismo e cafeicultura No Nordeste o trabalho assalariado gradualmente substitua o trabalho escravo, j desde 1865. Em 1880 400 a 500 mil escravos no caf. A produtividade do caf decrescia do Vale do Paraba para o Oeste Antigo para o Oeste Novo. Regies mais produtivas atraiam mais escravos, pois podiam pagar mais. Em 1883 um escravo no VP se pagava em 6 a 7 anos enquanto que no ON o prazo era 2 a 4 anos.

    397. Correlao entre escravismo e cafeicultura

    403. Abolicionismo Gorender admite que de fato os fazendeiros do ON foram os que primeiro usaram mo de obra assalariada. Porm, ele nota que at as vsperas da Abolio: escravos eram a fonte principal de mo de obra. o uso de mo de obra assalariada foi sob a forma de escravido incompleta.

    404. Escravido temporria (indentured servants) Escravido temporria foi a base da migrao na Amrica antes da escravido. Gorender v este tipo de contrato como explorao. Para Warren Dean os contratos de parceria poderiam ser cumpridos com proveito por uma famlia tpica de colonos. As tentativas iniciais fracassaram em grande parte pelo fato de escravos serem abundantes e de baixo custo.

    405. Escravido temporria (indentured servants) Desde 1870 passou-se a usar mo de obra livre local (caboclos) para algumas tarefas, como derrubadas. Decreto em 1879 regulamentou a locao de servio limitando as arbitrariedades dos fazendeiros. A importao macia de imigrantes como trabalhadores assalariados com subveno do governo acabou com os contratos de locao.

    406. Abolio Gorender ressalta o papel do movimento abolicionista. Com o fim iminente da escravido os fazendeiros do ON foram empurrados a achar outra soluo. Por terem as fazendas mais produtivas eram eles que tinham mais a perder. Eram eles tambm que podiam pagar mais para atrair os imigrantes. Dado que a Abolio era inevitvel, em certo momento tiveram que abraar a soluo do trabalho livre.

    407. Ingresso de Imigrantes Europeus em So Paulo

    408. Ingresso de Imigrantes Europeus em So Paulo

    409. Causalidade

    410. Poltica da Abolio Partido Republicano Paulista - representavam os interesses dos fazendeiros do Oeste Paulista (OA + ON). O PPP resistiu contra a Abolio. Os abolicionistas no partido eram marginalizados. Queriam uma transio lenta e com compensao.

    411. Poltica da Abolio Aderiram Abolio quando esta era inevitvel e a soluo do financiamento pelo Governo j havia sido encaminhado. Gorender cita o caso de Antnio Prado do Partido Conservador Monrquico. Em vrios cargos tentou uma transio suave para o trabalho livre. Seu projeto da Abolio previa compensao e obrigaes dos ex-escravos permanecerem por um perodo nas plantaes. O projeto aprovado de fato instituiu a Abolio incondicional.

    412. Aula 16 Celso Furtado Captulos XXV e XXVI

    413. Interveno # 10 Guerra do Paraguai.

    414. Captulo XXV Nvel de Renda e Ritmo de Crescimento na Segunda Metade do Sculo XIX

    415. Nvel de Renda e Ritmo de Crescimento na Segunda Metade do Sculo XIX Quanto cresceu a renda real da economia no perodo de 1840-50 at 1890-1900? Quantidade exportada (volume) 214% ? Preos mdios das exportaes 46% ? Preos mdios das importaes 8% ? Como juntar estes nmeros?

    416. Cesta de bens considerada Caf, acar, cacau, erva-mate, fumo, algodo, borracha e couro. No decnio 1841-1850 estes produtos compunham 88,2% das exportaes brasileiras e no decnio 1891-1900 esta participao foi de 95,6%.

    417. Nvel de Renda e Ritmo de Crescimento na Segunda Metade do Sculo XIX Termos de intercmbio - os preos relativos de bens exportados e importados. a taxa qual um bem pode ser trocado pelo outro. Exportaes 46% ? Importaes 8% ? Fator (? 100 +1) Exportaes 1,46 Importaes 1,08 1,46 x 1,08 = 1,58 Porcentagem (-1 x 100) Logo os termos de intercmbio melhoraram em 58%

    418. Nvel de Renda e Ritmo de Crescimento na Segunda Metade do Sculo XIX Dado uma melhora nos termos de intercmbio de 58% e um aumento do volume exportado de 214%, quanto aumentou a renda? Quantidade 3,14 ? Preos 1,58 ? 3,14 x 1,58 = 4,96 Em porcentagem = 396% Logo o setor dinmico da economia quase quintuplicou neste perodo.

    419. Nvel de Renda e Ritmo de Crescimento na Segunda Metade do Sculo XIX Furtado est buscando qual o aumento da renda real do conjunto da economia e no s o do setor dinmico. Ele quer tambm ver como este crescimento varia de regio para regio. Note que h grande variaes. Todos Produtos Acar Algodo Quantidade 214% 33% 43% Preos 46% ? 11% ? 32 ?

