Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 www paulomargotto com br
This presentation is the property of its rightful owner.
Sponsored Links
1 / 38

Terminalidade da vida M rcia Lira Bras lia, 29 de agosto 2011 paulomargotto.br PowerPoint PPT Presentation


  • 103 Views
  • Uploaded on
  • Presentation posted in: General

preciso tocar no assuntoCerta vez, perguntaram a Sneca: Se tenho um amigo em circunstncia desfavorvele que pode agravar, devo ou no aconselh-lo sobre o possvel desastre que seaproxima?". O filsofo respondeu: Deve-se, sempre, alertar as pessoas sobre futuros problemas, pois assim poder

Download Presentation

Terminalidade da vida M rcia Lira Bras lia, 29 de agosto 2011 paulomargotto.br

An Image/Link below is provided (as is) to download presentation

Download Policy: Content on the Website is provided to you AS IS for your information and personal use and may not be sold / licensed / shared on other websites without getting consent from its author.While downloading, if for some reason you are not able to download a presentation, the publisher may have deleted the file from their server.


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - E N D - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Presentation Transcript


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 www paulomargotto com br

Terminalidade da vidaMrcia Lira Braslia, 29 de agosto 2011www.paulomargotto.com.br


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

preciso tocar no assunto

Certa vez, perguntaram a Sneca: Se tenho um amigo em circunstncia desfavorvel

e que pode agravar, devo ou no aconselh-lo sobre o possvel desastre que se

aproxima?. O filsofo respondeu: Deve-se, sempre, alertar as pessoas sobre futuros problemas, pois assim podero se preparar para o mau acontecimento. Se voc disser apenas palavras de conformismo, no se prepararo para o pior, o que poder

aumentar e trazer graves conseqncias. sbio alertar as pessoas sobre provveis

causas futuras.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Diferentemente do conselho do filsofo, ns, mdicos, evitamos tratar o tema da provvel morte de nossos pacientes, evitando at mesmo a conversa com a famlia.

Em vez de realidade, fornecemos, na maioria das vezes, falsas esperanas. Somos to inbeis ao tratar do assunto que at nomeamos a morte com termos que a atenuam:

expirar, perder na mesa, vai a bito, xito letal e outros tantos. Talvez estejamos sendo treinados para isso: evitar a questo que parece no ser nossa.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

bem recente a mudana do local da morte para a maioria das pessoas. Nos centros urbanos, passou das casas para os hospitais h pouco menos de 50 anos. Velhos companheiros devem lembrar-se de como era: o paciente morria na prpria casa e, de uma maneira ou outra, era preparado para a morte. Havia as conversas finais, as visitas dos amigos e parentes, a extrema uno e a presena de religiosos beira da cama. Na maior parte das vezes, as pessoas sabiam e se preparavam para a morte.

Com a possibilidade de tratamentos em hospitais, o assunto mudou de forma tcnica e ritualstica. Os equipamentos e procedimentos mdicos evoluram muito e tenta-se prolongar a vida do paciente pelo maior tempo possvel. Isto, em parte, contribuiu para a nossa atitude de no querer nunca perder o paciente e se existe essa possibilidade vem o receio e a fragilidade em tocar no assunto, deixando uma

situao falsa e de angstia para todos.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Muitas vezes, o mdico evita afeioar-se ao paciente, para no sofrer quando do instante mais natural de todo o ser vivo: a hora da morte.

preciso mudar esse modo de pensar, levar para debates e discutir exaustivamente a questo de se os mdicos devem ou no alertar os pacientes e familiares sobre a iminncia da morte. Em minha opinio, sim. Por mais difcil que seja, faz-se preciso falar da morte.O ambiente hospitalar, geralmente visto como impessoal, ficaria mais humano se aprendssemos a tratar da morte como deve ser tratada, com realismo

. Gerson Zafalon Martins,Biotica Volume 13, nmero 2 - 2005


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

  • O C F M aprovou Resoluo sobre a terminalidade da vida, documento de grande intensidade humanstica que permite ao mdico brasileiro tomar decises acerca do fim da vida de seus pacientes,possibilitando-lhes o que o Estudo de Toronto/Canad definiu como uma boa morte:

  • Proporcionar o alvio da dor e sintomas (sofrimento);

  • Evitar o prolongamento do morrer;

  • Ter senso de controle (autonomia);

  • No ser um peso para os Outros(dependncia) e fortalecer as relaes com os entes queridos.

