PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE III
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PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE III. FREUD E O DESENVOLVIMENTO DA PSICANÁLISE: TEORIA DAS PULSÕESl. A partir da leitura do texto, explique a frase: “ Como disse o poeta, todos os pulsões orgânicos que atuam em nossa mente podem ser classificados como `fome’ ou `amor’.”. A TEORIA DAS pulsões

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Psicologia da personalidade iii

PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE III

FREUD E O DESENVOLVIMENTO DA PSICANÁLISE: TEORIA DAS PULSÕESl


Psicologia da personalidade iii

A partir da leitura do texto, explique a frase:

“Como disse o poeta, todos os pulsões orgânicos que atuam em nossa mente podem ser classificados como `fome’ ou `amor’.”


Psicologia da personalidade iii

A TEORIA DAS pulsões

  • As excitações às quais está submetido o organismo são de dois tipos:

    • Exteriores

      • descontínuas, circunstanciais;

      • pode-se evitá-las.

  • Endógenas

    • exercem uma pressão mais ou menos contínua;

    • não há, evidentemente, nenhuma possibilidade de fugir delas.

    • A esse tipo de excitações se dá o nome de pulsões.


Psicologia da personalidade iii

Pulsão

  • O representantepsíquicodasexcitações que se originam no interior do corpo e alcançcam a mente.

  • uma exigência de trabalho que é imposto ao psiquismo em consequência de sua ligação ao corporal.

  • A expressão "exigência de trabalho imposta ao psiquismo" é coerente com a noção de impulso, que se encontra no próprio termo pulsão.

  • Esse impulso é não apenas uma propriedade constante da pulsão, representa mesmo a sua essência.


Psicologia da personalidade iii

  • Na teoria psicanalítica o desenvolvimento da vidapsíquica está diretamente relacionado com as sequências e transformações da organização da pulsãosexual.

  • Na teoria Freudiana, podemos distinguir distinguir três etapas no desenvolvimentohistóricodoconceitodepulsão:

    • A primeira etapa é caracterizada pelo dualismo entre pulsõessexuais, por um lado, pulsõesdeautoconsevação ou pulsões do Ego, por outro.

    • A segunda etapa é marcada pela introduçãodonarcisismo na teoria das pulsões.

    • A terceira etapa institui a oposição entre pulsões de vida e pulsões de morte.


Psicologia da personalidade iii

A CONCEPÇÃO PSICANALÍTICA DA PERTURBAÇÃO PSICOGÊNICA DA VISÃO (1910) (V. XI)

  • O trabalho Contém duas passagens de interesse “muito especial”:

    • Freud, empregou pela primeira vez o termo `pulsões do ego’e as identificou com aspulsões de autoconservaçãoe atribui-lhes papel vital na função de recalque.

    • Freud expressa, com firmeza especial, sua convicção de que os fenômenos psíquicos se baseiam definitivamente nos fenômenos físicos.

      • Teríamos de observar essas condições como a parte constitucional da disposição para adoecer de perturbações psicogênicas e neuróticas. Este é o fator ao qual, quando aplicado a histeria, dei o nome provisório de `submissão somática’.


Psicologia da personalidade iii

  • Freud toma o exemplo da perturbação psicogênica da visão (cegueira histérica) a fim de mostrar:

    • A concepção da gênese dos distúrbios dessa espécie a partir do método de investigação psicanalítica.


Psicologia da personalidade iii

O ponto de vista da Escola Francesa (Charcot, Janet e Binet)

  • a gênese desses casos já é conhecida

    • a presença de uma idéiaiscienencotão poderosaque se converte em realidade.

    • nos pacientes predispostos à histeria, há uma tendênciainerente à dissociação– a uma desagregaçãodas conexões em seu campo psíquico.

    • O paciente fica cego, não em conseqüência de uma idéiaauto-sugestiva de que ele não pode ver, mas como resultado de uma dissociação entre os processos inconscientes e conscientes no ato de ver.

      • (incapacidade constitucional para a síntese).


Psicologia da personalidade iii

O ponto de vista de Freud

  • A psicanálise também aceita a hipótese da dissociação psíquica e do inconsciente, porém as relacionamos de modo diferente.

  • O conceito psicanalítico é dinâmico e atribui a origem da vida psíquica a uma interação entre forças que favorecem ou inibem uma à outra.

  • Se um grupo de ideiaspermanece no inconsciente, a psicanálise não infere desse fato, de que há uma incapacidade constitucional para a síntese que se evidencia nessa determinada dissociação,


Psicologia da personalidade iii

  • Freud sustenta que o isolamento e o estado de inconsciência desse grupo de idéias foram causados por uma oposição ativa de parte de outros grupos de ideias.

  • O processo, devido ao qual se teve esse destino, é conhecido como `recalque’ e Freud o consideramos algo análogo a um julgamento condenatório nos domínios da lógica.


Psicologia da personalidade iii

Então, as perturbações psicogênicas da visão dependem de certas idéias relacionadas com a visão serem suprimidas da consciência.

