XXIX ENANPOLL
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XXIX ENANPOLL FLORIANÓPOLIS - 2014. FATOS DA LÍNGUA PORTUGUESA , DE MARIO BARRETO: UM ESTUDO HISTORIOGRÁFICO. Dieli Vesaro Palma - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Nancy dos Santos Casagrande - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tema

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XXIX ENANPOLL FLORIANÓPOLIS - 2014

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Presentation Transcript


Xxix enanpoll florian polis 2014

XXIX ENANPOLL

FLORIANPOLIS - 2014


Xxix enanpoll florian polis 2014

FATOS DA LNGUA PORTUGUESA, DE MARIO BARRETO: UM ESTUDO HISTORIOGRFICO

Dieli Vesaro Palma - Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo

Nancy dos Santos Casagrande - Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo


Xxix enanpoll florian polis 2014

Tema

Fatos da Lngua Portuguesa, de Mrio Castelo Branco Barreto, obra publicada em 1916

Variedade de assuntos, de carter sinttico, ortogrfico, entre outros, desenvolvidos em cada captulo, numa perspectiva filolgica

Diferena em relao aos Novos Estudos da Lngua Portuguesa , publicada em 1911: a cada captulo, o autor desenvolve um tema especfico

FATOS DA LNGUA PORTUGUESA, DE MARIO BARRETO: UM ESTUDO HISTORIOGRFICO


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Estrutura da Apresentao

Questes metodolgicas

A primeira Repblica ou o delineamento do esprito de poca

Anlise da obra

Consideraes Finais

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Perguntas orientadoras da pesquisa

Qual a concepo de ortografia defendida no captulo XIX da obra sob anlise?

Quais so os fatos sintticos abordados no captulo IV desta obra?

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Objetivos

Verificar qual a concepo de ortografia defendida por Mario Barreto no captulo XIX da obra Fatos da Lngua Portuguesa

Levantar quais as questes sintticas discutidas pelo fillogo no captulo IV

Destacar as contribuies da obra em anlise para os estudos sobre a Lngua Portuguesa no incio do sculo XX

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Questes tericas e metodolgicas

Conceito de Historiografia Lingustica

A Historiografia Lingustica caracteriza-se como uma disciplina que se debrua sobre o conhecimento lingustico j produzido, reflete sobre ele e o reconstri, mostrando suas contribuies no passado e sua repercusso no presente e sua projeo no futuro, com vistas a descrev-lo e a explic-lo.

FATOS DA LNGUA PORTUGUESA, DE MARIO BARRETO: UM ESTUDO HISTORIOGRFICO


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Dessa perspectiva, a historiografia lingustica tem como objeto a histria dos processos de produo e de recepo das ideias lingusticas e das prticas delas decorrentes que, por sua vez, geraram novas ideias e novas prticas em um processo de continuidade e descontinuidade, de avanos e de retomadas, inerentes busca de conhecimento. As maneiras pelas quais o conhecimento lingustico se produziu, desenvolveu, foi divulgado e percebido tambm fazem parte, em suma, da sua histria. (ALTMAN, 2012:22)

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Questes terico- metodolgicas

Proposta terico-metodolgica do Grupo de Pesquisa Historiografia da Lngua Portuguesa da PUCSP

Pontos a serem seguidos

Observao do princpios propostos por Koerner (1996): contextualizao, imanncia e adequao terica

Passos investigativos:

seleo ou escolha dos documentos a serem analisados;

Proposta terico-metodolgica do Grupo de Pesquisa Historiografia da Lngua Portuguesa da PUCSP

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Questes terico- metodolgicas

Proposta terico-metodolgica do Grupo de Pesquisa Historiografia da Lngua Portuguesa da PUCSP

Passos investigativos

ordenao ou organizao definida no caso de haver mais de um documento em estudo;

reconstruo do conhecimento lingustico explicitado no documento selecionado;

interpretao dos fatos observados ou leitura crtica do material a ser analisado com base no clima de opinio.

