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Leonardo Alves Vieira Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos Primeiro Semestre de 2009 http://www.fafich.ufmg.br/~leonarva. Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos. Objetivo principal:

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Leonardo Alves Vieira

Dimensões do ser humano:

aspectos teóricos, éticos e educativos

Primeiro Semestre de 2009

http://www.fafich.ufmg.br/~leonarva


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Objetivo principal:

  • debater as diversas idéias acerca do homem e suas implicações para nossa prática ético-educativa: vinculação entre o que é o homem, seu ethos e sua educação> anthropos, ethos e paidéia.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Objetivo secundário:

  • Favorecer um entendimento histórico da questão e estimular novas pesquisas, novas teorias e práticas.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Autores que serão estudados:

  • Platão (428-347 a. C.),

  • Aristóteles (384-322 a. C.),

  • Shamkara (788-820)

  • Kant (1724-1804),

  • e Ken Wilber (1949-): sobre Wilber clique aqui.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Método de trabalho

  • Combinação entre teoria e prática: apresentação de modelos teóricos e exercícios práticos.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Como a idéia do homem a ser aqui investigada foi obtida?

  • Através de diversas experiências feitas ao longo da história em várias culturas: não se trata, portanto, de “teoria de escritório”, mas de experiências vividas e interpretadas.

  • Experiência ilustrada através do mito da caverna de Platão:


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • O Mito da Caverna de Platão:

  • Anthropos, Ethos e Paideia


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Mito da Caverna (Platão. República, 514 e – 517 c): Clique aqui

  • Tradução com minhas adaptações:

  • Videos sobre o Mito da Caverna:

  • a) (procura ser fiel ao texto) Clique aqui

  • b) (aplicado à educação) Clique aqui


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Sócrates – Agora, compare com nossa vivência a nossa natureza relativamente à FORMAÇÃO (PAIDEIA; FORMAÇÃO, CULTURA, EDUCAÇÃO) e à FALTA DE FORMAÇÃO (APAIDEUSIA). Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz e tão grande quanto a própria caverna; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça;


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os mágicos armam diante do público e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

  • Glauco – Estou vendo.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

  • Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

  • Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Sócrates - E o que se pode dizer com as coisas que são trazidas pela estrada ascendente? Não se passa o mesmo? Não veem eles dessas coisas apenas sombras?

  • Glauco - Sem dúvida.

  • Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais (ta onta) as sombras (skiai) que veriam?

  • Glauco - Necessariamente.


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  • Sócrates - E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

  • Glauco - Sim, por Zeus!

  • Sócrates - Dessa forma, tais homens não considerariam como o verdadeiro senão as sombras dos objetos fabricados?

  • Glauco - Assim terá de ser.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Então, o seguinte teria naturalmente de lhes acontecer. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a girar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras.


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  • Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

  • Glauco - Muito mais verdadeiras.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

  • Glauco - Com toda a certeza.


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  • Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

  • Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.


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  • Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos.


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  • Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.

  • Glauco - Sem dúvida.


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  • Sócrates - Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

  • Glauco - Necessariamente.


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  • Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

  • Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.


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  • Sócrates - Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará (eudamonízein; eudamonia: felicidade) com a mudança e lamentará (eleein, eleos: compaixão) os que lá ficaram?

  • Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.


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  • Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? [conflito com o poder vigente na caverna]


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  • Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas opiniões (teoria) e viver (prática) como vivia?

  • Glauco - Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.


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  • Sócrates - Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

  • Glauco - Por certo que sim.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá?


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  • Quem tentar libertar os prisioneiros e conduzi-los para o alto, será por eles assassinado, se eles o pegassem e pudessem matá-lo.

  • Glauco - Sem nenhuma dúvida.


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  • O Mito da Caverna:

  • A saída da caverna em direção ao sol simboliza a paideia da alma através dos vários graus do ser (ontologia) e do conhecer (gnosiologia):


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  • Incomensurabilidade ou irracionalidade em um nível do ser/conhecer e comensurabilidade ou racionalidade em outro nível.

  • Ilustração através do teorema de Pitágoras:

  • » O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.


