Esquizofrenia como e o que tratar
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Esquizofrenia: Como e o que Tratar?. Dr. Ulysses Castro Médico-Psiquiatria. Esquizofrenia, o que é?. Esquizofrenia: O que é?.

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Esquizofrenia: Como e o que Tratar?

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Esquizofrenia como e o que tratar

Esquizofrenia: Como e o que Tratar?

Dr. Ulysses Castro

Médico-Psiquiatria


Esquizofrenia o que

Esquizofrenia, o que é?


Esquizofrenia o que1

Esquizofrenia: O que é?

  • É uma doença cujos sintomas duram, pelo menos, 6 meses e inclui 1 mês de sintomas ativos (com 2 ou mais dos seguintes: delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento catatônico ou desorganizado ou sintomas negativos);

  • Normalmente há prejuízo das funções sociais e uma disfunção da dimensão psico-sócio-ocupacional normal do indivíduo (DSM-IV TR).

  • A prevalência pode variar de 0,2 a 2,0% durante toda a vida.

  • Embora 2/3 dos pacientes tratados necessitem de internação, apenas 50 % de todos os pacientes com esquizofrenia recebem tratamento.


Esquizofrenia o que2

Esquizofrenia: O que é?

  • Há um componente genético para a doença : concordâncias de:

    • 8% para irmão não gêmeo;

    • 12% para gêmeos dizigóticos;

    • 12% se um dos pais tem esquizofrenia;

    • 40% se dois pais têm esquizofrenia;

    • 47% para gêmeos monozigóticos).

  • Há alterações neuropsiquiátricas freqüentemente identificáveis: as estruturas mais implicadas são o lobo límbico, frontal e os gânglios basais, bem como o tálamo.

    • Observa-se alterações arquiteturais e/ou metabólicas na

      • TC (aumento dos ventrículos laterais e do 3o ventrículo; menor volume cortical geral),

      • RNM (menor volume no complexo parahipocampo-hipocampo-amígdala),

      • SPECT (hipoatividade dos lobos frontais, hiperatividade dos gânglios basais, menor ativação cortical geral nos testes neuropsicológicos).


Esquizofrenia o que3

Esquizofrenia: O que é?

  • Epilepsia parcial complexa: pacientes com tal patologia podem apresentar sintomas semelhantes (epilepsia de lobo temporal);

  • Potenciais evocados:

    • P300: menor e mais lenta que em controles;

    • N100: desenvolve-se de forma lenta;

  • Disfunção de movimentos oculares: inabilidade para seguir um objeto que se move; independe do tratamento e do uso de drogas; é mais freqüente em parentes de 1º grau; presente em 50 a 80% dos pacientes (25 % em pacientes psiquiátricos e 10 % na população geral);

  • Psiconeuroimunologia: menor produção de interleucina 2 pela célula T; menor nº de linfócitos e menor responsividade dos mesmos; reatividade humoral e celular anormal aos neurônios; presença de anticorpos anti-cérebro.

  • Psiconeuroendocrinologia: (1) resposta anormal ao teste de supressão à dexametasona; (2) baixa concentração de LH-FSH; (3) baixa resposta da prolactina e do GRH à estimulação do GnRH e do TRH, e (4) baixa resposta do GRH à estimulação apomorfínica (correlação com sintomas negativos);


Como se inicia

Como se Inicia?


Sinais e sintomas pr m rbidos

Sinais e Sintomas Pré-mórbidos

  • São aqueles que ocorrem antes dos sintomas prodrômicos da doença. Existem antes do processo da doença se instalar.

  • História pré-mórbida:

    • Os pacientes apresentam características esquizóides e esquizotípicas: quietude, passividade e introversão; criança com poucos amigos;

    • Adolescentes que não têm amigos, não saem; passam a ver tv e escutar músicas para evitar o contato; início abrupto de sintomas obsessivo-compulsivos;

    • A família pode notar que o paciente mudou e nota uma queda no funcionamento ocupacional, social e pessoal.