As ideias suprimidasentraram em oposiçãoa outras idéias, mais poderosas, em relação às quais adotamos o conceito coletivo do `ego’ e, por esse motivo, se encontram sob recalque.


Psicologia da personalidade iii

  • Mas qual pode ser a origem dessa oposição que provoca o recalque entre o ego e os vários grupos de idéias?

  • Cada grupo de pulsões procura tornar-seefetivo por meio de ideias que estão em harmonia como seus objetivos.

  • Estes pulsões nemsempresãocompatíveisentresi; seus interesses entram em conflito.

  • A oposição entre as ideias é apenas uma expressão das lutas entre os vários pulsões.


Psicologia da personalidade iii

  • Oposição entre as pulsões que favorecem a sexualidade, a consecução da satisfação sexual, e as pulsões que têm por objetivo a autopreservação do indivíduo – as pulsões do ego.

    “Como disse o poeta, todos os instintos orgânicos que atuam em nossa mente podem ser classificados como `fome’ ou `amor’.”


Psicologia da personalidade iii

“As pulsões não estão sempre de acordo entre si, e isso conduz muitas vezes a um conflito de interesses. De uma importância muito especial para nossos esforços de elucidação se mostra a inegável oposição que reina entre as pulsões que servem aos desígnios da sexualidade, a obtenção do prazer sexual, e essas outras pulsòes, que visam à preservação e à conservação do indivíduo, ou seja, as pulsões do Ego. O poeta dizia que se pode dispor atrás da fome ou atrás do amor todos os instintos ativos em nossa alma.”


Psicologia da personalidade iii

  • Tanto as pulsõessexuaiscomo os pulsões do ego, têm, em geral, os mesmos órgãos e sistemas à sua disposição.

  • O prazer sexual não está apenas ligado à função dos genitais.

    • A boca serve tanto para beijar como para comer e para falar;

  • Os olhos percebem não só alterações no mundo externo, que são importantes para a preservação da vida, como também as características dos objetos que os fazem ser escolhidos como objetos de amor – seus encantos.

    “Não é fácil para alguém servir a dois senhores ao mesmo tempo.”


Psicologia da personalidade iii

  • Esta ponto de ancoragemem um mesmo órgão ou sistema pode ter conseqüênciaspatológicas, caso as pulsões fundamentais estejam desunidase caso o egomantenha o recalque da pulsãosexual.

  • Se a pulsão sexual componente que se utilizadoolhar – o prazer sexual em olhar [escoptofilia] – atraiusobre si a ação defensivadas pulsões do ego,

    • As idéias através das quais seus desejos se expressam sucumbem à repressão e são impedidas de se tornar conscientes;

    • haverá uma perturbação geral da relação do olho e do ato de ver com o ego e a consciência.


Psicologia da personalidade iii

O ego perderia seu domínio sobre o órgão, que ficaria, então, totalmente à disposição da pulsão sexual reprimida.

A perda do domínio consciente sobre o órgão é o substituto prejudicial para o recalque que malogrou e que só se tornou possível a esse preço.

A repressão exagerada pelo ego, leva o ego a se recusa a ver outra coisa qualquer, agora que o interesse sexual em ver se tornou tão predominante.


Psicologia da personalidade iii

  • Essa relação de um órgão com uma duplaexigência sobre ele – sua relação com o egoconsciente e com a sexualidadereprimida – pode ser encontrada de maneira ainda maisevidente nos órgãosmotores do que no olho.

  • A interpretação dos processos psíquicos implicados no desenvolvimento da perturbação psicogênica da visão:

    • O recalque da escoptofiliasexual

      “como se uma voz punitiva estivesse falando de dentro do indivíduo e dizendo: `Como você tentou utilizar mal seu órgão para prazeres sensuais perversos, é justo que você nunca mais veja nada’.


Psicologia da personalidade iii

Resumo

  • O aparelho da visão tem a capacidade de ser erogenizaçãopela pulsão sexual.

  • a escoptofilianada mais é que uma erogenizaçãodo ato de olhar e por conseguinte do aparelho da visão.

  • quando as exigências da pulsãoparcial (escopofílica) chegam a provocaras defesas do ego (recalque), o olho se converte no palco daluta entre as pulsões.

  • A energia para que o ego opere o recalque lhe é fornecida pelas pulsões de autoconservação, de onde seu outro nome, "pulsões do ego".

  • Com o recalque, o resultado é a inibição da pulsão sexual, mas também do ato de ver.

    • Deste modo, Freud explica as perturbações psicogênicas da visão mediante a hipótese de ummconflito entre o ego e as pulsões sexuais.


Psicologia da personalidade iii

Conclusões

  • No pensamento de Freud:

    • o conceito de pulsão não se restringe a esfera do sexual,

    • desde 1905, a noção de "apoio" da sexualidade sobre as grandes funções orgânicas da nutrição e da excreção sugere a existência de pulsões de autoconservação (p. ex., a fome).

  • A denominação pulsões de autoconservação depreende do fato de que estão diretamente relacionadas à preservação da vida do indivíduo.