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  • Se c designar o comprimento da hipotenusa e a e b os comprimentos dos catetos, o teorema afirma que:


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  • Se a=1; b=1, então c=√2, número irracional ou incomensurável segundo a matemática da época.


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  • Portanto,

  • 1. na dimensão da linha, a hipotenusa é irracional ou incomensurável;

  • 2. mas, se ela se torna o lado de um quadrado, a dimensão da superfície;


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  • 3. e a área do quadrado é calculada (c2=2),


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  • 4. então, voltamos a ter um número racional ou comensurável em outra dimensão.


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  • Conclusão: o que não é racional em um nível é racional em outro.


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  • Consequências teórica e prática:

  • Consequência teórica: a melhor ciência é formulada nos níveis superiores de consciência;

  • Consequência prática: o sentido supremo da vida é encontrado também nos níveis superiores de consciência.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Aristóteles vincula nossa ação ética e felicidade com a constituição da alma.


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  • Aristóteles:

  • Faculdades da alma, Ética e Felicidade


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  • A felicidade humana é a realização da excelência ou virtude especificamente humana.

  • Ora, o que é a obra humana por excelência?

  • Ela é resultado daquilo que distingue o humano de todos outros seres: a alma racional.


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  • Portanto, a felicidade é o exercício excelente, virtuoso da alma racional.

  • O exercício virtuoso da alma racional constitui as várias formas de virtude.

  • A vida virtuosa é a verdadeira felicidade, porque ela é o brilhante desempenho daquilo que nos qualifica como humano: a razão.


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  • Aristóteles distingue dois tipos de virtude ou excelência:

  • Virtudes éticas ou morais e virtudes intelectuais ou dianoéticas.


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  • Virtude ética:

  • Alma sensitiva + alma racional > virtude como meio-termo entre o excesso e a carência: o meio-termo para nós é determinado pela razão, alcançado após longo anos de experiência.

  • Por isso, a criança e o jovem dificilmente serão virtuosos e felizes.


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  • A moderação (alma racional lidando com o prazer e a dor) é o meio-termo entre insensibilidade (carência de prazer) e concupiscência (excesso de prazer).


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  • Virtudes intelectuais ou dianoéticas:

  • Atividade da razão sem a intervenção da alma sensitiva.


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  • Exemplo de virtude dianoética:

  • A sabedoria (sofia) é a ciência perfeita, pois é o conhecimento a partir dos princípios (ciência e seu procedimento silogístico) e conhecimento dos próprios princípios (inteligência e seu procedimento de captação intuitiva dos próprios princípios). Ela é, portanto, “o conhecimento científico consumado das coisas mais sublimes”.


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  • Neste sentido, Platão e Aristóteles concordam, apesar da divergência de suas filosofias: a felicidade e a experiência ética supremas encontram-se no exercício daquilo que, em nós, há de supremo: nóesis e alma racional.


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  • Shankara (circa 788-820):

  • Sobreimposições, estados e níveis de consciência

  • Para uma transliteração correta dos palavras sânscritas, clique aqui.

  • Links sobre Shankara:

  • Textos de Shankara em Sanskrit Documents, clique aqui.

  • Texto de Shankara: Vivekachudamani, clique aqui.

  • Obras de Shankara traduzidas: clique aqui.


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  • Shankara:

  • Filósofo hindu que pertence à filosofia do Advaita Vedanta.


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  • Segundo o Vedanta, o conhecimento verdadeiro de si mesmo (da esfera subjetiva) e da vida, realidade ou do ser (da esfera objetiva) será possível somente após a queda de todos os diversos véus ou envoltórios (kosha) que são sobre-impostos sobre o atman, nossa verdadeira identidade.


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  • Um suporte, por exemplo, linga ou sukshma sharira, corpo sutil, pode suportar três níveis de consciência: prana-, mano- e vijñanamayakosha. Isto quer dizer que há diferença entre níveis de consciência (estrutura consciencial) e corpo ou estado de consciência: os níveis de consciência oferecem mais detalhes do que os estados de consciência.


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  • Durante um período de 24 horas, percorremos todos estados e níveis de consciência, geralmente sem perceber o (sem estar consciente do) percurso através deles. Desafio: trazer para a consciência de vigília a consciência sutil e a consciência causal.