Questes terico- metodolgicas

Proposta terico-metodolgica do Grupo de Pesquisa Historiografia da Lngua Portuguesa da PUCSP

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Questes terico-metodolgicas

Escolha das fontes

Dimenso da investigao

Cognitiva

Social

Critrios de anlise

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Metodologia

proposta de Koerner (1996), que apresenta ao investigador trs princpios para um estudo historiogrfico:

a contextualizao ou recriao do esprito de poca, ou seja, o Brasil da primeira metade do sculo XX, sobretudo no que diz respeito s questes lingusticas;

a imanncia, ou anlise lingustica do documento, segundo categorias que emergem do prprio texto, que, neste estudo, sero: a estrutura da obra, a estrutura dos captulos, o conceito de ortografia e aspectos sintticos presentes no captulo IV;

a adequao ou aproximao de conceitos presentes na obra a teorias lingusticas atuais, com a finalidade de auxiliar o leitor moderno na compreenso do documento.

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A Primeira Repblica ou delineamento do esprito de poca

Proclamao da Repblica: a modernizao do pas

Mudanas em diferentes setores da sociedade, como na Educao, na Economia, na Cincias, influenciadas pelo Positivismo

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A Primeira Repblica ou delineamento do esprito de poca

Correntes lingusticas

A questo da norma literria: a identificao da lngua literria do Brasil com a de Portugal, com a valorizao dos padres clssicos, defendida por Mrio Barreto, associado Filologia do Portugus Europeu (CMARA JUNIOR, 2004)

Conceito de duas faces

Coerncia do presente com as linhas de desenvolvimento histrico da lngua, relacionada aos princpios neogramticos

Valorizao das obras clssicas: contradio

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A Primeira Repblica ou delineamento do esprito de poca

Correntes lingusticas

Conceito de duas faces

c. Forma de divulgao de suas ideias: a imprensa diria que lhe possibilita o contato com um grande pblico surgimento de um ideal de normalizao rgida da lngua literria, praticamente dissociada da realidade oral, e um purismo que no faz a mnima concesso ao uso corrente. (CMARA JUNIOR, 2004: 234)

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A Primeira Repblica ou delineamento do esprito de poca

Correntes lingusticas

Conceito de duas faces

d. Apoio: Rui Barbosa, discpulo de Cndido de Figueiredo, estudioso da linguagem, isolado dos grandes fillogos seguidores de Adolfo Coelho, modelo seguido por Mrio Barreto

- Diretriz seguida pela norma literria at as primeiras dcadas do sculo XX

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A Primeira Repblica ou delineamento do esprito de poca

Correntes lingusticas

- Teoria Gramatical

Elaborao da teoria da frase: anlise lgica, introduzida por Fausto Barreto

Posicionamento contrrio de Mrio Barreto, Silva Ramos e Sousa da Silveira

Introduo da Gramtica Histrica: Eduardo Carlos Pereira, Otoniel Mota, Antenor Nascentes e Sousa da Silveira

Teoria da Gramtica descritiva: Maximino Maciel e Said Ali

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Fonte primria: 3 edio , fac-similar, reproduzida da 1 edio, de 1916

Data da atual edio: 1982

Editora responsvel por essa edio: Presena: Rio de Janeiro

Edio realizada em convnio com o Instituto Nacional do Livro, com a Fundao Nacional Pr-Memria, com a Fundao Casa de Rui Barbosa e com o Ministrio da Educao e Cultura

1 edio: Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1916

2 edio: Rio de Janeiro: Organizao Simes,1954


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Informaes sobre o autor

Nascimento: 17 de maro de 1879 no Rio de Janeiro

Falecimento: 9 de setembro de 1931 na mesma cidade

Filho de Fausto Carlos Barreto e de Ana Castelo Branco Barreto

Estudos:

Colgio Militar

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1902

Vida profissional:

Fillogo e Catedrtico da cadeira de Portugus do Colgio Pedro II

Colaborador em vrios jornais do Rio e em revistas nacionais, respondendo a questes sobre linguagem enviadas por leitores de diferentes regies do Brasil