Psicologia da personalidade iii

  • Freud considera que no início não existe uma oposição ente os dois tipos de pulsões, mas sim um ‘apoio’ e das pulsões sexuais sobre as pulsões do Ego, tomando-lhe emprestado ao mesmo tempo sua fonte corporal e seu objeto.

  • No pensamento de Freud, a opsição entre as pulsões sexuais e as pulsões de autoconsevação, se manifesta quando as exigências das pulsões sexuais passam a comprometer a segurança do sujeito e a sua adequação no interior do seu meiosociocultural.

  • Assim, se o indivíduo se abandonar aos ditames das pulsões sexuais, sua existência estará em perigo.


Psicologia da personalidade iii

  • No que se refere às pulsões sexuais, as modalidades de satisfação vinculam-se às zonas erógenas e as pulsões parciais, somente após um longo trabalho de síntese é que se submetem ao domínio da zona genital.

  • Neste processo, pode ocorrer entraves:

    • inibições do desenvolvimento libidinal

    • regressões do desenvolvimento Ilbidinal


Psicologia da personalidade iii

  • CARÁTER E EROTISMO ANAL (1908) Vol. IX

    NOTA DO EDITOR

  • O tema deste artigo já se tornou tão familiar que é difícil conceber a indignação e o assombro que ele provocou quando de sua primeirapublicação.

  • O tema do artigo já havia sido mencionadopor Freud em sua carta a Jung de 2 de outubro de 1906.

  • Em sua carta a Fliess de 22 de dezembro de 1897 (Freud, 1950a, Carta 79), associaradinheiro e avareza com fezes.

  • Em 1909 Freud publica a análise do ‘Rat Man’ e em 1913 Freud iria examinar a conexão entre o erotismoanal e a neuroseobsessiva.


Psicologia da personalidade iii

CARÁTER E EROTISMO ANAL (1908)

  • Certo tipo de indivíduo

    • se distingue por possuirdeterminadostraçosdecaráter, e

    • e ao mesmo tempo, chama a atenção o comportamento, em sua infância, de uma de suas funçõescorporais e do órgãoenvolvido.

      “Não posso agora precisar em que ocasião comecei a ter a impressão de que havia uma conexão entre esse tipo de caráter e esse comportamento de um órgão.”

  • Freud assegura essa impressão derivada da experiência prática e não de suposição teórica.


Psicologia da personalidade iii

  • Aspessoasdistinguem-se por uma combinaçãoregular das trêscaracterísticas que se seguem:

    • ordeiras,

    • parcimoniosas e

    • obstinadas.

  • Essas características correspondem a traçosdecaráterinterligados:

    • ‘Ordeiro’ = esmero individual, escrúpulo no cumprimento de pequenos deveres e a fidedignidade (veracidade).

    • Parcimônia (economia) pode aparecer de forma exagerada como avareza, e

    • a obstinação (persistência, teimosia) pode transformar-se em rebeldia, à qual podem facilmente associar-se a cólera e os ímpetosvingativos.

    • A parcimônia e a obstinação, constituem o elementomaisconstante de todo o complexo.


  • Psicologia da personalidade iii

    • Freud diz ser fácilinferirda história da primeira infância desses indivíduos que:

      • os mesmos dispenderam um temporelativamentelongo para superar sua iincontinência fecalinfantil,

      • na infânciaposterior sofreram falhasisoladas nessa função.

      • Quando bebês, parecem ter pertencido ao grupo que se recusa a esvaziar os intestinos ao ser colocado no urinol,

        • obtém um prazer suplementar do ato de defecar, pois nos revelam que em anos posteriores gostavamdereter as fezes, e

        • se lembram de ter feito toda uma série de coisasindecorosas com suas fezes (embora atribuam o fato mais facilmente em relação a irmãos e irmãs do que a si mesmos).


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud deduz de tais indicações que:

      • essas pessoas nasceram com uma constituição sexual na qual o caráter erógeno da zona anal é excepcionalmente forte.

      • O desaparecimento deste erotismoanal leva a concluir que no decurso do seu desenvolvimento a zonaanalperdeu sua significação erógena.

      • e a regularidade com que essa tríade de propriedades apresenta-se no caráter dessas pessoas pode ser relacionada com o desaparecimento do erotismoanal.


    Psicologia da personalidade iii

    • Tomando a teoria dos Três Ensaios (1905), Freud alerta para o fato de que de modo geral, só uma parcela das pulsões parciais é utilizada na vida sexual; outra parte é desviada dos fins sexuais e dirigida para outros – um processo que denominamos de ‘sublimação’.

    • Durante o período de ‘latênciasexual’, criam-se na mente formaçõesreativas, ou contraforças, como a vergonha, a repugnância e a moralidade.

    • Diques para opor-se às atividades posteriores das pulsõessexuais.


    Psicologia da personalidade iii

    • O erotismoanal é um dos componentes da pulsão [sexual] que, no desenvolvimento e deacordo com a educaçãoque a nossa atual civilização exige, se tornarão inúteis para os finssexuais.