    420. Cinco Regies Produtoras I - Economia do Acar e Algodo. Inclui o setor de subsistncia ligado a estas atividades. - Nordeste. II - Economia de subsistncia no sul do pas. III - Economia do Caf - Regio central, RJ e SP. IV - Economia da Borracha - Amaznia V - Economia do Cacau - Bahia

    421. Economia do Acar e Algodo Nordeste menos Bahia. Populao = 35% da pop. do pas. Taxa de crescimento populacional = 1,2% ano. Crescimento pop. no meio sculo = 80% Crescimento da renda real gerada pelo setor exportador = 54%. Concluso - declnio da renda per capita. (-0,6% ano)

    422. Economia de Subsistncia do Sul Beneficiou indiretamente das exportaes ao surgir um mercado pelos seus produtos. Expandiu a faixa monetria de suas atividades produtivas. Erva-mate - Paran Charque - RG do Sul Vendas para o mercado externo e interno Populao = 9% da populao do pas Taxa de crescimento populacional = 3% ano. Crescimento pop. no meio sculo = 332% Crescimento da renda real gerada pelo setor exportador foi maior do que 332%, talvez 396%. Concluso - renda per capita aumentou. (1,0% ano)

    423. Economia do Caf Populao = 40% da populao do pas Taxa de crescimento populacional = 2,2 % ano. Crescimento pop. no meio sculo = 196% Crescimento da renda real gerada pelo setor exportador foi maior do que 803%. Concluso - renda per capita aumentou. (2,3% ano)

    424. Economia da Borracha Participao no total das exportaes: 0,4% em 1840 15% em 1890 Populao = 3% da populao do pas Taxa de crescimento populacional = 2,6 % ano. Crescimento pop. no meio sculo = 261% Concluso - renda per capita aumentou. (6,2% ano)

    425. Economia do Cacau Bahia Participao do cacau no total das exportaes: 1,5% em 1900 Exportava tambm fumo. Taxa de crescimento populacional = 1,5 % ano. Crescimento pop. no meio sculo = 110% Concluso - renda per capita estvel. (0,0% ano)

    426. Resumo

    427. Brasil como um todo Crescimento da renda real do pas = 440% Crescimento da renda real por ano = 3,5% Crescimento da renda per capita 1,5% ano Este um valor relativamente alto. A renda per capita nos EUA na poca era um pouco menor pois sua populao crescia rapidamente. Porm, o Brasil saiu de 75 anos de estagnao para atingir este nvel de crescimento. Os EUA este crescimento vinha desde antes da independncia.

    428. Contrafatuais Renda per capita do Brasil em 1800 - US$ 50. Renda per cpita do Brasil em 1850 - US$ 50. (ou menos) Se o Brasil tivesse crescido a 1,5% desde 1850 at 1900 a renda per capita teria sido US$ 106. Se o Brasil tivesse crescido a 1,5% desde 1850 at 1950 a renda per capita teria sido US$ 224. Isto aproximadamente a marca observada na realidade. Logo esta taxa de 1,5% deve ter se mantido estvel.

    429. Contrafatuais Se o Brasil tivesse crescido a 1,5% desde 1800 at 1950 a renda per capita teria sido US$ 500. Isto aproximadamente a marca observada na Europa em 1950. Portanto o atraso do Brasil pode ser creditado estagnao do perodo 1775 - 1850 e no ao perodo mais recente.

    430. Captulo XXVI Fluxo de Renda na Economia de Trabalho Assalariado

    431. Economia de Trabalho Assalariado Com escravido o crescimento e a contrao se davam atravs da compra de mais escravos e do aumento do setor de subsistncia. No ocorria nenhuma mudana estrutural. Com trabalho assalariado o crescimento diferente podendo levar a importantes mudanas estruturais, como veremos.

    438. Suponha um aumento do impulso externo. Isto gera um aumento da produtividade econmica (embora a produtividade fsica continuasse a mesma). Ou seja, um maior valor do produto conseguido com um dado valor dos insumos.

    443. A produo de produtos nacionais se expandir facilmente se houver fatores sub-utilizados (mo de obra e terra). Isto significa uma melhor utilizao dos fatores j existentes no pas.

    444. Quando convergem certos fatores a que nos referiremos mais adiante, o mercado interno se encontra em condies de crescer mais intensamente que a economia de exportao, se bem que o impulso de crescimento tenha origem nesta ltima.

    447. Trabalho Assalariado e Efeito Multiplicador Uma das condies cruciais para que se atinja o crescimento auto sustentado que haja um fluxo de renda para o setor assalariado. O maior que for o salrio mdio da economia o maior que ser o efeito multiplicador. Por outro lado se houver pouca disponibilidade de mo de obra o salrio ser mais alto e o caf ser mais caro, vendendo menos e gerando menos impulso externo.

    448. Trabalho Assalariado e Efeito Multiplicador No Brasil, com o aumento da demanda do caf, havia mo de obra disponvel para aumentar a oferta. Este aumento da oferta da mo de obra podia se dar sem que fosse preciso aumentar o nvel de salrio. No entanto, houve um aumento do salrio mdio da economia, o que propiciou um aumento da demanda por produtos no mercado interno. Como se explica isto?