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  • Os estados de consciência podem ser (1) naturais - vigília, sono com sonho, sono sem sonho - e


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  • (2) alterados: estados induzidos por droga, experiência de quase morte – EQM - e estados meditativos.


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  • Nos estados meditativos, o corpo físico é induzido mediante respiração a assumir o estado fisiológico do sono com sonho e sono sem sonho, de tal forma que o(a) meditante possa penetrá-los da forma a mais consciente possível.


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  • A meditação é um poderoso instrumento para transformar estados temporários de consciência (experiência de pico) em estados permanentes de consciência.


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  • Kant

  • Moralidade, Felicidade e o Sumo Bem


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  • Os dois pontos de vista para investigar a ação humana podem ser resumidos como oposição entre razão versus sensibilidade, liberdade versus natureza.


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  • Os elementos motivadores da ação podem originar-se na : faculdade superior de apeticão (razão) e faculdade inferior de apetição (sensibilidade).


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  • Os dois pontos de vista correspondem à Antropologia, “que procede por meros conhecimentos da experiência”(vontade determinada pela sensibilidade), e à Antroponomia, “que é estabelecida pela razão incondicionalmente legisladora” (vontade determinada pela razão).


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  • História e os dois pontos de vista

  • A distinção entre os dois pontos de vista tem também sua contraparte na interpretação da história: o estado de natureza corresponde ao mundo em que o ser humano está sob controle de sua parte instintiva e apetitiva, ao passo que a sociedade civil significa que o ser humano vive sob o império da lei, da liberdade e da razão.


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  • A passagem do estado de natureza para a sociedade civil atesta também a passagem da condição de animal rationabile (animal dotado de capacidade de razão) para a de animal rationale (um ser racional).


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  • A vontade determinada pela sensibilidade proporciona a felicidade. O que é a felicidade?


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  • O prazer proveniente da representação da existência de uma coisa, enquanto este prazer é prático, a saber, o fundamento de determinação da vontade, conduz à busca da felicidade : “a consciência de um ser racional da agradabilidade da vida que acompanha ininterruptamente sua inteira existência”.


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  • E o princípio que faz com que a felicidade seja elevada ao fundamento supremo de determinação do arbítrio é o princípio do amor de si (Selbstliebe).


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  • No caso da felicidade, a apetição da vontade é determinada pelos desejos, inclinações, paixões e sentimentos (sensibilidade > faculdade inferior de apetição).


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  • Kant parece distinguir uma faculdade irracional de apetição, a qual o homem partilha com os animais. Ela é constituída por nossas inclinações (Neigungen), pulsões ((An)Trieben) e sentimentos (Gefühle); nos animais: instintos e seus apetites.


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  • Neste contexto, as inclinações, afetos, paixões e sentimentos são tomados neles mesmos, sem relação com a razão e sem tomá-los como fundamento de determinação da vontade.

  • A faculdade inferior de apetição corresponde àquilo que Aristóteles denominava almas vegetativa e sensitiva.


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  • A felicidade é, portanto, o resultado (1) da determinação da faculdade inferior de apetição por elementos oriundos do mundo sensível, empírico, emocional ou o resultado (2) de uma razão a serviço das inclinações, paixões, emoções, sentimentos.


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  • A faculdade superior de apetição é racional e manifesta sua atividade por ocasião da determinação da vontade pela razão pura, sem estar a serviço das inclinações (im Dienste der Neigungen). Este é o caso do imperativo categórico.


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  • O ser humano é determinado por motivos oriundos da sensibilidade (empíricos) e da razão (não empíricos).


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  • No caso do ser humano, há um imperativo que ordena categoricamente, porque é incondicionado (imperativo categórico).

  • Lei fundamental da razão prática pura: “Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer sempre e simultaneamente como princípio de uma legislação universal” (KpV, A 54).


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  • A máxima é proposição fundamental prática que tem validade somente subjetiva: vale para o indivíduo que adota essa máxima para dirigir sua ação.

  • A lei fundamental da razão prática pura afirma que a máxima - mas não ação,a fim de alcançar a dimensão de lei - deve poder tornar-se o que origina uma legislação universal.


