O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo
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Universidade Federal do Triângulo Mineiro. O MUNDO DEGRADADO E A RESISTÊNCIA NA NARRATIVA: O FEMININO E OS (ANTI)VALORES EM SÃO BERNARDO. Prof. Bruno Curcino Éricka Fernanda Simone Daniela. Larissa Cristina Viana Lopes Maria Edileuza da Costa. ROMANCE DE 30. Neo-realista

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O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

Universidade Federal do Triângulo Mineiro

O MUNDO DEGRADADO E A RESISTÊNCIA NA NARRATIVA: O FEMININO E OS (ANTI)VALORES EM SÃO BERNARDO

Prof. Bruno Curcino

Éricka Fernanda

Simone Daniela

Larissa Cristina Viana Lopes

Maria Edileuza da Costa


Romance de 30

ROMANCE DE 30

  • Neo-realista

  • Verossimilhança

  • Tipificação social → análise crítica da realidade

  • Linguagem coloquial/regionalista

  •  Temáticas:

    • Choque entre o Brasil rural X Brasil urbano→ Ascensão e queda dos coronéis→ Drama dos trabalhadores rurais

    • Camadas populares, trabalhadores, marginais, setores médios e urbanos


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

  • São Bernardo é um exemplo da literatura, apontada por Bosi, como uma escrita resistente, porque discute o cotidiano do patriarcado com ares de burguesia que silenciou o comportamento feminino por muitos anos, além de cometer outras violências.


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

DR. MAGALHÃES E NOGUEIRA

  • “O povoado transformou-se em vila, a vila transformou-se em cidade, com chefe político, juiz de direito, promotor e delegado de polícia.” (p.36)

    “Como a justiça era cara, não foram à justiça. E eu, o caminho aplainado, invadi a terra do Fidélis, paralítico de um braço, e a dos Gama, que pandegavam no Recife, estudando direito. Respeitei o engenho do Dr. Magalhães, juiz.” (p. 39-40)


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

PADRE SILVESTRE

  • Se envolve em política

    “Padre Silvestre recebeu-me friamente. Depois da Revolução de Outubro, tornou-se uma fera, exige devassas rigorosas e castigos para os que não usaram lenços vermelhos. Torceu-me a cara. E éramos amigos. Patriota. Está direito: cada qual tem as suas manias.” (p.5-6)

    “Afastei-o da combinação e concentrei as minhas esperanças em Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, periodista de boa índole e que escreve o que lhe mandam.” (p.6)

    “Tudo isso é fácil quando está terminado e embira-se em duas linhas, mas para o sujeito que vai começar, olha os quatro cantos e não tem em que se pegue, as dificuldades são horríveis. Há também a capela, que fiz por insinuações de Padre Silvestre” (p. 9)


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

COSTA BRITO E AZEVEDO GONDIM

  • A imprensa era à favor da classe dominante

    “Depois do meu telegrama (lembram-se: o telegrama em que recusei duzentos mil-réis àquele pirata), a Gazeta entrou a difamar-me. A princípio foram mofinas cheias de rodeios, com muito vinagre, em seguida o ataque tornou-se claro e saíram dois artigos furiosos em que o nome mais doce que o Brito me chamava era assassino. Quando li essa infâmia, armei-me de um rebenque e desci à cidade.” (p.70-71)


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

“A Gazeta, que sempre louvara furiosamente o governo, fugira para a oposição, por causa de um emprego de deputado estadual, e achava a administração pública desorganizada, entregue a homens incompetentes. A nós que votávamos com o partido dominante, mas não éramos peixe nem carne queixumes, nariz torcido, modos de enjôo. Da minha última viagem à capital, em troca de uma notícia besta de quatro linhas, o diretor da Gazeta ainda me lambera cinqüenta mil réis, no café, bebendo cerveja com indignação:

  • Querem jornal de graça. Para o inferno! A vida inteira escrevendo como um condenado, mentindo,para esses moços subirem! Só a despesa que se tem! Só o preço do papel! E na eleição, coice. Nem uma porcaria, uma desgraça que qualquer prefeito analfabeto consegue com facilidade. Querem elogios. Está aqui para eles.