    • Freud considera que os traçosdecaráter – ordem, parcimônia e obstinação - relevantesnos indivíduos que anteriormente eram anal-eróticos, sejam os resultados de formaçõesreativas e sublimaçãodo erotismoanal.

    • A limpeza, a ordem e a fidedignidade dão exatamente a impressão de uma formaçãoreativacontra um interessepelaimundícieque não deveria pertencer ao corpo.


    Psicologia da personalidade iii

    • A obstinação- um criança pode mostrar vontadeprópria quando se trata do ato de defecar e que é costume bastante difundido na educação da criança administrar estímulos dolorosos à pele das nádegas – ligada à zona erógena anal – para quebrar a obstinação da criança e torná-la submissa.

    • os complexos do apego ao dinheiro e da defecação, aparentemente tão diversos, afiguram-se as mais extensas.

      • nas antigas civilizações, nos mitos, nos contos de fadas e superstições, no pensamento inconsciente, nos sonhos e nas neuroses – o dinheiro é intimamente relacionado com a sujeira.


    Psicologia da personalidade iii

    Conclusões

    • Uma fórmula para o modo como o caráter, em sua configuração final, se forma a partir das pulsõesconstituintes:

      • os traços de caráter permanentes, são ou prolongamentos inalterados das pulsões originais, ou sublimação desses pulsões, ou formaçõesreativas contra as mesmas.


    Psicologia da personalidade iii

    Vol. XII – A DISPOSIÇÃO À NEUROSE OBSESSIVA UMA CONTRIBUIÇÃO AO PROBLEMA DA ESCOLHA DA NEUROSE (1913)

    NOTA DO EDITOR INGLÊS

    • Artigo lido por Freud perante o QuartoCongresso Psicanalítico Internacional, realizado em Munique em setembro de 1913.

    • Doistópicos de importânciaespecial são examinadosno texto:

      • o problema da ‘escolhadaneurose’.

      • as ‘organizações’ pré-genitais da libido*

        * O conceito aparece aqui pela primeira vez e foi acrescentada em 1915 nos Três ensaios, sendo exemplificado pelo estádio sádico-anal, juntamente com o estádio oral (1915) e o estádio fálico (1923).


    Psicologia da personalidade iii

    • O problema:

      • saber por que e como uma pessoa pode ficar doente de uma neurose.

      • saber por que é que uma pessoa tem de cair enferma de uma neurose específica e não de outra (o problema da ‘escolhadaneurose’).


    Psicologia da personalidade iii

    • Onde devemos procurar a fonte destas disposições?

      “Tornamo-nos cientes de que as funções psíquicas envolvidas – sobretudo a função sexual, mas também várias importantes funções do ego – têm de passar por um longo e complicado desenvolvimento, antes de chegar ao estado característico do adulto normal. Podemos presumir que estes desenvolvimentos não são sempre tão serenamente realizados que a função total atravesse esta modificação regular progressiva. Onde quer que uma parte dela se apegue a um estádio anterior resulta o que se chama ‘ponto de fixação’, para o qual a função pode regredir se o indivíduo ficar doente devido a alguma perturbação externa.


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud lança a hipótese de que as inibiçõesdodesenvolvimento (fixações da libido) constituem a disposição presente no adoecimento na neurose obsessiva (e de outras patologias).

    • Contudo, demorou váriosanospara que uma afirmação explícita fosse feita quanto à relação entre esta sucessão de pontos de fixação e a escolha da neurose.


    Psicologia da personalidade iii

    Desenvolvimento da libido e nosologia


    Psicologia da personalidade iii

    Vol. XII – FORMULAÇÕES SOBRE OS DOIS PRINCÍPIOS DO FUNCIONAMENTO MENTAL (1911)

    • O tema principal da obra é a distinção entre os dois princípios reguladores do funcionamento psíquico:

      • o princípio de prazer que domina o processoprimário

      • o princípio de realidadeque domina o processo psíquico secundário.

    • Em seu texto, Freud começa por estabelecer o fato de que toda neurose tem como consequência e provavelmente a tendência o afastamento do doente da realidade.

      • Piere Janet ─ perda “de lafonctionduréel”


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud afirma que a introdução do processo de recalque na discussão sobre a gênese das neuroses, tornou possível compreender essa conexão.

      • O neuróticoafasta-se da realidade por achá-la insuportável – seja no todo ou em parte dela.

        • O tipo mais extremo desse afastamento da realidade - psicose alucinatória

        • todo neurótico faz o mesmo com alguma pequena parte da realidade.

          “Vemo-nos então confrontados com a tarefa de investigar o desenvolvimento da relação dos neuróticos ─ e do ser humano em geral─ com a realidade.”


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud toma como ponto de partida os processos inconscientes.

      • são os maisantigos e primários, remanescentes de uma fase de desenvolvimento no qual eram os únicos existentes.

    • A tendência dominante a qual esses processos primários obedecem denomina-se princípio do prazer e do desprazer (de forma abreviada princípio de prazer).

