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1° ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DA REDE SINODAL DE EDUCAÇÃO

1° ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DA REDE SINODAL DE EDUCAÇÃO. Compreender, Argumentar e Solucionar Problemas: Um compromisso da Educação Infantil ao Ensino Médio Profa. Ms. Sabrina Vier sabrina.v@ienh.com.br

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1° ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DA REDE SINODAL DE EDUCAÇÃO

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Presentation Transcript


  1. 1° ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DA REDE SINODAL DE EDUCAÇÃO Compreender, Argumentar e Solucionar Problemas: Um compromisso da Educação Infantil ao Ensino Médio Profa. Ms. Sabrina Vier sabrina.v@ienh.com.br Língua Portuguesa - IENH

  2. Objetivos a. refletir sobre leitura e possibilidades de leitura na escola; b. compartilhar algumas possibilidades de leitura de textos publicitários.

  3. Linguística de Enunciação  abordar a linguagem a partir da enunciação é ter condições de observar significados singulares que determinado sujeito imprime à linguagem no ‘aqui-agora’ de sua manifestação. É poder contemplar não só o enunciado, mas o próprio ato de enunciar e aquele que enuncia, através das ‘marcas’ que este deixa no que diz (Teixeira, 2006). Autores com os quais trabalho  Benveniste, Bakhtin, Charaudeau, Authier-Revuz, Kerbrat-Orecchioni, Ono, Dessons.

  4. Cidade dos Homens - 1ª Temporada – Episódio “A coroa do imperador” – 30 min. (adaptado para esta oficina em 12 min.) Interpretados por Douglas Silva e Darlan Cunha, Laranjinha e Acerola, são dois garotos de 13 anos moradores de um morro no Rio de Janeiro. De uma maneira esperta e carioca, vão conseguindo viver na favela. Cidade dos Homens é uma comédia, com um toque de drama, sobre uma comunidade no Rio de Janeiro, e foi exibido na Rede Globo, com audiência surpreendente, entre 15 e 18 de outubro de 2002.  www.cinemenu.com.br

  5. “Peraí, professora. O que que tem a ver os romanos com isso daí?” “Não, não tem romano nenhum”. “Napoleão é romano, não era?” “Nããão. Napoleão era francês” Professora diz “Ele proibiu todos os outros países de fazerem comércio com os ingleses, inclusive os portugueses...” e uma aluna, aproveitando um final de frase, complementa “Inclusive os romanos também”. A professora: “Esqueeece os romanos. Não têm romanos nessa história. Napoleão era francês”.

  6. Leitura na escola Leitura criptográfica: o sentido estava na decodificação do código escrito. Leitura hermenêutica: todo e qualquer sentido, desde que produzido pelo leitor, seria possível: leitores diferentes, cada um com seus valores e história de vida, construiriam, de maneiras diferentes, significados para o mesmo código. (Dascal, 2006) Ao possibilitar a leitura em sala de aula, é imprescindível que o professor aponte marcas linguísticas que levem a pensar como o texto diz o que diz. A leitura não está no texto nem no aluno. O sentido em leitura é produzido na ação de dirigir o olhar para o fato do enunciador ter dito o que disse.

  7. A leitura é um fenômeno complexo e não se esgota em um olhar. Pensar a leitura a partir da linguística da enunciação é pensar em possibilidades de leitura.

  8. Segundo Bakhtin (2006), os signos linguísticos refletem e refratam o mundo. E o que é refratar? Note que a piscina aparenta estar ficando rasa, mas na realidade não está. Esse efeito é provocado pela refração da luz na água.

  9. Note como o cano verde parece se quebrar dentro dos copos.

  10. Com a leitura não somente descrevemos o que estamos compreendendo, mas construímos – na dinâmica da história e por decorrência do caráter sempre múltiplo e heterogêneo das experiências concretas dos grupos humanos – diversas interpretações (refrações) do mundo. Não é possível significar sem refratar! Isso porque as significações são construídas na dinâmica da história e estão marcadas pela diversidade de experiências de nossos alunos, com suas inúmeras contradições e confrontos de valorações e interesses sociais (Faraco, 2006).