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Informaes sobre o autor

Exemplo de seu pai levou-o a sua inclinao para os estudos da lingua. Segundo Joo Alves Pereira Penha (2002),

E Fausto Barreto reconheceu o valor do filho. Pois indagado sobre qual seria a sua obra-prima, respondeu prontamente:

___ Mrio Barreto.(p. 50)

Sobre ele assim se manifesta Silva Ramos, prefaciador da obra:

E, para concluir, numa palavra; o principal factor da minha acentuada simpatia pelo eminente professor do Colgio Militar e pela sua obra a considerao que, sem embargo da diferena de idades, consentimos duplamente, no processo de estudo como aprendizes, e no mtodo de ensino como profissionais; o que no sei em qual de ns dois mais se deva admirar, se nele, se em mim; pois, quando discorremos por estes assuntos, nem eu tenho caturrices de velho, nem le verduras de rapaz.

No me retirarei, sem me gratular com o abalisado fillogo pela obra aqui lanada, a cujo trio me vai ser dado repetir a quem for entrando o que um a outro sugerimos, quando nos vemos ss por ss. (BARRETO, 1982, p. XVIII)

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Obra

Estudos da Lngua Portuguesa (1903), prefaciado por Joo Ribeiro

Novos Estudos da Lngua Portuguesa (1911)

Novssimos Estudos da Lngua Portuguesa (1914)

Fatos da Lngua Portuguesa (1916), prefaciado por Silva Ramos

De Gramtica e de Linguagem (1922), coletnea de artigos publicados na Revista de Lngua Portuguesa

Atravs do Dicionrio e da Gramtica (1927), respostas dadas a questes enviadas aos leitores da Revista de Filologia Portuguesa, aps a morte do fillogo Slvio de Almeida em 1924.

ltimos Estudos (1944), publicao pstuma, organizada por Candido Juc, que reuniu os artigos publicados na Revista de Cultura, em O Pas e no Correio da Manh.

Cartas Persas , traduo e anotao da obra de Montesquieu (1923)

ndice Alfabtico e Crtico da Obra de Mrio Barreto, organizado por Cndido Juc, publicado em 1981, pela Fundao Casa de Rui Barbosa.

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Categorias de anlise

a estrutura da obra

estrutura dos captulos

conceito de ortografia

aspectos sintticos do captulo IV, o conceito de gramtica e a classe do adjetivo tratada na Etimologia e na Sintaxe.

Categorias de anlise: o prefcio da 5 edio, a estrutura da obra, o conceito de gramtica e a classe do adjetivo tratada na

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Estrutura da obra

Alm do dito, a obra apresenta 21 captulos.

Do primeiro ao dcimo quinto, so abordadas questes gramaticais das mais diversas naturezas, que passam pela regncia verbal, pelo uso das formas verbais como preferir a e preferir que, pelo uso de galicismos, pela formao de palavras, pela anlise lgica, pelo emprego do anacoluto pleonstico, pela acumulao de negaes, por questes de concordncia, pelo complemento partitivo, pelo uso do genitivo etc.

Do dcimo sexto ao dcimo oitavo, so apresentadas Breves Anotaes a Trechos do Respeitvel Clssico Frei Lus de Sousa, nas quais Mrio pina questes lingusticas e aprofunda a sua anlise, sempre tomando como referncia autores da literatura clssica portuguesa e a lngua latina como referncia para a sua anlise filolgica.

Do dcimo nono ao vigsimo primeiro captulos tratada a Reforma da Ortografia de 1911, respondendo a perguntas dos leitores e discutindo diferentes aspectos relativos a esse tema.