      • Estes processos aspiram à obtenção de prazer.

      • Dos atos que possam provocar desprazer a atividade psíquica se recolhe (recalque).

      • sonhos e tendência de evitar as impressões dolorosas são resíduos e provas do domínio do princípio de prazer.


    Psicologia da personalidade iii

    • Desde o início exigências provenientes das necessidades internas do organismo perturbam o estado de repousopsíquico.

      “Neste estado, de modo análogo ao que ainda hoje ocorre todas as noites com nosso pensamento onírico, o pensado (desejado) apresentava-se simplesmente de forma alucinatória.”

    • Foi preciso que não ocorresse a satisfação esperada, que houvesse uma frustração, para que essa tentativa de satisfação pela via alucinatória fosse progressivamente abandonada.

    • Introduzindo um novo princípio da atividade psíquica:

      “Em vez de alucinar, o aparelho psíquico teve então de se decidir por conceber as circunstâncias reais presentes no mundo externo e passou a almejar uma modificação real deste.” [para a satisfação das necessidades].


    Psicologia da personalidade iii

    • A instauração do princípio de realidade torna necessário uma série de adaptações do aparelho psíquico:

      • A realidade exterior adquiriu maior importância, e com isso se tornou mais relevante o papel da consciência.

      • A atenção, como função especial, deve fazer uma busca periódica no mundo externo para que os dados fossem conhecidos de antemão caso uma necessidade interna se manifeste.

      • A memória com a função de armazenar os resultados colhidos durante essa atividade periódica da consciência.


    Psicologia da personalidade iii

    • O recalque que excluía do processo de investimento as parte das representações psíquicas que se mostrassem geradoras de desprazer, foi substituído por uma imparcial avaliação de juízo.

    • A remoção dos estímulos, pela via motora, que sob o domínio do principio de prazer se incumbia de aliviar o aparelho psíquico, recebeu uma nova função passou a ser utilizada para modificar a realidade. Transformou-se em um agir sobre a realidade.

    • o agir foi viabilizado pelo processo de pensar.

    • O pensar foi dotado de características que tornavam possível ao aparelho mental tolerar uma tensão aumentada de estímulo, enquanto o processo de descarga (o agir) era adiado.


    Psicologia da personalidade iii

    • As adaptações introduzem um novo princípio da atividade psíquica: não mais era imaginado o que fosse agradável, mas sim o real, mesmo em se tratando de algo desagradável.

    • Contudo, uma das espécies de atividade de pensamento foi liberada do teste de realidade e permaneceu subordinada somente ao princípio de prazer. Esta atividade é o fantasiarque conservada como devaneio, abandona a dependência de objetos reais.


    Psicologia da personalidade iii

    “A substituição do princípio de prazer pelo principio de realidade, com todas as consequências psíquicas envolvidas aqui esquematicamente condensadas numa só frase, não se realiza, na verdade, de repente; tampouco se efetua simultaneamente em toda a linha, pois, enquanto este desenvolvimento tem lugar nos instintos do ego, os instintos sexuais se desligam deles de maneira muito significativa.”


    Psicologia da personalidade iii

    • No início, ocorre umaindiferenciação inicial entre os dois gêneros de pulsões (autoconsevação e sexual)que se encontram misturadasentre si (p. ex., no ato de mamar).

    • Com o desenvolvimento do indivíduo, lentamente, vai-se estabelecendo uma distinçãofundamentalentre as pulsões de autoconservação e seual).

    • A princípio, apulsãosexual, ao se tornarautônomaem relação às função de autoconservação,satisfazem-se auto-eroticamente.


    Psicologia da personalidade iii

    • Sem a necessidade de um objeto exterior a pulsão sexual pode se satisfazer de forma imediata (sob o princípio de prazer).

    • As pulsões sexuais não somente continuam a poder satisfazer-se de maneira auto-erótica, mas lhes é possíveluma satisfação mesmo fora da realidade, por meio da fantasias.

    • Assim, as pulsões sexuais não encontram situação de frustração que forcem a instituição do princípio de realidade e podem ficar mais facilmente ligadas ao princípio do prazer.


    Psicologia da personalidade iii

    • Para as funções do Ego, o princípio de realidade (processo secundário) deve suplantar rapidamenteo princípio do prazer (processo primário).

    • Pois as funções do Ego, para se satisfazerem, têm necessidade imperativa de um objeto exterior e real.

  • O processo secundário é uma exigência da vida. Osobjetosque satisfazem aspulsões da autoconservaçãosó existem nomundo exterior (p. ex., o leite materno).

  • Para que a criança não morra de fome, precisadominar o processo primário e desenvolver um funcionamento sob oprocesso secundário..

  • Assim, o reconhecimento do mundo exterior, por meio do desenvolvimento do"princípio de realidade", é elevado à categoria de elemento regulador da vida psíquica.


  • Psicologia da personalidade iii

    • A instauração do princípio de realidade leva à dissociação da vida mental, a dois modos de funcionamento psíquico.