    Eu não precisava do Brito, mas passei o dinheiro, em atenção a serviços prestados anteriormente e porque não gosto de questões com gente de imprensa. Depois aludi à crise e dei a entender que não continuava a sangrar.” (p.61)


Seu ribeiro

“SEU” RIBEIRO

  • Fora rico proprietário rural

  • Patriarca amado e respeitado por todos

  • Fora atropelado pelo progresso

  • Contraste patriarca senhorial do passado X pragmatismo do capitalista do presente.


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

“Não havia soldados no lugar, nem havia juiz. E como o vigário residia longe, a mulher de Seu Ribeiro rezava o terço e contava histórias de santos às crianças. [...] E os pretos não sabiam que eram pretos, e os brancos não sabiam que eram brancos. Na verdade Seu Ribeiro infundia respeito. [...] todo o mundo seguia o Major porque todo o mundo era do Major.” (p.35)


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

“O povoado transformou-se em vila, a vila transformou-se em cidade, com chefe político, juiz de direito, promotor e delegado de polícia.

Trouxeram máquinas e a bolandeira parou. Veio o vigário, que fechou uma igreja bonita. As histórias na memória das crianças.

Chegou o médico. Não acreditava nos santos. A mulher de seu Ribeiro entristeceu, emagreceu e finou-se.

O advogado abriu consultório, a sabedoria do Major encolheu-se e surgiram no foro numerosas questões.” (p. 36)


Os padilha

OS PADILHA

  • Antigo proprietário da fazenda São Bernardo, que herdara do pai, porém acabou perdendo para Paulo Honório devido à dividas.

  • Intelectual sem futuro – fracassado

    “ Meu antigo patrão, Salustiano Padilha, que tinha levado uma vida de economias indecentes para fazer o filho doutor, acabara morrendo do estômago e de fome sem ver na família o título que ambicionava. Como quem não quer nada, procurei avistar-me com Padilha moço (Luís). Encontrei-o no bilhar, jogando bacará, completamente bêbado.” (p.14)


Casimiro lopes

CASIMIRO LOPES

  • Capanga fiel

  • Traço humano: é o único que dá atenção ao filho de Paulo Honório.

    “Casimiro Lopes era a única pessoa que lhe tinha amizade. Levava-o para o alpendre e lá se punha a papaguear com ele, dizendo histórias de onças, cantando para o embalar as cantigas do sertão.(p. 138)”


Paulo hon rio

PAULO HONÓRIO

  • Paulo Honório é um homem de origem humilde, muito ambicioso que decide ascender na vida, mesmo que para isso use meios ilícitos.

  • Ambicioso e dominador, que veio do nada e alcançou estabilidade e respeito social.


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  • Com este personagem, Graciliano Ramos traça o perfil da vida e do caráter de um homem rude e egoísta, do jogo de poder e do vazio da solidão, em que não há espaço nem para a amizade, nem para o amor. A trajetória desse homem rude e de “alma agreste” é desvendada ao leitor por meio do relato que o próprio personagem faz de sua vida fracassada.

  • Nesta narrativa, Graciliano Ramos mostra “[...] o nível de consciência de um homem que, tendo conquistado a duras penas um lugar ao sol, absorveu na sua longa jornada toda a agressividade latente em um sistema de competição.” (BOSI: 1994, 403).


Paulo hon rio e as mulheres

PAULO HONÓRIO E AS MULHERES

  • A presença da mulher na sua vida sempre se prendeu a necessidades práticas.

  • A primeira cujo envolvimento registra, Germana, rendeu-lhe três anos, nove meses e quinze dias de cadeia.

  • Não foi criado pela mãe

  • Ele procura uma mulher para casar , para obter um herdeiro, continuando assim seu sonho, São Bernardo.


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“E recomecei a elaborar mentalmente a mulher a que me referi no princípio deste capítulo. Revistei a Mendonça, a Gama, a irmã do Gondim (eu nem sabia como se chamava a Gondim) e dona Marcela do doutor Magalhães. Dona Marcela era um pancadão. Cada olho! O que tinha de ruim era usar muita tinta no rosto e muitos ss na conversa. Paciência. Perfeito só Deus."(p. 60).

