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Memórias de um Sargento de Milícias. Manuel Antônio de Almeida. Portela 1966 - Enredo: Memórias de um Sargento de Milícias Compositor: Paulinho da Viola. Que contamos neste carnaval Mas um dia Maria Fez a Leonardo uma ingratidão Mostrando que não era uma boa [companheira

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mem rias de um sargento de mil cias

Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Antônio de Almeida

portela 1966 enredo mem rias de um sargento de mil cias compositor paulinho da viola
Portela 1966 - Enredo: Memórias de um Sargento de MilíciasCompositor: Paulinho da Viola

Que contamos neste carnaval

Mas um dia Maria

Fez a Leonardo uma ingratidão

Mostrando que não era uma boa

[companheira

Provocou a separação

Foi assim que o padrinho passou

A ser do menino tutor

A quem deu imensa dedicação

Sofrendo uma grande desilusão

Outra figura importante de sua [vida

Era no tempo do Rei

Quando aqui chegou

Um modesto casal

Feliz pelo recente amor

Leonardo, tornando-se meirinho

Deu a Maria Hortaliça um novo lar

Um pouco de conforto e de carinho

Dessa união nasceu um lindo varão

Que recebeu o mesmo nome de seu [pai

Personagem central da história

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Foi a comadre parteira popular

Diziam que benzia de quebranto

A beata mais famosa do lugar

Havia nesse tempo aqui no Rio

Tipos que devemos mencionar

Chico Juca era mestre em valentia

E por todos se fazia respeitar

O reverendo, amante da cigana,

Preso pelo Vidigal, o justiceiro

Homem de grande autoridade

Que à frente dos seus granadeiros

Era temido pelo povo da cidade

Luizinha, primeiro amor

Que Leonardo conheceu

E que dona Maria

A outro, como esposa, concedeu

Somente foi feliz

Quando José Manuel morreu

Nosso herói outra vez se apaixonou

Quando sua viola a mulata Vidinha

Esta singela modinha contou:

“Se os meus suspiros pudessem

Aos seus ouvidos chegar

Verias que uma paixão

Tem poder de assassinar”

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escrito nos primórdios do Romantismo (publicado em 1852, em folhetins, no Correio Mercantil);

estilo/estrutura: traços primitivos;

romance de humor popular, baseado nas aventuras de tipos humanos característicos da sociedade carioca do começo do século XIX.

título – Memórias de um sargento: de quem são as memórias?

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origem: Antônio César Ramos, português que viera para o Brasil em 1817 como soldado e depois chegara a sargento de milícias, ainda na Colônia, sob o comando do major Vidigal;

ambigüidade no título: refere-se ao herói do livro, o Leonardo, ou ao outro sargento veterano que contava ao autor casos do tempo do rei velho?

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“Era no tempo do rei.

Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo - O canto dos meirinhos -; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores.”

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“´Era uma vez’, ‘Num certo país’, ‘Há mil anos’ (...) – esses inícios sugerem que o que se segue não pertence ao aqui e agora que nós conhecemos. Esta indefinição deliberada do início dos contos simboliza que estamos deixando o mundo concreto da realidade comum.”

A Psicanálise dos Contos de Fadas , Bruno Bettelheim

  • próximo de lendas e fábulas: “Era no tempo do rei”;
  • origem folclórica.
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“Era no tempo do rei.

Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo - O canto dos meirinhos -; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores.”

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1. CENÁRIO

  • Restrito espacialmente (região central do RJ);
  • Também socialmente a ação é circunscrita a um tipo de gente modesta (pequena burguesia);
  • Há uma senhora rica, dois padres, um chefe de polícia e, de relance, um oficial superior e um fidalgo, através dos quais nota-se o mundo do Paço.
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2. ESTRUTURA

  • Capítulos unitários, quase todos contendo um episódio completo;
  • Em conjunto, a obra reconstitui a vida de Leonardo Pataca e de seu filho Leonardo;
  • O volume dá muita atenção às festas, encontros, instituições e profissões populares da cidade;
  • Ruas descritas com a animação de uma verdadeira narrativa de costumes;
  • Romance muito agitado e festivo, em que não há praticamente nenhuma página sem um incidente ou surpresa;
  • Autor utiliza o português coloquial de seu tempo, com muitas palavras e construções difíceis para o leitor atual.
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3. PERSONAGENS