    • O Princípio de Realidade aparece como algo imposto do exterior, e que o indivíduo faz seu para evitarodesprazer.

    • Freud explica que o Princípio de Realidade está a serviço do Princípio do Prazer: Ele simplesmente resguarda o indivíduo de frustraçõesdesnecessárias:

      • "renunciando a um prazer momentâneo, de consequências inseguras, apenas para alcançar pelo novo caminho um prazer ulterior e seguro.”

    • Assim, atendênciafundamental do aparelho psíquico, em que se defrontam as duas pulsões, continua a exercer-se no sentido de realizar o máximo de prazer.


    Psicologia da personalidade iii

    • Contudo, sendo o ser humano condenado a uma existênciasocial, a busca do prazer é limitada por normasque transcendem o indivíduo e lhe impõem as restrições derivadas dacultura.

    • No processo de desenvolvimento, enquanto o indivíduo passa por suas transformações, que o levam doprincíio de prazer ao princípio de realidade, as pulsões sexuais também sofrem as alterações que as levam de seu auto-erotismo original ao amor objetal.


    Psicologia da personalidade iii

    PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE III

    FREUD E O DESENVOLVIMENTO DA PSICANÁLISE: NARCISISMO


    Psicologia da personalidade iii

    Na tradição grega, o termo narcisismo designa o amor de um indivíduo por si mesmo.


    Psicologia da personalidade iii

    • Vol. XIV - Sobre o narcisismo uma introdução (1914)

    • Freud utiliza pela primeira vez o termo "narci­sismo" em 1910, para descrever a escolha de objeto feita pêlos homossexuais que escolhem um parceiro à sua imagem, de forma que atra­vés deste:

      "tomam a si mesmos como objeto sexual"

      (1905; nota acrescentada em 1910).

    • O artigo de Freud sobre Leonardo (1910) faz referência consideravelmente extensa aonarcisismo.

    • Pouco depois, Freud (Schreber, 1911; Totem e Tabu, 1912-1913) fez do narcisismo uma faseintermediáriadodesenvolvimentopsicos­socialinfantil, situada entre o auto-erotismo, cujo modelo é a masturbação, e a fase evoluí­da, caracterizada pelo amor de objeto.


    Psicologia da personalidade iii

    • Segundo James Strachey, trata-se de um dos trabalhos mais importantes de Freud:

      • Resume suas primeiras discussões sobre o tema do narcisismo e considera o lugarocupado pelo narcisismo no desenvolvimento sexual,

      • Considera o problema das relações entre o ego e os objetos externos,

      • Estabelece uma distinção entre ‘libido do ego’ e ‘libido objetal’.

      • ponto mais importante - introduz os conceitos do ‘ideal do ego’ e do agente auto-observador a ele relacionado, base do que foi descrito como o ‘superego’ em The Ego and the Id (1923).

    • Freud à Abraham: ‘O “Narcisismo” teve um parto difícil e traz todas as marcas de uma deformação correspondente’.

    • Forma supercondensada e prestes a estourar pela quantidade de material que contém.


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud em carta à Abraham, declara-se insatisfeito com o texto por sua forma “supercondensada e prestes a estourar pela quantidade de material que contém.”

      ‘O “Narcisismo” teve um parto difícil e traz todas as marcas de uma deformação correspondente’.


    Psicologia da personalidade iii

    • Termo empregado pela primeira vez em 1887, pelo psicólogo francês AlfredBinet (1857-1911), para descrever umaformadefetichismo que consiste em se tomar a própria pessoa como objeto sexual. O termo foi depois utilizado por Havelock Ellis, em 1898, para designarumcomportamentoperverso relacionado com o mito de Narciso. Em 1899, em seu comentário sobre o artigo de Ellis, o criminologista PaulNäcke(1851-1913) introduziu o termo em alemão.

      (Dicionário de psicanálise/Elisabeth Roudinesco, Michel Plon, Rio de Janeiro: Zahar, 1998.;


    Psicologia da personalidade iii

    • Até o fim do século XIX, o termo narcisismo foi utilizado pelos sexólogos para designar seletivamente uma perversãosexual caracterizada pelo amor dedicado pelo sujeito a si mesmo.

    • Em 1908, IsidorSadgerfalou do narcisismo, a propósito do amor próprio, como uma modalidade de escolha de objeto nos homossexuais; distinguiu-se de Havelock Ellis ao considerar o narcisismo não como uma perversão, mas como um estádionormalda evolução psicossexual do ser humano.

      (Dicionário de psicanálise/Elisabeth Roudinesco, Michel Plon, Rio de Janeiro: Zahar, 1998.;


    Psicologia da personalidade iii

    • Segundo Freud, O termo narcisismo provém da descriçãoclínica e foi escolhido por PaulNäcke em 1899.

      • para designar o comportamentodoindivíduo que trata o própriocorpo como só se trata um objetosexual. A pessoa:

        • contempla o próprio corpo,

        • acaricia-o,

        • cobre-odecarinhos e

        • satisfaz-se plenamente por meio desses manejos.