    • O paciente pode desenvolver interesse em idéias abstratas, ocultismo, filosofia e questões religiosas;

    • Comportamento muito peculiar, afetividade anormal, fala estranha, idéias bizarras, experiências perceptuais estranhas;


Sintomas alvo

Sintomas Alvo


Esquizofrenia principais sintomas

I.Sintomas positivos

Delírios Alucinações Discurso desorganizado Catatonia

II.Sintomas negativos

Afeto embotado AlogiaAvolição Anedonia

Disfunção social / ocupacional

Trabalho Relações interpessoais Cuidados pessoais

III.Sintomas cognitivos

Atenção Memória Funções executivas (ex. , abstração)

IV.Sintomas do humor

Disforia Ideação suicida Desesperança

Esquizofrenia: Principais Sintomas


O problema

O Problema


Disfun o neurocognitiva

Disfunção Neurocognitiva

  • Problemas multifacetados e amplos nas medidas neurocognitivas: função executiva, atenção e na memória de trabalho.

  • A disfunção cognitiva é um problema precoce na doença e alguns aspectos podem preceder o início do processo.

  • Goldberg et al (1993): após o 1º episódio, alguns pacientes permaneciam com alterações neurocognitivas pequenas e pouco flutuantes ao longo do tempo; outros desenvolviam alterações progressivas que podiam chegar à demência.

  • Braff et al (1991) e Goldberg et al (1988): estimam que cerca de 40% dos pacientes apresentam prejuízos neurocognitivos.

  • Braff et al (1991) e Saykin et al. (1991): evidenciaram déficits principalmente na função executiva (abstração/flexibilização), atenção, aprendizado verbal e memória verbal, memória de trabalho verbal e espacial, memória semântica e na performance psicomotora.

  • Relacionadas com anormalidades nas áreas frontais e temporais bem como na conectividade entre elas.


Disfun o neurocognitiva1

Disfunção Neurocognitiva

  • Palmer et al (1997 – 171 pacientes esquizofrênicos x 63 controles): apenas 27% dos pacientes apresentavam-se neuropsicologicamente normais;

  • Outros estudos demonstram anormalidades neuropsicológicas em 75% dos pacientes;

  • É parte intrínseca da doença e está presente em jovens e pacientes virgens de tratamento;

  • Os esforços para explicar a esquizofrenia como conseqüência desses déficits neurocognitivos não tem sido validados;

  • O prejuízo cognitivo tem relação intrínseca com o prognóstico funcional e social dos pacientes.


Dist rbios do humor

Distúrbios do Humor

  • Pacientes com esquizofrenia têm distúrbios afetivos;

  • Apresentam vários graus de depressão e sintomas hipomaníacos e maníacos;

  • Os sintomas afetivos devem ser tratados e fazem parte do objetivo terapêutico.

  • Cerca de 50% dos pacientes experimentarão um episódio depressivo ao longo da doença;

  • Cerca de 50% dos pacientes tentam suicídio e 9-13% concretizam.


Qualidade de vida e funcionamento social e laboral

Qualidade de vida e Funcionamento Social e Laboral

  • Apenas 20% dos pacientes com esquizofrenia estão empregados;

  • Os efeitos colaterais das medicações, os distúrbios de humor, as alterações neurocognitivas e a falta de planejamento terapêuticos para essa dimensão da vida do paciente atrapalham sua qualidade de vida, seu funcionamento social e seu engajamento no trabalho.

  • Cerca de 25 a 50% dos pacientes abusam do uso de álcool ou drogas em algum momento de sua vida. Tal comportamento piora a qualidade de vida por potencialmente piorar os sintomas positivos, piorar a função cognitiva e aumentar o risco problemas médicos;

  • Maior morbidade geral para esses pacientes.

  • Maior mortalidade para causas circulatórias, digestivas, endócrinas, respiratórias e cerebrais que controles; doenças fatais relacionadas ao fumo;


O alvo do tratamento

O Alvo do Tratamento


Os alvos

Os Alvos

  • Os sintomas produtivos;

  • Os sintomas negativos;

  • Os sintomas afetivos;

  • Amenizar as perdas neurocognitivas intrínsecas da doença: diagnóstico precoce, tratamento psicofarmacológico e psicossocial efetivos, reengajamento sócio-ocupacional;

  • Tratamento dos efeitos colaterais iatrogênicos;


Evolu o

Evolução


Psicofarmacoterapia

Psicofarmacoterapia

  • Antes da introdução da farmacoterapia em 1950, na grande maioria dos casos, a esquizofrenia evoluía para uma psicose crônica com um mau prognóstico.

