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Cefaleia Crônica Diária – Avaliação e Terapêutica

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Cefaleia Crônica Diária – Avaliação e Terapêutica. Caio Grava Simioni Médico Neurologista HCFMUSP 2010. Introdução. Conceito: vasto grupo de cefaléias, com frequência igual ou superior a 15 dias/mês, incluindo cefaleia por abuso de analgésicos.

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cefaleia cr nica di ria avalia o e terap utica

Cefaleia Crônica Diária – Avaliação e Terapêutica

Caio Grava Simioni

Médico Neurologista

HCFMUSP

2010

introdu o
Introdução
  • Conceito: vasto grupo de cefaléias, com frequência igual ou superior a 15 dias/mês, incluindo cefaleia por abuso de analgésicos.
  • Pode ser dividida em primária ou secundária
  • Em estudos populacionais, a cefaleia tipo-tensão crônica corresponde à maior parte das cefaleias crônicas.
  • Ansiedade, depressão e outros distúrbios psiquiátricos costumam acompanhar a CCD.
ccd prim ria
CCD primária
  • Cefaleia com duração superior a 4 horas:
  • Migrânea transformada
  • Cefaleia tipo-tensão crônica
  • Cefaleia persistente diária de início recente
  • Hemicrania contínua
  • Cefaleia com duração inferior a 4 horas:
  • Cefaleia em salvas
  • Hemicrania paroxística crônica
  • Cefaleiahípnica
  • Cefaleia latejante idiopática
ccd secund ria
CCD secundária
  • Cefaleia pós-traumática
  • Doenças da coluna cervical
  • Cefaleia associada a distúrbios vasculares: MAVs, arterite (incluindo arterite temporal), dissecção, hematoma subdural.
  • Cefaleia associada a distúrbios não-vasculares: hipertensão intracraniana, infecção (EBV, HIV), neoplasia.
  • Outras (DTM, sinusopatia).
proposta de classifica o para a ccd
Proposta de classificação para a CCD
  • Cefaleia diária ou quase diária com duração superior a 4 horas, por mais de 15 dias/mês
  • Migrânea crônica (antes enxaqueca transformada), com ou sem abuso de analgésicos
  • Cefaleia tipo-tensão crônica, com ou sem abuso de analgésicos
  • Cefaleia persistente diária de início recente, com ou sem abuso de analgésicos
  • Hemicrania contínua, com ou sem abuso de analgésicos.
migr nea cr nica
Migrânea Crônica
  • A maior parte dos pacientes pertence ao sexo feminino, 90% destes com história de migrânea sem aura.
  • Descrição de cefaleia que se torna mais freqüente com o passar dos meses a anos, com sintomas de náuseas, vômitos, fono e fotofobia cada vez sendo mais escassos.
  • Os pacientes acabam por desenvolver uma dor de cabeça que costuma ser diária, com intensidade leve a moderada, que lembra a CTTC.
migr nea cr nica1
Migrânea crônica
  • Geralmente a história de “transformação” não consegue ser obtida, motivo por que optou-se pela designação migrânea crônica.
  • 80% dos pacientes com migrânea crônica costumam ter depressão.
  • Critérios diagnósticos (2/3):
  • História de migrânea infreqüente/freqüente, em concordância com a IHS;
  • História de cefaleia que aumenta em frequência e diminui em intensidade dos sintomas migranosos a partir de, pelo menos, 3 meses.
  • Cefaleia que entra em concordância com os critérios de migrânea da IHS, exceto pela duração.
cefaleia tipo tens o cr nica
Cefaleia tipo-tensão crônica
  • Assim como a migrânea crônica, também evolui a partir da CTT frequente/infrequente.
  • CTTC x CPDIR – diferença biológica?
  • Migrânea x CTTC – podem coexistir, desde que o quadro álgico responsável pela dor crônica não tenha características migranosas.
  • Podem existir náuseas, fono e fotofobia, desde que estes sintomas sejam leves.
classifica o da cttc
Classificação da CTTC
  • Cefaleia que ocorre com freqüência maior ou igual a 15 dias por mês em média, por mais de 3 meses.
  • Duração de horas ou contínua
  • Duas das seguintes características:
  • Bilateral
  • Em pressão/aperto
  • Leve a moderada intensidade
  • Não agravada por atividades habituais
  • Ambos os critérios:
  • Não mais do que um dos seguintes: fono, fotofobia ou náuseas leves
  • Sem náuseas ou vômitos de sintomatologia moderada a forte
cefaleia persistente di ria de in cio recente
Cefaleia Persistente Diária de Início Recente
  • Cefaleia de início bem reconhecido, que toma padrão de CCD.
  • O que distingue a CTTC da CPDIR é a existência prévia de CTT infrequente/frequente.
  • Critérios diagnósticos:
  • Cefaleia por mais de 3 meses
  • Cefaleia é diária e sem remissão desde o início ou menos de 3 dias do seu início
  • Pelo menos uma das características:
  • Bilateral
  • Em aperto/pressão
  • Leve a moderada intensidade
  • Não agravada por esforços habituais