    451. Para atrair mo de obra do setor de subsistncia para o setor exportador no era necessrio aumentar o nvel do salrio.

    453. Salrios e Lucros Os empresrios no precisavam repassar parte dos ganhos dos impulsos externos para os assalariados. Em princpio porm, deveriam arcar tambm com todas as perdas nas pocas de contraes. Veremos adiante como se socializava este prejuzo, e porque isto era importante para o crescimento da economia.

    454. Aula 17 - Apresentaes Interveno # 11 Interveno # 12 Interveno # 13 Interveno # 14

    455. Prxima Aula Furtado Captulos XXVII e XXVIII

    456. Aula 18 Celso Furtado Captulos XXVII e XXVIII

    457. Captulo XXVII A Tendncia ao Desequilbrio Externo

    458. Padro-Ouro Desde o sculo XIX at a dcada de 1970 havia uma crena forte nos benefcios do padro-ouro como sistema monetrio. Durante grande parte da Velha Repblica o Brasil tentou se enquadrar s regras do padro-ouro. Veremos que isto no era sempre possvel e o pas entrava e saia do padro-ouro conforme sua disponibilidade de divisas. Furtado critica esta insistncia argumentando que uma economia com as caractersticas da brasileira no poderia se enquadrar no padro-ouro.

    459. Teoria Quantitativa da Moeda

    460. M x V = P x Q M = quantidade de moeda V = velocidade de circulao da moeda P = nvel de preos Q = PIB real, Produto V e Q so relativamente estveis logo M e P so correlacionados. Teoria Quantitativa da Moeda

    461. Padro-Ouro Padro-Ouro - Um sistema monetrio no qual o valor da moeda est fixo em termos de uma quantidade de ouro, e o governo obrigado a comprar e vender a moeda em troca desta quantidade de ouro. Em outras palavras a moeda conversvel em ouro. Quando as prprias moedas so de ouro obviamente se est no padro-ouro. Papel moeda lastreado a mesma coisa.

    462. Padro-Ouro O padro ouro tira do governo o controle sobre a oferta de moeda. Se o governo aumentar a oferta de moeda sem ter lastro, haver uma corrida aos bancos. A Argentina (at 2002) e Hong Kong atualmente esto sob um padro-ouro (na verdade padro-dlar).

    463. Padro-Ouro A quantidade de ouro nos bancos varia dependendo de quanto se importa ou exporta, e de outros fluxos de capitais. Logo a oferta de moeda ir variar proporcionalmente e como consequncia ira variar tambm o nvel de preos.

    464. Exportao

    465. Importao

    466. Padro-Ouro

    467. Problemas do padro-ouro para um pas como o Brasil Variaes bruscas na balana de pagamentos levam a grandes variaes na oferta monetria. O Brasil na poca tinha um alto coeficiente de importaes. Produtos primrios tendem a variar muito de preo ao longo do tempo.

    468. Problemas do padro-ouro para um pas como o Brasil

    469. Doutrina do padro-ouro Furtado critica a aceitao da doutrina do padro-ouro no Brasil sem questionamento. Quando problemas surgiam se culpava o pas e no a doutrina. Cuidado porm com a tendncia contrria de achar que o Brasil diferente e teoria econmica no se aplica aqui.

    470. Doutrina do padro-ouro Durante todo o perodo at 1930 se insistiu no padro-ouro no Brasil, abandonando-o quando era inevitvel mas retornando sempre que possvel. Furtado preferiria uma poltica monetria que desse maior controle da oferta de moeda ao governo para que ele pudesse fomentar o crescimento e superar as crises.

    471. Captulo XXVIII A Defesa do Nvel de Emprego e a Concentrao de Renda

    472. Relembrando dois pontos sobre do captulo XXVI A reserva de mo de obra no pas junto com o fluxo de imigrao permitia um aumento do salrio mdio sem aumentar o nvel do salrio. Assim as melhoras de produtividade iam para o lucro. Os aumentos de produtividade na economia exportadora era de natureza econmica (aumento de preo do caf) e no devido a mudana tecnolgica ou melhora de capital humano.

    473. Aumento de produtividade Como o salrio no pressionava o lucro era racional crescer sem substituir capital por trabalho. O mesmo vale com relao terra. Era racional usa-la extensivamente e minar o solo. Furtado argumenta que at a longo prazo minar o solo era racional se desse incio a um processo de desenvolvimento.

    474. Defesa do nvel de emprego Se os lucros absorviam todos os aumentos de produtividade quando o preo do caf subia, ser que ele absorvia as perdas quando o preo caa? J que o salrio no subia nas pocas de expanso, tambm no podia ser comprimido nas pocas de retrao. Furtado argumenta que era importante que as perdas no recassem somente sobre os lucros.