  • Opióides e sedativos, bem como o coma insulínico, eram usados na primeira metade do século 20 sem produzir melhoras específicas na psicopatologia ou no curso da doença.

  • O primeiro tratamento somático efetivo foi a eletroconvulsoterapia que hoje tem um uso limitado.

  • A descoberta da clorpromazina em 1954 (Laborit, Delay e Deniker) na França foi o início da nova era da farmacoterapia da esquizofrenia.


Psicofarmacoterapia1

Psicofarmacoterapia

  • A elucidação do papel de bloqueio dos receptores pela clorpromazina levou à descoberta de outras fenotiazinas com eficácia antipsicótica (flufenazina, perfenazina e tioridazina) de outras classes de antipsicóticos igualmente eficazes (haloperidol, sulpirida, molindona, pimozida e tiotixeno).

  • Todos esses agentes produziam sintomas extra-piramidais (SEP): reações distônicas, rigidez muscular, tremores, prejuízo dos movimentos associativos e acatisia. Após meses ou anos de tratamento com neurolépticos, movimentos involuntários anormais da língua, lábios, face e membros (discinesia tardia), ou distonias permanentes (distonia tardia), desenvolveram-se em alguns, mas não todos os pacientes.


Psicofarmacoterapia2

Psicofarmacoterapia

  • A eficácia dos antipsicóticos resulta do bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2 na via mesolímbica cerebral.

  • Os SEP são o resultado do bloqueio do mesmo receptor na via nigro-estriatal (gânglios da base).

  • Descoberta da clozapina em 1959: a busca de medicações que não provocasse tais SEP levou à sua descoberta. Virtualmente ela não produz SEP em humanos.

    • Foi introduzida em 1969 para uso, mas foi logo retirada devido à agranulocitose que produzia.

    • Foi reintroduzida em 1989 por ter sido mais eficaz que os antipsicóticos típicos no tratamento da esquizofrenia refratária.

    • Percebeu-se que não produzia discinesia tardia ou distonia tardia, mas também que poderia suprimir tais sintomas em alguns pacientes.


Psicofarmacoterapia3

Psicofarmacoterapia

  • Desenvolvimento da classe de Antipsicóticos Antagonistas dos receptores serotonérgicos e dopaminérgicos:

    • A hipótese de que o efeito diferenciado da clozapina referia-se à sua baixa potência de bloqueio de D2 e à sua alta potência de antagonismo dos receptores 5HT2A levou ao desenvolvimento de um grupo com propriedades farmacológicas similares: risperidona, olanzapina, quetiapina e ziprasidona).

  • Prioridade: tal classe de medicações têm sido usadas com maior freqüência e prioridade à medida que trabalhos recentes demonstram sua eficácia maior tanto em sintomas produtivos quanto nos sintomas negativos da doença.


Tratamento

Tratamento


Tratamento na fase pr m rbida

Tratamento na Fase Pré-mórbida

  • Fase pré-mórbida precoce: déficits sutis no campo social, comportamental, cognitivo e intelectual antes do início dos sintomas prodrômicos e psicóticos ativos:

    • Déficits cognitivos, baixa inteligência, desenvolvimento motor retardado, coordenação motora prejudicada, sinais neurológicos leves, isolamento social, timidez, hiperatividade e transtorno de conduta – Baixo valor preditivo (1-2%);

    • Cornblatt et al (2000): déficits de atenção medidos pelo “Continuous Performance Task” é uma boa marca preditiva para os transtornos de espectro esquizofrênico.