  • Gerson Zafalon Martins,Biotica Volume 13, nmero 2 - 2005


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

  • Quando lcito deixar de manter vivo um ser humano?

    QUANDO A TERAPIA NO CURA , NEM ALIVIA, QUANDO S PROLONGA A AGONIA...

    Leo Pessine,2002


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Problemas clnicos relacionados ao bom atendimento do paciente, no sentido de evitar ao mximo os desconfortos e sofrimentos prprios das doenas que provocam direta ou indiretamente a morte dos pacientes,desencadeiam uma srie de questes morais significativas tambm neste contexto de terminalidade de vida.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

O atendimento a pacientes terminais, pode representar uma situao de extrema dificuldade para os mdicos, apesar do fato da morte ser um evento inexorvel para os seres vivos.

Jos Eduardo de Siqueira ; Biotica, 2005


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

conceituao de paciente terminal no algo simples de ser estabelecido, embora freqentemente nos deparemos com avaliaes consensuais de diferentes profissionais. Talvez, a dificuldade maior esteja em objetivar este momento, no em reconhec-lo.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

  • Pode-se classificar a morte de crianas em dois grupos:

  • Morte inesperada: como as que se seguem ao trauma ou choque sptico, por exemplo. Nestes casos a morte ocorre mesmo aps a utilizao de toda teraputica disponvel.

  • Morte esperada: como nos casos de tumores inoperveis, doenas crnicas e presena de falncia de mltiplos rgos, aps longos tratamentos que se mostraram ineficazes. Na maioria desses casos, depois de identificada a irreversibilidade da situao, o paciente considerado terminal e se decide pela limitao teraputica, permitindo que doena tenha seu curso natural, contra-indicando as manobras de reanimao cardiopulmonar (RCP).

  • Revista Brasileira de Terapia Intensiva ;Vol. 19 N 3, Jul/Set, 2007


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

  • A terminalidade quando se esgotamas possibilidades de resgate das condies de sade do paciente e a possibilidade de morte prxima parece inevitvel e previsvel. O paciente se torna "irrecupervel" e caminha para a morte, sem que se consiga reverter este caminhar.

    Leo Pessine,202


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Segundo Holland terminal aquele paciente que apresenta duas caractersticas fundamentais: a da incurabilidade e a do fracasso teraputico dos recursos mdicos.

Leo Pessine,2002


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Alguns critrios podem tornar este momento menos impreciso:

  • os critrios que levam em conta as condies pessoais do paciente (sinais de contacto ou no com o exterior, respostas ao meio, dor);

  • os clnicos (exames laboratoriais, de imagens, funcionais, anatomopatolgicos);

  • os dados da experincia que a equipe envolvida tem acerca das possibilidades de evoluo de casos semelhantes (suas vivncias e experincias semelhantes).

    Jos Eduardo de Siqueira ; Biotica, 2005


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

LIMITAO DE SUPORTE DE VIDA EM PEDIATRIA

Vrios fatores influem na incidncia de LSV e tambm na forma como estas prticas so aplicadas. Fatores culturais, religiosos e at econmicos foram descritos. Estudos europeus mostram condutas mais agressivas de LSV no norte da Europa, onde a prtica mdica mais semelhante adotada nos EUA e no Canad, priorizando a autonomia do paciente. No sul europeu que possui cultura com caractersticas latinas, as condutas de LSV so menos freqentes e se baseiam fundamentalmente no paternalismo mdico.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Nas ltimas dcadas, o progresso tecnolgico e a sofisticao do atendimento nas unidades de terapia intensiva (UTI), tornou-se possvel prolongar a vida de uma srie de pacientes portadores de doenas irreversveis e de prognstico reservado. Entretanto, o prolongamento da vida muitas vezes obtido s custas de sofrimento para o paciente e seus familiares.

O final de vida de pacientes internados em UTI deixou de ser um momento ntimo compartilhado apenas com a famlia e os amigos para se tornar um evento solitrio, cercado de tecnologia e muitas vezes de dor.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

PACIENTE TERMINAL

Conceito Atual

Doena Aguda Doena Terminal

Respiradores

Drogas Vasoativas

Traqueostomias

Manobras de Reanimao

Etc...

Boa Prtica M Prtica

Mdica Mdica

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SO PAULO


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

PACIENTE TERMINAL

Novo Conceito:

Recurso Ordinrio = Proporcionado

Recurso Extraordinrio = Desproporcionado

Ex: antibitico em pneumonia de paciente com AVC

recente e em paciente com AVC com morte enceflica

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SO PAULO


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

importante que se defina o que significam procedimento ordinrio e procedimento extraordinrio.