    475. Se operasse no padro-ouro a queda do preo do caf levaria a um dficit da balana de pagamentos, sairiam divisas e os preos dos produtos nacionais cairiam relativos aos importados. A queda do lucro dos exportadores levaria a um consumo menor dos exportadores que propagaria pela economia, levando a menos importaes. Os exportadores investiriam menos o que tambm levaria a menor procura por importados. Isto corrigiria o desequilbrio. Defesa do nvel de emprego

    476. No Brasil, na impossibilidade de permanecer no padro ouro a correo do desequilbrio se dava atravs de uma desvalorizao da taxa de cmbio. Defesa do nvel de emprego

    477. Efeitos de uma desvalorizao

    478. Efeitos de uma desvalorizao

    479. Defesa do nvel de emprego Qualquer que fosse a reduo do preo internacional do caf, sempre era vantajoso, do ponto de vista do conjunto da coletividade, manter o nvel das exportaes. Defendia-se, assim, o nvel de emprego dentro do pas e limitavam-se os efeitos secundrios da crise. Sem embargo, para que esse objetivo fosse alcanado era necessrio que o impacto da crise no se concentrasse nos lucros dos empresrios, pois do contrrio parte destes ltimos seria forada a paralisar suas atividades...

    480. Aula 19 Celso Furtado Captulo XXIX e XXX

    481. Captulo XXIX A Descentralizao Republicana e a Formao de Novos Grupos de Presso

    482. Efeitos das Desvalorizaes Transferncia de renda do setor de subsistncia para o setor exportador. Transferncias dentro do setor exportador dos trabalhadores rurais para os proprietrios. Transferncias das populaes urbanas assalariadas para o setor exportador.

    483. Efeitos das Desvalorizaes As desvalorizaes reduziam a arrecadao do governo, gerando emisso e portanto inflao. Isto ocorria por que a taxa de cmbio a qual era pago o imposto era fixa (at 1900).

    484. Efeito da desvalorizao sobre o imposto de importao

    485. O efeito portanto de uma menor arrecadao pelo governo e portanto a necessidade de emitir para cobrir suas despesas. A desvalorizao tambm tornava o servio da dvida externa do governo mais pesada, gerando mais necessidade de emitir. Esta situao levou a diversas instncias de rebelies regionais. Efeito da desvalorizao sobre o imposto de importao

    486. Com a proclamao da Repblica em 1889 comeam a ocorrer mudanas na conduo da polticas. Na primeira metade da dcada de 1890 ocorre o Encilhamento quando se aumentou a emisso e disponibilidade de crdito levando a grande atividade econmica e mais desvalorizao e inflao. Em seguida veio um perodo de melhoras nas exportaes e mais uma tentativa de conversibilidade. Efeito da desvalorizao sobre o imposto de importao

    487. Grupos de Interesse Os interesses diretamente ligados depreciao externa da moeda - grupos exportadores - tero a partir dessa poca que enfrentar a resistncia de outros grupos urbanos. Classe mdia urbana, assalariados rurais e urbanos, produtores agrcolas ligados ao setor interno, empresas estrangeiras de servios pblicos, grupos industriais. Passa a se tornar mais tensa tambm o conflito estadual-federal.

    488. Captulo XXX A Crise da Economia Cafeeira

    489. Situao favorvel para o setor cafeeiro brasileiro no fim do sculo XIX Competidores com problemas (Ceilo). A Repblica agilizou a imigrao ao descentralizar o poder. (Estado de SP). Encilhamento levou a desvalorizao e propiciou crdito para a abertura de novas terras.

    490. Situao favorvel para o setor cafeeiro brasileiro no fim do sculo XIX Como consequncia a produo do caf aumentou drasticamente. Enquanto o caf fosse rentvel sua produo continuaria aumentando. Enquanto houvesse terra e mo de obra disponvel os lucros seriam reinvestidos no caf. Porm eventualmente o preo teria de cair para o nvel de competio. O Brasil controlava mais de 75% da produo mundial de caf, o que permitia manipular a oferta. Porm lembre que um monoplio sempre trs consigo a semente de sua prpria destruio.

    491. Novo instrumento de defesa do interesse do caf. Em 1893 houve uma crise nos EUA e o preo do caf caiu. A desvalorizao da moeda nacional defendeu a renda dos cafeicultores. Em 1897 o mercado mundial estava em baixa e novamente o preo do caf caiu. Agora no era mais possvel usar novas depreciaes. Intranquilidade social. Justamente nesta poca h superproduo de caf.

    492. Qual a soluo de mercado. O preo baixo reduziria o lucro dos cafeicultores. Os mais ineficientes iriam falncia. Haveria menos reinvestimento e aumento de plantaes. A produo cairia e o preo voltaria a subir nos perodos subsequentes. Seria doloroso mas o problema da superproduo seria resolvido. O efeito multiplicador afetaria o mercado interno incipiente.

    493. Qual a soluo encontrada? Reduo da oferta atravs da estocagem. Convnio de Taubat (1906): governo compra excedentes financiamento via emprstimos estrangeiros servio do emprstimos coberto por imposto sobre o caf exportado desencorajar novas plantaes.

    494. Convnio de Taubat A proposta gerou polmica entre os diversos grupos sociais: cafeicultores, comerciantes importadores, industriais, banqueiros externos, classe mdia urbana, burocracia civil e militar. O esquema foi implementado pelos governos estaduais. O xito do programa foi total. Segurou o preo do caf e os estoques foram vendidos nos anos seguintes a bons preos gerando at um lucro.

