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Infância ou Infâncias?

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Infância ou Infâncias?. Do que falamos quando falamos em infância na contemporaneidade?. “A noção de infância não é natural, mas profundamente histórica e cultural” (Souza, 2000).

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inf ncia ou inf ncias

Infância ou Infâncias?

Do que falamos quando falamos em infância na contemporaneidade?

slide3

As narrativas populares europeias, matrizes dos modernos contos infantis, não eram sequer destinadas especificamente às crianças, não ocultavam sua mensagem com símbolos, retratavam um mundo de brutalidade nua e crua.

  • As modernas versões dos contos de fadas datam do séc XIX e são tributárias da criação da família nuclear e da invenção da infância tal como a conhecemos hoje.

Kehl, prefácio de Corso & Corso, Fadas no Divã, 2006

infantic dio tolerado at o fim do s c xvii b rbaros s o os outros
Infanticídio tolerado até o fim do séc XVII: bárbaros são os outros!
  • Que sentimentos as crianças despertam em nós?
  • Que práticas sociais são engendradas a partir dos discursos que circulam em nossa sociedade sobre o que é ser criança?
  • Como definir ou especificar a experiência de ser criança e as vicissitudes deste acontecimento na época atual?
  • Como falar dos encontros e desencontros entre adultos e crianças hoje?
  • Quem somos nós no relacionamento com nossas crianças?
  • Será que sabemos expressar, dar nome aos sentimentos em relação aos nossos filhos?

Souza, p.91-92, 2000

4hs e 51 min o tempo m dio di rio que a crian a brasileira assiste tv
4hs e 51 min é o tempo médio diário que a criança brasileira assiste TV

Fonte: Painel Nacional de Televisores (IBOPE/2008) – crianças entre 4 e 11 anos, classe ABC.

fascismo do consumo modelos inscritos na subjetividade aceitos total e incondicionalmente
Fascismo do consumo: modelos inscritos na subjetividade, aceitos total e incondicionalmente

“As subjetividades contemporâneas se expressam como kits de perfis-padrão que obedecem a órbita do mercado”

Souza, p.93, 2000

por que nossos filhos s o t o infelizes
Por que nossos filhos são tão infelizes?

Por que são tão violentos, se nós pais fazemos de tudo, do possível ao impossível, para que a felicidade prometida pelo consumo esteja ao seu alcance?

Não há mais aspirações nem projetos?

Onde estão as histórias que nos orgulhávamos de contar quando nos sentíamos herdeiros de uma tradição?

Souza, p.93, 2000

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A abundância do supérfluo nos deixou mudos. Tudo se torna velho no momento que surge, como falar de objetos sem história? Souza, p.93, 2000

slide13

“a autoridade da velhice era reconhecida e respeitada. Quem tentará, sequer, lidar com a juventude invocando sua experiência?” (Walter Benjamin, 1996)

slide14
“O convívio familiar se traduz na interação muda entre pessoas que se esbarram entre os intervalos dos programas TV”
adultos e crian as n o mais se misturam
Adultos e crianças não mais se misturam

Mundo adulto X Mundo da infância

n o importa a classe social o confinamento acontece na mesma violenta propor o souza p 93 2000
“Não importa a classe social, o confinamento acontece na mesma violenta proporção.” (Souza, p.93, 2000)

“Frustração ou verdadeira ansiedade neurótica são hoje estados de alma coletivos” (Pasolini, 1990, p.59)

“Burgueses ou pobres, temos algo em comum, cessamos de mar nossos filhos” (Souza, p.93, 2000)

slide17

“Dia após dia nega-se às crianças o direito de ser crianças. Os fatos, que zombam direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E os do meio os que não são ricos nem pobres, conserva-os atados à mesa do televisor, para que aceitem desde cedo, como destino, a vida prisioneira. Muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças.”

Eduardo Galeano

in A Escola do Mundo ao Avesso, 3ª ed. 2011

inf ncia e contemporaneidade como subverter o estabelecido h linhas de fuga poss veis
Infância e Contemporaneidade: como subverter o estabelecido? Há linhas de fuga possíveis?
pensar a crian a e a inf ncia brasileira universaliza o e pluralidade
Pensar a criança e a infância brasileira: universalização e pluralidade.

[...] em pleno ano 2004, nascer menina ou menino, nascer no Norte ou Nordeste ou no Sul e no Sudeste, nascer no campo ou na cidade, ter ou não deficiência, ser negro ou branco determinam as oportunidades que as crianças terão na vida (A TARDE, 2004, p. 5)

slide20
Se antes o adulto lhe inspirava respeito e era até temido por ela, hoje o quadro se inverte – somos nós que tememos nossas crianças
  • Hiperativos;
  • Impossíveis;
  • Aborrecentes;
  • Fúteis;
  • Agressivos;
  • Deprimidos;
  • Delinqüentes...
slide21

A Medusa é a metáfora de que quanto mais desviarmos o olhar de nossas crianças e evitarmos nomear ou dizer nossos sentimentos em relação a elas, maior será nossa sensação de estar petrificado diante delas

desafios para compreender a inf ncia
Desafios para compreender a infância
  • Pensar a infância partindo dela mesma;
  • Crianças sem infância: um problema social, com raízes históricas;
  • Questão complexa, exigindo olhar inter e transdisciplinar;
  • Outros problemas correlacionados: os sem-família,sem-teto, sem-afeto, sem-lazer, sem-educação e sem-cidadania;
  • Superar a visão de criança como um “ainda não” que se tornará sujeito um dia... (representação desqualificadora de que a criança é alguém incompleto);
  • A infância determinada pela origem social do indivíduo.
desafios para compreender a adolesc ncia
Desafios para compreender a adolescência;
  • desconstrução das percepções da adolescência como um período problemático;
  • Compreender que não é uma fase preparatória para a inserção no universo adulto;
  • Desmistificar a droga lícita e ilícita como moda: fonte de autoafirmação;
  • Desenvolver propostas crítico-reflexivas sobre suas condições de produção de vida, compreendendo que tem esse poder de denúncia e de contestação e superando a condição de objeto, compreendendo-se como sujeito de direito dentro da sociedade;
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