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  • Essa lei é anunciada levando em conta a forma e a matéria da máxima, já que a passagem da máxima ao princípio de uma legislação universal tem como base a forma, mas a forma de uma matéria.

  • Isto significa que a razão prática pura determina imediatamente a vontade, de tal forma que temos uma vontade pura, independente de condições empíricas, determinada pela simples forma da lei.


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  • Obviamente, toda vontade é vontade de algo, portanto, tem uma matéria. A vontade pura não está privada de matéria, mas é aquela cujo elemento motivador para que ela produza ações não é a matéria ou o objeto do desejo, mas a capacidade da máxima em tornar-se princípio de uma legislação universal.


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  • Obrigação (Verbindlichkeit) é a dependência da vontade em relação ao imperativo categórico; (binden(palavra alemã): atar, ligar: déo (palavra grega), ligar, atar, juntar, unir; daí, deontologia como ciência das obrigações).


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  • Dever (Pflicht) é uma ação determinada pela necessitação (Nötigung) feita pela razão pura e sua lei objetiva; o dever é, pois, uma coerção intelectual (intellektueller Zwang) interna ou necessitação moral (moralische Nötigung), enquanto resistência da razão prática pura aos móveis sensíveis que se apresentam como fundamento de determinação da vontade.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Para a santidade da vontade, cuja máxima é simultaneamente e sempre uma lei objetiva ou moral, não há obrigação e dever, muitos menos coação intelectual, porque um tal vontade não é afetada por móveis sensíveis.


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Dimensões do ser humano: aspectos teóricos, éticos e educativos

  • Para a santidade da vontade a lei moral é, portanto, descritiva, ao passo que para a vontade humana o imperativo categórico é prescritivo.

  • O imperatico categórico não tem como base a natureza ou Deus, mas a nossa razão (razão humana) na sua dimensão transempírica, pura, a priori.


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  • Como os princípios reguladores da moralidade (razão) e felicidade (sensibilidade ou razão a serviço da sensibilidade) são diferentes, a moralidade não leva necessariamente à felicidade, bem como a felicidade não leva à moralidade.


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  • É possível conciliá-las ou estamos destinados a viver essa cisão? Para Kant, é possível conciliá-las. A conciliação necessária entre moralidade e felicidade chama-se Sumo Bem.


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  • Ele é a integração de nossa dimensão passional, emocional, instintiva com a racional

  • Sumo bem é, portanto, a integralidade do Bem que a nós, humanos, toca alcançar, pois somente ele contempla a completude do que somos.


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  • O Sumo Bem é a síntese entre moralidade (como causa) e felicidade (como efeito). A moralidade é o pressuposto necessário para a consecução da felicidade.


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  • Por isso, Kant critica duas posições que negligenciam essa relação de causalidade ou síntese, pois elas reivindicam uma relação de identidade ou analítica.


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  • Segundo o epicurista, estar consciente de sua máxima que conduz à felicidade (de acordo com princípios empíricos e sensíveis) é a virtude (moralidade). Portanto, ser feliz é simultaneamente ser ético.


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  • Para os estóicos, ao contrário, estar consciente de sua virtude (ação conforme ao imperativo categórico) é a felicidade. Portanto, ser ético é simultaneamente ser feliz


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  • O Sumo Bem como ligação entre moralidade (causa) e felicidade (efeito) só é possível sob duas condições:

  • 1. imortalidade da alma;

  • 2. existência de Deus.


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  • Imortalidade da alma: necessidade de pressupor uma duração infinita da personalidade para que ela possa adequar-se progressivamente ao imperativo categórico.


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  • Existência de Deus: necessidade de pressupor um ser criador da natureza (natureza; felicidade) e ser inteligente (moral) que interligue moralidade e felicidade;

  • Ele é o distribuidor (Austeiler) da felicidade de acordo com o maior ou menor grau de adesão ao imperativo categórico.


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  • Então, o ser humano tem uma felicidade plenamente moral, adquirida como consequência da adesão à lei da moralidade.