“[...]Levado ainda por uma finalidade egoísta, típica de um proprietário, Paulo Honório pretende se casar: é preciso ter um filho que seja o herdeiro das riquezas que ele acumulou. Não é o amor que o move, pois os egoístas não conhecem o amor, ele busca a mulher como quem busca um objeto, uma propriedade.” (Coutinho, 1967:87, grifo nosso).


As mulheres de 30

As mulheres de 30

  • O proprietário queria que Madalena fosse uma mulher de acordo com os moldes da sociedade patriarcal, ou seja, voltada para o lar, para a família, com educação direcionada ao casamento, comportamento típico das jovens senhoras do século XVIII e XIX.

  • Para a época , era inadmissível que mulheres manifestassem opiniões próprias ou quisessem participar de decisões que eram somente para os homens.


Outras mulheres

Outras MULHERES

D.Glória

  • representa a condição social da mulher, sem acesso a formação profissional

  • Fica a mercê de pequenos afazeres e ajuda de terceiros.

    “Eu saía para a escola e ela punha o xale, ia cavar a vida. Tinha muitas profissões. Conhecia padres e fazia flores, punha em ordem alfabética os assentamentos de batizados, enfeitava altares. Conhecia desembargadores e copiava os acórdãos do tribunal. A noite vendia bilhetes no Floriano. E como o padeiro nosso vizinho era analfabeto, escriturava as contas dele num caderno de balcão. Está claro que, dedicando-se a tantas ocupações miúdas, era mal paga.” (p. 116)


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Rosa

  • mulher do empregado da fazenda

  • mantinha uma relação às escondidas com Paulo Honório

    “Rosa do Marciano atravessava o riacho. Erguia as saias até a cintura. Depois que passava o lugar mais fundo ia baixando as saias. Alcançava a margem, ficava um instante de pernas abertas, escorrendo água, e saía torcendo-se, com um remelexo de bunda que era mesmo uma tentação.” (p. 158)

    “Marciano conheceria as minhas relações com a Rosa? Não conhecia. Tive sempre o cuidado de mandá-lo à cidade, a compras, oportunamente.” (p.137)


Madalena

MADALENA

  • Bonita, culta, educada, direita, de bons costumes e boa...

  • Fundamental para os rumos e o desfecho do Romance.

  • Mulher à frente de seu tempo

    “– Mulher superior. Só os artigos que publica no Cruzeiro!

    – Ah! Faz artigos!

    – Sim, muito instruída. Que negócio tem o senhor com ela!

    – Eu sei lá! Tinha um projeto, mas a colaboração no Cruzeiro me esfriou. Julguei que fosse uma criatura sensata.” (p. 84).

  • O sofrimento de Madalena é resultado do tradicionalismo de Paulo Honório, que cala a voz da esposa como forma de conter a inovação que representava esta figura feminina: a expressão, a voz, a educação, os ideais, a formação.


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  • Madalena mostrou que não seria uma mulher que se restringiria a atender as ordens do esposo, pois se expressava, exigia, opinava e não aceitava as condições de vida e trabalho na fazenda.

    “- É exato confessou seu Ribeiro. Não me falta nada, o que recebo chega.

    - Se o senhor tivesse dez filhos, não chegava, disse Madalena” (p.99)

    “ Falta nada! Tem tudo, a sinhá manda tudo. Um despotismo de luxo: lençóis, sapatos, tanta roupa! [...] (p.119)


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“ –É horrível! Bradou Madalena.

-Como?

-Horrível! Insistiu.

- Que é?

- O seu procedimento. Que barbaridade! Despropósito.

[...]

-Não entendo. Explique-se.

