SER “SAL” E “FERMENTO”: MEU CHAMAMENTO MEU DESAFIO
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2. CARACTERIZAÇÃO DA SOCIEDADE ACTUAL - PowerPoint PPT Presentation


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SER “SAL” E “FERMENTO”: MEU CHAMAMENTO MEU DESAFIO(Por D. José Manuel Imbamba)2. INTRODUÇÃOO tema que me foi confiado é sugestivo, actual e urgente num mundo cada vez mais secularizado como o nosso. Enquadra-se singularmente na essência da vocação de todo o baptizado, seguidor de Jesus Cristo.Com efeito, Jesus, enquanto enviado pelo Pai para resgatar os oprimidos, no desenrolar da sua missão, depara-se com o muro das estruturas de injustiça e pecado bem alicerçadas. E é neste contexto adverso que Ele lança as bases para uma transformação radical da mentalidade das pessoas: eis o sermão da montanha (Mt. 5, 1-12; Lc. 6, 20-23) que se bate contra a moral farisaica assente na mentira, hipocrisia, falsidade, ostentação, discriminação e a falta de compromisso para com os mais necessitados.

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Por isso, as pessoas da nova aliança não devem conformar- se com o mundo do pecado, da injustiça e da opressão. Por conseguinte, devem ser ‘sal’, ‘luz’ e ‘fermento’; devem ser sinal de contradição, instaurando um novo modo de viver que exige mudança, conversão, compromisso radical com a verdade e com a justiça, numa busca constante do Reino de Deus. O segredo de tudo isto está no amor, a nova arma de que a nova criatura se deve munir.Que implicações tem esta nova mensagem na vida do discípulo na sua dimensão pessoal, social, política, económica e religiosa, é o que vamos procurar responder ao longo desta explanação que pretende ser um estímulo e uma provocação, ao mesmo tempo, perante os vários desafios que o mundo actual e a cultura que dele deriva impõe a todos nós.

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2. CARACTERIZAÇÃO DA SOCIEDADE ACTUAL

Encontramo-nos a viver num mundo cuja cultura foi forjando e moldando uma sociedade que, cada vez mais, leva as pessoas e os Estados a exaltar o individualismo, o egoísmo, a indiferença, o cinismo e o subjectivismo, apesar da consciência sempre crescente de pertencermos todos à mesma aldeia global.

As novas filosofias estão a esvaziar o conteúdo espiritual das pessoas humanas: elas já não valem por aquilo que são, mas por aquilo que fazem, produzem, realizam e exibem em termos de poder, riqueza, fama, proveniência, raça, cor, etc., fazendo nascer os complexos de superioridade para uns e de inferioridade para outros. Como consequência, o sentido da vida e da existência está sempre mais orientado para as coisas, para o paraíso terrestre; a ética já não interessa pois o que mais conta são os resultados.

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  • Daí a degeneração interior das pessoas passando a viver habitual e permanentemente num ambiente altamente viciado pela crise da verdade, do pensamento, da moral e da virtude, exaltando o fascínio pelo poder (político, económico e religioso), pelo hedonismo, pela fama, ciência e técnica, em que a ditadura do dinheiro vai ditando as suas regras assassinas e empobrecedoras. É a era do culto ao materialismo e ao consumismo; é a era, como diz o S. Padre, do descartável (comunidades humanas) e da marginalização.

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  • Portanto, assiste-se a uma perigosa degradação moral das pessoas humanas que se encontram a viver num mundo que em vez de ideais só lhe oferece coisas; em vez de prestar culto a Deus, presta culto à Ciência, à técnica e aos seus artefactos; em vez de cultivar a sua dignidade e beleza espiritual, cultiva a sua miséria e os seus instintos animalescos; em vez de incentivar o compromisso, a responsabilidade e a solidariedade, exibe o relativismo ético, a transgressão e a perversão dos hábitos e costumes… Enfim, estamos num mundo cada vez mais secularizado em que as próprias pessoas humanas, em nome de falsas liberdades, se impõem leis e práticas anti-humanas!

