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O fenômeno da transferência na clínica freudiana

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  1. O fenômeno da transferência na clínica freudiana

  2. “deve-se compreender que cada indivíduo, através da ação combinada de sua disposição inata e das influências sofridas durante os primeiros anos, conseguiu um método específico de se conduzir na vida erótica, isto é, nas pré-condições para enamorar-se que estabelece, nos instintos que satisfaz e nos objetivos que determina a si mesmo no decurso daquela. Isso produz o que se poderia chamar de um clichê estereotípico, constantemente repetido no decorrer da vida da pessoa”(Freud 1912)

  3. Definição de transferência • Transferências são reedições, reproduções das moções e fantasias, que, durante o avanço da análise, despertam-se e tornam-se conscientes, sendo depositadas na figura do médico. • Toda uma série de experiências psíquicas prévia é revivida, não como algo passado, mas como um vínculo atual com a figura do médico. São reimpressões, reedições inalteradas;

  4. Características do fenômeno transferencial • A transferência é uma exigência indispensável na análise. Não podemos evitá-la, mas devemos trabalhar com ela; • Freud acredita que, assim como o sintoma, a transferência é uma criação da doença e por isso deve ser combatida; • Lidar com a transferência é a tarefa mais difícil do psicanalista: ele precisa percebê-la, apurá-la a partir de indícios; • A transferência pode atuar como uma poderosa resistência, impedindo o andamento da análise;

  5. O tratamento psicanalítico não cria o fenômeno da transferência, ele simplesmente a revela; • Desde que percebida e interpretada a cada aparecimento, a transferência pode ser uma poderosa aliada ao tratamento; • A transferência é uma atuação de parte das lembranças e fantasias;

  6. A transferência no caso Dora • Freud não conseguiu perceber e lidar com a transferência a tempo: em função da solicitude de Dora que colocava na mão de Freud uma parte rica do material patogênico, ele esqueceu-se de prestar atenção a esta outra via de manifestação; • Na fantasia de Dora Freud substituía o pai e, algumas vezes, o próprio Sr. K ; • Freud foi surpreendido pela transferência: em função de alguma semelhança com o pai e com o Sr K, Dora se vinga de Freud e o abandona como foi abandonada por eles.

  7. A angústia frente ao prolongamento do tratamento x angústia de Dora frente à espera pelo sr. K ou pelo pretendente que estava na Alemanha; • “já que todos os homens são detestáveis, prefiro não me casar. Esta é minha vingança” • As moções de crueldade e de vingança eram usados por Dora para sustentar seus sintomas. Durante o tratamento foram dirigidos à figura de Freud e demonstrados pela falta de empenho terapêutico;

  8. A dinâmica da transferência • De acordo com Freud, apenas parte dos impulsos que determinam o curso da vida erótica passou por todo o processo de desenvolvimento psíquico • impulsos que passaram pelo processo de desenvolvimento psíquico dirigidos para a realidade; • impulsos que não foram retidos no processo de desenvolvimento psíquico encontram-se inconscientes;

  9. A transferência corresponde então a catexia libidinal de alguém que se encontra parcialmente insatisfeito que é depositada na figura de outra pessoa (tanto da parte libidinal consciente quanto da inconsciente); • No trabalho analítico com neuróticos, a transferência aparece de maneira acentuada e se mostra como uma poderosa resistência;

  10. Dentro do conflito psíquico que é travado na análise entre as forças que querem o restabelecimento do sujeito e as que fazem resistência a recordação do material reprimido surge à transferência atuando a serviço da repressão: quando nos aproximamos de um complexo patogênico, a parte deste complexo capaz de transferência é empurrada em primeiro lugar para a consciência , produzindo a próxima associação e desviando o curso antigo de associações ;

  11. Somente após a superação da transferência é que se tem novamente acesso ao complexo patogênico; • A análise ocorre no campo da transferência. Mas será que toda transferência funciona enquanto resistência? • Não – transferência positiva x transferência negativa

  12. Transferência positiva: sentimentos afetuosos, amistosos conscientes e seus prolongamentos inconscientes; • Transferência negativa: sentimentos inamistosos conscientes e inconscientes; • Ambivalência: comum nos neuróticos. Diz da aparição de transferências positivas e negativas dirigidas a mesma figura;

  13. “tal como acontece aos sonhos, o paciente encara os produtos do despertar de seus impulsos inconscientes como contemporâneos e reais; procura colocar suas paixões em ação sem levar em conta a situação real. O analista tenta compelí-lo a ajustar estes impulsos emocionais ao nexo do tratamento e a história de sua vida, a submetê-los a consideração intelectual e compreendê-los à luz de seu valor psíquico”