    495. O xito do programa levou consolidao do poder dos cafeicultores, que ir durar at a dcada de trinta. Problema ? esta soluo dava incentivos para o aumento na capacidade de produo do caf, que foi justamente a fonte do problema. Era racional o reinvestimento em caf dado que a expectativa era de que seu preo seria defendido. transferncia para o futuro da soluo de um problema que se tornaria cada vez mais grave. Convnio de Taubat

    496. Poltica de defesa do caf Antes de 1906 - desvalorizaes. 1906 - Convnio de Taubat. 1917/20 - operao de defesa do caf financiado atravs de emisso de moeda pelo governo federal. 3,1 milhes de sacas estocadas em uma nova rede de armazens, principalmente no portos de Santos e do Rio de Janeiro.

    497. Poltica de defesa do caf 1921- super-safra leva a nova operao de defesa do caf. Efeito demonstrao das defesas anteriores leva o governo federal a conduzir a operao. Passa a vigorar a conscincia de que a defesa do caf era vital no s para o setor cafeeiro mas tambm para a economia como um todo. O preo do caf estimulava novas plantaes e aumento da oferta de outros pases.

    498. Poltica de defesa do caf Durante a terceira valorizao do caf foi instituda a defesa permanente do caf a ser conduzida pelo estado de SP. Instituto Paulista de Defesa Permanente do Caf. Haviam brigas internas, presso por cotas maiores, mas o esquema funcionava. De 1924 a 1927 a situao do preo do caf era favorvel.

    499. Poltica de defesa do caf 1927/28 nova super-safra de caf. Acionou-se o esquema de defesa novamente. 1928/29 a safra foi reduzida. 1929/30 nova super-safra. A produo exportvel de caf dobrou de 1925 a 1929. 1929/30 Grande Depresso. Crise de demanda e crise de oferta. O Instituto do Caf acaba e a nova etapa de defesa do caf ser feita pelo Governo Federal.

    500. Desequilbrio na Oferta e Demanda de Caf A renda dos EUA cresceu 35% per capita na dcada de 1920 e o consumo de caf se manteve em 12 libras por habitante. Demanda inelstica com relao a renda. Os estoques ao comear a GD no tinham possibilidade de serem absorvidos pelo mercado. O valor dos estoques em 1929 era mais de 10% do PIB.

    501. Paralelo A defesa do caf de 1927 foi feita com emprstimos. Estas divisas, mais aquelas derivadas da exportao do caf, cujo preo estava artificialmente sustentado, levaram a uma situao de acumulo de divisas. O governo adotou novamente a conversibilidade. Ao comear a crise em 1929 as reservas sumiram em poucos meses.

    502. Prxima Aula Furtado Captulos XXXI e XXXII

    503. Aula 20 Celso Furtado Captulos XXXI e XXXII

    504. Os Mecanismos de Defesa e a Crise de 1929 Captulo XXXI

    505. Situao em 1929 Crise de oferta - excesso de oferta. Produo mxima alcanada em 1933. Crise de Demanda - Grande Depresso. Impossvel obter crditos externos para reter novos estoques. Governo sem reservas.

    506. Colher o caf ou deixar apodrecer? Se colher o que fazer com o caf? Caso estocar ou destruir o caf, como financiar? Quem iria arcar com o prejuzo? conforme j vimos, a economia havia desenvolvido uma serie de mecanismos pelos quais a classe dirigente cafeeira lograria transferir para o conjunto da coletividade o peso da carga nas quedas cclicas anteriores. Seria de se esperar, portanto, que buscasse por esse lado a linha de menor resistncia. Situao em 1929

    507. Mecanismo de Defesa do Caf O preo do caf caiu em torno de 60%. A crise externa e o fim do sistema de conversibilidade levaram a uma desvalorizao da moeda de 40%. Logo boa parte das perda puderam ser socializadas. A baixa do preo aumentou o volume de caf vendido em 25% de 1929 a 1937. Porm sobrava uma boa parte do caf que no podia ser vendida.

    508. Mecanismo de Defesa do Caf A produo prevista para os dez anos a partir de 1929 excedia a a capacidade de absoro dos mercados. A recuperao dos preos dos produtos primrios em 1934 e 1935 no afetou o preo do caf que continuou deprimido.

    509. Ao garantir preos mnimos de compra remuneradores para a grande maioria dos produtores, estava-se na realidade mantendo o nvel de emprego na economia exportadora e, indiretamente, nos setores produtores ligados ao mercado interno. Ao evitar-se uma contrao de grandes propores na renda monetria do setor exportador, reduziam-se proporcionalmente os efeitos do multiplicador de desemprego sobre os demais setores da economia

    510. Exemplo numrico Efeito multiplicador = 3. Uma reduo de 1 na renda gerada das exportaes significa uma reduo de 3 na renda total da sociedade. Suponha dois setores. Setor autnomo 40% Setor exportador 20% (efeito direto).