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Estrutura dos captulos

Variada extenso

Quarto captulo: 08 itens

Dcimo nono captulo : 01 item

Diversificada em contedos

Captulo IV: Entenebrar e entenebrecer, formas simtricas - Eclecticismo e ecletismo: haplologia de slabas Compostos com filo, mania, fobia: pouco importa que o radical nada tenha de comum com o grego Variedade de regimen que oferecem muitos verbos ligeira anfibologia Devo-me ir daqui , ou devo ir-me Anteposio do pronome oblquo no imperativo Concordncia de um substantivo qualificado por dois adjetivos

Captulo XIX A Reforma Ortogrfica

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Estrutura dos captulos

Exposio dos temas

Introduo da questo a ser discutida

Apresentao de exemplos que contrariam o questionamento feito

Introduo do conceito

Reforo do ponto de vista adotado com a apresentao de novos exemplos

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Conceito de Ortografia

Tema tratado nos captulos XIX, XX e XXI sobre a Reforma Ortogrfica de 1915 em discusso, naquele momento, no Brasil, com base em entrevista concedida ao redator do Correio da Manh e publicada em 5 de dezembro de 1915

Sua posio em relao a essa Reforma:

Apoio simplificao e regularizao de nossa ortografia

Aplausos Academia Brasileira por querer harmonizar o seu programa de reforma com a ortografia oficial portuguesa ordenada por decreto de 1 de setembro de 1911. Caminha-se assim para o acrdo, evita-se o scisma ortogrfico, no se quebra a unidade do idioma comum (p.261 )

Confiana no grupo incumbido da Reforma cuja misso assinalar e eliminar as divergncias de pouca monta existentes entre as duas grafias, principalmente pela presena de Silva Ramos, verdadeiro lingista que anda ao corrente de quanto se publica na Europa e segue os mtodos exactos da scincia moderna. (p.261)

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Conceito de ortografia

Posio em relao Reforma

A reforma portuguesa, proposta por brilhantes linguistas, no ofende a prosdia brasileira, logo pode ser seguida no Brasil .

A base dessa reforma, a portuguesa, no o critrio de puro fonetismo. A ortografia snica impraticvel, sob pena de substituirmos um caos por outro caos. Por sua mesma definio, um ortografia fontica varia, como os sons que ela representa, de um indivduo a outro. De snica capitulam a reforma portuguesa para que fcilmente a possa desvaliar e combater quem quer que possui dois dedos de gramtica e no pode deixar de conhecer os argumentos j muito vistos e ouvidos com que se costuma refutar tal casta grafia. (p.262-263)

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Conceito de ortografia

Posio em relao Reforma

Seu apoio reforma tambm se d porque:

ela segue o proposto por Gonalves Viana em 1904, pois respeita a etimologia e a tradio histrica. (p.263)

a ortografia de Gonalves Viana cientfica ou racional, seguindo as feies peculiares do portugus e respeitando-se a histria da lngua, a sua formao e derivao, e bem assim, a tradio da sua antiga escrita.(p.263)

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Conceito de ortografia

Posio em relao Reforma

Adepto fervoroso da simplificao ortogrfica: polmica com Osrio Duque Estrada por seus ataques a Gonalves Viana

Quanto s crticas, ele assim se posiciona no que diz respeito :

Perda da noo de etimologia: A etimologia uma coisa e a ortografia outra. (p.265)

Presena da fontica na ortografia: Como palavras que correspondem ao primeiro leito ou estrato da formao do portugus, apresentam a fisionomia mais ou menos profundamente modificada, e so o resultado de sucessivas deformaes das palavras latinas ao passarem pelo ouvido e pela garganta de vrias geraes.Nessas palavras da camada popular, palavras herdadas, de origem evolutiva, houve, sempre, e h em regra ortogrfica fontica: escreve-se o que se profere. [...] Sem o auxlio da linguagem falada e das leis do seu desenvolvimento no se poderia remontar povo a populus, bispo a episcopus, polvo a polypus, etc. (p.265)

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Conceito de ortografia

Posio em relao Reforma

Quanto s crticas, ele assim se posiciona no que diz respeito :

Valorizao da tradio: mostra que as formas dino e malino foram consideradas por gramticos e retricos como lienas poticas de autores clssicos (Cames, por exemplo), quando na realidade exprimiam a proncia popular dos termos eruditos digno e maligno, pois os vulgares primitivos mudaram o ncleo gn em nh: agnu, anho, pugnu, punho, pregnata, prenhada. (p. 267) Foi a grafia erudita digno, que fez soar o g, introduzindo-o na fala. Esse tipo de mudana resultou ou de falsa etimologia ou de analogia.