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  • Desta feita, o estilo de vida social, consequência da sociedade caracterizada pela actividade industrial e pela actividade burocrático-administrativa, produz um estilo de vida social dependente da técnica e uma mentalidade operativo-funcional (MARMONE, J. M., Raicessocialesdel ateísmo, Madrid, Fundación Santa Maria, 1985, p. 9). Esta mentalidade vai reflectir um empobrecimento do pensamento (pensamento débil) que se traduz no raciocínio tecnológico. Cumpre-se o que foi referido por Max Weber: “uma racionalidade tecnologico-instrumental que coisifica o ser humano”, passando a nutrir-se de futilidades, banalidades e das misérias culturais. Eis o “tempo dos objectos”, no dizer de JeanBaudrillard, o tempo da felicidade entendida como consumo hedonista que é a salvação pelos objectos que procuram a satisfação de necessidades provocadas artificialmente.

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  • Evidentemente, o indivíduo humano actual vive numa busca inútil de significado. A liberdade já não é uma opção comprometida e coerente numa acção que amadurece e progride com a vivência do sujeito, mas consiste em não renunciar a nada… A referência a Deus passa a ser repugnante, porque inibidora…

  • Neste contexto de crise do pensamento e da verdade despontam e proliferam as seitas com as novas e falsas teologias da prosperidade, do sucesso, do poder, da fama e da sorte, oferecendo uma moral sem compromisso, sem sacrifício nem renúncia; propondo uma vida de luxo sem trabalho, uma salvação sem conversão porque Deus faz tudo, anulando o empenho e a responsabilidade do sujeito.

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  • Estas são as novas modas de vida que o mundo global está a exportar e a impor. Abordando já o nosso contexto africano, a tudo isto vamos acrescentar outras sombras que ainda mantêm as comunidades humanas aquém da dignidade consentida: o obscurantismo, o analfabetismo, o tribalismo, a feitiçaria, o fundamentalismo religioso e cultural, a miséria, a pobreza, a intolerância política, económica e religiosa, o paganismo, guerras e tantas outras manifestações ruins que exaltam e fomentam a opressão e a exclusão social.

  • Este é o quadro sombrio e desafiador que o nosso mundo nos apresenta e é nele que somos chamados a ser ‘sal’, ‘luz’ e ‘fermento’.

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  • 3. O LEIGO E SUA MISSÃO exportar e a impor. Abordando já o nosso contexto africano, a tudo isto vamos acrescentar outras sombras que ainda mantêm as comunidades humanas aquém da dignidade consentida: o obscurantismo, o analfabetismo, o tribalismo, a feitiçaria, o fundamentalismo religioso e cultural, a miséria, a pobreza, a intolerância política, económica e religiosa, o paganismo, guerras e tantas outras manifestações ruins que exaltam e fomentam a opressão e a exclusão social.

  • A Igreja vive numa comunhão orgânica: “ ela, de facto, caracteriza-se pela presença simultânea da diversidade e da complementaridade das vocações e condições de vida, dos ministérios, carismas e responsabilidade. Graças a essa diversidade e complementaridade, cada fiel leigo está em relação com todo o corpo e dá-lhe o seu próprio contributo” (João Paulo II, Christifideleslaici, n. 20). É esta beleza que faz da Igreja um corpo vivo em marcha para que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (cf. Ef. 4, 7.11-13; Rom 12, 4-8).

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  • Assim, a vocação e missão dos fiéis leigos tornam-se perceptíveis nesta dinâmica de convívio dos carismas e de participação activa e consciente na construção do Reino de Deus. A Igreja é obra de todos, tendo Cristo à cabeça. Por isso, segundo a Constituição Lumen gentium, “por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Baptismo, constituídos em povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo de Deus” (L G, 31).

