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MORTE E VIDA SEVERINA João Cabral de Mello Neto

MORTE E VIDA SEVERINA João Cabral de Mello Neto. Título: Morte e Vida Severina Subtítulo: Auto de Natal pernambucano Auto do folclore pernambucano – que se espelha na cultura popular nordestina –, inspirado nos autos pastoris medievais ibéricos. Escrito entre 1954-55.

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MORTE E VIDA SEVERINA João Cabral de Mello Neto

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Presentation Transcript


  1. MORTE E VIDA SEVERINAJoão Cabral de Mello Neto

  2. Título: Morte e Vida Severina • Subtítulo: Auto de Natal pernambucano • Auto do folclore pernambucano – que se espelha na cultura popular nordestina –, inspirado nos autos pastoris medievais ibéricos. • Escrito entre 1954-55. • Publicado em 1966.

  3. Como? Maria Clara Machado, diretora do teatro Tablado, no Rio, pediu que João Cabral escrevesse algo sobre retirantes. • O poeta escreveu, então, um grupo de poemas dramáticos, para “serem lidos em voz alta”. Esses foram dedicados a Rubem Braga e Fernando Sabino, "que tiveram a ideia deste repertório". • No poema, percebemos a preferência do uso de verso heptassilábico.

  4. Verso heptassilábicoé aquele formado tanto pela redondilha menor (ou medida velha) quanto pela redondilha maior. • Redondilha menor é a referência a versos de 5 sílabas e redondilha maior a de 7 sílabas. • O uso de redondilhas é encontrado nas obras de Garcia de Resende (Cancioneiro Geral) e de Camões. • Métrica é a referência à medida – em metro - dos versos. As sílabas são contadas até a sílaba tônica da última palavra do verso: • Se | nho | ra, | par | tem | tão | tris | (tes) • Tan | tos | gri | tos | rou | (cos)

  5. E a estrutura? Morte e Vida Severina está dividida em 18 partes; mas podemos fazer uma divisão quanto à temática: • da parte 1 a 9, que compreende a ida de Severino até Recife, seguindo o rio Capibaribe (fio da vida)" que ele se dispõe a seguir, mesmo quando o rio lhe falta e dele só encontra a leve marca no chão crestado pelo sol. • da parte 10 a 18, que compreende a estada de Severino em recife, onde sabe que para ele não há nenhuma saída, a não ser aquela que presenciou no percurso: a morte.

  6. E a linha narrativa? Segue dois movimentos (ver título: "morte" e "vida“). • No primeiro, temos o trajeto de Severino, personagem-protagonista, para Recife, em face da opressão econômico-social, Severino tem a força coletiva de uma personagem típica: representa o retirante nordestino. • No segundo movimento, o da "vida", o autor não coloca a euforia da ressurreição da vida dos autos tradicionais, ao contrário, o otimismo que aí ocorre é de confiança no homem, em sua capacidade de resolver os problemas sociais.

  7. O auto de natal Morte e Vida Severina é uma peça de teatro, que, a pedido de Roberto Freire, diretor do TUCA (PUC SP), foi musicado por Chico Buarque. • Severino, personagem, se transforma em adjetivo, referindo-se à vida severina, à condição severina, à miséria.

  8. Desilusão: o retirante vem do sertão para o litoral, seguindo a trilha do rio Capibaribe. Quando atinge o Recife, depois de encontrar muitas mortes pelo caminho, desengana-se com o sonho da cidade grande e do mar. • Resolve "saltar fora da ponte e da vida", atirando-se no Capibaribe. Enquanto se prepara para morrer e conversa com seu José, uma mulher anuncia que o filho deste "saltou para dentro da vida“ (nasceu). • Severino assiste ao auto de natal (encenação comemorativa do nascimento). Seu José, mestre carpina, tenta demover Severino da resolução de "saltar fora da ponte e da vida".