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Conceito de ortografia

Objees aos adversrios da reforma

Confuso resultante do desaparecimento das consoantes duplas, como em gramma, peso distinto de grama, capim

essa simplificao aumentaria o nmero de homnimos , a verdade verdadeira , porm, que estas homonmias no ocasionaram jmais um momento de embarao a ningum, porque o contexto determina suficientemente a palavra. (p.267 )

A fealdade da grafia simplificada: o imprio da preocupao e dos hbitos. Os que veem escrito filosofia com f em vez philosophia com ph, acham estranha e feia a palavra simplificada. Como se uma mesma letra pudera parecer formosa em certas combinaes, e disforme em outras! Aos que oponham o estranho e feio das inovaes, diremos que a verdadeira beleza de uma arte consiste na simplicidade de seus processo; que o objecto da escritura pintar sons, e que quanto mais singelamente o faa, tanto mais bela ser. Diremos mais que a tal impresso de fealdade que a princpio nos causa a escrita simplificada, devida ao descostume. (p.268)

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Conceito de ortografia

Objees aos adversrios da reforma

a reduo das consoantes geminadas: as consoantes duplas latinas so pronunciadas de forma simples e devem, pois, ser reduzidas a uma s, e assim, escreveremos apelativo, abade, ofcio, adio, agresso, [...] como pede a sua etimologia. preocupao de aproximar a ortografia da etimologia que se deve a presena de letras duplas ou geminadas que a pronunciao do latim popular tinha deixado cair e que os latinizadores ressuscitaram. (p.270)

A supresso do h inicial, como elemento gerador de dificuldades no aprendizado de lnguas estrangeiras:se a supresso desta letra, que muda (e da variantes ortogrficas no prprio latim como herus e erus, harundo e arundo, e formas contractas tais como nil por nihil, prendo por prehendo) se a supresso do sinal h nos separa dos idiomas estrangeiros em alguns casos, em outros nos aproxima e nos pe em harmonia com les. Escrevendo o verbo aver sem h, nos abeiramos dos italianos e dos franceses, que escrevem avere, avoir. Escrevendo omen, orror, umanidade sem h, nos chegamos aos italianos que escrevem uomo, orrore, umanit. No vejo que se ganhe nada na ortografia de uma lngua para adquirir o conhecimento de outra. (p. 272)

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Conceito de ortografia

Motivos para se aceitar a nova Reforma:

Os romanistas portugueses no nos propem uma ortografia fontica. Podemos ficar tranqilos e seguros a ste respeito. A reforma ortogrfica por aqueles sbios preparada tem muito pelo contrrio por fim respeitar a tradio lingstica e restaur-la onde quer que ela foi alterada. tal a semrazo de algumas crticas, que pendemos a crer que os autores delas no leram o livro de Gonalves Viana, nem o relatrio, que um verdadeiro tratado de ortografia, da Comisso oficial portuguesa, e nisto est a desculpa de semelhantes crticos. (p.273)

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Anlise do captulo IV

Variedade de regime de muitos verbos: uma aspecto da Lngua Portuguesa

verbos que apresentam dupla possibilidade de construo: ora com acusativo de pessoa, ora com acusativo de coisa , de maneira que o nome da pessoas ir muitas vezes em acusativo e outras em dativo. (p.75) Neste caso est o verbo ensinar ; Ensinaste-o a morrer, ensinei-o a ler, ensinei-o a dansar, e ensinei-lhe o caminho, ensinei-lhe a leitura. (Vej. Epifnio Dias, Gram. Port. Elementar, 120, ob.2) (p. 76) Fazem parte deste grupo os verbos aconselhar e implorar. Os exemplos so abonados no s por estudiosos da lngua, como Epifnio, mas tambm por grandes literatos como Camilo Castelo Branco, Padre Vieira, Jlio Dinis, Machado de Assis, entre outros.