    511. Exemplo numrico

    512. Exemplo numrico

    513. Exemplo numrico

    514. Exemplo numrico

    515. Exemplo numrico

    516. Exemplo numrico

    517. Exemplo numrico

    518. O Brasil foi aproximadamente o Cenrio c. A reduo da renda no Brasil entre 1929 e o ponto mais baixo da crise foi entre 25% e 30%. Nos EUA esta reduo foi de 50% Estava-se seguindo inconscientemente uma poltica Keynesiana. Poltica anticclica. Exemplo numrico

    519. Investimentos em 1929 = 2,3 milhes de contos de ris. Investimentos em 1931 = 0,3 milhes de contos de ris. Esta queda gerava um grande potencial de desemprego. Porm acumulou-se caf no valor de 1 milho de contos de ris. Estes fastos tiveram o mesmo efeito que um investimento. A queda no investimento portanto foi de 1 milho e no de 2 milhes Exemplo numrico

    520. Assim o Brasil saiu rapidamente da GD. A defesa do caf era um sub-produto da defesa dos interesses cafeeiros. Exemplo numrico

    521. Celso Furtado Captulo XXXII

    522. Efeito da Compra e Queima do Caf Furtado afirma que se a acumulao de estoques tivesse sido financiada com emprstimos externos, no teria se gerado um grande estmulo ao mercado interno. Porm como foi financiado com expanso de crditos, houve um importante estmulo ao mercado interno que passou a ser o centro dinmico da economia. Vejamos agora por que esta distino.

    523. Cinco Cenrios Cenrio I - Sem Crise Cenrio II - Com Crise e Sem Compra pelo Governo Cenrio III - Com Crise e Com Compra pelo Governo via Financiamento Externo Cenrio IV - Com Crise e Com Compra pelo Governo via Expanso de Crdito - Caso Extremo Cenrio V - Com Crise e Com Compra pelo Governo via Expanso de Crdito

    525. Cenrio II - Com Crise e Sem Compra pelo Governo

    527. Cenrio IV - Com Crise e Com Compra pelo Governo via Expanso de Crdito - Caso Extremo

    530. Ao manter -se a procura interna com maior firmeza que a externa, o setor que produzia para o mercado interno passa a oferecer melhores oportunidades de investimento que o setor exportador. Cria-se, em conseqencia, uma situao praticamente nova na economia brasileira, que era a preponderncia do setor ligado ao mercado interno...

    531. Deslocamento do Centro Dinmico Os novos investimentos no iam ao caf. Parte migrou para outros bens agrcolas (algodo), e outra parte para o setor industrial. O setor industrial havia tido uma queda na produo de s 10% aps 1929 e por 1933 j havia se recuperado. No primeiro momento houve um aproveitamento da capacidade produtiva instalada durante a dcada de vinte.

    532. Deslocamento do Centro Dinmico Foi possvel comprar equipamento de segunda mo devido aos efeitos da GD nos pases desenvolvidos. Criou-se condies para o surgimento de uma indstria de bens de capitais. Normalmente este um passo muito difcil para um pas sub-desenvolvido. A capacidade de importar no Brasil no se recuperou nos anos trinta.

    533. Deslocamento do Centro Dinmico Furtado nota que quando a situao mundial melhorasse e o pas voltasse a exportar, a moeda tenderia a se valorizar novamente o que poria em risco o setor industrial externo. Ele nota que dali por diante o governo teria que tentar influenciar os movimentos na taxa de cambio, o que significou uma importante mudana na economia brasileira.

    534. Ao comearem a concorrer os dois setores, as modificaes na taxa cambial passaram a ter repercusses demasiado srias para que fossem abandonadas s contingncias do momento

    535. Prxima aula Versiani e Versiani A industrializao brasileira antes de 1930: uma contribuio

    536. Aula 21 A Industrializao Brasileira Antes de 1930: Uma Contribuio Flvio Rabelo Versiani e Maria Teresa Versiani

    537. Anlise do Furtado Furtado deu nfase ao crescimento da indstria aps 1930. Grande Depresso como marco inicial da industrializao em decorrncia do declnio da capacidade de importar. Furtado havia notado a importncia da existncia de capacidade instalada durante a dcada de vinte.

    538. Trs Teorias Viso Tradicional (Choques Adversos) - Furtado, Werner Baer, Roberto Simonsen, Nicia Vilela Luz, Caio Prado Jr. Revisionismo - (Complementaridade) - Stanley Stein, Waren Dean, Anibal Villela, Wilson Suzigan. Revisionismo do Revisionismo - Albert Fishlow, Versiani e Versiani.

    539. Teoria dos Choques Adversos A industria cresceu nos perodos de crise (I Guerra, Grande Depresso) quando se tornou mais difcil importar. A dificuldade de importar protegeu o produto industrial nacional da concorrncia do produto importado.

    540. Teoria da Complementaridade A industria nacional pde aumentar sua capacidade produtiva (compra de mquinas equipamentos e matria prima) durante os perodos de crescimento das exportaes. Com as exportaes gerando divisas a moeda nacional se valorizava e tornava mais barato importar estes bens essenciais produo interna.