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  • Tudo isto porque o discípulo de Cristo já não vive sob o jugo da lei farisaica (falsidade, hipocrisia) ou das leis humanas (injustiça e opressão), mas sim, passa a ser animado pela lei da graça, a lei do espírito, a lei do amor em virtude da qual é chamado a ir além da norma comum, a “ser mais” para “fazer mais” e “partilhar mais”. Trata-se duma lei que transforma a pessoa desde o interior para fazer dela uma nova criatura em Cristo: nova em todas as dimensões da sua vida pessoal, social e cultural. “A graça interior, como sabemos, influi nas faculdades espirituais do homem, isto é, ilumina a inteligência em ordem ao conhecimento da verdade e reforça a vontade na procura do bem” (Paulo Dalla Costa, Teologia Moral Fundamental, SML, 1998, p. 144).

  • É com estes renovados sentimentos que todo o povo de Deus se lança à evangelização: a sua missão por excelência é anunciar o Evangelho para que ninguém viva nas trevas do mal e do pecado. O “ide e ensinai” (Mc 16, 15) ecoa forte na consciência de cada baptizado. Como concretizar isto no nosso dia-a-dia?

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  • 4. SER “SAL” E “FERMENTO” NA COMUNIDADE POLÍTICA jugo da lei farisaica (falsidade, hipocrisia) ou das leis humanas (injustiça e opressão), mas sim, passa a ser animado pela lei da graça, a lei do espírito, a lei do amor em virtude da qual é chamado a ir além da norma comum, a “ser mais” para “fazer mais” e “partilhar mais”. Trata-se duma lei que transforma a pessoa desde o interior para fazer dela uma nova criatura em Cristo: nova em todas as dimensões da sua vida pessoal, social e cultural. “A graça interior, como sabemos, influi nas faculdades espirituais do homem, isto é, ilumina a inteligência em ordem ao conhecimento da verdade e reforça a vontade na procura do bem” (Paulo

  • Aqui vamos procurar nos ater aos ensinamentos do Concílio Vaticano II, cuja riqueza ainda não desfrutamos totalmente.

  • A pessoa humana é um ser social. Realiza-se vivendo “com” e “para” os outros. Daí a necessidade da autoridade e da participação de todos na prossecução e realização do bem comum e na criação daquelas condições indispensáveis para que as pessoas vivam dignamente, isto é, tenham uma vida plenamente humana. Por isso, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também, as alegrias, as esperanças, as tristezas as angústias dos discípulos de Cristo… A Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história” (GS 1).

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  • O cristão não pode mover-se à margem das suas responsabilidades cívicas, como bem recordava o Papa João Paulo II: “Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido do exposto de serviço à pessoa e à sociedade. os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política, ou seja, na múltipla e variada acção económica, social, legislativa, administrativa e cultural destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum… Todos e cada um têm o direito e o dever de participar na política, embora na diversidade e complementaridade de formas, níveis, funções e responsabilidades”. (João Paulo II op, cit., n. 42). Por isso, “ a Igreja toma e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal encargo, ao serviço dos homens […]. Todos os cristãos tenham a consciência da sua vocação especial e própria na comunidade política; por ela são obrigados a dar exemplo de sentida responsabilidade e dedicação pelo bem comum, de maneira a mostrarem também com factos como se harmonizam a autoridade e a liberdade, a iniciativa pessoal e a solidariedade do inteiro corpo social, a oportuna unidade com a proveitosa diversidade. Reconheçam as legítimas opiniões, divergentes entre si, acerca da organização da ordem temporal, e respeitem os cidadãos e grupos que as defendem honestamente. Os partidos políticos devem promover o que julgam ser exigido pelo bem comum, sem que jamais seja lícito antepor o próprio interesse ao bem comum (GS 75).

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  • Como podemos nos aperceber, a missão dos fiéis leigos neste campo é clara, oportuna e necessária, tendo em conta que não podemos confinar a política nos partidos políticos ou nos processos eleitorais, unicamente. “ A política é aquela dimensão da autoridade humana que leva a procurar e realizar o bem comum da sociedade, construir uma ordem justa, e nesta perspectiva nenhum âmbito da vida social fica de fora”… (Guzmán Carriquiry, Criteri e modalità per la formazione dei fedeli laici all’impegno politico, in Testimoni di Cristo nella comunità Política, Ed. Vaticano, Roma, p. 116).