Indignada, a voz trêmula:

-Como tem coragem de espancar uma criatura daquela forma

-Ah! Sim! Por causa do Marciano. Pensei que fosse coisa séria. Assustou-me.” (p.109)


Marcela x madalena a escolha

Marcela x Madalena: A ESCOLHA

  • A forma como Paulo Honório se refere a Madalena abranda-se desde as primeiras menções, fato que se pode destacar pelo uso do diminutivo e de adjetivos e pela atenção que lhe dirige, no tocante ao gestual. João Luiz Lafetá, no seu ensaio "O Mundo à Revelia", aponta para esse aspecto:

    “A diferença de linguagem quando se refere a Madalena e quando a dona Marcela é significativa. O mais importante, entretanto, é que Madalena passa a ocupar, a partir deste instante, o lugar central dos acontecimentos: ‘como o silêncio se prolongasse, repliquei ao Nogueira quase me dirigindo a lourinha (...)’ E depois: ‘Percorri a cidade, bestando, impressionado com os olhos da mocinha loura e esperando um acaso que me fizesse saber o nome dela!” (Lafetá, 2002:203).


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“De repente conheci que estava querendo bem à pequena. Precisamente o contrário da mulher que eu andava imaginando – mas agradava-me, com os diabos. Miudinha, fraquinha. Dona Marcela era bichão. Uma peitaria, um pé de rabo, um toitiço!” (p. 67).

O contraste flagrante entre as duas moças faz avultar a impressão que Madalena causou em Paulo Honório. Ele ficou impressionado com os seus olhos e decidiu levantar as informações adequadas ao "negócio" que pretendia realizar. Foi rápido na definição dos seus propósitos com Madalena: "dar uma cabeçada séria".


Tempo cronol gico x tempo psicol gico

Tempo cronológico x tempo psicológico

  • “Nove horas no relógio da sacristia.” (p.161)

  • “Faz dois anos que Madalena morreu [...]” (p.183)

  • “Emoções indefiníveis me agitam – inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração.” (p.101)


Para refletir

Para refletir:

  • Madalena casou-se por interesse?


Casamento

CASAMENTO

  • Paulo Honório queria se casar, como havia consolidado a posse e expansão de São Bernardo era necessário providenciar um herdeiro.

    O tipo de mulher que Paulo desejava era:

    “[...]criatura alta, sadia, com trinta anos, cabelos pretos[...] (p.57)

    Porém conhece Madalena, “moça loura e bonita”, o oposto do que havia imaginado, ele na verdade estava apaixonado:

    “De repente conheci que estava querendo bem à pequena. Precisamente o contrário das moças que eu andava imaginando – mas agradava-me, com os diabos. (p.67).


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  • Desde os primeiros dias de casados Madalena começa a participar dos negócios da fazenda, dá opiniões e intercede pelos colonos e isso não agrada Paulo, com isso ele começa a conhecer sua esposa.

    “Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. (p.100)


Posse x coisa possu da ci mes x frustra o

POSSE X COISA POSSUÍDA CIÚMES X FRUSTRAÇÃO

  • Paulo Honório tinha TUDO em suas mãos; controle total da S. Bernardo e tudo que cercava, menos MADALENA.

  • “Está absolutamente explícito que, na visão de Paulo, o casamento nada mais era do que um negócio [...]” (LOPES e COSTA, p. 228)

    “– Não fale assim, menina. E a instrução, a sua pessoa, isso não vale nada? Quer que lhe diga? Se chegarmos a um acordo, quem faz negócio supimpa sou eu. (p.89)


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  • Madalena era mulher bastante sociável, mantinha boa comunicação com todos. Sua instrução unida à socialização com as pessoas da fazenda e demais amigos de Paulo Honório faz emergir o ciúme. O fazendeiro começa a suspeitar da fidelidade de Madalena.


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  • O desconhecimento da interioridade anímica de sua esposa, faz com que o fazendeiro suspeite, imagine. Uma mulher ‘sombria’ é o único fundamento que ele pode encontrar para dar indícios de que ela, carregada de mistérios, pode disfarçar, mentir, trair.

  • O ciúme exagerado era uma extensão do desejo de posse de Paulo Honório.


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CAPÍTULO 23

E Madalena escutando o Padilha. O Padilha, que tinha uma alma baixa, na opinião dela. [...] Entretidos, animados. Conspiração. Talvez não fosse nada. Mas, para quem, como eu, andava com a pulga atrás da orelha! (p.121)

CAPÍTULO 24

Madalena falava com seu Ribeiro [...] procurava convencê-lo, mas não percebi o que dizia. De repente invadiu-me uma espécie de desconfiança. Já havia experimentado um sentimento assim desagradável. Quando? (p. 131)

[...]Procurei Madalena e avistei-a derretendo-se e sorrindo para o Nogueira, num vão da janela.