    541. Teoria Revisionista do Revisionismo Foi a sucesso de perodos de dificuldades no setor externo (aumentos de produo) seguida de perodos em que o setor exportador ia bem (aumentos de capacidade) que propiciou industrializao brasileira. Nos primeiros perodos se acumulavam lucros e expectativas que incentivavam o investimento durante o segundo perodo.

    542. Polmica Quais os perodos importantes? Os perodos de aumento de produo ou aqueles de aumento de capacidade produtiva?

    543. Incio da Produo Interna Versiani e Versiani se concentram na indstria txtil. no seio de um sistema dominado pela atividade agrrio-exportadora surgem condies para que um montante relativamente elevado de capitais seja investido na produo de manufaturas. por que o investimento na produo manufaturaria tornou-se mais atraente com relao ao investimento na esfera agrcola-mercantil?

    544. Quem eram os primeiros produtores de manufaturados? Exportadores? Firmas estrangeiras? Governo? Importadores.

    545. Importadores Havia uma grande alternncia de perodos de cmbio alto e baixo, ou seja, situaes favorveis e desfavorveis aos importadores. Estas mudanas estavam fora do controle dos importadores e produtores locais. Essa incerteza significava que importadores poderiam ganhar diversificando ao produzir dentro do pas.

    546. Outras vantagens dos importadores para a produo local I - Operaes complementares instalao de mquinas importadas. produtos pesados e perecveis envasamento - cerveja produtos complementares - pregos, tijolos II - Informao e conhecimento do mercado. calculo de custos, demanda, tarifas, etc. rede de distribuio.

    547. Outras vantagens dos importadores para a produo local III - Crdito IV - Fbricas autorizadas de importador para fbrica autorizada era um passo pequeno. Em So Paulo antes do que no Rio de Janeiro os importadores assumiram a identidade de fabricante deixando de ser primordialmente importadores.

    548. Perodos de Investimento em Fbricas Txteis Dcada de 1840 1870 a 1875 1885 a 1895 1905 a 1914 O estoque de equipamento formado em tais perodos permitia que os produtores pudessem tomar partido de fases subsequentes de importaes caras. Ao mesmo tempo, essas ltimas fases, com a expanso da produo e de lucros, estimulavam investimentos ulteriores.

    549. Efeito das Tarifas V&V firmam que embora o propsito das tarifas fosse arrecadao de receita para o governo, em diversas ocasies tentou-se usar as tarifas para fins protecionistas. Os aumentos tarifrios se davam em pocas de cmbio desvalorizado devido a tarifas fixas em mil-ris. Porm havia espao para adiar o retorno das tarifas aos nveis anteriores quando da subsequente valorizao da moeda.

    550. Efeito das Tarifas No perodo de 1895-1905 houve um perodo de moeda desvalorizada e maior produo interna. As tarifas de importao foram aumentadas. Com a valorizao da moeda no perodo seguinte, houve presso no sentido de uma reviso liberalizante que foi enfrentada com sucesso. Aps a I Guerra a receita do imposto sobre o consumo se equipara no oramento federal com o imposto de importao. Em 1919 uma reforma alfandegria antiprotecionista foi rejeitada no Congresso.

    551. Encilhamento e Ia Guerra Mundial Para V & V o Encilhamento teve pouco impacto sobre o aumento da capacidade da industria txtil. Os autores vem a Ia Guerra como um perodo lucrativo para os produtores internos, que fomentou investimentos no perodo subsequente.

    552. Interveno #15 Encilhamento

    553. Aula 22 O Processo Brasileiro de Industrializao: Uma Viso Geral Flvio Versiani e Wilson Suzigan

    554. Interveno # 16 Crticas teoria do Furtado.

    555. Como foi a transio da economia brasileira de uma economia agrcola para uma economia industrializada? Dois pontos de enfoque: razes da industrializao. papel do Estado.

    556. Trs perodos no processo de industrializao I. At 1929 II. 1930 - 1956 III. 1957 - 1980 Quais os objetivos do governo e qual o resultado da poltica econmica em cada perodo.

    557. Perodo I - At 1929 Objetivo - pouco ou nenhum interesse em promover a industrializao. O objetivo da poltica econmica era a defesa do setor comercial e agrcola (caf). Comentrio - Visconde de Mau, Souza Franco, Rui Barbosa e outros tentaram dar incio industrializao, mas estas tentativas sempre foram retardadas pelas polticas liberais da poca. Resultado - Surtos espontneos de industrializao sem apoio explcito do governo.

    558. Perodo II - 1930 - 1956 Objetivo - Medidas esparsas de apoio ao crescimento da produo industrial. A poltica econmica permanecia prioritariamente ocupada com o suporte ao setor agrcola em crise. Comentrio - Trata-se do perodo de transio entre o caf e a indstria. O caf comea a perder nas relaes de troca. Resultado - Crescimento da industria a taxas mais elevadas baseado em capacidade instalada e com atraso tecnolgico.

    559. Perodo III - 1957 - 1980 Objetivo - A poltica econmica passa a promover o desenvolvimento industrial prioritariamente. Comentrio - A economia se fecha e passa-se a praticar um protecionismo exagerado a certas categorias de bens. Resultado - O desenvolvimento industrial se consolida. A taxa de crescimento da indstria se acelera e passa a variar menos no curto prazo.