  11. Cf. Charaudeau, 2008 Situação de comunicação circuito externo - fazer (finalidade) (projeto de fala) circuito interno - dizer EU e TU d Enunciador Destinatário (seres de fala) Locutor EU c (sujeito comunicante - ser social) Receptor TU c (sujeito interpretante– ser social)

  12. Para Charaudeau (2008), comunicar é proceder a uma encenação. Assim como, numa peça de teatro, o diretor usa o espaço cênico, os cenários, a luz, a sonorização, os atores, o texto, para produzir efeitos de sentido visando a um público imaginado por ele, o locutor – seja ao falar ou ao escrever – utiliza componentes do dispositivo da comunicação em função dos efeitos que pretende produzir em seu interlocutor.

  13. Argumentação  uma proposta sobre o mundo,  um sujeito argumentante e  um sujeito alvo. Ou seja, • uma proposta que provoque um questionamentoem alguém, quanto à sua legitimidade; • um sujeito que assuma tal questionamento e, através do desenvolvimento de um raciocínio, busque estabelecer uma verdadesobre essa proposta; • um outro sujeito (alvo da argumentação) que também se relaciona com a mesma proposta, questionamento e verdade; e que se constitui como sujeito alvo da argumentação: pessoa que se dirige o sujeito que argumenta na esperança de conduzi-la a compartilhar a mesma verdade. (Charaudeau, 2008)

  14. Figura 1 – Elementos da cena argumentativa e suas relações (Charaudeau, 2008)

  15. Texto publicitário Na propaganda, como o publicitário sabe que não estará diante do interlocutor e tampouco poderá forçá-lo à compra, precisa fabricar uma imagem sedutora e persuasiva do sujeito comunicante, a fim de que o interlocutor se identifique com ela e acabe sendo conquistado. No texto publicitário, há a presença de um emissor onisciente e onipotente, representando dissimuladamente a figura do publicitário – verdadeiro emissor, o qual permanece ausente do circuito da fala. Esse emissor (EUc) confere a um receptor (TUi), o consumidor, a solução para obter determinado atributo, que ele, consumidor, ainda não possui. (Viegas, 2008)

  16. circuito externo – Fazer (Viegas, 2008) circuito interno – Dizer EU e TU d anuncianteinterlocutor virtual (seres da fala) EU c publicitário (sujeito comunicante– ser social) TU c Leitor real (sujeito interpretante – ser social)

  17. Conforme Charaudeau (2006, 2008), podemos ler os textos publicitários a partir de alguns pontos de vista: P = produto P = objeto de busca P = auxiliar eficaz P = aliado P = agente da busca P = objeto único/ singular; “o melhor”, “o irresistível” em relação a y, de uma outra Marca P = imagem do destinatário da qual ele próprio não pode fugir

  18. Revista Veja, maio de 2011

  19. “O novo rei na terra da rainha Eleito o carro mais confiável pelos ingleses entre todos os modelos de todas as marcas. Mais de 23.000 consumidores ingleses votaram na pesquisa de satisfação da Revista Auto Express, uma das mais conceituadas do mundo, e elegeram o i30”.

  20. “Eleito o carro mais confiável pelos ingleses entre todos os modelos de todas as marcas. Mais de 23.000 consumidores ingleses votaram na pesquisa de satisfação da Revista Auto Express, uma das mais conceituadas do mundo, e elegeram o i30”.

  21. “Eleito o carro confiável pelos ingleses entre todos os modelos de todas as marcas. 23.000 consumidores ingleses votaram na pesquisa de satisfação da Revista Auto Express, uma das [revistas] conceituadas do mundo, e elegeram o i30”. “Eleito o carro mais confiável pelos ingleses entre todos os modelos de todas as marcas. Mais de 23.000 consumidores ingleses votaram na pesquisa de satisfação da Revista Auto Express, uma das mais conceituadas do mundo, e elegeram o i30”.