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  • Num mundo em que cresce cada vez mais uma mentalidade hostil aos direitos naturais, à dignidade da pessoa humana e à referência ao Tu Absoluto (Deus), não podemos consentir que haja um deficit de presença dos fiéis leigos neste âmbito concreto da vida social, embora também estejamos conscientes que, infelizmente, nem sempre tal presença se reverte a favor da defesa dos princípios e leis que favoreçam os direitos humanos. Basta vermos o que está a acontecer em muitos países ocidentais tradicionalmente cristãos! Por isso, o Papa Emérito Bento XVI, falando aos Bispos brasileiros e referindo-se de modo particular aos cristãos dizia: “ é preciso trabalhar incansavelmente a favor da formação dos políticos” (Bento XVI, Discurso durante l’incontro com l’episcopato brasileiro nella catedral da Sé a SanPaolo, in L’ Osservatore Romano, 13 maggio 2009,8). Aliás, os Bispos Latino americanos constatam isto mesmo quando dizem: “se muitas das actuais estruturas geram pobreza, em parte isto é devido à falta de fidelidade aos compromissos evangélicos por parte de muitos cristãos com especiais responsabilidades políticas, económicas e culturais” (V Conferencia General del Episcopado Latino-americano y del Caribe, Documento de Aparecida, n.501).

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  • Portanto, já não se podem consentir determinados silêncios e posturas dos cristãos leigos perante as opressões reiteradas que o mundo hoje exibe contra a dignidade da família, da pessoa humana, da vida humana e dos direitos inalienáveis. Neste sentido, o “Sal” e o “Fermento” são mesmo necessários para tornar a dar sabor à existência humana e para levedar as virtudes sociais, humanas e culturais que as tendências filosóficas actuais querem sepultar a todo custo. Em outros termos, urge evangelizar a política, urge injectar a ética autêntica na política.

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  • 5. SER “SAL” E “FERMENTO” NA COMUNIDADE ECONÓMICA. silêncios e posturas dos cristãos leigos perante as opressões reiteradas que o mundo hoje exibe contra a dignidade da família, da pessoa humana, da vida humana e dos direitos inalienáveis. Neste sentido, o “Sal” e o “Fermento” são mesmo necessários para tornar a dar sabor à existência humana e para levedar as virtudes sociais, humanas e culturais que as tendências filosóficas actuais querem sepultar a todo custo. Em outros termos, urge evangelizar a política, urge injectar a ética autêntica na política.

  • Aqui está o outro grande campo de batalha onde os fiéis leigos devem saber espalhar o “sal” e o “ fermento”, visto que é neste âmbito que se fazem sentir as consequências nefastas das políticas erradas e reducionistas que só geram pobreza e miséria. A crise financeira que abalou o mundo é o pequeno reflexo do macro-quadro de injustiça sobre o qual está assente o mundo de hoje.

  • Na ChristifidelesLaici, o Papa João Paulo II diz-nos: “ o serviço prestado à sociedade pelos fiéis leigos tem o seu ponto essencial de acção na questão económico-social, cuja chave é dada pela organização do trabalho […].

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  • Entre os princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja encontra-se o do destino universal dos bens: os bens da terra são, no desígnio de Deus, oferecidos a todos os homens e a cada um deles como meio de desenvolvimento de uma vida autenticamente humana. A propriedade privada que, precisamente por isso, possui uma intrínseca função social, está no serviço deste destino. Concretamente o trabalho do homem e da mulher representa o instrumento mais comum e mais imediato para o progresso da vida económica, instrumento que constitui simultaneamente um direito e um dever para cada homem” (n.43).