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Uso do pronome tono

Discusso sobre a posio do pronome tono em construes perifrsticas com os verbos poder, ir, querer e dever na funo de verbos auxiliares, seguidos um verbo principal: o pronome deve preceder o auxiliar (determinante) ou deve unir-se sua terminao: Se a quiseres ver, h de ir a casa de meu pai. (p.78) Queriam-me enganar. Diz Mrio: Esta construo at mais fluente e familiar. A outra em que o pronome se pospe ao infinitivo, do qual le objecto directo ou indirecto, enftica: No desejo ver-te ; tu queres vingar-te; eu no tornei a v-lo; no posso vencer-me... (p.78)

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Uso do pronome tono

Chama ainda a ateno para o fato de o brasileiro preferir intercalar o pronome entre os dois verbos, como em le no quer me ofender, eu no posso me vestir, posso te fazer um favor. (p.79) O portugus diria: le no me quer ofender, ou no quer ofender-me, eu no me posso vestir ou no posso vestir-me, posso-te fazer ou posso fazer-te um favor, quero-te ver ou quero ver-te.(Esclarecido pelo autor que os exemplos foram colhidos em Cantos populares do Brasil, coligidos por Slvio Romero.p. 79)

Prope, com base em Said Ali que esta questo no pode ser resolvida pela sintaxe, mas sim pela fontica e cita Silva Ramos que diz que o fenmeno ( a colocao dos casos oblquos do pronome pessoal) meramente de som, daquela fontica sintctica de que fala Brugmann, que considera a frase como uma unidade fontica completa em si mesma. (p.80)

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Anteposio do pronome oblquo no imperativo

Crtica de Osrio Duque-Estrada ao verso do poeta Teixeira de Melo: De mim te recorda quando a alva furtiva. (p.81), destacando o uso do pronome imperativo.

Baseia sua aceitao dessa construo em Diez que diz: Avec limpratif et le grondif les pronoms deviennent enclitiques: pe-me, dai-me, valendo-se, exortando-os; ils prcedent parfois aussi le premier mode: me ensina, nos conta. (p.81) Refora seu argumento citando Cames e Castilho e, finaliza dizendo: e rara e escassa hoje a forma do imperativo me ensina, em vez de ensina-me , nem por isso faltam exemplos de tal colocao. (p.82)

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Concordncia de um substantivo qualificado por dois adjetivos

Discusso da concordncia de um substantivo plural com dois adjetivos no singular

Motivo da abordagem do tema: crtica a Carlos de Laet, um dos melhores prosadores da nossa terra, um estilista que gosta de remoar a velha linguagem dos clssicos (p.82), em funo da seguinte construo: Seguem estranhos cultos os colonos asiticos e africanos immiscudos no tremendo certame, a trazidos pelos governos ingls e francs. (p.82-83), texto publicado no Jornal do Brasil em 20 de dezembro de 1914.

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Concordncia de um substantivo qualificado por dois adjetivos

Discusso da concordncia de um substantivo plural com dois adjetivos no singular

Considera Barreto essa concordncia mui portuguesa, sendo lgica e de uso antigo na lngua, isso porque estando o substantivo no plural, e referindo-se por tanto a vrios seres, cabe perfeitamente o emprgo de dois ou mais adjetivos no singular, cada um dos quais vem a qualificar um dos seres compreendidos na pluralidade do substantivo. (p.83). Comprova seu ponto de vista, com base na gramtica de Guardia e Wierzeysky, em que h exemplos de construes semelhantes, nas quais intervm numerais (adjetivos numerais) como em Os voluntrios foram alistados nas legies dcimanona e vigsima.

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Concordncia de um substantivo qualificado por dois adjetivos

Discusso da concordncia de um substantivo plural com dois adjetivos no singular

Mostra que no pertinente a crtica do leitor a Laet e que, talvez, tenha havido uma confuso com a expresso a literatura grega e a latina, uma vez que uma literatura no pode, ao mesmo tempo, ser grega e latina, mas as literatura grega e latina construo aceitvel, sendo a diferena de nmero que torna possvel essa construo, porque nenhuma confuso se pode estabelecer no esprito do leitor. (p.84)

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Concluses

Conceito de ortografia:

Ela deve respeitar e registrar as formas tradicionais da lngua, ser simplificada e deve restaurar as formas lingusticas nos aspectos em que foram alteradas.