Deve ficar bem claro que o conceito de ordinrio e extraordinrio deve estar relacionado com o estado do paciente e no com as condies da disponibilidade mdico-hospitalar.

Se um paciente terminal necessita de uma traqueostomia ou de uma alimentao parenteral, isso deve ser feito por tratar-se muito mais de cuidados ordinrios do que de tratamento.

Se um doente descerebrado necessitar de uma srie de dilises renais, evidente que esse procedimento merece outra forma de discusso.

O medo que faz existir hoje ou amanh uma relao de procedimentos escritos considerando o que seja ordinrio ou extraordinrio. E assim chegaramos situao em que algum viesse considerar uma hidratao ou uma traqueostomia como recurso despropositado.

Jos Eduardo de Siqueira ; Biotica, 2005


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

O que precisa ser assumido e que eticamente aceitvel, tecnicamente possvel e humanamente desejvel que limitemos o morrer em UTI, pelo benefcio dos pacientes, das instituies e sade moral das equipes.

A questo legal est de certo modo aberta. Interessante notar que a lei no explicita como constatamos a morte. O fundamento tcnico do mdico, da medicina. No reanimar diferente de eutansia, a medida que reconheo a morte e no a parada., por isto no trato.

No suporte mnimo, retiramos parte do tratamento por falta de indicao mdica. Contudo, mantemos cuidados pessoa humana, a assistncia no acabou, apenas mudou, como forma de evitar a distansia, o morrer em sofrimento intil.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Com a melhoria no atendimento primrio, a preveno de doenas infecto-contagiosas e o progresso nos cuidados de sade pblica, o nmero de pacientes que interna em UTIP por doenas agudas diminuiu muito na ltima dcada. Em conseqncia desse fato, a maioria das crianas que falecem nessas unidades portadora de doenas crnicas .

Deve-se ressaltar que a presena de doena crnica associou-se significativamente com a deciso de LSV, muito provavelmente porque essas crianas j tm uma enfermidade suficientemente conhecida, com um prognstico de vida reservado, e o prolongamento de suas vidas, muitas vezes, s representaria tratamento ftil e acrscimo de sofrimento.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

PSM trata-se do paciente de suporte mnimo

que foi considerado alm de possibilidades teraputicas, ou seja, quaisquer esforos teraputicos so fteis, no trazem real benefcio ao paciente, mais prolongando o morrer com sofrimento do que uma vida com sentido moral de uma pessoa humana.

Nesses casos todo o esforo teraputico suspenso, limitando-se a um suporte mnimo para conforto, analgesia, sedao e para a dignidade do paciente. Geralmente se mantm apenas a ventilao e uma linha venosa, alm dos cuidados gerais ao paciente.

A deciso deve ser comunicada aos familiares, ao MA e equipe, com as justificativas que a sustentam. Esta deciso cabe ao MI, no a famlia, mas poder tom-la apenas se a famlia suporta moralmente a conduta. Caso contrrio, cabe respeitar a famlia em sua deciso ou, abdicar da assistncia se houver imperativo moral. PSM no tem indicao de internao em UTI e podem receber alta se houver acordos que viabilizem a assistncia em outros cenrios do hospital. prudente que a equipe encaminhe consulta formal a sua Comisso de tica antes de colocar em prtica uma poltica desta natureza, fazendo comunicao aos colegas do corpo clnico quando aprovada.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

PNR paciente no reanimvel

aquele cujo curso clnico faz crer como ftil esforo de reanimao frente a uma possvel PCR. Neste caso se mantm toda a teraputica at ento utilizada, mas acrscimos de quaisquer natureza sero avaliados numa perspectiva de confronto custo x benefcio, se contribuem para um real benefcio do paciente. A equipe ento comunicada de que o paciente no ser reanimado.

Esta deciso deve ser tomada em equipe, registrada em pronturio e comunicada famlia e MA . Esta condio deve ser encarada como reversvel ou seja - este paciente pode vir a ser considerado reanimvel na dependncia de seu curso clnico. Esta deciso cabe ao MI, no a famlia, mas poder tom-la apenas se a famlia suporta moralmente a conduta. Caso contrrio, cabe respeitar a famlia em sua deciso ou, abdicar da assistncia se houver imperativo moral.