  9. Neste trecho, Severinose apresenta às pessoas e tenta individualizar-se. • Como? Usa referências pessoais, de sobrenomes e nomes e geográficas. (30) • Resultado? Inútil, pois ele é apenas mais um, igual a tantos outros Severinos no que diz respeito a: sofrimento, dor, busca, no mesmo espaço geográfico da secura, fome, miséria e ignorância. (31)

  10. Severino inicia o caminho e encontra dois homens que carregam um defunto numa rede. São os "irmãos das almas", comuns no sertão nordestino: a eles cabe, gratuitamente, lavar e vestir o defunto, velar e, depois, enterrá-lo em lugar digno. • O defunto é Severino Lavrador "mas já não lavra" e os "irmãos das almas" o estão trazendo da caatinga, morto à bala, numa emboscada. Inquieto, Severino pergunta o porquê da morte. E fica sabendo que o mataram por questão de terra. • Esse é apenas o primeiro dos muitos Severinos que encontrará na viagem.

  11. Severino continua sua saga. Tem medo de perder-se porque o rio foi "cortado“ pelo Verão. • —  Antes de sair de casa • aprendi a ladainha • das vilas que vou passar • na minha longa descida. • Sei que há muitas vilas grandes, • cidades que elas são ditas; • sei que há simples arruados, • sei que há vilas pequeninas, • todas formando um rosário • cujas contas fossem vilas, • todas formando um rosário • de que a estrada fosse a linha. • Devo rezar tal rosário • até o mar onde termina, • saltando de conta em conta, • passando de vila em vila.

  12. Neste trecho observe que aparecem com frequência as palavras “fio”, "linha“ e "rosário", o que nos remete ao mito grego das três Parcas, donas absolutas da vida humana, elas tecem o fio da existência, medem-no e, por fim, o cortam quando queiram. • Perdido e atônito, Severino ouve ao longe uma cantoria. É outro Severino que encontra. E, mais uma vez, encontra-o sob o signo da morte que permeia a sua vida. • É interessante notar que a morte é sempre compartilhada. O camponês nunca está sozinho quando morre, outras pessoas, solidariamente, tomam conta dele, compartilham o momento.

  13. Severino pensa em parar a viagem porque "só a morte vejo ativa"; pensa em procurar trabalho onde se encontra. • Ele vê uma mulher na janela e pensa em pedir a ela notícias sobre um trabalho qualquer.

  14. Observem que ela responde ao retirante perguntando que tipo de trabalho ele fazia "por lá". • Severino diz que foi sempre lavrador de "terra má". • A mulher vai fazendo perguntas, ao que ele responde o que sabe fazer: arar até a "calva da pedra", plantar mamona, algodão, pita, milho e caroá... • A mulher diz que aqueles roçados o banco nem quer mais financiar. Ele anuncia que sabe tratar de gado e cuidar das casas de purgar, o que não interessa à mulher.

  15. Mas Severino dá uma resposta muito boa a ela: • “deseja mesmo saber • o que eu fazia por lá? • Comer quando havia o quê • e, havendo ou não, trabalhar.” • A mulher informa que ali só tem trabalho que envolva a morte: benditos e ladainhas para rezar, cantar as excelências de um defunto. Inclusive, ela se apresenta como "rezadora titular“ da região.. • Só há trabalho ali nos "roçados da morte", que dão lucros imediatos, na hora de semear, ou seja, quando "se planta“ no chão o defunto.

  16. Severino chega à Zona da Mata e se espanta porque Os rios que correm aqui/têm a água vitalícia. • Ele vê a Usina. Apesar de tanta riqueza, quase não vê gente e pressupõe que todos estejam "feriando". • Severino imagina que ali tudo é fácil, "decerto a gente daqui/jamais envelhece aos trinta"... • Engana-se: o lugar está vazio porque as usinas prescindem dos homens, tudo é mecânico, nada requer o trabalho braçal de gente igual a ele. • Severino continua seu caminho.

  17. Severino assiste ao enterro de um trabalhador e ouve o que seus amigos falam. • Este trecho é o mais conhecido da peça de João Cabral, é a parte mais terrível do auto. Lá está outro Severino morto, levado pelos amigos ao cemitério. Cada um deles canta uma parte da despedida. • Há aqui a mais lúcida condenação do poeta: os latifúndios matam o homem que se dispõe a lutar pela terra. E os consomem como "espigas debulhadas", roendo-lhes as forças, a mocidade, a fibra de trabalhador.

  18. Esse Severino tem agora a cova em palmos medida, lugar onde cabe e se aninha o que antes queria a sua parte na terra. • Os amigos questionam a modo de os patrões tratarem seus empregados: exploração x pagamento. • É o momento mais dramático do poema de João Cabral, pois aqui ele detalha bem a vida do nordestino camponês, lavrador de terra sempre má porque explorado por seus patrões metonimicamente representados pelo latifúndio.