      • Nesta configuração, o narcisismo tem o sentido de uma perversão que absorveu toda a vida sexual da pessoa.


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud ressalta que, a partir da observação psicanalítica, pode-se notar aspectos do comportamento narcísico:

      • presentes em muitas das pessoas afetadas por outraspertubações (p.ex, Homossexuais);

      • na Dementia praecox(krapelin), Esquizofrênia(Breuler), [renomeadas por Freud de Parafrenia] apresentam dois traços fundamentais: o delírio de grandeza e o desligamento de seu interesse no mundoexterior.

        “Em consequência desta última alteração, tornam-se inacessíveis à influência da psicanálise e não podem ser curados por nossos esforços.”


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud considera a análise das parafrenias o principal meio de acesso ao narcisismo.

    • Contudo, apresenta outroscaminhos para aproximação do narcisismo:

      • a observação da doençaorgânica,

      • da hipocondria e

      • a vidaamorosa entre os gêneros.


    Psicologia da personalidade iii

    • A influência da doença orgânica sobre a distribuição da libido

      • uma pessoa atormentada por dor e mal-estarorgânico deixa de se interessar pelas coisas do mundo externo, na medida em que não dizem respeito a seu sofrimento. ...ela também retiraointeresselibidinalde seus objetos amorosos: enquanto sofre, deixa de amar.

        “o homem enfermo retira seus investimentos libidinais de volta para seu próprio Eu, e as põe para fora novamente quando se recupera.

        “Concentrada está a sua alma no estreito orifício do molar”.

        (Freud cita: Wilhelm Busch, sobre o poeta que sofre de dor de dentes)


    Psicologia da personalidade iii

    • A hipocondria, da mesma forma que a doença orgânica, manifesta-se em sensações corpóreas aflitivas e penosas, tendo o mesmo efeito que a doença orgânica sobre o investimento da libido.

      “O doente hipocondríaco, também retira seu interesse e sua libido em relação ao mundoexterior e os concentra no órgão que o preocupa e que o faz sofrer. “

    • o investimento libidinal narcísico de uma parte do corpo não é encontrada apenas na hipocondria, mas também na neurose:

      "a cada uma des­sas modificações da erogenidade nos órgãos correspon­de uma modificação paralela do investimento da libido no ego".


    Psicologia da personalidade iii

    • Uma terceira maneira pela qual podemos abordar o estudo do narcisismo é através da observação da vida erótica dos seres humanos:

      • escolha objetal do tipo anaclítico – na escolha ulterior de objetos amorosos adotam como modelo seus cuidadores (pai, mãe, substitutos).

      • escolha objetal do tipo narcísica - na escolha ulterior dos objetos amorosos elas adotaram como modelo a si mesmas.

        “Nessa observação [escolha narcisista], temos o mais forte dos motivos que nos levaram a adotar a hipótese do narcisismo.”


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud apresenta um breve sumário dos caminhos que levam à escolha de um objeto. Uma pessoa pode amar:

      (1) Em conformidade com o tipo narcisista:

      (a) o que ela própria é (isto é, ela mesma),

      (b) o que ela própria foi,

      (c) o que ela própria gostaria de ser,

      (d) alguém que foi uma vez parte dela mesma.

      (2) Em conformidade com o tipo anaclítico (de ligação):

      (a) a mulher que a alimenta,

      (b) o homem que a protege,

      (c) e a sucessão de substitutos que tomam o seu lugar.


    Psicologia da personalidade iii

    “Dizemos que um ser humano tem originalmente dois objetos sexuais – ele próprio e a mulher que cuida dele – e ao fazê-lo estamos postulando a existência de um narcisismo primário em todos, o qual, em alguns casos, pode manifestar-se de forma dominante em sua escolha objetal.”


    Psicologia da personalidade iii

    Narcisismo primário?

    • O narcisismo primário quer designar a situaçãoinicial, em que a libido investiu no próprio sujeito.

    • Significa, também, o processo pelo qual o sujeitoassumea imagem do seu corpo próprio como sua, e se identifica com ela (eu sou essa imagem).

    • A constituição do narcisismo primário ultrapassa o auto-erotismo para fornecer a integração de uma figura positiva e diferenciada do outro.

    • O narcisismo primário promove a constituição de uma imagem de si unificada, perfeita e inteira que suscita e mantém o indispensável "amor-próprio", necessário a toda sobrevivência física e mental.


    Psicologia da personalidade iii

    His Majestythe Baby

    • Com esta frase, Freud quer destacar: a admiração parental

      “se vêemcompelidos a atribuir à criança todas as perfeições — ainda que uma avaliação sóbria não desse motivo para tal — e tendem a encobrir e esquecer todos os defeitos dela. Também se inclinam a reivindicar para a criança o direito a privilégios aos quais eles, os pais, há muito tiveram de renunciar. “

    • Assim, podemos falar de um narcisismo primário, infantil, caracterizados por uma imagem de perfeição, onipotência e grandeza.