Tratamento na fase pr m rbida1

Tratamento na Fase Pré-mórbida

  • Fase pré-mórbida tardia:

    • Keshavan et al (2000 – adolescentes filhos de esquizofrênicos): identificou os seguintes riscos: transtorno de eixo I, problemas de atenção, leves sinais neurológicos, disfunção dos movimentos oculares e evidência de alterações cerebrais leves à RNM semelhante àquelas da esquizofrenia;

    • Davidson et al (99-2000): identificou déficits no funcionamento social e no QI que juntos tiveram valor preditivo de 72%;


Tratamento na fase prodr mica

Tratamento na Fase Prodrômica

  • Huber e Klosterkoetter (2000): alterações sutis da experiência subjetiva dos afetos, do processo do pensamento e da percepção, e sintomas de alteração da motivação e baixa tolerância ao estresse.

  • Moller (2000): enfatiza aspectos como distúrbios na percepção do self e uma extrema preocupação com idéias; problemas de absenteísmo na escola, mudança ou perda do interesse, mudança na aparência e no comportamento; depressão e ansiedade; clara queda no funcionamento;

  • Desenvolvimento de Escalas para o acesso correto aos sintomas:

    • Comprehensive Assessment of At Risk Mental States (CAARMS): grupo de Melbourne;

    • Lencz et al (2000): International Personality Disorder Examination (IPDE);

    • Scale of Prodromal Symptoms (SIPS);

    • Structured Interview for Prodromal Symptoms;

  • Taxas de conversão para a psicose: variam de 21 a 41%;


Tratamento na fase prodr mica1

Tratamento na Fase Prodrômica

  • O tratamento nessa fase demonstra benefícios aos pacientes: previne o início do quadro, retarda o aparecimento do quadro e reduz a severidade dos sintomas;

  • Phillips e McGorry (99-2000):

    • Pacientes em fase prodrômica, randomizados e seguidos por 6 meses; trat com risperidona, 1-2 mg/d, antidepressivos e ansiolíticos SOS; 12-24 sessões de terapia cognitiva-comportamental – 32 x 28);

      • Conversão para psicose: 36% dos controles x 12,5% dos tratados (P< 0,05);


Tratamento da fase aguda

Tratamento da Fase Aguda

  • Período de aumento dos sintomas positivos

    • Objetivos: o controle dos sintomas positivos e o preparo do paciente para o tratamento ao longo prazo;

    • Não é incomum que os pacientes tenham cerca de 20 a 30 episódios agudos em suas vidas. Tais recorrências podem advir do não uso da medicação, falha na prescrição de clozapina a pacientes resistentes à risperidona ou olanzapina;

    • Existem evidências de que cada episódio psicótico prolongado sem tratamento pode ter conseqüências prejudiciais;

  • Período de remissão dos sintomas

    • Os sintomas reaparecerão se o paciente interromper o tratamento: recaída em dias ou meses;

    • Objetivos: supressão dos sintomas, prevenção de recaídas e reabilitação à função laboral e social;

  • Fase residual

    • O risco de exacerbação dos sintomas sem o antipsicótico é menor. Os pacientes podem não precisar do neuroléptico;

    • Objetivo: reabilitação e integração social;


Psicofarmacologia na fase aguda

Psicofarmacologia na Fase Aguda

  • Os antipsicóticos atípicos podem ser preferíveis devido ao baixo perfil para SEP;

  • Os antipsicóticos típicos e atípicos são efetivos no tratamento de uma exacerbação dos sintomas;

  • O índice de remissão é de 75% em dias ou meses; Cerca de 10% dos pacientes no 1º surto não respondem com os antipsicóticos típicos e necessitam dos atípicos;

  • A maioria dos pacientes mostram uma máxima resposta em 6 semanas; caso não haja melhora do quadro nesse tempo, deve-se tentar os atípicos;

  • Não existem evidências de melhor eficácia entre os neurolépticos típicos (Baldessarini et al, 1988; Kane e Marder, 1993);


Antipsic ticos at picos

Antipsicóticos Atípicos

  • Características dos Antipsicóticos Atípicos:

    • Menor risco de efeitos colaterais neurológicos;

    • Menor aumento da secreção de prolactina;

    • Perda do antagonismo dopamínico como principal ação;

    • Possui ação antagonista não-dopamínica importante;

    • Possui maior eficácia no tratamento de sintomas negativos.