  19. Severino decide agilizar sua ida a Recife. • Ouvimos novamente: "rio", "fio"e "linha“. • Os advérbios "aqui" (Zona da mata) e "lá" (sertão) se contrapõem (antítese). • Severino chega ao Recife e anuncia que sua viagem acabou. • Ele veio como o rio em busca do mar, porque o Recife sempre foi a porta pela qual os nordestinos deixavam sua região.

  20. Cansado da viagem, Severino senta-se rente ao muro de um cemitério e ouve a conversa entre dois coveiros. • Eles falam de morte, o que permeia esta jornada severina, e impressionam o retirante a veemência de suas falas ríspidas que anunciam diferenças entre enterrar ricos e pobres. • Para o cemitério de Santo Antônio vão os homens como jornalistas, escritores, artistas e os de profissão liberal; para os da Casa Amarela, onde agora Severino está, vão os miseráveis de toda a sorte, "gente dos enterros gratuitos".

  21. Severino se aproxima de um dos cais o Capibaribe. • Nesta parte temos um lamento de Severino. • O que ele quer é pouca coisa: trabalho, água, farinha, algodãozinho da camisa, dinheiro pro aluguel. • Sonhos de um homem simples que se desmancharam ao saber que viera seguindo o próprio enterro e que sua vida está por um triz. • Outro momento dramático: a conversa com José, mestre carpina.

  22. José mora nos alagados, numa casa palafitada, nos mocambos do Recife. É interrogado pelo retirante. • A metáfora "saltar da ponte e da vida", renunciar à existência, não surpreende o homem que ouve a conversa do retirante a lhe perguntar sobre o rio, também metaforicamente aí significando a própria existência, com suas águas fundas e lodosas. É um diálogo figurado, intenso. A "vida de retalho", pequena e medida. • Os dois são surpreendidos por uma notícia:

  23. — Compadre José, compadre, que na relva estais deitado: conversais e não sabeis que vosso filho é chegado? Estais aí conversando em vossa prosa entretida: não sabeis que vosso filho saltou para dentro da vida? Saltou para dento da vida ao dar o primeiro grito; e estais aí conversando; pois sabei que ele é nascido.

  24. Nasce outro Severino. Metáfora ao nascimento de Jesus, em meio à pobreza. • Chegam os vizinhos, os amigos e 2 ciganas. Todos para louvar o menino recém-nascido, tal como os reis magos. E vão saudá-lo dentro da pobreza, como ela lhes permitirá. • Pessoas trazem presentes ao recém-nascido. • Cada um entrega ao menino o que tem de mais precioso: caranguejos, leite, água, um canário da terra, bolacha d'água, boneco de barro, abacaxi, tamarindos, jacas, mangabas e cajus. Ainda: siris, mangas e goiamuns.

  25. Saudação à vida: são as ofertas dos homens simples, que tiram de si mesmos os melhores presente. • A solidariedade é posta à palma, vida que começa mostrada e demonstrada, largamente exercida por todos. • As duas ciganasprevêem o futuro do menino, uma boa e a outra má. • A má diz que o menino terá um destino trágico: será pobre, fazendo dos dedos iscas/para pescar camarão, para sempre atrelado ao lamarão dos mocambos.

  26. A boa prediz-lhe um futuro melhor, porque o que vê não é lama que o envolva, "mas graxa"de alguma fábrica, o que equivale a dizer que ele ascenderá socialmente. • O menino é saudado pelos vizinhos, amigos. Todos trazem presentes e o comparam às coisas boas da vida. • Embora ele seja um menino magro, "tem peso de homem"; criança franzina é , mas "tem a marca de homem". E é belo como tudo que os cerca.

  27. De todos os versos, ressaltam-se: • "belo como uma coisa nova • na prateleira até então vazia“ • "Belo como um caderno novo • quando a gente principia.“ • Metáforas das necessidades fundamentais do homem: o alimento e a educação.

  28. Terminada a festa, seu José mestre carpina vem falar com Severino. • O diálogo final é de uma beleza rara: o que vale a vida, mesmo que ela seja como a do menino? Como a de Severino?

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