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Bibliografia básica introdutória e de fácil acesso:

Sobre Platão:

Platão. República, 514 e – 517 c;

Reale, G.. Per una nouva interpretazione di Platone. Rilettura della metafisica dei grandi dialoghi alla luce delle Dottrine non scritte (Publicazioni del Centro di Richerche die Metafisica Sezione di Metafisica del Platonismo. Studi e testi 3). Milano: 1991. [Já existe tradução para o português pela editora Loyola];

Bibliografia sobre Platão: http://www.fafich.ufmg.br/~leonarva/Pes_arquivos/projeto.mht/.


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Sobre Shamkara

Shamkara. Shamkara on the Soul. A Shamkara Source-Book. Translated and arranged by A. J. Alston. Shanti Sadan:London, 1985;

Material sobre Shamkara pode ser encontrado também em Wilber, K. Integral Psychology. In: Wilber, K. The collected works of Ken Wilber. Shambhala: Boston, 1998s. [Já existe tradução para o português pela editora Cultrix:Wilber, K. Psicologia integral. São Paulo: Cultrix,2002].


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Sobre Aristóteles:

  • De anima. (Tradutora:  Reis, Maria C. Gomes). São Paulo: Editora 34, 2006;

  • Aristóteles. Ética a Nicômacos. Brasília, EUB, 1985;

  • Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo, Abril Cultural, 1979. (Col. Os Pensadores).


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Sobre Aristóteles:

Aristóteles. Ética a Nicômacos. Brasília, EUB, 1985.

  • Aristote. L’Éthique a Nicomaque. (Introdução, tradução e comentário de René A. Gauthier e Jean Y. Jolif). Louvain, Publicatios Universitaires, 1970. (Tome I, Première Partie; Introduction );

  • Aristote. L’Éthique a Nicomaque.(Introdução, tradução e comentário de René A. Gauthier e Jean Y. Jolif). Louvain, Publicatios Universitaires, 1970. (Tome I, Deuxième Partie;Traduction );

  • Aristote. L’Éthique a Nicomaque. (Introdução, tradução e comentário de René A. Gauthier e Jean Y. Jolif). Louvain, Publicatios Universitaires, 1970. (Tome II, Première Partie; Commentaires, Livres I-V );

  • Aristote. L’Éthique a Nicomaque. (Introdução, tradução e comentário de René A. Gauthier e Jean Y. Jolif). Louvain, Publicatios Universitaires, 1970. (Tome II, Deuxième Partie; Commentaires, Livres VI-X ).


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  • Sobre Kant:

  • Kant, Immanuel. Critica da razão pura. São Paulo: 1980.415p. (Os pensadores);

  • Kant, I. Crítica da Razão Prática. (trad. Valério Rohden). São Paulo: Martins Fontes, 2002. (2003 – Ed. Bilíngüe);

  • Salgado, J. C. A idéia de justiça em Kant. Seu fundamento na liberdade e na igualdade. Belo Horizonte, UFMG, 1986.


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Sobre Wilber:

WILBER, K.. Uma breve história do universo: de Buda a Freud : religião e psicologia unidas pela primeria vez. Rio de Janeiro: Nova Era: Record, 2001. 389 p ISBN 8501056936 (broch.); Número de Chamada: 191.9 W664b.Pc 2001(Biblioteca da FAFICH);

Wilber, K. Psicologia integral. São Paulo: Cultrix,2002;

Textos auxiliares:

WILBER, K. Uma teoria de tudo: uma visão integral para os negócios, a política, a ciência e a espiritualidade . São Paulo: Cultrix, 2003. 183 p. ISBN 8531607787; Número de Chamada: 191.9 W664t.Pd 2003(Biblioteca da FAFICH) ;

WILBER, K. O olho do espirito: uma visão integral para um mundo que ficou ligeiramente louco. Sao Paulo Cultrix, 2001 320p. Número de Chamada: 191.9 W664e.Pr 2001(Biblioteca da FAFICH) ;

The collected Works of Ken Wilber. Boston: Shambhala, 1998ss. (Biblioteca da FAFICH).


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Sobre Wilber:

Site de Ken Wilber: http://www.kenwilber.com/home/landing/index.html;

Integral World: http://www.integralworld.net/;

Bibliografia sobre a teoria de Wilber: http://www.fafich.ufmg.br/~leonarva/Pes_arquivos/projeto.mht/.


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