Confio em mim. Mas exagerei os olhos bonitos do Nogueira, a roupa bem feita, a voz insinuante [...] Misturei tudo ao materialismo e ao comunismo de Madalena – e comecei a sentir ciúmes. (p. 133)


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CAPÍTULO 25

Requebrando-se para o Nogueira, ao pé da janela, sorrindo! [...] Aquela conversa teria sido a primeira? [...] Talvez namorassem. [...] E, com dois anos de casada, num vão de janela, desmanchava-se toda para ele.

Erguia-me, insultava-a mentalmente:

– Perua!

Até com o Padilha! [...]

Depois a colaboração no jornal do Gondim. Continuava a colaborar. Pouco, mas continuava. O Gondim e ela tinham sido unha e carne. [...] E discutiam pernas e peitos dela!

Eu tinha razão para confiar em semelhante mulher? Mulher intelectual. (p. 136)

CAPÍTULO 26

Aguentar! Ora aguentar! Eu ia lá continuar a aguentar semelhante desgraça? O que me faltava era uma prova: entrar no quarto de supetão e vê-la com outro. [...] Comecei a mexer nas malas, nos livros, e a abrir-lhe a correspondência. (p. 139)


O filho a rejei o

O filho – a rejeição

“Afastava-me, lento, ia ver o pequeno, que engatinhava pelos quartos, às quedas, abandonado. Acocorava-me e examinava-o. Era magro. Tinha os cabelos louros, como os da mãe. Olhos agateados. Os meus são escuros. Nariz chato. De ordinário as crianças têm o nariz chato.”

“E o pequeno continuava a arrastar-se, caindo, chorando, feio como os pecados. As perninhas e os

bracinhos eram finos que faziam dó. Gritava dia e noite, gritava” (p. 137).


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“Ninguém se interessava por ele. Dona Glória lia. Madalena andava pelos cantos, com as pálperas vermelhas e suspirando. Eu dizia comigo: Se ela não quer bem ao filho!” (p. 137-138)

  • Quem dava atenção ao menino era somente Casimiro.


Para refletir1

Para refletir:

  • O suicídio de Madalena é por fraqueza, ou porque chegou ao seu limite?


Suic dio

Suicídio

  • Os valores de Madalena, que se opõem ao mundo adormecido e costumeiro do esposo, representam o que Bosi chama de resgate resistente, pela narrativa, não apenas do que foi dito, mas do que fora calado. Isso se comprova com a atitude derradeira de Madalena: o ato suicida, simplesmente por não querer vendar os olhos diante das mazelas e defender seus próprios ideais (o novo), além de não se submeter aos ideais do esposo (a tradição).


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  • Madalena, insatisfeita com a vida que levava ao lado de Paulo Honório, deu a si um fim. A professora talvez tenha sido o maior desafio do proprietário patriarcalista. Havia uma “hierarquia” social contraditória entre ambos: o homem superior/inferior. Madalena não se deixou dominar, impunha suas vontades e atividades; a negativa ao domínio atinge seu ponto máximo com o suicídio, a maior das negativas.

    “com o suicídio a personagem revela a impossibilidade de luta frente as injustiças sociais. Sua morte revela ainda a aporia que se cria quando alguém se destina a contrariar interesses sistêmicos.” (LOPES, p. 233)


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

“- A quem?

- Você verá. Está em cima da banca. Não é caso para barulho. Você verá.”

- Você me perdoa os desgostos que lhe dei, Paulo?

- Julgo que tive as minhas razões. - Não se trata disso. Perdoa? Rosnei um monossílabo. Seja amigo de minha tia, Paulo. Quando desaparecer essa quizília, você reconhecerá que ela é boa pessoa.

Eu era tão bruto com a pobre da velha!” (p.163)

“- Conseqüência desse mal-entendido. Ela também tem culpa. Um bocado ranzinza.” (p.164)


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“O relógio da sacristia tocou meia noite,

- Meu Deus! Já tão tarde! Aqui, tagarelando...