  • Drogas de primeira escolha (exceto a clozapina);

  • Sintomas negativos: melhor resposta com ARSD  melhoram a qualidade de vida;

  • Estudos farmacoeconômicos  a melhor eficácia sobrepõe-se ao custo aumentado (2o ano);

  •  no de suicídios,  uso de cigarro,  risco de intoxicação hídrica,  risco de discinesia tardia;

  • Estabilizadores do humor: risperidona, olanzapina e ziprasidona (possível);


Antipsic ticos at picos1

Antipsicóticos Atípicos

  • Risperidona

    • Eficácia igual ou superior aos típicos;

    • É tão eficaz quanto o haloperidol no tratamento das exacerbações agudas e mais eficaz para o tratamento dos sintomas negativos;

    • Green et al (1997): melhora a memória de trabalho;

    • Não existem evidências consistentes de que o risco para discinesia tardia seja menor que dos típicos;

    • Está associada com aumento dos níveis de prolactina comparável aos convencionais;

    • Pode induzir hipomania em alguns pacientes;

    • Dose ótima próxima de 4 mg/d;

    • Aumento de peso: 88% < 10kg; 8,6% > 10kg; 25 % perde peso;


Antipsic ticos at picos2

Antipsicóticos Atípicos

  • Olanzapina

    • Mostra-se efetiva no tratamento dos episódios agudos e nas formas crônicas; eficaz no 1º episódio;

    • Baixo perfil de SEP, mesmo em doses altas; melhor tolerância que a risperidona;

    • É estruturalmente relacionada à clozapina;

    • Eficaz nas doses de 5-20 mg/d;

    • Eficácia superior ao haloperidol quanto aos sintomas positivos e negativos (Tollefson e Sanger, 1997);

    • Há evidências de que é eficaz no tratamento de esquizofrenia refratária;

    • Estudos mostram que o tratamento a longo prazo com a olanzapina está associado melhor adesão, poucas recaídas, e grande melhora da qualidade de vida;


Antipsic ticos at picos3

Antipsicóticos Atípicos

  • Olanzapina

    • Menor risco na produção de discinesia tardia (7%) comparada ao haloperidol (16,2%): estudo comparando 707 pacientes com olanzapina em 237 dias x 197 pacientes com haloperidol em 203 dias.

    • Principais efeitos colaterais são ganho de peso (66% = <10kg; 7% > 20kg; 20% perde ou não ganha peso) e sedação;

    • Não aumenta os níveis de prolactina;

    • A aderência ao tratamento é maior com a olanzapina;

    • Possui efeitos benéficos quanto às funções cognitivas;

    • Pode produzir sintomas hipomaníacos;

    • Apresenta-se como um bom estabilizador de humor;

    • Apresenta características antidepressivas e tem sido usada com sucesso como auxílio eficaz na depressão refratária;


Antipsic ticos at picos4

Antipsicóticos Atípicos

  • Olanzapina

    • García-Gabeza et al (2001 – pacientes ambulatoriais com esquizofrenia usando olanzapina (10mg/d), risperidona (6,0 mg/d) e haloperidol – 10 mg/d);

      • A resposta subjetiva foi medida com o Drug Attitude Inventory (DAÍ-10);

      • A adesão ao tratamento foi medida por psiquiatras usando uma medida categórica de 4 pontos;

      • Amostra: olanzapina (2128), risperidona (417) e haloperidol (112);

        • Olanzapina: significativamente mais escores no DAI-10 e melhor adesão ao tratamento; comparada à risperidona e ao haloperidol.

        • Risperidona: maior DAI-10 e adesão que o haloperidol;

    • Aumento de peso: mecanismo não muito bem compreendido. Fatores de risco: bom prognóstico e evolução, aumento do apetite, IMC normal; o ganho de peso tende a chegar a um platô em 36 semanas


Antipsic ticos at picos5

Antipsicóticos Atípicos

  • Olanzapina

    • Dossenbach et al (2001 –Estudo aberto, multicêntrico de 34 pacientes não responsivos ou intolerantes à risperidona em 46,3 dias de tratamento – dose entre 4-12 mg/d de risperidona, 18-65 anos):

      • Escala: PANSS (119,4 ±26,9);

      • Eficácia: melhora dos sintomas em 6 semanas (-22,2 ± 19,5) e em 14 semanas (-28,7 ± 22,3);

        • 58,8% dos pacientes atingiram uma redução ≥ 20% na PANSS.