4. Ambos os seguintes:

  • Não mais do que um dos seguintes: fono ou fotofobia, náuseas leves
  • Sem náuseas ou vômitos de moderada a forte intensidade.
hemicrania cont nua
Hemicrania contínua
  • Trata-se de uma cefaleia rara, responsiva a indometacina, caracterizada por dor contínua, de moderada a forte intensidade, unilateral, que varia de intensidade sem desaparecer completamente.
  • Exacerbações da dor geralmente são associadas a sintomas autonômicos como ptose, miose, lacrimejamento e sudorese.
  • Existe na variante contínua e remitente.
hemicrania cont nua1
Hemicrania contínua
  • A forma contínua pode ser classificada como:
  • Uma forma evolutiva, contínua, que tem origem em uma forma remitente;
  • Uma forma contínua desde início da apresentação
  • A HC é distinta da cefaleia em salvas e da hemicrania paroxística crônica principalmente por sua dor moderada de caráter contínuo, e pela falta de sintomas autonômicos entre as exacerbações.
cefaleia por abuso de analg sicos e cefaleia rebote
Cefaleia por abuso de analgésicos e cefaleia rebote
  • O abuso de analgésicos pode ser considerado tanto uma resposta à dor crônica quanto uma consequência à dor crônica.
  • Pode causar refratariedade à medicação profilática.
  • Apesar da suspensão do uso de analgésicos possa agravar a dor em decorrência de sintomas de abstinência, a cefaleia costuma melhorar após algum tempo.
  • Muitos pacientes com CCD primária que descontinuam uso de medicamentos como analgésicos e ergotamínicos, deixam de ter cefaleia diariamente, mesmo sem introdução de terapia específica.
cefaleia por abuso de analg sicos e cefaleia rebote1
Cefaleia por abuso de analgésicos e cefaleia rebote
  • Em clínicas especializadas de cefaleia nos EUA, aproximadamente 80% dos pacientes com CCD fazem abuso de analgésicos comuns.
  • Dos pacientes com abuso de analgésicos, 65% tinham migrânea, 27% CTT, e 8% outras cefaléias, incluindo salvas.
  • Os medicamentos mais comuns são paracetamol, AAS, dipirona e ergotamínicos.
cefaleia por abuso de analg sicos e cefaleia rebote2
Cefaleia por abuso de analgésicos e cefaleia rebote
  • A suspensão do uso de dose baixa de cafeína diariamente pode ocasionar o problema.
  • Acredita-se que o efeito rebote das medicações analgésicas ocorra quando estas são utilizadas de 3 ou mais vezes ao dia durante pelo menos 5 dias; combinações de analgésicos contendo cafeína mais do que 3x/semana, ou opióides/ergotamínicos mais do que 2x/semana.
cefaleia por abuso de analg sicos e cefaleia rebote3
Cefaleia por abuso de analgésicos e cefaleia rebote
  • Todos os triptanos, incluindo suma, riza, nara e zolmitriptano, estão envolvidos na cefaleia rebote quando utilizados de maneira abusiva.
  • O aumento da frequência das crises é o primeiro indicador de cefaleia rebote quando existe abuso de triptanos.
  • O uso máximo de triptanos está estipulado em, no máximo, 3 dias por semana.
cefaleia por abuso de analg sicos e cefal ia rebote
Cefaleia por abuso de analgésicos e cefaléia rebote
  • A maior parte dos pacientes que abusam de analgésicos criam dependência psicológica, fenômeno de tolerância e síndrome de abstinência.
  • Uma parcela dos pacientes desenvolve cefaleia crônica mesmo sem abuso de medicações analgésicas; outra, permanece com padrão de cefaléia crônica diária mesmo após suspensão da medicação analgésica.
  • Alguns pacientes podem abusar de medicações analgésicas para tratamento de alterações de humor.
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