    560. Taxas de Crescimento do Produto Industrial 1912 - 1988

    562. Principais medidas e instrumentos de poltica econmica Poltica Comercial poltica cambial poltica aduaneira Poltica Fiscal (inclusive incentivos regionais, setoriais ou a atividades especficas). Poltica Monetria e Creditcia (inclusive administrao da dvida externa e desenvolvimento do sistema financeiro). Programa setoriais do governo (por exemplo energia, ao, etc.)

    563. Industrializao por Substituio de Importaes Mercados abertos vs. Protecionismo Friedrich List - 1830-40 - Teoria da Industria Infante. Contraposio a Adam Smith e David Ricardo Teoria das Vantagens Comparativas: mercados abertos levam especializao, trocas e maior consumo e bem-estar para todos.

    564. Industrializao por Substituio de Importaes List: um pas agrcola deve defender suas industrias. Isto gera custos para o consumidor mas a longo prazo pode expandir a fronteira de possibilidades de produo daquele pas. List incorpora a idia de falha de mercado, que em pases em desenvolvimento so grandes. Na Alemanha a proteo industria foi bem sucedida.

    565. Industrializao por Substituio de Importaes Armadilha Listiana - a poltica econmica pode ser capturada pelas industrias protegidas que investem na manuteno do sistema. Na Amrica Latina quase todos pases adotaram a ISI aps a IIa Guerra Mundial e todos caram na armadilha Listiana.

    566. Industrializao por Substituio de Importaes Os pases da America Latina adotaram a ISI por causa de: repulsa ao sistema colonial Grande Depresso e queda do preo de bens primrios Termos de troca declinantes Raul Prebisch - mercados abertos servem para transferir renda de pases dependentes para pases desenvolvidos.

    567. Industrializao por Substituio de Importaes ISI envolve: taxa de cmbio sobre valorizada cotas de importao taxas de cmbio diferentes para diferentes produtos. Vitimas da ISI: consumidores industrias no protegidas agricultura

    568. Industrializao por Substituio de Importaes Somente em raros casos as industrias protegidas se tornariam competitivas a nveis internacionais. Uma das falhas que a proteo no gera incentivo para a atualizao da tecnologia. Tambm no se aproveita as economias de escala: na Amrica latina em 1960 se produzia 600.000 carros em 90 montadoras. Eram 6.700 carros por montadora, enquanto que a escala eficiente na poca era de 50.000 carros por montadora.

    569. Industrializao por Substituio de Importaes Os lucros obtidos pelas firmas protegidas eram parcialmente gastos mantendo o sistema. Outra parte era apropriada pelos trabalhadores sindicalizados das firmas protegidas. Isto fazia com que as firmas substitussem capital no lugar de trabalho apesar do grande nmero de trabalhadores desempregados. Isto levava a um menor crescimento econmico e piora na igualdade distributiva.

    570. Funcionamento da ISI A economia brasileira periodicamente se encontrava em dificuldades no balano de pagamentos. Estes desequilbrios tornavam necessrio instituir controle das importaes. Propsito: reduzir as importaes. Critrio: prioridade de importao aos produtos sem similar nacional

    571. Funcionamento da ISI Ao no desvalorizar a moeda mesmo quando os preos internos subiam, deixava-se a moeda nacional sobrevalorizada. Tornava-se portanto necessrio raciona-la. Isto foi feito de diversas formas ao longo do tempo: taxas de cmbio mltiplas proibio de importao de bens com similar nacional licenas de importao

    572. Funcionamento da ISI O resultado era proteo ao produtor nacional. Efeito protecionista - reserva de mercado. Efeito subsdio - custo de operao baixo (equipamentos e insumos importados baratos). Efeito lucratividade - Passou a ser mais rentvel produzir para o mercado interno do que para exportar.

    573. As polticas de industrializao implementadas desde os anos cinqenta foram predominantemente defensivas, e se caracterizam por um protecionismo exagerado e permanente. O resultado foi o desenvolvimento de uma industria com elevado grau de ineficincia, e por isso mesmo no-competitiva interna e internacionalmente, e com pouca ou nenhuma criatividade em termos tecnolgicos. A proteo proporcionada constitua-se em protecionismo frvolo, no sentido que no teve um objetivo de aprendizagem, apoiado num processo concomitante de gerao de exportaes e de desenvolvimento cientfico e tecnolgico.

    574. A questo fundamental que a substituio de importaes no requer a absoro e desenvolvimento de tecnologia. Isto contribuiu para incutir no empresariado industrial brasileiro uma mentalidade protecionista, que encara o protecionismo como um fim e no como um meio para que, num determinado horizonte de tempo, se implante uma industria eficiente e competitiva, voltada tanto para o mercado interno quanto para o mercado internacional. Muitas industrias contam at hoje com o mercado interno cativo, e essa mentalidade protecionista se constituiu em verdadeira barreira a ser vencida para que se possa implantar um processo amplo de assimilao, adaptao e desenvolvimento de tecnologia.