No se confunde com a Etimologia.

No pode ser fontica, mas deve registrar as transformaes sofridas pelas palavras ao longo do tempo, tendo, portanto, em suas regras aspectos fonticos.

Em suma, ele entendia ortografia como o conjunto de normas reguladoras da representao grfica das palavras. (PROENA FILHO:2009, p.15)

OBS. A proposta, feita pela Academia, de estabelecer acordo com Portugal foi abandonada em 1919. Foi somente no final do sculo XX que esse acordo ortogrfico tornou-se, parcialmente, realidade.

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Concluses

Na exposio dos temas, quer ortogrficos, quer sintticos, o autor deixa evidente a sua erudio, pois eles so aprofundados de diferentes formas: comparao com outras lnguas; informaes de carter histrico; comparao entre diferentes autores de distintas pocas; apresentao de argumentos de autoridade com base na Lngua Latina e no Portugus Clssico.

A presente obra trouxe contribuies para os estudos lingusticos na primeira metade do sculo XX, na perspectiva da Filologia, valorizando a norma literria e o purismo, tendo sido Mrio Barreto o defensor e difusor dessas ideias no Brasil.

FATOS DA LNGUA PORTUGUESA, DE MARIO BARRETO: UM ESTUDO HISTORIOGRFICO


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Concluses

Ela mostra ao leitor moderno que muitas das questes sintticas discutidas ainda hoje so alvo de reflexo por parte dos estudiosos da Lngua Portuguesa, no tendo, portanto, sido resolvidas, como a colocao pronominal.

Por fim, aps 99 anos da entrevista de Mrio sobre a adoo de um acordo ortogrfico comum entre Brasil e Portugal, constatamos que as mesmas divergncias persistem entre os dois pases sobre a possibilidade de uma ortografia unificada.

H tambm, nas discusses sobre ortografia, a reincidncia de determinados aspectos, como a relao entre ortografia e fontica, que se faz presente na proposta de uma reforma ortogrfica fundamentada na fontica, que est sendo, atualmente, proposta no Brasil, fato que j foi duramente criticado por Mrio por mostrar-se invivel, como apontado nesta exposio.

FATOS DA LNGUA PORTUGUESA, DE MARIO BARRETO: UM ESTUDO HISTORIOGRFICO


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Bibliografia

ALTMAN, Cristina. Histria, Estrias e Historiografia da Lngustica Brasileira. In Todas as Letras Revista de Lngua e Literatura.So Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie. V. 14. N. 1, 2012.

BARRETO, Mrio. Fatos da Lngua Portuguesa. 3 ed., fac-similar, reproduzida da 1 edio, de 1916. Rio de Jnaeiro: Presena, 1982.

BASTOS, Neusa Barbosa e PALMA, DieliVesaro. Histria Entrelaada A Construo de Gramticas de Lngua Portuguesa do Sculo XVI ao XIX. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

BASTOS, Neusa Barbosa e PALMA, DieliVesaro. Histria Entrelaada 2. A Construo de Gramtica de Lngua Portuguesa na primeira metade do Sculo XX. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.

KOERNER, Konrand. Questes que persistem em Historiografia Lingustica. In Revista da ANPOLL, N 2, p. 47-70, 1996.

MATTOSO CMARA JUNIOR, Joaquim. Dispersos de J. Mattoso Cmara Jr. (Carlos Eduardo Falco Ucha org.) Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

PENHA, Joo Alves Pereira. Fillogos Brasileiros. Franca: Editora Ribeiro Grfica, 2002.

PROENA FILHO, Domcio. Nova Ortografia da Lngua Portuguesa guia prtico.Rio de Janeiro: Record, 2009.

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