  • Personagens são tipos sociais, cuja ação personifica a função que exercem na comunidade;
  • Várias personagens não têm nome, são designados pela profissão ou condição social que possuem: o barbeiro, a parteira, a cigana, o fidalgo, o mestre-de-cerimônias, o toma-largura etc;
  • Quando uma personagem fala ou age, tem-se a impressão de um grande movimento, pois vislumbra-se todo o grupo social ao qual pertencem;
  • Personagens participam de cenas isoladas e somem, sem maiores conseqüências para a trama central;
  • Romance Picaresco: expressão derivada do termo pícaro, espécie de personagem marginal que vive ao sabor do acaso.
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“Era a comadre uma mulher baixa, excessivamente gorda, bonachona, ingênua ou tola até um certo ponto, e finória até outro; vivia do ofício de parteira, que adotara por curiosidade, e benzia de quebranto; todos a conheciam por muito beata e pela mais desabrida papa-missas da cidade. (...). O seu traje habitual era, como o de todas as mulheres da sua condição e esfera, uma saia de lila preta, que se vestia sobre um vestido qualquer, um lenço branco muito teso e engomado ao pescoço, outro na cabeça, um rosário pendurado no cós da saia, um raminho de arruda atrás da orelha, tudo isto coberto por uma clássica mantilha, junto à renda da qual se pregava uma pequena figa de ouro ou de osso.”

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IMPORTANTE:

  • Major Vidigal: única personagem autenticamente histórica. Chefe da polícia colonial carioca, era habilíssimo nas diligências, perverso e ditatorial nos castigos, era o horror das classes desprotegidas do Rio de Janeiro.
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“Nesse tempo ainda não estava organizada a polícia da cidade, ou antes estava-o de um modo em harmonia com as tendências e idéias da época. O major Vidigal era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo que dizia respeito a esse ramo de administração; era o juiz que julgava e distribuía a pena, e ao mesmo tempo o guarda que dava caça aos criminosos; nas causas da sua imensa alçada não havia testemunhas , nem prova, nem razões, nem processo; ele resumia tudo em si; a sua justiça era infalível; não havia apelação das sentenças que dava, fazia o que queria, e ninguém lhe tomava contas. Exercia enfim uma espécie de inquirição policial. Entretanto, façamos-lhe justiça, dados os descontos necessários às idéias do tempo, em verdade não abusava ele muito de seu poder, e o empregava em certos casos muito bem empregado.”

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OBSERVAÇÃO

  • Vidigal, por baixo da farda, é uma espécie de bicho-papão, devorador da gente alegre.
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ORIGEM DO HERÓI!!!!

“Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria-da-Hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitona. O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal-apessoado, e sobretudo era maganão. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com

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o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.

Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: foram os dois morar juntos: e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do

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beliscão; sete meses depois teve a Maria um filho (...) E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história.

Chegou o dia de batizar-se o rapaz: foi madrinha a parteira; sobre o padrinho houve suas dúvidas: o Leonardo queria que fosse o Sr. juiz; porém teve de ceder a instâncias da Maria e da comadre, que queriam que fosse o barbeiro de defronte (...)”

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LEONARDO: HERÓI PICARESCO?

  • É de origem humilde e irregular, “filho de uma pisadela e um beliscão”

DIFERENÇAS:

  • Não é o narrador;
  • Personagem como outro qualquer (embora preferencial);
  • Pícaro é sempre ingênuo (o “nosso memorando” já nasce malandro);
  • Nunca aparece o problema da subsistência.
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4. ESTILO JORNALÍSTICO

  • Linguagem simples, direta, praticamente sem metáforas ou refinamentos estilísticos;
  • M. A. Almeida foi o primeiro escritor brasileiro a adotar o estilo descontraído do jornal no romance;
  • Desse processo de simplificação decorre a oralidade de Memórias;
  • Como todas as personagens pertencem às camadas populares, o autor deu à obra um tom popular;
  • Apesar da espontaneidade, há no romance inúmeras palavras e estruturas frasais que já eram antiquadas no tempo do autor (daí a harmonia entre a linguagem da época do romance - Segundo Reinado - e da época da ação - reinado D. João VI).
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“Começou ele (o padrinho) pela origem do pequeno; remontou à pisadela e ao beliscão com que a Maria e o Leonardo tinham começado o seu namoro na viagem de Lisboa ao Rio de Janeiro, o que fez dar a D. Maria boas risadas. Passou em seguida à festa do batizado, que descreveu detalhadamente. Até aqui era o drama risonho e feliz; veio depois a tragédia; contou todas aquelas histórias da perfídia da Maria, dos ciúmes do Leonardo e da briga final, cujo resultado trouxera o pequeno às suas mãos.”