Pacientes j considerados como PNR no tm indicao de internao em UTI, bem como podero ter alta da unidade frente a esse diagnstico, desde que acordadas as condies com os familiares. prudente que a equipe encaminhe consulta formal a sua Comisso de tica antes de colocar em prtica uma poltica desta natureza, fazendo comunicao aos colegas do corpo clnico quando aprovada.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

RESOLUO CFM N 1.805/2006

(Publicada no D.O.U., 28 nov. 2006, Seo I, pg. 169)

Na fase terminal de enfermidades graves e incurveis permitido ao mdico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente, garantindo-lhe os cuidados necessrios para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de uma assistncia integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal.

O Conselho Federal de Medicina, no uso das atribuies conferidas pela Lei n 3.268, de 30 de setembro de 1957, alterada pela Lei n 11.000, de 15 de dezembro de 2004, regulamentada pelo Decreto n 44.045, de 19 de julho de 1958, e

CONSIDERANDO que os Conselhos de Medicina so ao mesmo tempo julgadores e disciplinadores da classe mdica, cabendo-lhes zelar e trabalhar, por todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito desempenho tico da Medicina e pelo prestgio e bom conceito da profisso e dos que a exeram legalmente;

CONSIDERANDO o art. 1, inciso III, da Constituio Federal, que elegeu o princpio da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da Repblica Federativa do Brasil;

CONSIDERANDO o art. 5, inciso III, da Constituio Federal, que estabelece que ningum ser submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

CONSIDERANDO que cabe ao mdico zelar pelo bem-estar dos pacientes;

CONSIDERANDO que o art. 1 da Resoluo CFM n 1.493, de 20.5.98, determina ao diretor clnico adotar as providncias cabveis para que todo paciente hospitalizado tenha o seu mdico assistente responsvel, desde a internao at a alta;

CONSIDERANDO que incumbe ao mdico diagnosticar o doente como portador de enfermidade em fase terminal;

CONSIDERANDO,finalmente, o decidido em reunio plenria de 9/11/2006,

RESOLVE:

Art. 1 permitido ao mdico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de enfermidade grave e incurvel, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal.

1 O mdico tem a obrigao de esclarecer ao doente ou a seu representante legal as modalidades teraputicas adequadas para cada situao.

2 A deciso referida no caput deve ser fundamentada e registrada no pronturio.

3 assegurado ao doente ou a seu representante legal o direito de solicitar uma segunda opinio mdica.

Art. 2 O doente continuar a receber todos os cuidados necessrios para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, assegurada a assistncia integral, o conforto fsico, psquico, social e espiritual, inclusive assegurando-lhe o direito da alta hospitalar.

Art. 3 Esta resoluo entra em vigor na data de sua publicao, revogando-se as disposies em contrrio.

Braslia, 9 de novembro de 2006


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

O Presidente da AMIB, Dr. Jos Maria da Costa Orlando, em carta sobre Terminalidade, assinada em novembro de 2006, quando o CFM aprovou a Ortotansia, alertava a comunidade de intensivistas brasileiros muita cautela quanto efetiva legalizao e adoo do referido procedimento nas UTIs brasileiras. O mdico, sem o devido respaldo legal e at que a prtica da ortotansia seja, de fato, descriminalizada, na to aguardada reviso do Cdigo Penal, poder responder criminalmente por seus atos.

*A Resoluo foi cassada por Liminar da Justia de Braslia. Foi cassada a Liminar em 2010.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Ser possvel existir enfim uma boa morte no ambiente de UTIP ?

difcil para o mdico, principalmente o intensivista aceitar isso, mas em ltima anlise,facilitar uma boa morte deveria ser considerada um motivo de satisfao, de um dever cumprido, algo semelhante em alguns aspectos a salvar uma vida.

Daniel Garros-Jornal de Pediatria - Vol.79, Supl .2, 2003


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Uma "boa" morte em UTI peditrica: isso possvel?

Daniel Garros , Pediatra, Intensivista Peditrico,UTI peditrica do Stollery Childrens Hospital, Universidade de Alberta, Edmonton, AB, Canad

OBJETIVO: Dentro das modernas UTIPs (unidades de terapia intensiva peditricas) existe um nmero elevado de casos em que a restrio ou a remoo de medidas de suporte de vida (MSV) realizada com o objetivo de permitir a morte da criana, para a qual no h mais tratamento vivel. Conseqentemente, a medicina paliativa est tomando lugar de destaque dentro da UTIP. O objetivo desta reviso oferecer ao intensivista maneiras de prover para seu paciente uma morte digna e mais humana, dentro deste contexto.