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  • Até que ponto o nosso trabalho concorre para a promoção do bem comum? Porque é que o trabalho, de instrumento de promoção e de realização do homem, se converteu em instrumento da sua alienação e desumanização? Como travar o fosso abismal de desigualdades sociais que a ditadura do dinheiro está a provocar? Como sanear as bem montadas estruturas de vícios, injustiças e fraudes? Afinal, o que fazer para que a luz do Evangelho esteja presente nas consciências dos gestores, para que nas suas acções se comprometam com a dignidade da pessoa humana, com a verdade e com a justiça? Eis a grande provocação; eis a vossa missão, tendo sempre presente o que o Concílio Vaticano II recomenda: “ também na vida económica e social se devem respeitar e promover a dignidade e a vocação integral da pessoa humana e o bem de toda a sociedade. Com efeito, o homem é protagonista, o centro e fim de toda a vida económico-social” (GS 63).

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  • Isto faz com que cultivemos “uma visão da economia inspirada em valores morais que permitam nunca perder de vista nem a origem nem a finalidade dos bens universais, de modo a realizar um mundo equitativo e solidário, um mundo mais humano e inclusivo, onde o progresso de uns não seja um obstáculo ao desenvolvimento de outros, nem um pretexto para a sua sujeição” (Bispos da CEAST, Mensagem Pastoral, Por uma Justiça Económica, 2006 n.2).

  • Daqui brota a necessidade de relançarmos as bases antropológicas e axiológicas do trabalho humano para que seja tido não como um pesadelo, ou simplesmente em função do lucro, mas sim como um meio indispensável para a promoção e realização da pessoa humana, cooperando com Deus na obra da criação. Com este modo de agir, a consciência de trabalhar pelo bem comum, há-de impor-se cada vez mais e em todos estará presente o sentido de justiça e de solidariedade. Recordam os Bispos da CEAST que “ a justiça económica e a paz social só se alcançam seguindo o princípio do bem comum. Este trata, exactamente do conjunto daquelas condições indispensáveis e de vida social que permitem aos grupos e a cada um dos seus membros atingir de maneira mais completa e desembaraçadamente a própria perfeição” (Ibidem, n. 6).

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  • Devemos, por conseguinte, injectar uma certa mística no trabalho para que todos se empenhem “ com competência profissional, honestidade humana, espírito cristão” na construção da cidade humana onde todos possam participar da mesma mesa do banquete, convivendo pacificamente com todos e com a natureza (Questão ecológica).

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  • 6. SER “SAL” E “FERMENTO” NA COMUNIDADE CULTURAL trabalho para que todos se empenhem “ com competência profissional, honestidade humana, espírito cristão” na construção da cidade humana onde todos possam participar da mesma mesa do banquete, convivendo pacificamente com todos e com a natureza (Questão ecológica).

  • O areópago cultural representa um grande desafio para a Igreja no seu todo. O homem hoje está a ser vítima das suas próprias culturas ruins que vai produzindo, e ao querer fazer passar o cultural por natural. De facto, as novas modas culturais hodiernas mais não fazem senão reter e fazer retroceder aquele “ élan vital” que Blondel reconhecia na pessoa humana, exaltando o instinto em vez da razão, o vício em vez da virtude, a matéria em vez do espírito e a criatura em vez do Criador.

  • Já no nosso contexto africano, deparamo-nos também com muitos problemas preocupantes: apego cego à tradição, a feitiçaria e suas crendices, o mundo da magia, a explicação fantasiada com ressaibos de mitologias dos fenómenos naturais e sociais; todos esses são problemas que nos colocam de costas viradas ao desenvolvimento e ao progresso humano e social. Cultivamos aquilo que eu amo chamar “cultura da incultura”, aquela cultura que de facto não cultiva, não eleva nem dignifica a pessoa humana porque que em vez de a humanizar, a animaliza.

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  • Como podemos ver, este é um terreno árido para desbravar, mas felizes ficaremos quando, espalhando o “sal” e o “fermento”, virmos a transfiguração da cultura que como tal “deve ser considerada como o bem comum de cada povo, a expressão da sua dignidade, liberdade e criatividade; o testemunho do seu percurso histórico. Dum modo particular, só dentro e através da cultura é que a fé cristã se torna histórica e criadora de história” (João Paulo II, Op.Cit. N.44).