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5. REGISTRO SOCIAL

  • Há um painel social do contexto em que se desenvolverá o episódio da vida de Leonardo ou de outra personagem;
  • Dois ou três parágrafos, nos quais são fornecidos os componentes do quadro em que se desenvolve a aventura. Essas descrições estão sempre integradas ao enredo;
  • Toda vez que houver descrições deve-se perceber que elas servirão de moldura de um episódio que está por acontecer;
  • Elas podem ser lidas como lances de humor ou como flagrantes sociais independentes, mas que se integram sempre ao corpo da ação romanesca.
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“Um dia de procissão foi sempre nesta cidade um dia de grande festa, de lufa-lufa, de movimento e de agitação; e se ainda é hoje o que os nossos leitores bem sabem, na época em que viveram as personagens desta história a coisa subia de ponto; enchiam-se as ruas de povo, especialmente de mulheres de mantilha; armavam-se as casas, penduravam-se às janelas magníficas colchas de seda, de damasco de todas as cores, e armavam-se coretos em quase todos os cantos. É quase tudo o que ainda hoje se pratica, porém em muito maior escala e grandeza, porque era feito por fé, como dizem as velhas desse bom tempo, porém nós diremos, porque era feito por moda: era tanto do tom enfeitar as

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janelas e portas em dia de procissão, ou concorrer de qualquer outro modo, para o brilhantismo das festividades religiosas, como ter um vestido de mangas de presunto, ou trazer à cabeça um formidável trepa-moleque de dois palmos de altura.”

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6. ROMANTISMO EXCÊNTRICO

  • volume de difícil classificação;
  • José Veríssimo classificou-o como um romance pré-realista, em função de sua inclinação para o retrato social;
  • Mário de Andrade, no início do séc. XX, aproximou-o do romance picaresco espanhol;
  • para Antonio Candido o romance é romântico, mas excêntrico.
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razões da excentricidade:

  • o enredo envolve pessoas de baixa renda, não personagens da classe dominante;
  • as cenas são reais, não idealizadas, apresentando aspectos pouco poéticos da existência;
  • ausência de moralismo e recusa da idéia de que as ações humanas dividem-se necessariamente entre boas e más (maniqueísmo);
  • troca do sentimentalismo pelo humorismo, do estilo elevado e poético pelo estilo tosco e direto;
  • o estilo é oral e descontraído, derivado da conversa ou do estilo jornalístico da época;
  • a personagem central não é herói nem vilão, trata-se de um anti-herói malandro.
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“O Leonardo, cujo coração era compadecido, teve, como todos, pena da moça; e apressemo-nos a dizer, era tão sincero esse sentimento que não pôde deixar de despertar também a mais sincera gratidão ao objeto dele. Quem pagou o resultado da pena de um e da gratidão da outra foi o toma-largura.

(...) O Leonardo, por um daqueles milhares de escaninhos que existem na ucharia, tinha ido ter à casa do toma-largura. Ninguém porém pense que era para maus fins. Pelo contrário, era para o fim muito louvável de levar à pobre moça uma tigela de caldo do que há pouco fora mandado ao el-rei... Obséquio de empregado da ucharia. Não há aqui nada de censurável. Seria entretanto muito digno de censura que quem recebia tal obséquio não o procurasse pagar com um extremo de civilidade: a moça convidou pois ao Leonardo para ajudá-la a tomar o caldo.

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E que grosseiro seria ele se não aceitasse tão belo oferecimento? Aceitou.

De repente sente-se abrir uma porta: a moça, que tinha na mão a tigela, estremece, e o caldo entorna-se.

O toma-largura, que acabava de chegar inesperadamente, fora a causa de tudo isto. O Leonardo correu precipitadamente pelo caminho mais curto; sem dúvida em busca de outro caldo, uma vez que o primeiro se tinha entornado."

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Vocabulário limpo, sem qualquer baixeza de expressão. Mesmo quando entra pela zona da licenciosidade, M. A. Almeida o faz de modo discreto e, de tal forma caricatural que o elemento irregular se desfaz em bom humor.

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AURÉLIA CAMARGO: TÍPICA HEROÍNA ROMÂNTICA!

“Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.

Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.

Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade.

Era rica e formosa. (...)

Tinha dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. (...)”

Senhora, José de Alencar

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LUISINHA: HEROÍNA ROMÂNTICA?

“Leonardo lançou-lhe os olhos, e a custo conteve o riso. Era a sobrinha de D. Maria já muito desenvolvida, porém que, tendo perdido as graças de menina, ainda não tinha adquirido a beleza de moça: era alta, magra, pálida: andava com o queixo enterrado no peito, trazia as pálpebras sempre baixas e olhava a furto; tinha braços finos e compridos; o cabelo, cortado, dava-lhe apenas até o pescoço, e como andava mal penteada e trazia a cabeça sempre baixa, uma grande porção lhe caía sobre a testa e olhos, como uma viseira. (...)