  22. “Eleito o carro mais confiável pelos ingleses entre todos os modelos de todas as marcas. Mais de 23.000 consumidores ingleses votaram na pesquisa de satisfação da Revista Auto Express, uma das mais conceituadas do mundo, e elegeram o i30”.

  23. P= singularização Revista Veja, maio de 2011

  24. Revista Cláudia, maio de 2011

  25. “Um dia quero chegar lá. Mas quero chegar linda”.

  26. “Um dia quero chegar lá. Mas quero chegar linda”.

  27. “Um dia quero chegar lá. Mas quero chegar linda”.

  28. “Um dia quero chegar lá. Mas quero chegar linda”. Pressuposto 1 – quem chega lá não é linda Pressuposto 2 – as lindas não chegam lá Pressuposto 3 – as feias chegam lá

  29. P = auxiliar eficaz Revista Cláudia, maio de 2011

  30. Revista Capricho, maio de 2011

  31. “Seu namorado pega você beijando a foto do gato da próxima página. E aí, como você se vira? A @LigiaNunes se virou assim: ‘Eu amo essa revista! Amoooo!’. QUEM SE VIRA SE DÁ BEM”.

  32. “Seu namorado pega você beijando a foto do gato da próxima página. E aí, como você se vira? A @LigiaNunes se virou assim: ‘Eu amo essa revista! Amoooo!’. QUEM SE VIRA, na verdade, SE DÁ BEM”.

  33. P = auxiliar eficaz ou P = aliado? Revista Capricho, maio de 2011

  34. propaganda para crianças: Pampili (You Tube)

  35. “Entendo tudo de fofura. Tudo aqui é fofo: meu tênis é fofo; minha sapatilha é fofa. É da Pampili, tem sistema feet care: sistema avançado de fofura. Protege o meu pezinho, é uma delícia. O coração eu ganhei: não é fofo? Entre no site da Pampili e participe da promoção. Tá, você também é fofa e pode ganhar o seu”.

  36. “Entendo tudo de fofura. Tudo aqui é fofo: meu tênis é fofo; minha sapatilha é fofa. É da Pampili, tem sistema feet care: sistema avançado de fofura. Protege o meu pezinho, é uma delícia. O coração eu ganhei: não é fofo? Entre no site da Pampili e participe da promoção. Tá, você também é fofa e pode ganhar o seu”.

  37. “Entendo tudo de fofura. Tudo aqui é fofo: meu tênis é fofo; minha sapatilha é fofa. É da Pampili, tem sistema feet care: sistema avançado de fofura. Protege o meu pezinho, é uma delícia. O coração eu ganhei: não é fofo? Entre no site da Pampili e participe da promoção. Tá, você também é fofa e pode ganhar o seu”.

  38. “Entendo tudo de fofura. Tudo aqui é fofo: meu tênis é fofo; minha sapatilha é fofa. É da Pampili, tem sistema feet care: sistema avançado de fofura. Protege o meu pezinho, é uma delícia. O coração eu ganhei: não é fofo? Entre no site da Pampili e participe da promoção. Tá, você também é fofa e pode ganhar o seu”. P = objeto de busca

  39. propaganda para crianças: Mc Donalds (You Tube)

  40. “ - Eu também tive uma infância muito gostosa. A gente brincava de peão, era muito divertido. Não era bem a minha especialidade, não. Em compensação, na bolinha de gude não tinha para ninguém. Às vezes eu ia pescar com meu pai. Aquela pescaria era só uma desculpa pra gente ficar junto. E futebol de botão? Tinha até torcida. Qualquer dia vou te ensinar a jogar botão, viu? • Vô, quando você era pequeno tinha Mc Donalds? • Não. • (careta)”. GOSTOSO COMO A VIDA DEVE SER