  • Porque infelizmente o quadro acima pintado apresenta-nos “ uma cultura divorciada não só da fé cristã, mas até dos próprios valores humanos” (Ibidem), além do vazio que a cultura científica e tecnológica deixa quanto ao sentido último da existência humana.

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  • Por isso, diz o Papa na mas felizes ficaremos quando, espalhando o “sal” e o “fermento”, virmos a transfiguração da cultura que como tal “deve ser considerada como o bem comum de cada povo, a expressão da sua dignidade, liberdade e criatividade; o testemunho do seu percurso histórico. Dum modo particular, só dentro e através da cultura é que a fé cristã se torna histórica e criadora de história” (João Paulo II, ChristifidelesLaici, “a Igreja pede aos fiéis leigos que, guiados pela coragem e pela criatividade intelectual, estejam presentes nos lugares privilegiados da cultura, como são o mundo da escola e da universidade, os ambientes de investigação científica e técnica, os lugares da criação artística e da reflexão humanística. Tal presença tem como finalidade não só o reconhecimento e a eventual purificação dos elementos da cultura existente, criticamente avaliados, mas também a sua elevação, graças aos contributos das originais riquezas dos Evangelho e da Fé cristã” (Ibidem).

  • A missão, caros leigos, é muito enpenhativa e exige abnegação, entrega, espírito de sacrifício, porque para a Igreja, diz ainda o Papa, “ não se trata tanto de pregar os Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações maiores em dimensões de massas, mas de chegar a atingir e como que modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linha de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio de salvação” (Ibidem).

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  • Os males culturais propagam-se hoje à velocidade da luz graças aos meios de comunicação social, por isso não há tempo para dormir… há que entrar no mundo dos mass média com muita urgência. Temos que tê-los e usá-los para que o Evangelho chegue de maneira vital às pessoas e às suas raízes culturais, convertendo-as e transformando-as profundamente, para que espelhem sempre a beleza do amor de Deus.

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  • 7. CONCLUSÃO graças aos meios de comunicação social, por isso não há tempo para dormir… há que entrar no mundo dos mass média com muita urgência. Temos que tê-los e usá-los para que o Evangelho chegue de maneira vital às pessoas e às suas raízes culturais, convertendo-as e transformando-as profundamente, para que espelhem sempre a beleza do amor de Deus.

  • Ser “sal” e “fermento” torna-se uma missão árdua se a despirmos da mística do amor que deve caracterizar o nosso agir a exemplo de Jesus Cristo, nosso mestre. Com efeito, na nova aliança, “ a verdadeira justiça torna-se amor, pois trata-se de um encontro com Deus-Amor, Deus-Misericórdia nos irmãos. Com esta nova roupagem, as relações humanas ficam completamente transformadas, porque assentes não mais em estruturas de opressão e injustiça, mas em estrutura de amor-caridade: é o amor que tem o potencial de mudar as pessoas, os sistemas, a história e os processos humanos que estão enraizados na injustiça e na opressão… É o amor que faz desabrochar novas estruturas, novos sistemas, novas comunidades, novas pessoas e povos” (J. M. Imbamba, A justiça social na revelação e na tradição, In III Semana Social Nacional, Luanda 2007, p.241). Com Cristo e em Cristo vivemos num amor transfigurante, unificante e vivificante.

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  • Por conseguinte, para que a Missão dê os frutos desejados, é necessário que a vida dos protagonistas, no caso dos fiéis leigos, seja transformada pela graça de Deus e animada pelo seu Evangelho; requer-se portanto uma mística existencial que vai fazer nascer uma nova criatura, uma nova sensibilidade e um novo modo de encarar e discernir cada realidade.

  • Termino com as palavras de GuzmánCarriquiry: “Somente aqueles que vivem com gratidão e alegria a verdade e a beleza de ser cristãos se tornarão efectivamente protagonistas da vida nova dentro do mundo”.

  • Muito obrigado

  • Luanda, 14 de Fevereiro de 2014

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