FONTES DOS DADOS: Utilizando uma reviso sistemtica no banco de dados Medline, com terminologia pertinente, uma seleo de artigos pertinentes so revisados, com nfase no tema morte em UTIP. Conceitos de medicina paliativa aplicveis neste ambiente so introduzidos.

SNTESE DOS DADOS: A morte digna para uma criana em cuidado paliativo dentro da UTIP pode ser alcanada, se algumas medidas simples so observadas, tais como: oportunizar famlia participao em todo o processo decisrio num ambiente de abertura e honestidade mtua, abrir as portas da UTI para certos rituais que a famlia julgar importante, oferecer privacidade, controlar efetivamente a dor e sintomas de desconforto na hora da remoo ou restrio de MSV, e proceder com remoo de MSV na presena da famlia, se assim ela desejar.

CONCLUSO: A morte de uma criana em UTIP, quando resulta de restrio ou remoo de suporte de vida, pode ser dignificada e humanizada, se princpios bsicos de medicina paliativa e cuidados centrados na famlia so trazidos para dentro deste ambiente, notadamente caracterizado como de alta tecnologia e visto pelo pblico como desumano.

Palavras-chave: Morte, morte cerebral, famlia, cuidados paliativos, cuidados a doentes terminais.


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Como Fazer:

No Paciente terminal:

Incluir a famlia no processo decisrio; evitar o prolongamento da morte; dar explicaes claras sobre o papel familiar; ajudar para que a famlia chegue a um consenso e fornecer informao de qualidade, em boa quantidade e no momento adequado.

Jornal de Pediatria , Vol.79, Supl.2, 2003


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

  • Transformar um dos leitos de isolamento em um ambiente de cuidado paliativo.

  • O quarto pode ter decorao diferente, msica ambiente, iluminao regulvel,

  • moblia mais confortvel e lugar para vrias pessoas se acomodarem.

  • Esconder a tecnologia com cortinas, e quando precisar do leito para pacientes usuais,

  • elas so abertas.

Jornal de Pediatria

Vol.79, Supl.2, 2003


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

As famlias, nessa hora necessitam de total privacidade, dentro do objetivo de uma morte com reverncia e dignidade.

Monitorar a criana remotamente na estao central da UTIP se a famlia prefere ficar sozinha na hora final, e periodicamente entrar na sala para revisar se a criana est confortvel.

Jornal de Pediatria , Vol.79, Supl.2, 2003


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Em pacientes no terminais

Como proceder

dar explicaes claras sobre o que ocorreu em local adequado em boa quantidade e no momento adequado.

ajudar para que a famlia possa ter momentos de privacidade para entender a situao, ter o momento de luto.

permitir que fique com o seu filho se este for seu desejo antes de preparar o corpo

Solicitar apoio dos profissionais da Psicologia, Servio Social sempre que necessrio


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

L eito que permita privacidade


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

Local para conversar com a famlia e para ela ficar aps o bito


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

  • Aps a morte o nosso trabalho ainda no terminou

  • Aps a morte de uma criana, os pais se sentem abandonados e sozinhos. A equipe mdica passou a fazer parte do seu dia-a-dia, e, de repente, todos desaparecem. O vnculo se quebrou!

  • Como parte da busca de uma morte digna, o acompanhamento da famlia deve ser feito por um comit de luto.

  • Jornal de Pediatria - Vol.79, Supl.2, 2003


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

A mo, ainda que trmula, de quem amamos o melhor passaporte para a outra vida. No neguemos esse direito a quem est morrendo. Resgatemos a nossa humanidade!

Hoffmann,L -Cad. Sade Pblica-Rio de Janeiro,9 (3 )1993


Terminalidade da vida m rcia lira bras lia 29 de agosto 2011 paulomargotto br

"Na realidade latino-americana nos defrontamos a todo momento pelo descaso para com a sade e a vida seja pela precariedade da assistncia sade, seja pela ausncia de segurana. No se trata da morte de um, mas de milhes. Genocdio? Mistansia?

(do grego mys = infeliz).

um desafio tico ver a questo do adeus a vida no s do ponto de vista individual, mas tambm coletivo, avaliando a morte social, lenta, gradual e injusta".

at chocante e irnico constatar que a mesma sociedade que nega o po para o ser humano viver, lhe oferea a mais alta tecnologia para "bem morrer"

Julio Csar Meirelles Gomes;CRM,SP


Nota do editor do site dr paulo r margotto consultem

Nota do Editor do site, Dr. Paulo R. MargottoConsultem:


  • Login