Voltou-se da porta:

- Esqueça as raivas Paulo.

Porque não acompanhei a pobrezinha? Nem sei. Porque guardava um resto de dignidade besta. Porque ela não me convidou. Porque me invadiu uma grande preguiça.” (p.166)


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

  • O suicídio de Madalena é um golpe para Paulo Honório, uma vez que sua esposa passa a existir, agora, apenas em sua consciência. A professora é um exemplo da autonomia da mulher em uma sociedade opressora e machista. Madalena é um grito em qualquer “São Bernardo” de épocas quaisquer. Além da falta da esposa, Paulo Honório sente os efeitos da Revolução de 30 que causa grandes prejuízos a seus negócios. (LOPES E COSTA, 2002:234)


Dom casmurro e s o bernardo

DOM CASMURRO E SÃO BERNARDO

  • São Bernardo: mostra os conflitos e contrastes entre Paulo Honório e Madalena. A obra associa-se à Dom Casmurro → homem perde a mulher e rejeita o filho. Os dois homens são devorados pelo ciúme e não admitiam as mulheres que pensavam.

  • Romances psicológicos, ligados aos conflitos internos da personagem principal.


Paulo hon rio x madalena anti valores x valores

Paulo Honório x Madalena(anti)VALORES X VALORES

  • Juntos Paulo Honório e Madalena encenam o duo dramático que mostra homem e mulher submetidos a princípios culturais rígidos.


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

  • Inculto

  • Mecanizar a fazenda

  • Exterior

  • Capitalista

  • Culta

  • Humanizar a fazenda

  • Interior

  • Socialista

PAULO HONÓRIO

MADALENA


S o bernardo fazenda x livro

São Bernardo fazenda x livro

  • Metalinguagem – São Bernardo (livro) fala de São Bernardo (fazenda).

  • Toda a vida de Paulo Honório girava em torno da fazenda e por causa da fazenda e de toda a sua alma “agreste” ele leva uma vida rude e egoísta.

  • Ao escrever o livro acontece um processo de tomada de consciência por parte de Paulo Honório.

  • Escrever o livro para Paulo Honório é como um acerto de contas existencial .

  • É o máximo de seu processo de humanização (mesmo que tardio).


O mundo degradado e a resist ncia na narrativa o feminino e os anti valores em s o bernardo

Fazenda

  • Quando nos referimos a obra São Bernardo em relação a fazenda encontramos a violência do protagonista contra homens e coisas porque a fazenda se incorpora ao seu próprio ser, como atributo penosamente elaborado.


Refer ncias

REFERÊNCIAS

Disponível em: http://www.ucm.es/info/especulo/numero15/g_ramos.html Acesso: Fevereiro de 2012.Disponível em: http://w3.ufsm.br/grpesqla/revista/dossie02/art_01.phpAcesso: Março de 2012.Disponível em: http://www.dubitoergosum.xpg.com.br/a453.htm Acesso: Fevereiro de 2012.

Disponível em: http://www.dubitoergosum.xpg.com.br/a453.htm Acesso: Março de 2012.Disponível em: http://seer.ufrgs.br/NauLiteraria/article/view/6045/4535 Acesso: Março de 2012.Disponível em: http://www.assis.unesp.br/cilbelc/jornal/maio08/content17.html Acesso: Março 2012.

VIANNA, Lúcia Helena. Roteiro de Leitura de São Bernardo de Graciliano Ramos. São Paulo: ática, 1997.

RAMOS, Graciliano. São Bernardo. 74. ed. Rio de Janeiro: São Paulo: Record 2002

LÁFETÁ, João Luiz. Pósfácio: O mundo à revelia. In: RAMOS, Graciliano. São Bernardo. 74. ed. Rio de Janeiro: São Paulo: Record, 2002. p. 192-217

MOURÃO, R. A Estratégia Narrativa de “São Bernardo”. In: Minas Gerais, Belo Horizonte, 2 nov. 1968. Supl. Lit.

REIS, D. O. As fraturas de São Bernardo. Madalena e a dominação masculina. In: São Bernardo: Uma verossimilhança desviante. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, março de 2011.


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