        • 50% melhorou em 4 semanas;

        • Melhora dos sintomas positivos, negativos, na psicopatologia geral e nos sintomas de humor;


Antipsic ticos at picos6

Antipsicóticos Atípicos

  • Quetiapina

    • Eficácia superior ao placebo e comparável à clorpromazina (Goldstein e Arvanitis, 1995; Small et al, 1997);

    • Não houve evidências de superioridade quanto aos sintomas positivos e negativos comparada ao haloperidol (Arvanitis, 1997);

    • Deve ser administrada em 2 doses diárias (200-750 mg/d – dose ótima = 300 mg/d);

    • Não produz aumento da prolactina e tem um dos melhores perfis para não produzir SEP (igual ao placebo);

    • Efeito colateral potencial: catarata;


Antipsic ticos at picos7

Antipsicóticos Atípicos

  • Ziprasidona

    • Está associada ao prolongamento do intervalo QT;

    • Tem um ação agonista de 5HT1A: possível ação benéfica como ansiolítico e antidepressivo;

    • Eficaz no tratamento de sintomas positivos, negativos e sintomas de humor;

    • Produz menos ganho de peso que os demais atípicos e tem um perfil favorável quanto aos SEP e ao aumento da prolactina;


Antipsic ticos at picos8

Antipsicóticos Atípicos

  • Clozapina

    • Não é um antipsicótico de primeira linha pelo fato de potencialmente produzir agranulocitose (0,8%, mortalidade de 0,01%);

    • É tão eficaz quanto outros antipsicóticos convencionais;

    • Há evidências que demonstram sua eficácia superior para o tratamento da esquizofrenia refratária em relação aos demais antipsicóticos, principalmente quanto às medidas cognitivas (Lee et al, 1994);

    • Tem o menor perfil para a produção de SEP e discinesia tardia;

    • É a melhor opção de tratamento para a discinesia tardia moderada ou grave;

    • Eficaz na diminuição dos sintomas maníacos e depressivos nos pacientes com transt. esquizoafetivo resistente;

    • Diminui o nº de suicídios em pacientes com esquizofrenia ou transt. esquizoafetivo resistentes ao tratamento.


O futuro aripiprazole

O Futuro: Aripiprazole

  • É um estabilizador do sistema dopaminérgico:

    • Agonista parcial dos receptores D2;

    • Agonista parcial de 5HT1A;

    • Antagonista do receptor 5HT2A.

  • Significativamente melhor que o placebo na prevenção de recaídas;

  • Melhor tolerabilidade e eficácia que o haloperidol;

  • Estudo de 52 semanas com 1294 pacientes esquizofrênicos com recaída:

    • Associação com melhora dos sintomas positivos, negativos e depressivos;

    • Sintomas positivos: eficácia comparada ao haloperidol;

    • Sintomas negativos e depressivos: mais eficaz que o haloperidol;

    • Poucos SEP e acatisia comparado ao haloperidol;

  • Estudo de 26 semanas com 310 pacientes na esquizofrenia crônica estável:

    • Previniu a recaída 2 vezes mais que o placebo;

    • Melhora dos sintomas produtivos;

    • Não alterou peso e não houve SEP diferentes do placebo;

  • Estudo de 311 pacientes esquizofrênicos estáveis (troca de olanzapina, risperidona e haloperidol para aripirazole):

    • Melhora dos sintomas e redução dos efeitos colaterais de todos os grupos;


Tratamento baseado em evid ncias

Tratamento Baseado em Evidências

Treinamento para o auto-cuidado

Medicação

Tratamento Ideal

Trabalho Assistido

Tratamento Comunitário Assertivo

Tratamento de pacientes com abuso de drogas

Psicoeducação familiar


Treinamento para o auto cuidado

Treinamento para o auto-cuidado

  • Psicoeducação:

    • Informações sobre a natureza da doença e característica dos sintomas;

    • Ação medicamentosa e efeitos colaterais;

    • Explicação das metas e regras do tratamento;

    • Aprender a manejar o estresse;

    • Reconhecer os sinais precoces de recaída;

  • Treinamento para tarefas sociais

    • Formação;

    • Lazer;

    • Feedbacks positivos e corretivos;

    • Programa para prática de tarefas em situações de vida real;

  • Terapia cognitiva

    • Ensina a avaliar a realidade mágica dos pensamentos delirantes, testar suas crenças, formular alternativas, encontrar explicações mais plausíveis;

  • Treinamento para lidar com estresse

    • Relaxamento, melhorar a conversa intra-pessoal para o manejo de sintomas delirantes, alucinações ou depressão persistentes;


Treinamento para o auto cuidado1

Treinamento para o auto-cuidado

  • Eficácia

    • O Treinamento que combina psicoeducação e outras estratégias são mais efetivas para a melhora do prognóstico da doença comparado ao tratamento convencional;

    • Claramente melhora o funcionamento social, os relacionamentos sociais, o lazer e a habilidade de cuidar de si próprio;

    • Apresenta pouca eficácia na prevenção de recaídas e hospitalização;

    • A terapia cognitiva tem demonstrado eficácia na diminuição da severidade dos sintomas psicóticos e alguns trabalhos mostram uma diminuição da utilização de serviços psiquiátricos;


Tratamento comunit rio assertivo

Tratamento Comunitário Assertivo

  • Envolve a coordenação e a providência adequada para o suporte direto quanto às medicações, as finanças, a moradia e ao acesso aos serviços de apoio.

  • Composto de um time multidisciplinar, poucos pacientes por médico (10), ajuda a domicílio, rápido acesso aos serviços médicos;

  • Melhora substancialmente a utilização dos serviços hospitalares e melhora a qualidade de vida independente;

  • O Custo é mais barato comparado ao sistema tradicional;


Psicoeduca o familiar

Psicoeducação Familiar

  • Dá suporte educacional e aumenta a capacidade de lidar e tolerar o estresse na família melhorando a qualidade do cuidado familiar e diminuindo as hospitalizações;

  • Promove um relacionamento colaborativo entre a família, o paciente e a equipe;

  • Melhora o suporte social e a empatia;

  • Dá informações sobre a doença e seu cuidado;

  • Fornece estratégias para lidar com o estresse e evitá-lo;

  • Tem pequeno impacto na severidade e no curso da doença;

  • Intervenções familiares a longo prazo têm um efeito positivo, reduzindo o risco de recaída em 25 a 50% em 2 anos.

  • Melhora a qualidade de vida da família;


Trabalho assistido

Trabalho Assistido

  • Consiste no apoio para o reengajamento laboral do paciente: busca por empregos adequados, atenção à escolha do paciente e suporte prolongado e individualizado;

  • Consistentemente produz uma melhor competitividade e melhora do número de horas de trabalho;


Tratamento do abuso de subst ncias

Tratamento do abuso de substâncias

  • Tais pacientes tendem a não ser tratados pelos serviços especializados em abuso de drogas;

  • Tais indivíduos estão mais sujeitos a comorbidades e morbi-mortalidade, bem como para a vida nas ruas, prisões, hospitalizações, HIV e a um custo maior para o serviço de saúde;

  • Adequação do serviço a tais pacientes, medicações, moradia, reabilitação vocacional e a intervenção familiar são necessários;

  • Tal tratamento gera melhora dos sintomas e está associado a uma melhora do abuso reduzindo o risco de recaídas.


Resumo

Resumo

  • O tratamento da esquizofrenia deve ser pautado num planejamento multidisciplinar para que o paciente possa ter capacidade mínima de se reengajar nas atividades sociais e manter sua funcionalidade;

  • Deve-se focalizar a melhora cognitiva, a adesão ao tratamento, o controle dos efeitos colaterais das medicações;


Refer ncias

Referências

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