    • Freud ainda destaca que:

      “O comovente amor parental, no fundo tão infantil, não é outra coisa senão o narcisismo renascido dos pais, que, ao se transformar em amor objetal, acaba por revelar inequivocamente sua antiga natureza.”


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud observa que no adulto normal:

      “o antigo delírio de grandeza infantil arrefeceu e que os caracterespsíquicos a partir dos quais deduzimos seu narcisismo infantil foram apagados.”

    • “O que foi feito, então, de sua libido do Eu? “

    • Pela educação e por meio das proibiçõesimpostas pelas figuras parentais, instalados na posição de modelos, a criançairárenunciar à onipotência e delírio de grandeza característicos do narcisismo infantil.

    • Assim, o desenvolvimento do Eu consiste em um processo de distanciamento do narcisismoprimário e produz um intenso anseio de recuperá-lo.


    Psicologia da personalidade iii

    • Esse distanciamento ocorre por meio de um deslocamento da libido em direção a um ideal-de-Eu que foi imposto a partir de fora, e a satisfação é obtida agora pela realização desse ideal.

      Ideal do Eu

    • Freud utilizou essa expressão para designar o modelo de referência do eu, simultaneamente substituto do narcisismo perdido da infância e produto da identificação com as figuras parentais e seus substitutos sociais.

      (Dicionário de psicanálise/Elisabeth Roudinesco, Michel Plon, Rio de Janeiro: Zahar, 1998.;


    Psicologia da personalidade iii

    “Assim, o que o ser humano projeta diante de si como seu ideal é o substituto do narcisismo perdido de sua infância, durante a qual ele mesmo era seu próprio ideal.”


    Psicologia da personalidade iii

    “A formação de ideal eleva o nível das exigências do Eu e é o mais forte favorecedor do recalque; a sublimação, por sua vez, oferece uma saída para cumprir essas exigências sem envolver o recalque.”


    Psicologia da personalidade iii

    “Não seria de admirar se encontrássemos uma instância psíquica especial que, atuando a partir do ideal-de-Eu, se incumbisse da tarefa de zelar pela satisfação narcísica e que, com esse propósito, observasse o Eu atual de maneira ininterrupta, medindo-o por esse ideal.”


    Psicologia da personalidade iii

    “Nesse sentido, se atentarmos para o fato de que aquilo que habitualmente designamos consciência moral possui exatamente as características da instância que descrevemos, poderemos considerar que tal instância existe e atua.


    Psicologia da personalidade iii

    • Na teoria freudiana, antes da introdução do conceito de narcisismo em 1914, o eu:

      • era compreendido como massa ideacional consciente cujo principal objetivo é conservaravida e reunir o conjunto de forças que, no psiquismo, se opõeasexualidade.

    • Para Freud, o “eu” não é inato e resulta de uma nova ação psíquica. Essa nova ação psíquica é o narcisismo primário.

    • O narcisismo primário é contemporâneo da constituiçãodoeu.

    • Assim, enquanto as pulsões auto-eróticas estão presentes desde o início, o Eu tem que ser desenvolvido.


    Psicologia da personalidade iii

    • O narcisismo primário corresponde ao investimento inicial do eu pela libido que, neste ato, constitui-se como libido narcísica.

    • Para Freud, anteiror ao narcisismo não há investimento objetal possível.

    • Não há relação de objeto que não pressuponha o narcisismo (o que se evidencia pela impossibilidade de que haja relação eu-objeto antes da constituição do eu).

    • A libido objetal corresponde ao investimento dos objetos externos pela libido.

      • O narcisismo secundário refere-se à todas as situações em que ocorre um refluxo da libido objetal sobre o Ego.

      • Ou seja, o retorno para o Ego da libido que investia os objetos exteriores.


    Psicologia da personalidade iii

    • Freud, considera que o Ego permanece sempreparcialmenteinvestido e os investimentosobjetais ficam ligadosaele. segundo a imagem clássica: “como os pseudópodos de uma ameba ficam ligados à região do núcleo.”

    • Há como que uma espécie de balanço entre o que se chama, desde então, de libido do Ego e libido de objeto.

    • "Quanto mais uma cresce mais a outra se empobre

    • Freud estabelece que:

    • "O Ego deve ser considerado como um grande reservatório de libido, de onde ela é enviada para os objetos, e que está sempre pronto para absorver a libido que reflui a partir dos objetos".


    Psicologia da personalidade iii

    Estádio do espelho

    Expressáo criada por Jacques Lacan, em 1936, para designar um momento psíquico da evolução humana, situadoxentre os 6 e os 18 meses, durante o qual a crian- ça antecipa o domínio sobre a sua unidade corporal através de uma identificação com a imagem do semelhante e a percepção de sua própria imagem num espelho. É uma experiência em que a criança percebe a imagem que vê no espelho. No início, a aparência, é de um desconhecido, mas aos poucos ela vai intuindo como sendo a sua, ... Acabando por se reconhecer como sendo ela própria.

    (Dicionário de psicanálise/Elisabeth Roudinesco, Michel Plon, Rio de Janeiro: Zahar, 1998.;


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