Por mais que o compadre a questionasse, apenas murmurou algumas frases ininteligíveis com voz rouca e sumida. Mal a deixaram livre, desapareceu sem olhar para ninguém. Vendo-a ir-se, Leonardo tornou a rir-se interiormente. (...)”

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‘IDOLATRIA’ DO HERÓI

“Nessa muda contemplação, o índio esqueceu tudo; o que lhe importava o precipício que se abria a seus pés para tragá-lo ao menor movimento, e sobre o qual plainava num ramo fraco que vergava e se podia partir a todo o instante?

Era feliz: tinha visto sua senhora; ela estava alegre, contente, satisfeita; podia ir dormir e repousar. (...)

Em Peri, o sentimento era culto, espécie de idolatria fanática, na qual não entrava um só pensamento de egoísmo; amava Cecília não para sentir um prazer ou ter uma satisfação, mas para dedicar-se inteiramente a ela, para cumprir o menor dos seus desejos, para evitar que a moça tivesse um pensamento que não fosse imediatamente uma realidade.(...)”

O Guarani,José de Alencar

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“(...) a malandragem é uma variante do ‘jeitinho’ (...), constituindo-se como uma outra forma de navegação social. O malandro, portanto, seria um agente profissional do ‘jeitinho’ e da arte de sobreviver nas situações mais difíceis: aquelas nas quais ele está claramente fora ou longe da lei. Na malandragem também temos esse relacionamento complexo e criativo entre o talento pessoal e as leis que engendram o uso de ‘expedientes’, de ‘histórias’ e de ‘contos-do-vigário’, artifícios com um alto apelo pessoal que nada mais são que modos engenhosos de tirar partido de certas situações (...)”

O que é o Brasil?, Roberto DaMatta

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“Veremos então que, embora elementares como concepção de vida e caracterização dos personagens, as Memórias são um livro agudo com percepção das relações humanas tomadas em conjunto. (..) Poderíamos dizer que há, desse modo, um hemisfério positivo da ordem e um hemisfério negativo da desordem, funcionando como dois ímãs que atraem Leonardo, depois de terem atraído seus pais.”

("Dialética da Malandragem", Antônio Cândido.)

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UNIVERSO

ORDEM

UNIVERSO

DESORDEM

LEONARDO

ÍMÃS QUE ATRAEM LEONARDO

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A dinâmica do livro pressupõe uma gangorra de dois pólos: de um lado o universo da ordem(cujo maior representante é o Major Vidigal), do outro o universo da desordem. Ambos funcionam como ímãs que atraem Leonardo.

  • EXEMPLO: Luisinha e Vidinha (par simétrico).
    • a primeira, no plano da ordem, é a mocinha burguesa com quem não há relação viável fora do casamento, pois ela traz herança, parentela, posição e deveres.
    • Vidinha, no plano da desordem, é a mulher que se pode apenas amar, sem casamento nem deveres, porque ela não tem nada além de sua graça e de sua curiosa família.
homenagem ao malandro chico buarque
Homenagem ao malandro – Chico Buarque
  • Tal qual em Macunaíma, podemos ver em Leonardo Filho um extrato universalisador, no qual se encontram as representações do brasileiro (dialética da malandragem).

(...) malandro

Regular, profissional

Malandro com aparato

De malandro oficial

(...)Malandro com retrato

Na coluna social

Malandro com contrato

Com gravata e capital

Que nunca se dá mal

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“Malandro que seria elevado à categoria de símbolo por Mário de Andrade em Macunaíma, e que Manuel Antônio com certeza plasmou espontaneamente, ao aderir com a inteligência e a afetividade ao tom popular das histórias (...)”

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Segundo Mário de Andrade, “ Leonardo se une fácil com a Luisinha abastada e vão ambos viver uma felicidade cinzenta e neutra (...). O livro acaba quando o inútil da felicidade principia.”

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Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Antônio de Almeida

homenagem ao malandro chico buarque42
Homenagem ao malandro – Chico Buarque

Malandro com retrato

Na coluna social

Malandro com contrato

Com gravata e capital

Que nunca se dá mal

Mas o malandro pra valer

Não espalha

Aposentou a navalha

Tem mulher e filho

E tralha e tal

Dizem as más línguas

Que ele até trabalha

Mora lá longe e chacoalha

Num trem da Central

Eu fui fazer

Um samba em homenagem

À nata da malandragem

Que conheço de outros carnavais

Eu fui à Lapa e perdi a viagem

Que aquela tal malandragem

Não existe mais

Agora já não é normal

O que dá de malandro

Regular, profissional

Malandro com aparato

De malandro oficial

Malandro candidato

A malandro federal