  41. “ - Eu também tive uma infância muito gostosa. A gente brincava de peão, era muito divertido. Não era bem a minha especialidade, não. Em compensação, na bolinha de gude não tinha para ninguém. Às vezes eu ia pescar com meu pai. Aquela pescaria era só uma desculpa pra gente ficar junto. E futebol de botão? Tinha até torcida. Qualquer dia vou te ensinar a jogar botão, viu? • Vô, quando você era pequeno tinha Mc Donalds? • Não. • (careta)”. GOSTOSO COMO A VIDA DEVE SER

  42. “ - Eu também tive uma infância muito gostosa. A gente brincava de peão, era muito divertido. Não era bem a minha especialidade, não. Em compensação, na bolinha de gude não tinha para ninguém. Às vezes eu ia pescar com meu pai. Aquela pescaria era só uma desculpa pra gente ficar junto. E futebol de botão? Tinha até torcida. Qualquer dia vou te ensinar a jogar botão, viu? • Vô, quando você era pequeno tinha Mc Donalds? • Não. • (careta)”. GOSTOSO COMO A VIDA DEVE SER

  43. “ - Eu também tive uma infância muito gostosa. A gente brincava de peão, era muito divertido. Não era bem a minha especialidade, não. Em compensação, na bolinha de gude não tinha para ninguém. Às vezes eu ia pescar com meu pai. Aquela pescaria era só uma desculpa pra gente ficar junto. E futebol de botão? Tinha até torcida. Qualquer dia vou te ensinar a jogar botão, viu? • Vô, quando você era pequeno tinha Mc Donalds? • Não. • (careta)”. GOSTOSO COMO A VIDA DEVE SER P = agente da busca

  44. Atividade em pequenos grupos Pensar em propostas de atividades – possibilidades de leituras - em sala de aula para trabalhar com uma das duas propagandas: Pampili ou Mc Donalds. Público-alvo: séries iniciais

  45. Convidando o aluno a ser co-enunciador, a ser leitor de um texto, o professor está convidando-o a preencher as formas “eu” e “tu”, convidando-o a ser sujeito. A operacionalização do que aqui sumariamente apresentei em relação à leitura requer que se auxilie o aluno a observar o modo como as palavras circulam pelo enunciado, inter-relacionando-se com outras para a expressão da ideia do enunciador. Assim, ele poderá passar à condição de dialogante com o texto, instituindo- se como o outro da escritura. Oferecendo escuta ao texto, colocando-se na posição daquele a quem se fala, o aluno-leitor poderá experimentar sua própria presença, ou seja, instituir-se como quem fala, como aquele que, por sua intervenção singular, entreabre possibilidades de novos sentidos. (Teixeira e Ferreira, 2008; Teixeira e Di Fanti,

  46. Referências • BAKHTIN, M. [Volochínov]. Marxismo e filosofia da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. • CHARAUDEAU, P. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2008. • DASCAL, M. Interpretação e compreensão. São Leopoldo:Editora Unisinos, 2006. • FARACO, C. A. Linguagem & diálogo: as idéias linguísticas do círculo de Bakhtin. Curitiba: Criar Edições, 2006. • FLORES, V. N.; TEIXEIRA, M. Introdução à linguística da enunciação. São Paulo: Contexto, 2005. • TEIXEIRA, M. É possível a leitura?.Nonada: leitura em revista. ano 8. n. 8. Porto Alegre: UniRitter, nov. 2005. p. 195-204. • ______; DI FANTI, M. da G. O texto como objeto de ensino: um olhar enunciativo. In: GOMES, L. da S.; GOMES, N. M. T. (orgs.). Aprendizagem de língua e literatura: gêneros & vivências de linguagem. Porto Alegre: Uniritter, 2006. p. 95-146.

  47. Referências • TEIXEIRA, M; FERREIRA, S. Leitura na escola: um barco à deriva? Letras de Hoje. v. 43. n. 1. Porto Alegre: jan/mar 2008. p. 63-68. • VIEGAS, Ilana da S. R. A força da linguagem publicitária. Cadernos do CNFL. Rio de Janeiro: CIFEFIL, 2008. p. 30-42.

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